Capítulo 93: Não quero deixar o Rio Lua Crescente

Há um Rio Meia-Lua na Estepe Pastor Lin Xi 2304 palavras 2026-03-04 20:14:41

Yuan Zhenfu permaneceu imperturbável, sem se deixar afetar. Saihan pensou consigo: “Como esse rapaz é tão tranquilo? Será que realmente não quer ir ou está fingindo?” E continuou:

— Zhenfu, basta ser escolhido e poderá se tornar efetivo. Não, na verdade, com certeza será efetivo. Se ficar esperando pelo critério de efetivação aqui na nossa escola primária, vai esperar até o fim dos tempos!

Yuan Zhenfu de repente se lembrou de uma questão e disse: — Diretor, a Escola de Aperfeiçoamento de Professores é um lugar para formação de docentes. Não deveriam selecionar professores apenas das escolas primárias, certo?

— Veja só, como você é atento! Eu já me informei por você — continuou Saihan. — Lá em cima disseram que querem escolher talentos sem restrições, mencionaram especialmente que a escola central e todas as escolas das aldeias têm direito de recomendar candidatos. Qualquer talento serve, seja do ensino médio ou primário. Senão, para que nós, diretores das escolas pequenas, participaríamos da reunião?

Saihan olhou para An Setenta e Sete, implorando que ele ajudasse a convencer Yuan Zhenfu.

An Setenta e Sete não podia mais permanecer em silêncio e disse: — Diretor Saihan, isso é uma boa oportunidade, obrigado por lembrar de nós. Nossa família... vai seguir a decisão de Zhenfu. Ele é quem deve decidir.

— An, meu amigo, veja só... — Saihan ficou decepcionado com a resposta.

Yuan Zhenfu disse: — Diretor, eu... sinceramente não acho que sou a pessoa certa, prefiro que recomende outro.

Ao dizer isso, não significava que Yuan Zhenfu não fosse ambicioso, mas sim que realmente não queria ir. Os motivos eram simples: em primeiro lugar, não tinha confiança suficiente em sua formação e suas capacidades, temia não ser capaz de assumir. Em segundo lugar, não queria deixar a Vila do Rio Crescente, nem a família An, muito menos Qiqige. E por fim, o motivo mais importante era o mesmo que o levou a deixar o distrito central de Honglou...

Saihan insistiu: — An, você precisa aconselhar seu genro, não é bom para um jovem não querer progredir. Pessoas buscam crescer, água só desce.

An Setenta e Sete sorriu de forma amarga: — Essas coisas realmente têm de ser decididas por Zhenfu. Seja qual for sua escolha, nossa família apoia. Não é mesmo, Shalina?

Shalina assentiu energicamente.

An Setenta e Sete olhou para a filha e perguntou: — Qiqige, o que você acha?

— Eu... sigo o que Zhenfu decidir. Se ele quiser ir, dou todo meu apoio, não vou ser um obstáculo. Se não quiser ir, não vou forçá-lo — respondeu Qiqige, olhando para Yuan Zhenfu com carinho.

Yuan Zhenfu se levantou, sinalizando educadamente a despedida. Saihan entendeu, também se levantou e pegou sua bolsa de couro.

Yuan Zhenfu disse: — Diretor, vou ser honesto: realmente não quero ir. Antes inventei desculpas para não magoar sua boa intenção, mas reconheço sua gentileza. Só que... não quero deixar o Rio Crescente...

O rosto de Qiqige se iluminou com um sorriso radiante.

Saihan suspirou: — Então... é isso. Zhenfu, minha sugestão é que não se decida de imediato, pense mais um pouco, não perca a chance. Vou embora agora.

A família tentou convencer Saihan a ficar para o jantar, mas ele recusou e saiu empurrando sua bicicleta, um pouco decepcionado. Saihan realmente estava desapontado, tinha vindo com boas intenções para Yuan Zhenfu e, no caminho, imaginou que a família An ficaria eufórica ao receber a notícia...

Alaif comentou em voz baixa, sorrindo: — Nem tive tempo de ferver a água e o diretor já foi embora? Nem deu tempo de bajular o diretor.

An Setenta e Sete deu-lhe um tapinha: — Só você para falar bobagens. Depois prepare chá para mim e para sua avó.

— Excelente, concordo totalmente! — Alaif riu e se esquivou.

...

Depois que o diretor Saihan se foi, Yuan Zhenfu voltou a corrigir os trabalhos, como se nada tivesse acontecido. Qiqige, segurando o riso, ocupou-se na cozinha. Alaif colocou a água fervida na garrafa térmica, preparou chá para a avó e o pai, serviu e levou até eles, depois foi fazer seus deveres.

An Xin, sorrindo, disse: — Meu neto é mesmo um menino educado, não foi à toa que o mimei.

An Setenta e Sete manteve-se ponderado, pediu especialmente a Qiqige que preparasse dois pratos extras para o jantar.

Qiqige aceitou com alegria, e Shalina logo foi pegar ovos no pote.

An Setenta e Sete abriu a porta do quarto de Yuan Zhenfu, que o saudou com um “pai” e interrompeu o trabalho.

An Setenta e Sete sorriu antes de falar:

— Zhenfu, sobre o que o diretor Saihan falou, acho mesmo que é uma boa oportunidade. Se quiser ir, não vou te impedir, e acredito que sua mãe e Qiqige também pensam assim. Não deixe que qualquer receio nosso atrapalhe seu futuro.

Yuan Zhenfu sorriu: — Pai, está se preocupando demais, realmente não quero ir.

An Setenta e Sete: — Zhenfu, é uma oportunidade rara, pode se tornar efetivo, o ambiente de trabalho em Honglou é excelente, não se sacrifique.

Yuan Zhenfu baixou a cabeça, pensou e disse: — Pai, vou ser sincero. Não consigo deixar esta família, de verdade. Nos momentos mais difíceis, vocês me acolheram, e eu, do fundo do coração, não consigo partir. Além disso, não gosto daquela cidade...

An Setenta e Sete assentiu, acreditando no filho, e saiu do quarto, dizendo para Shalina: — Hoje à noite vamos tomar umas taças juntos!

...

Yuan Zhenfu realmente não queria deixar o Rio Crescente, nem trabalhar na escola de aperfeiçoamento da cidade. O motivo mais importante era aquele que não conseguia expressar: seus pais haviam morrido na cidade, carregando mágoa, e ele não queria voltar ao “lugar da tristeza” para viver e trabalhar...

Na mesa do jantar da família An, havia dois pratos a mais do que o habitual: ovos fritos e tofu cozido com algumas fatias de carne defumada. Alaif, percebendo o clima, trouxe o jarro de vinho e as taças, servindo para o pai e o cunhado.

An Setenta e Sete convidou Yuan Zhenfu a sentar-se ao seu lado para beber.

Depois de algumas taças, Yuan Zhenfu abriu o coração, reafirmando que nunca aceitaria o cargo de professor na escola de aperfeiçoamento, e que jamais deixaria a Vila do Rio Crescente. Ali era seu lar, e todos eram as pessoas mais queridas, seus familiares mais próximos neste mundo.

O vinho servido era quente, e as palavras vinham do fundo da alma!

Yuan Zhenfu se emocionou, chorou, e toda a família foi profundamente tocada.

An Xin, com mãos trêmulas, colocou uma fatia de carne defumada no prato de Yuan Zhenfu e disse suavemente: — Filho, coma um pouco de carne...

Shalina olhou para Yuan Zhenfu, cheia de carinho: — Zhenfu, coma mais, você está tão magro ultimamente. Nossa família pode ser pobre, mas é cheia de afeto. Eu e seu pai nunca te tratamos como genro, desde o início te vimos como filho. Agora vejo que não nos enganamos. Só fico triste por te fazer passar dificuldades conosco...