Capítulo 87: Desgraça nunca vem só, a neve cai sobre a geada

Há um Rio Meia-Lua na Estepe Pastor Lin Xi 2344 palavras 2026-03-04 20:14:37

Gya olhou para mãe e filha deitadas no kang, consolou Ulan Tuya para que não se preocupasse e logo voltou apressada para o quarto oeste.

— Por que está demorando tanto? Se tardar mais um pouco, vai anoitecer! — Gya estava ansiosa.

Baobayin amarrava uma corda de cânhamo na cintura. Ele não estava zangado, apenas resmungava consigo mesmo, se culpando por ter deixado o filho passar por tal sofrimento, e se algo acontecesse...

Gya instruiu: — Baobayin, você precisa encontrar nosso filho, não importa as ovelhas, o importante é o menino!

Baobayin não respondeu, pegou um bastão de madeira e, ao abrir a porta para sair, Bairrada, Temur e outros entraram enfrentando o vento e a neve. Dizer que entraram “andando” não seria exato; mais correto seria dizer que foram “empurrados” pelo vento.

Na verdade, o secretário do vilarejo, Bairrada, ao ver a neve engrossar e o vento aumentar, pensou primeiro nas crianças da Escola Primária Lua Crescente. Imediatamente reuniu todos os quadros do vilarejo e os líderes das cooperativas, indo juntos para a escola. Com o diretor Sahan, suspenderam as aulas e, com a ajuda dos professores, escoltaram cada estudante em segurança até suas casas. Depois, Bairrada pediu a Yuan Zhenfu que retornasse à escola para verificar se todas as portas e janelas estavam bem fechadas antes de sair.

A linha de rádio do vilarejo fora derrubada pelo vento, tornando inúteis as caixas de som das casas e a principal do vilarejo. Depois de levar todas as crianças para casa, Bairrada instruiu os quadros e líderes — especialmente os membros do partido — a visitarem famílias vulneráveis, como idosos solitários e moradores de casas precárias, avisando para não saírem. O mais importante era lembrar ou ajudar a remover a neve acumulada nos telhados, para evitar desabamentos.

Depois de arranjar tudo isso, Bairrada e Temur foram à casa de Baobayin. Como previsto, Baomuren ainda não voltara do pastoreio.

Sacudindo a neve do chapéu, Bairrada disse a Temur: — Temur, vá rápido e chame alguns jovens fortes para ajudar. Depressa!

Temur abriu a porta, e uma rajada de vento e neve quase o fez cair. Curvado, desapareceu logo na tempestade.

Bairrada disse a Baobayin: — Irmão Bayin, não se aflija, vamos encontrar seu filho juntos, confie no vilarejo. E você vem conosco, pois sabe onde ele costuma levar o rebanho.

Baobayin, batendo os pés, respondeu: — Secretário Bai, eu preciso ir, tenho que ir! O lugar para onde Muren sempre vai com as ovelhas é bem exposto ao vento... Hoje, melhor que eu mesmo fosse!

— Falar depois é fácil! — Gya resmungou.

Baobayin não se importou, entendendo bem seu estado de espírito. Estendeu a mão para pegar o cachimbo, mas Gya tomou dele, repreendendo: — Ainda pensa em fumar? Que tranquilidade! Mesmo sem Aruna aqui, já me incomoda o cheiro!

Era claro que Gya apenas procurava motivo para brigar, estava nervosa. Depois de falar, agasalhou-se, fechou a porta e foi para a cozinha.

Bairrada consolou Baobayin: — Não diga mais nada, a culpa não é sua, e sim desse tempo desgraçado! Pense bem, se você fosse agora, com essa ventania e neve, Muren se sentiria melhor? Melhor deixar os jovens irem.

Logo uma rajada trouxe Temur de volta, e Gya o interceptou, gritando para o cômodo leste: — Baobayin, Temur chegou!

Baobayin e Bairrada foram para a cozinha.

Temur, ofegante, disse: — Os rapazes já estão esperando encostados na parede lá fora.

Bairrada acenou com a mão: — Vamos!

Quando eles saíram, Gya foi ao quarto oeste cuidar de Baon e dos idosos, depois seguiu para o pequeno cômodo leste onde moravam o filho e a família.

...

Crescida nas estepes do Escudo do Pavão, Bao Ulan Tuya sabia bem o perigo de uma tempestade de neve. Não só o rebanho se dispersa facilmente, como, em caso grave, pode-se perder tanto os animais quanto as pessoas! Quanto mais pensava, mais inquieta ficava, incapaz de se acalmar.

Depois de adormecer Aruna, e aproveitando que a sogra Gya não prestava atenção, Ulan Tuya levantou-se, vestiu o grosso casaco de algodão, amarrou o lenço vermelho e saiu silenciosamente.

Gya pensou que Ulan Tuya fosse ao banheiro, apenas recomendou que se agasalhasse bem e não se expusesse ao vento, sem se preocupar mais.

Assim que saiu, uma rajada de vento quase a jogou ao chão, mas, cerrando os dentes, Ulan Tuya curvou-se e seguiu adiante.

A preocupação com Baomuren era tão grande que ela precisava procurá-lo para se tranquilizar.

Gya, para ver melhor a situação lá fora, soprou o vidro da janela para abrir um pequeno “olho de observação”. Por acaso, viu Ulan Tuya saindo pelo portão, gritou aflita, acordando Aruna que começou a chorar. Sem alternativa, Gya pegou a neta no colo, tentando acalmá-la, mas lágrimas silenciosas escorriam dos olhos enquanto se ajoelhava diante do retrato de Genghis Khan...

Ulan Tuya apenas alcançou o começo da vila quando foi lançada pela tempestade para a vala da estrada. De repente, uma dor intensa na barriga! Sentiu que algo estava errado e tentou voltar para casa imediatamente, mas a dor era tanta que não conseguia ficar de pé, rastejando com dificuldade.

Yuan Zhenfu, que voltava da escola, passou por ali e viu uma sombra se movendo adiante; no começo pensou ser um porco. Mas ao ver o vermelho do lenço agitado pelo vento, percebeu que era uma mulher — não, era uma pessoa!

Yuan Zhenfu correu desajeitado até ela e viu que era Ulan Tuya!

Ela já não conseguia se levantar, e, com o barulho da ventania, era impossível ouvir qualquer palavra.

Sem hesitar, Yuan Zhenfu a pegou nas costas e correu de volta ao vilarejo para levá-la para casa.

Gya, enquanto embalava a pequena Aruna, assustou-se ao ver a nora naquele estado. Aparentemente, por ter escorregado e se esforçado demais, Ulan Tuya teve hemorragia pós-parto...

...

No fim da tarde, todas as ovelhas da família Bao foram encontradas, e a tempestade de neve começou a enfraquecer. Todos estavam entristecidos. O doutor Zhang, do posto de saúde do vilarejo, aplicou soro em Ulan Tuya e a tranquilizou dizendo que ela ficaria bem. Recomendou que se cuidasse, não saísse mais, pois o bebê ainda era recém-nascido e não podia haver descuido.

No quarto de Baobayin, o doutor Zhang confidenciou a Baomuren: — Por ora só posso aplicar o soro, mas assim que a tempestade cessar, levem-na o quanto antes ao hospital da cidade de Hongloushi para um exame completo.

Gya, ansiosa, perguntou: — Doutor Zhang, minha nora está muito mal?

— Agora não posso afirmar, mas... Ulan Tuya deu à luz há pouco tempo...

Baomuren: — O bebê já tem um mês.

Baobayin: — Não interrompa!

Gya: — Doutor Zhang, o que quer dizer?

— Apesar de já ter completado o mês, com esse quadro... temo que...

— Temo o quê? — Os ouvidos de Baomuren estavam tão gelados que sangravam, mas ele já não se importava.

O doutor Zhang olhou para os três da família Bao e disse baixinho: — Temo que... no futuro... ela não possa mais ter filhos.

Foi como um raio em céu azul, deixando os três atônitos.

O doutor Zhang acrescentou: — Claro, isso é apenas minha opinião. Sou apenas um “médico de pés descalços”, pode não ser exato. Melhor ouvir os médicos do grande hospital...