Capítulo 47 - Os Pequenos Planos de Grande Cachimbo Bao
An Setenta e Sete retornou para casa e, assim que entrou, Qiqige se aproximou perguntando: Pai, você ouviu o anúncio da vila?
Setenta e Sete lançou-lhe um olhar e respondeu: Não ouvi!
Qiqige, intrigada, insistiu: Tem certeza que não ouviu? O anúncio do secretário Bai...
— Ouvi sim, ouvi sim. Yuan Zhenfu não é um malfeitor, é uma boa pessoa! É uma excelente pessoa, o melhor de toda a vila da Lua Crescente, com um coração enorme, satisfeito agora?
An Setenta e Sete demonstrava uma certa impaciência, mas Qiqige não se importou. Para ela, bastava saber que ele tinha ouvido — afinal, Yuan Zhenfu era uma boa pessoa.
...
Baobayin, conhecido por saber levar uma vida, não era apenas diligente, mas também tinha uma mente ágil, sempre com ideias e ações inquietas. Alguns anos atrás, ele percebeu com astúcia que o movimento de cortar o “rabo do capitalismo” finalmente tinha passado, então, às escondidas, trouxe quatro grandes ovelhas do pasto e levou-as secretamente à beira do rio. No entanto, acabou sendo denunciado, quase teve os animais confiscados pelo coletivo da vila e do município, e só lhe restou sacrificá-las com pesar. Entre os anos 1960 e meados dos 1970, o gado era propriedade coletiva do grupo de produção, sendo proibido o cultivo individual. Depois, já nos anos 1980, com a profunda reforma da economia rural, foram implementadas políticas de divisão de terras e valoração dos animais do coletivo, estimulando o interesse dos moradores pelo cultivo individual. Baobayin, que já tinha sofrido prejuízos com as ovelhas, não se animou muito ou preferiu esperar, pois temia ser o “primeiro a aparecer”, então, quando chegou a hora de repartir os animais, fez um acordo peculiar com An Setenta e Sete: “cinco cavalos por seis ovelhas”. Ele receava criar ovelhas, talvez por traumas do passado.
Em sua casa, o cavalo era castrado, servindo apenas para puxar carroças e arar a terra, incapaz de procriar, assim, após anos de criação, era ainda um só animal, sem crescimento. Diferente da casa de An, onde as ovelhas, apesar de oscilarem em condição, aumentavam em número. Após alguns anos de tranquilidade, talvez por ter superado o trauma, Baobayin voltou a considerar a criação de ovelhas.
À primeira vista, Baobayin parecia um homem rude, mas sua forma de pensar era minuciosa, muitas vezes diferente dos demais. Especialmente quando acendia o cachimbo de fumo e franzia o cenho, sua mente girava velozmente...
Depois que a filha, Baodai Xiao, casou-se em velocidade relâmpago, Baobayin passou a ter dinheiro disponível. Para fazê-lo render, pediu auxílio a Bao Shitou, que rapidamente trouxe do pasto três ovelhas puras e três carneiros, tudo calculado para chegar ao vilarejo da Lua Crescente quando já estivesse escuro.
Baobayin conseguiu “ovelhas de lã fina do pasto”, uma raça superior, de preço elevado. Com a garantia de Bao Shitou, pagou uma pequena parte à vista e o restante ficou pendente, prometendo quitar no outono.
Em condições normais de cultivo individual, uma carneiro seria mais que suficiente, mas Baobayin tinha seu plano: queria alugar os carneiros para ganhar dinheiro. Era uma tentativa ousada; ele não sabia se o comitê do partido da vila apoiaria ou se a política mudaria, por isso, “aprendeu com os erros” e tornou-se mais cauteloso. Desde a compra, manteve segredo, e o processo de criação era quase uma operação clandestina. As seis ovelhas, adaptadas à região, eram grandes, resistentes, produziam carne de boa qualidade. O mais importante: a lã era fina e longa, cada ovelha produzia pelo menos quatro ou cinco quilos a mais de lã que as raças comuns, e o preço era melhor, o departamento de compras aceitava bem.
Na verdade, Baobayin mantinha segredo por outro motivo: não queria concorrentes! No vilarejo da Lua Crescente, as ovelhas das famílias ainda não estavam na época de acasalamento; quando chegasse, ele apresentaria seus “tesouros”, e os outros não teriam tempo de buscar carneiros no pasto — sua casa seria como um escorpião sozinho no campo, única e exclusiva. O nome “ovelha de lã fina do pasto” era bem famoso.
As seis ovelhas, como seis lingotes de ouro, quase deixavam Baobayin obcecado. Uma noite, já de madrugada, ele acordou de repente, vestiu-se às escuras, assustando Gia, que acendeu a luz meio sonolenta, mas logo foi repreendida por Baobayin: Você está louca? Por que acender a luz?
— Eu é que queria te perguntar, ficou maluco? Vestindo-se no meio da noite, vai aonde? — Gia falou com voz forte.
— Gia, pode falar mais baixo? Vai acordar nosso pai no quarto oeste!
— Eu falo tão alto assim? — Gia retrucou, mas abaixou a voz, — Está com dor de barriga? Precisa de uma tira de pepino em conserva para resolver?
Baobayin ficou irritado, mas como estava no escuro, ninguém viu, e respondeu mal-humorado: Resolver o quê? Resolver você!
O método da “tira de pepino em conserva” era simples: naquela época, com poucas condições médicas e muita pobreza, os camponeses tinham seus próprios métodos de tratamento. Se uma criança pegava um resfriado e tinha diarreia, a mãe costumava colocar uma tira de pepino em conserva ou um dente de alho no ânus da criança, e muitas vezes era eficaz. O método era rude, mas funcionava; se a criança não cooperava, os pais agiam como quem segura um porco... “Acupuntura e ventosas, se não cura, pelo menos melhora”, era a lógica em que os camponeses acreditavam. Quem tinha dinheiro para ir ao hospital? Quando alguém tinha dor de cabeça, febre ou diarreia, havia dois remédios: esperar ou aguentar firme.
Gia perguntou: Então vai fazer o quê?
— Vou soltar as ovelhas, o que mais seria? — Baobayin procurava os sapatos no chão.
Gia riu: Eu estava achando que você ia sair para encontrar amantes de madrugada.
— Vai embora! Sem vergonha!
— Não adianta negar. Você até tem vontade, mas não tem coragem, muito menos dinheiro. Quem vai querer um pobre como você?
Baobayin, impaciente: Você está doente, é?
Gia, satisfeita com a brincadeira, parou e se preocupou: Você realmente sabe como complicar as coisas. Baoyin, não está cedo demais? Normalmente você não vai antes de amanhecer?
Baobayin, enquanto calçava os sapatos, respondeu: Não dá pra esperar. Esses dias tem muita gente, e se alguém vê, nossos planos vão por água abaixo.
Calçando os sapatos, Baobayin começou a procurar seu cachimbo de fumo.
— O que está procurando?
— Meu cachimbo. Ontem deixei aqui perto da cabeça.
— Não é à toa que te chamam de “Baobayin do cachimbo”, não pode ficar um momento sem essa coisa. Eu só fico intrigada: esse negócio fede, pra que serve? O cheiro de fumo fica impregnado, irrita todo mundo. — Gia levantou-se, pegou o cachimbo na janela e jogou para Baobayin.
— Não enrola. Estou com pressa para sair.