Capítulo 61: O Valor da Aparência Humana

Há um Rio Meia-Lua na Estepe Pastor Lin Xi 2260 palavras 2026-03-04 20:13:24

— Ele está apressado, não pode ser assim! Já está para se casar, como pode agir de maneira tão desajeitada? Quando vimos que as ovelhas tinham sumido, ficamos ainda mais aflitos, quase fomos à delegacia! — A língua de Tia Xinghua não poupava ninguém. Por dentro, ela pensava: desta vez, finalmente peguei vocês, família Bao, em erro; vou fazê-los admitir de coração e boca.

Bao Muren entrou na casa atrás de Bao Bayin, sorrindo ao cumprimentar Jin Shunlai e Tia Xinghua.

Enfim, tudo foi esclarecido. Bao Muren admitiu o erro, pediu desculpas e se desculpou repetidas vezes, até que o rosto de Tia Xinghua se abriu num sorriso.

...

No caminho de volta para casa, Jin Shunlai disse: — Xinghua, agora que tudo foi esclarecido, não fique mais chateada.

Ela arregalou os olhos: — Você acha que basta esclarecer e está tudo resolvido? Eu só dei a eles um pouco de consideração! A família Bao acha que só porque vão dar a filha em casamento são benfeitores? Eu tenho que tratá-los com respeito todos os dias? Nem pensar!

— Bao Bayin não pensa assim.

— É esse “Bao Grande Cachimbo” que não é flor que se cheire! Parece quieto, mas está cheio de artimanhas! Você... é um banana mesmo, deixa que montem em seu pescoço e façam o que querem, e ainda não tem coragem de reagir!

— Você...

Tia Xinghua seguiu adiante, deixando Jin Shunlai para trás.

Desde então, Tia Xinghua e Jia passaram a se tratar cordialmente, mas sem sinceridade; juntas, já não eram tão naturais como antes, havia sempre algum desconforto.

Bao Bayin era um homem que prezava as aparências. Pensava: se nem consigo me dar bem com minha família de sogros, como poderei me relacionar com os outros? O que o povo da aldeia vai pensar? Depois, pediu que alguém intermediasse com jeito, e só assim a tempestade passou, embora apenas na superfície.

...

Qiqige gostava de passar pela Escola Primária do Rio Lua Nova, com ou sem motivo.

Yuan Zhenfu preferia passar o tempo livre sentado à entrada do pátio, olhando distraído para o lado do Rio Lua Nova...

...

Bao Qingshan raramente sorria, passava a maior parte do tempo cabisbaixo, às vezes deitava-se de maneira boba na relva ou sobre pilhas de feno, permanecendo ali por duas ou três horas. Ninguém sabia no que pensava; às vezes, quando se levantava, sentia a mente completamente vazia, como se aquele período tivesse sido arrancado de sua vida...

Bao Daixiao ainda guardava Bao Qingshan no coração. Mas não ousava pensar nele; se pensava, chorava em silêncio...

...

Bao Shitou e Tang Yuchun estavam entre alegres e apreensivos. Alegres porque a filha, Wulantuya, estava prestes a se casar, preparando o enxoval com felicidade; apreensivos por causa do filho, Bao Qingshan, que andava cabisbaixo, como se tivesse perdido a alma, temiam que ele se tornasse um fracassado...

...

Tia Xinghua fez um escândalo na casa dos Bao, e por vários dias não deu um sorriso para Bao Daixiao. Bao Daixiao não se atrevia a dizer nada, tomava ainda mais cuidado em tudo o que fazia.

Jinbao não suportou mais, tentou confrontar a mãe com algumas palavras, mas foi repreendido severamente.

Jin Shunlai, vendo que força não resolvia, mudou de estratégia: passou a agradar e persuadir, até que Tia Xinghua se acalmou. Com “grandeza”, concordou que Bao Daixiao, depois de terminar as tarefas da casa, poderia voltar à casa dos pais para ajudar o irmão a organizar o casamento.

Bao Daixiao ficou muito feliz e, ao chegar, junto com a mãe Jia, começou a preparar um novo edredom para os noivos.

Jia perguntou: — Daixiao, nesses dias, sua sogra tem te tratado bem?

Bao Daixiao respondeu: — Muito bem.

— Não tenha medo dela! Se ela não te tratar bem, diga à mamãe, que eu vou acertar as contas com aquela velha, Tia Xinghua!

Bao Daixiao sorriu e disse: — Eles me tratam bem, não há contas a acertar. Mamãe... O algodão do edredom deve ser grosso? Se for grosso demais, não fica pesado?

...

Bao Bayin era uma figura interessante na aldeia do Rio Lua Nova, não apenas pelo hábito de fumar cachimbo, que lhe rendeu o apelido de “Bao Grande Cachimbo”, mas porque era um verdadeiro “paradoxo ambulante”.

Muito trabalhador e extremamente econômico, os méritos de Bao Bayin eram evidentes. Mesmo nos dias mais frios, nunca largava o garfo de esterco para acumular adubo; mesmo sob o calor intenso, arrancava ervas daninhas para garantir uma boa colheita. No entanto, era avarento com comida e roupas, e seus “uniformes de trabalho” eram remendados sobre remendos, mas, quando saía para a cidade, jamais permitia um remendo na roupa. Bao Bayin era um homem de aparências, e isso todos reconheciam. Como definir? Digamos que, para manter sua reputação, era capaz de sacrificar tudo, até as economias obtidas com tanto esforço.

Bao Bayin valorizava a honra mais que a própria vida. Muitas vezes, a família não entendia alguns de seus comportamentos, e quando alguém discordava, ele dizia: — O homem vive da honra, a árvore vive da casca. Sem honra, não é gente! Adultos têm sua honra, crianças também, até uma porca velha tem o rosto pendurado! Eu, Bao Bayin, jamais farei algo que me faça ser criticado pelas costas!

Por isso, Bao Bayin se opôs fortemente ao relacionamento da filha, Bao Daixiao, com Bao Qingshan. Não suportava os comentários sobre “troca de casamentos” e acabou separando dois apaixonados. Por sorte, Bao Daixiao era tímida e obediente, não ousando contrariar os pais, o que evitou maiores problemas.

Casar a filha e receber uma nora eram coisas de significado totalmente distinto para Bao Bayin: uma era água derramada, a outra era gente acrescentada à família, naturalmente com diferentes graus de importância. O casamento do filho, Bao Muren, teria que ser grandioso, luxuoso, para que todos da aldeia levantassem o polegar e elogiassem.

O plano de Bao Bayin era que os “três presentes e uma volta” fossem os melhores, tudo de marca, o banquete de primeira, com carne de mão. Na última visita à casa de Bao Shitou, todos comeram carne de ovelha de mão e sopa de ovelha, e elogiaram por dois meses, lembrando por dois meses. Desta vez, queria que a aldeia comentasse por um ano, sem esquecer!

Assim, Bao Bayin começou a buscar dinheiro discretamente, anotando cada empréstimo num caderninho. Depois, pediu favores e fez presentes, até que conseguiu organizar tudo para os “três presentes e uma volta”. Descobriu, em segredo, que gastaria quase o dobro do que Jin Shunlai havia gasto.

Valeu a pena! Porque, não importa quem veja, todos dizem que a família Bao comprou coisas de qualidade! Algumas famílias, por inveja, jamais conseguem igualar!

...

Nos anos 1980, as paredes das casas rurais eram revestidas com barro amarelo; os mais abastados aplicavam uma camada de “areia fina”, misturando areia ao barro para deixá-lo mais liso e brilhante. A casa dos Bao era antiga, com paredes de barro e jornais velhos colados por cima. A cada ano, colavam uma nova camada de jornal para renovar, e, ao longo do tempo, em alguns lugares, as camadas de jornal já tinham a espessura de várias moedas empilhadas.

Quando Bao Daixiao se casou e saiu de casa, Bao Muren “ocupou” o antigo quarto da irmã, que tinha entrada própria, para usá-lo como seu novo quarto de casamento.

E um quarto de casamento deve ter aparência de novo. Na questão de como tratar as paredes, Bao Bayin e sua família divergiram.