Capítulo 45: A difícil conquista do anúncio de reconhecimento

Há um Rio Meia-Lua na Estepe Pastor Lin Xi 2060 palavras 2026-03-04 20:13:15

Era possível que Yuan Zhenfu fosse “excluído”? Gergen, o “dicionário vivo”, foi o primeiro a não aguentar mais. Sempre contando histórias de heróis, ele próprio detestava injustiças. Procurou Sun Dehou, e bastou começarem a conversar para perceberem que pensavam exatamente do mesmo jeito. Estavam certos de que alguém estava caluniando Yuan Zhenfu e decidiram ajudá-lo a buscar justiça — não podiam permitir que um jovem fosse injustiçado. O problema era que ambos não sabiam por onde começar. Após conversarem, decidiram que não deveriam procurar o diretor Saihan de imediato, então foram juntos à sede da vila falar com o secretário Bai Hadar. Contaram muitos fatos sobre Yuan Zhenfu e falaram também sobre os pais dele, pedindo compreensão e empatia.

Especialmente Sun Dehou, que já havia lidado com o pai de Yuan Zhenfu, reconhecia o caráter do homem e lamentava profundamente sua sorte.

Quando não há mais o que fazer, tenta-se o impossível!

Bai Hadar ajeitou o casaco sobre os ombros e disse: — Deixando de lado se Yuan Zhenfu tem ou não algum problema, vamos pensar de outro jeito...

Sun Dehou sorriu e respondeu: — Secretário Bai, deve-se apurar, sim, investigar até o fim! Mas agora o mais urgente é restaurar o nome do Zhenfu.

Gergen concordou: — Exatamente. A escola já está prestes a suspendê-lo. Se continuar assim, esse rapaz não vai conseguir permanecer aqui na Vila do Rio Lua Crescente.

Bai Hadar assentiu e disse: — Vocês dois são professores experientes daqui. Digam sinceramente: o rapaz Yuan Zhenfu realmente não tem nenhum problema?

Sun Dehou bateu no peito e declarou: — Eu, Sun Dehou, garanto com minha própria integridade!

Gergen acrescentou: — Secretário Bai, não terá ouvido à toa a história dos pais de Yuan Zhenfu que acabei de contar, não é? Será que existe outro caso igual no mundo? Antes de morrer, os pais ainda pediram ao filho que se tornasse professor e educasse bem os alunos. Que espírito é esse? Nem nas histórias que conto conseguiria criar algo tão comovente! Um filho educado por pais assim, como poderia ser mau?

Bai Hadar ficou sem palavras. Em toda a Vila do Rio Lua Crescente, talvez só o “dicionário vivo” ousasse falar desse jeito com o secretário da vila.

Sun Dehou continuou: — Secretário Bai, no início o Zhenfu — o professor — veio por vontade própria ensinar em nossa escola da vila. Se quisesse, com o histórico dos pais e o sacrifício deles, depois da normalização das políticas, bastaria pedir e ele poderia lecionar em qualquer escola da cidade.

— Justamente. Sempre dedicado, trabalhador, sem uma única mácula. Como poderia ser alguém vil como foi escrito naquele pedaço de papel? — Gergen olhou para Sun Dehou e continuou, dirigindo-se a Bai Hadar: — Além disso, já chegaram a atirar pedras na janela do quarto dele durante a noite. Isso é claramente represália.

Bai Hadar se assustou: — O quê? Isso também aconteceu?

Gergen confirmou: — Absoluta verdade. O professor Zhenfu não fez alarde. É nos pequenos gestos que se revela o caráter, no cotidiano se conhece o coração. Só por isso já dá para ver o quanto esse rapaz é tolerante e generoso. Essas coisas são realmente vergonhosas. Se se espalhassem, como iriam ver nossa vila? Por que sempre agimos com mesquinharia e vingança?

— Secretário Bai, concordo com o que disse antes: vivemos numa nova sociedade, numa era de reformas e abertura. Esse tipo de comportamento já é errado por si só. Quanto ao que foi escrito, é pura calúnia, difamação! E, além disso, aquela caligrafia horrível, uma vergonha, pior que rabiscos de aranha... — Sun Dehou, que normalmente falava pouco, abriu-se por Yuan Zhenfu.

Gergen acrescentou: — Se esse caso do professor Yuan não for bem resolvido, todos os professores da nossa escola vão acabar desmotivados. Isso afeta o clima da vila, a moralidade da população. Se o ambiente é ruim, nada prospera.

Bai Hadar sorriu, acenando com a mão: — Professor Gergen, não é tão grave quanto você diz.

Gergen imediatamente arregalou os olhos, um tanto contrariado: — Como não é grave? O exemplo arrasta. É como dizem: “Gato velho dorme no telhado, o hábito passa de geração em geração”. E se no futuro um professor repreende um aluno ou, sem querer, desagrada algum pai, e logo aparece um desses cartazes, quem vai aguentar ter a reputação destruída? Gostaria de passar por isso?

— Bem... — Bai Hadar ficou sem resposta.

— No fim das contas, quem mais sofre são os alunos. Secretário Bai, todos sabem que o senhor valoriza nossa escola e a educação. Não quer que isso aconteça, não é?

Mais uma vez, o “dicionário vivo” Gergen forçou Bai Hadar a pensar.

A verdade é que Bai Hadar estava relativamente sereno diante do “episódio do cartaz”. Especialmente agora, com dois professores veteranos garantindo o caráter de Yuan Zhenfu, não havia motivo para duvidar. Só o fato de já terem afixado aquele cartaz havia ferido Yuan Zhenfu. Se não restaurassem seu nome rapidamente, como ele poderia continuar vivendo na vila? Como poderia ensinar em paz? E como Bai Hadar poderia mostrar a todos os professores que o Partido era o respaldo firme deles?

Como secretário do Partido da Vila do Rio Lua Crescente, Bai Hadar tinha uma ligação profunda com a escola, cuja restauração e normalização ele próprio supervisionara. Tinha grande consideração pelos professores e enorme esperança no futuro da escola e da vila. Após pensar um momento, de repente tirou o casaco dos ombros e o jogou na cadeira, levantou-se e ligou o rádio comunitário. Após testar o microfone, começou a falar:

— Atenção, atenção! Todos os habitantes da Vila do Rio Lua Crescente, por favor, prestem atenção. Sobre o tal “cartaz” afixado na porta da sede da vila, insultando o caráter do nosso professor Yuan Zhenfu, ficou claro que se trata de um ato de sabotagem de gente má. Isso já foi devidamente apurado. Peço a todos que confiem no professor Yuan Zhenfu, ele é um excelente educador, um excelente professor. Agora — agora...

Nesse momento, Bai Hadar fez uma pausa, tapou o microfone e se virou para os dois professores, perguntando: — Posso usar a expressão “apresentar-se e confessar o erro”?

Sun Dehou não respondeu, mas Gergen disse: — Acho que não é o mais adequado. Mas já que o anúncio foi ao ar, não há como voltar atrás.

— Não faz mal, usar um tom mais forte tem efeito dissuasivo. Além do mais, ninguém pode viver só com o dicionário na mão. Não é como Gergen, que tem o dicionário na cabeça — Sun Dehou acabou concordando.

...

Ao ouvir o anúncio de “reabilitação” pelo alto-falante da vila, todo o povo do Rio Lua Crescente acreditou imediatamente, pois confiavam em Bai Hadar. Tudo o que ele transmitia pelo rádio era sempre verdade, sempre correto.