Capítulo 31: O Jovem e Impetuoso "Pequeno Capitão"

Há um Rio Meia-Lua na Estepe Pastor Lin Xi 2250 palavras 2026-03-04 20:13:07

Agora, com a distribuição individualizada da produção, já não existem mais aquelas grandes cenas de trabalho coletivo comandadas pelo antigo chefe de equipe do time de produção. Contudo, o espírito de liderança de Temur não foi abalado. O antigo time de produção “deixou de existir” e transformou-se em “grupo de moradores”, e ele assumiu o cargo de responsável pela ordem e segurança na aldeia. Naturalmente, seu título de “chefe de equipe” passou a ser “chefe do grupo” e, como as pessoas preferiam chamar o grupo de moradores de “comunidade”, o título dele acabou virando “presidente da comunidade”. Com o avanço da reforma do sistema de responsabilidade pela produção rural, a função organizacional da “comunidade” foi se enfraquecendo cada vez mais, e ninguém mais se preocupava em saber se Temur ainda ocupava ou não aquele cargo.

Temur continuava com o hábito de percorrer os campos, sempre de olho em tudo, gostando de “se meter onde não era chamado”.

Ao ver Han Tigre Negro, apenas dois anos mais novo que ele, trabalhando desajeitadamente, não conseguiu se conter e o repreendeu. O conselho, no fundo, era que os jovens deviam se empenhar, e ainda acrescentou que não podia agir como um preguiçoso ou um vagabundo, que faz tudo mal e nunca deixa nada sobrar à mesa.

Temur assumiu seu ar de autoridade.

Han Tigre Negro, de temperamento explosivo, não gostou nada de ouvir aquelas palavras atravessadas. Jogou a enxada no chão e disse: “Vá cuidar da sua vida! Esta terra é da minha família, faço como bem entendo! Se eu quiser arrancar todas as mudas e deixar só o mato, o que você tem a ver com isso? Quem você pensa que é? Pardal pousando na viga do telhado — pequeno no tamanho, mas cheio de pose!”

— Você, Han Tigre Negro, está querendo arrumar confusão de novo?

— Temur, companheiro, meu velho camarada, hoje em dia você já não é mais chefe do time de produção. Não venha bancar o mandachuva comigo, não sou de engolir essas coisas! — Han Tigre Negro mostrou sua “força de tigre”, sem se importar com quem estava falando, até porque Temur, além de ser apenas um pouco mais velho, era só o antigo “chefe de equipe”.

Temur se irritou e disse: — Mesmo que eu não seja mais chefe de equipe, ainda sou presidente do primeiro grupo de moradores — ou seja, da primeira comunidade. E mesmo que não fosse, ainda sou o responsável pela ordem e segurança da aldeia! Se vejo algo errado, vou me meter, sim! Mesmo que a terra tenha sido dividida para sua família, ela continua sendo do Estado, não admito desleixo nem destruição, tem que cultivar direito!

Han Tigre Negro deu uma risada e disse: — Cultivar direito? Ótimo, venha você cuidar da minha terra, quero ver o que é cultivar direito de verdade! Pare de bancar o sabichão!

— Han Tigre Negro, você é mesmo um pedaço de carne dura que não se cozinha nem se assa, e ainda por cima, é podre!

— Temur, você é um nervo duro que nem o machado corta, nem a mó esmaga, e ainda por cima… ainda por cima é todo torto…

Han Tigre Negro travou, não achava mais palavras. Todo o “conhecimento” que aprendera ouvindo histórias já não lhe vinha à cabeça.

— Tigre Negro, seu moleque, você está mesmo pedindo uma lição! Nem seu pai escapava, quando trabalhava comigo, se fizesse errado, eu também lhe dava bronca! — Temur, já irritado, voltou a invocar sua autoridade.

...

Temur não exagerava nem se gabava. Quando era chefe da primeira equipe de produção, estava no auge da juventude, cheio de energia e determinação, decidido a fazer o trabalho bem feito. Era direto, dizia o que precisava ser dito, não fazia rodeios nem concessões. Principalmente com os membros da equipe que não se empenhavam, era duro e não poupava críticas, pouco se importando com simpatias pessoais. Por isso, acabou criando alguns inimigos, entre eles Han Dragão Negro e seu pai, Han Destemido. Mas Temur sempre agiu corretamente, e ninguém conseguia enfrentá-lo de verdade.

Justamente por sua retidão e integridade, Bairrada o admirava e valorizava, buscando sempre lhe dar mais responsabilidades e oportunidades de aprendizado.

Naquele ano, logo no início da primavera, a equipe de trabalho liderada por Temur ficou encarregada de transportar esterco para os campos. Han Destemido e outros estavam brincando enquanto carregavam o carro de boi, assustaram o cavalo, que disparou pelo terreno arado. A tábua lateral do carro caiu, e o esterco espalhou-se por toda parte.

No começo, eles ainda acharam graça. Mas logo perceberam que, se o carro virasse, se o cavalo quebrasse a perna ou se alguma ferramenta fosse danificada, teriam que arcar com o prejuízo. Han Destemido era corajoso, mas não tinha dinheiro nem para o básico, quanto mais para ressarcir danos. Os rapazes ficaram assustados e foram correndo atrás do cavalo. Em terreno arado, cada passo era um tropeço, mas o carro foi perdendo velocidade. Han Destemido acelerou, deu uns grandes saltos e conseguiu agarrar as rédeas, fazendo o carro dar duas voltas no mesmo lugar até que o cavalo parou. Os outros chegaram logo depois, curvados, recuperando o fôlego.

Han Destemido puxou o freio do carro, finalmente teve tempo de olhar em volta, temendo que Temur tivesse visto. Felizmente, não havia mais ninguém por perto.

Quando todos já tinham se recuperado, Han Destemido advertiu: — Ninguém abre a boca sobre o que aconteceu, entenderam? Se Temur souber, quem vai levar bronca sou eu, mas vocês também vão se dar mal. Entenderam?

Todos responderam, sem ânimo: — Entendido.

Han Destemido: — Agora vão procurar as tábuas do carro. E espalhem o esterco por toda parte, para ninguém perceber o que aconteceu. Não esqueçam, hein, boca fechada!

Por mais que Han Destemido e os outros tentassem esconder, Temur acabou descobrindo. Durante a inspeção diária, percebeu que uma das tábuas do carro estava rachada, e ainda por cima era uma rachadura recente. Após uma investigação discreta, ficou sabendo do ocorrido por meio de um membro de outro time de produção que testemunhara tudo.

Temur ficou furioso e chamou Han Destemido e os outros, dando-lhes uma bronca daquelas: — E se houvesse um buraco ou uma valeta no campo, e o cavalo se machucasse? E se, em vez de correr pelo campo, o cavalo disparasse pela estrada e atropelasse alguém? E se…?

No início, estavam preocupados, mas uma vez descobertos, Han Destemido não se intimidou mais. Aproveitou-se da idade e resmungou: — Não precisa exagerar tanto.

Temur elevou o tom: — Han tio, não venha se fazer de durão. Se não fosse por você ter corrido para segurar as rédeas, eu ia descontar seus pontos de trabalho! Todos vocês, escutem bem: amanhã vão começar a trabalhar uma hora mais cedo, para compensar. Quero ver quem não aparece! Se faltar, no dia seguinte vai trabalhar duas horas a mais, e se faltar de novo, vai ter que levantar no meio da noite. Caso contrário, perdem todos os pontos! Acham que não mando em vocês? Então não sirvo para ser chefe de equipe!

Ninguém teve coragem de retrucar, afinal, Temur era o chefe e tinha autoridade, além do mais, tinham cometido um erro. Não havia do que reclamar.

Temur decidiu consigo mesmo: — Não acredito que não consigo domar esses teimosos e cabeças-duras! Se eu conseguir colocar Han Destemido na linha, os outros moleques não vão ser problema! Chefe de equipe tem que se impor!

Com o erro descoberto e o chefe sabendo de tudo, não adiantava reclamar. Depois disso, Han Destemido realmente ficou mais calmo, não causava mais confusão nem fazia corpo mole no trabalho, pelo menos enquanto Temur estava por perto. Fora do alcance do olhar do chefe, ainda dava seu jeitinho, sempre tentando escapar do trabalho.