Capítulo 43 – A Má Fama de Yuan Zhenfu Espalha-se Longe

Há um Rio Meia-Lua na Estepe Pastor Lin Xi 2332 palavras 2026-03-04 20:13:14

Han Tigre Negro: Meu irmão, quando era vivo, sempre dizia: “Quando o canalha ganha poder, até o cachorro sarnento cria pelo.” É assim, não se pode dar moleza pra gente desse tipo — você é mesmo enrolado.

— Não pedi que me passasse a mão na cabeça.

— Mas agora precisei de você, seu esterco de vaca! Sun Dehou — até o professor, quando escreve dísticos para os outros no Ano Novo, não enrola como você!

Park Jiandong: Então vá pedir pro professor Sun, quero ver se ele vai escrever pra você!

Han Tigre Negro ficou tão irritado que quis dar uns chutes em Park Jiandong, mas pensando melhor, lembrou que precisava de um favor e resolveu não se importar. Enquanto esperava o papel secar, fechou os olhos e começou a vasculhar a mente em busca das palavras certas.

...

A lua ainda não estava cheia, mas ali na estepe parecia enorme.

A tenda de Bao Montanha Azul estava com a porta aberta e o vento das planícies soprava forte, trazendo um frio cortante. Ele, encostado na bagagem, olhava perdido para fora, sem saber ao certo o que via, tampouco no que pensava.

O rebanho de ovelhas estava no curral, ruminando satisfeitas o alimento acumulado ao longo do dia. Provavelmente, Bao Montanha Azul também ruminava em pensamento, relembrando cada detalhe dos momentos passados com Bao Dai Xiao...

...

“Faz penteado repartido pra arrumar namorada, sem repartir não consegue nada. Mas olha, ele pode fazer o penteado que quiser, não adianta nada. Fica tão lambido que parece bezerro lambido pela mãe, só de olhar dá nojo!” Han Tigre Negro andava em círculos com as mãos para trás, resmungando consigo mesmo.

Park Jiandong, meio confuso, perguntou: — Você está falando de quem? Olha, desse jeito, você está mais enrolado que os ‘Três Enrolados’ da família Tong... Não, pensando bem, você está igual ao ‘Segundo Enfeitiçado’ deles. Aconteceu alguma coisa estranha contigo?

— Aconteceu com você! — Han Tigre Negro arregalou os olhos, depois continuou: — Chega de enrolar com esses papos inúteis! Eu disse pra você escrever...

— Tá, tá, tá! Só na sua frente que você banca o chefe...

— Hã? — Han Tigre Negro arregalou ainda mais os olhos para Park Jiandong.

Park Jiandong baixou a cabeça, olhando para o papel grande feito de várias folhas costuradas, e disse: — Fala logo...

— Yuan Zhenfu é um grande canalha...

...

Park Jiandong franziu a testa e disse: — Yuan Zhenfu? Não é aquele professor novo da escola primária? Não faz nem um ano que chegou à nossa Vila Rio da Lua Crescente, não é? Por quê...

Han Tigre Negro, já impaciente, respondeu: — Ele é seu parente?

— Não.

— Então pronto. Escreve! Pra que tanto papo? Tá querendo bancar o santo, como se vocês fossem íntimos! Ele lá sabe o seu nome completo!

— Eu só... só estou com medo de reconhecerem minha letra.

— Burro velho no moinho só faz sujeira — Han Tigre Negro pensou um pouco e disse — Isso até faz sentido. Se descobrirem sua letra e vierem atrás de você, aí você, sendo frouxo, antes mesmo de te torturarem já entrega tudo, aí não serve. Faz assim: escreve com a mão esquerda. Você pode escrever a vida inteira que nunca vai chegar aos pés do professor Sun, então não precisa se preocupar se fica bonito ou não, basta que dê pra ler.

Park Jiandong não teve escolha: trocou a caneta para a mão esquerda, molhou bem na tinta e, atento às “ordens verbais” de Han Tigre Negro, começou a escrever.

Han Tigre Negro ditava assim: Que se dane, dessa vez vou acabar com ele! Escreve aí — Yuan Zhenfu é um grande canalha. Tem moral duvidosa, comportamento ainda pior. Quando morava na Cidade da Torre Vermelha, subia no muro do banheiro feminino pra espiar e foi pego em flagrante — não, escreve que foi detido, igual falam no rádio — depois ainda ficou apalpando a doida da vila, foi pego de novo — agora escreve só que foi pego em flagrante, sem “detido”. Esse sujeito “zurra feito burro e não aprende nunca”...

Park Jiandong não aguentou e soltou uma risada.

— Tá rindo de quê?

— Não é “zurra feito burro e não aprende nunca”, é “repreendido mil vezes e não aprende nunca”. Não é que o burro fique zurrando, é que ele erra repetidas vezes. Se não acredita, amanhã pode perguntar pro “dicionário ambulante”.

Han Tigre Negro: Tanto faz, burro que zurrar também não muda. Deixa pra lá, burro ou cavalo, é tudo igual. Eu só falo, escreve do seu jeito, as palavras você escolhe. Continua...

...

Na manhã seguinte, o cortejo do casamento dos Jin passou pela tal “pedra sagrada” e encontrou um “manifesto” colado no grande olmo da frente do departamento da vila, feito de folhas de caderno emendadas, relacionando em detalhes os supostos crimes e condutas imorais de Yuan Zhenfu.

O povo da vila ficou curioso, leu e comentou bastante. O casamento de Jin Bao e Bao Dai Xiao seguiu normalmente, e só depois de alertados é que todos, ainda falando do assunto, foram para a casa dos Jin.

An Qishiqi, que passou por ali, leu o manifesto e ouviu os comentários. Seu rosto queimava de vergonha e a raiva era tamanha que mal conseguia se conter. Pensava: Como é que deixei minha filha conhecer um tipo desses? Ainda bem que, tirando a família do professor Sun Dehou, quase ninguém de fora sabia. Se alguém descobrisse que Qiqige já foi apresentada a um sujeito desses... Meu Deus, onde eu ia enfiar a cara?

Qishiqi saiu cabisbaixo do meio do povo e, chegando em casa, disparou para Qiqige: “A gente conhece o rosto, mas não o coração. Esse Yuan Zhenfu não vale nada! Esqueça ele de vez, não quero mais ouvir falar desse nome!”

Qiqige, sem entender nada, olhou surpresa para o pai.

— Olha o quê? Meu rosto não está estampado no manifesto, está tudo colado lá na repartição da vila! Alguém colou um “manifesto” contra Yuan Zhenfu. Esse sujeito, só de olhar já se vê que não presta! Cabelo comprido, ainda por cima repartido de lado; por que não reparte no meio como um traidor?

Qiqige não se importou com o penteado, mas perguntou assustada: — Manifesto? Quem colou?

Qishiqi: Vai perguntar pra quem? Não fui eu, com certeza!

— Estão querendo sujar o nome dele! Devem ter inventado essas coisas! — Qiqige saiu em defesa de Yuan Zhenfu.

— Mosca não pousa em ovo sem rachadura! Por que ninguém inventa um manifesto sobre mim, então? — Qishiqi falou com firmeza, decidido a condenar Yuan Zhenfu para sempre.

...

No dia do casamento de Jin Bao e Bao Dai Xiao, amigos e parentes foram levar seus cumprimentos, como manda a tradição. A maioria dava dois ou três yuan em dinheiro, alguns presenteavam bacias de esmalte ou toalhas, objetos úteis para casa. Quando se ganhava muitos desses itens, ou quando não se queria usá-los, era comum repassá-los em outro casamento. Não era raro uma bacia nova de esmalte passar de mão em mão, e ninguém achava estranho. Afinal, a vida era difícil para todos, quem poderia reclamar?

Na hora do banquete, especialmente as mulheres faziam questão de levar seus filhos, dizendo que em casa ninguém podia cuidar, mas na verdade era para dar uma chance às crianças de comerem melhor. Shalina pretendia ir à casa dos Jin para levar o presente e queria levar Alaif para comer bem, mas o menino recusou, achando vergonhoso e dizendo que precisava ir à escola. Assim, ficou decidido que o chefe da família, Qishiqi, iria representá-los.

Na escola, a turma de Alaif já estava em aula, mas não encontraram Li Sanfu. Por que ele se atrasou? Só no intervalo descobriram que ele estava com dor de barriga e pedira licença ao professor. Na verdade, Li Sanfu e sua mãe, Wu Meijuan, estavam na casa dos Jin, comendo à vontade.

Havia ainda outros alunos com dor de barriga ou dor de cabeça, e Yuan Zhenfu autorizou o afastamento de todos. Ele já sabia do manifesto e estava profundamente abatido, sem ânimo para questionar por que tantos alunos “adoeceram” ao mesmo tempo.