Capítulo 26: Um Adeus às Emoções

Há um Rio Meia-Lua na Estepe Pastor Lin Xi 2284 palavras 2026-03-04 20:13:05

Baú Pedra suspirou e disse: “Por que está me olhando assim? Não sou eu quem está cantando aquela ópera!”
“O que toca no rádio não é você, mas aqui em casa é você quem sempre canta essa história, não é?”
Baú Pedra arregalou os olhos e respondeu: “Tá bom, admito, tenho minha parcela de culpa. Mas já não expliquei? O problema todo veio do Bao Bain, ele foi quem não quis concordar, o que eu podia fazer? Além do mais, já tínhamos combinado sobre Tuia e Mu Ren, como é que eu ia voltar atrás agora?”
“Isso foi só conversa de bêbado! Da próxima vez, beba menos e resolva mais as coisas da casa!” Tang Yuchun já aproveitava a chance para insistir.
“Isso tudo é bobagem!” Baú Pedra levantou-se, abriu os braços e exclamou: “De um lado é minha filha, do outro é meu filho, ambos são carne da minha carne, como posso escolher? Só posso seguir a ordem do que foi combinado primeiro.”
Tang Yuchun também se levantou, quase gritando: “Agora você se irrita? Tem motivo para isso? Quem devia estar furiosa sou eu! De um lado ‘Pedra’, do outro ‘Montanha’, vocês querem me sufocar até a morte?!”
Ambos ficaram em silêncio.
Passou-se um bom tempo até que Tang Yuchun falou: “Eu sei que essa coisa de trocar casamentos não pega bem hoje em dia. Na pior das hipóteses, nossa família não é pobre a ponto de não conseguir casar um filho, não precisava recorrer a isso. Mas me diga, nosso Qingshan não é mesmo cabeça-dura? Teimoso feito uma mula, só pensa do jeito dele. Tenho medo que, se continuar assim, acabe doente de amor, aí sim estaremos perdidos.”
Baú Pedra sentou-se no banco comprido e disse: “Você está mesmo obcecada com essas óperas! Qualquer dia desses, quebro esse rádio de uma vez e resolvo o problema.”
“Nem pense nisso! Tem gente que queria tanto ouvir rádio e não tem dinheiro pra comprar, como é que você pode ser tão perdulário?”
Baú Pedra arregalou os olhos de novo e franziu a testa: “Então, o que fazer? Se não der certo, quem sabe alguém consiga convencer o Qingshan?”
Tang Yuchun respondeu: “Quem só fala de fora não mexe no que está por dentro. Ah, lembrei! Antigamente, aqui na vila, teve um rapaz que ficou assim, viu uma moça numa revista e se apaixonou de verdade, até dormia abraçado na revista... Depois, chamaram uma mulher que fazia rituais...”
“Ah, por favor, não venha com essa! Vai querer chamar feiticeira? Isso é só pra enganar mulher boba! Se o pessoal da comuna ou da vila fica sabendo, você acaba presa por superstição!”
Baú Pedra terminou a frase, sacudiu as mangas e foi embora!

Ulan Tuia correu por várias casas, até finalmente conseguir pegar a máquina de cortar cabelo. Gritou: “Pai, onde você vai? Consegui a máquina, a mãe disse que ia cortar seu cabelo!”
“Se quiserem, cortem vocês mesmas, eu não quero!”
“Ei!” — vendo o pai se afastar, Ulan Tuia murmurou consigo mesma — “Mas que gente é essa? Por que desconta em mim? Eu não fiz nada com ninguém...”
...

Na época da primavera, o pasto já tinha sido quase todo comido pelas ovelhas, e a grama nova ainda não brotara. Era o período em que o rebanho ficava sem alimento fresco, precisando de ração suplementar, e Baú Qingshan estava ainda mais ocupado. Mas, apesar disso, ele continuava a lutar com a dor, pensando dia e noite em Bao Daixiao, incapaz de esquecê-la.

O tempo ia passando, a grama crescia mais alta a cada dia, e flores silvestres de todas as cores brotavam, transformando a estepe num imenso tapete florido.

Nesse dia, Baú Qingshan deitou-se ao lado de um monte de feno, mastigando um talo de capim. De repente, sentou-se de supetão, tomado por uma ideia tão forte que o deixou agitado: decidiu ir até o vilarejo do Rio da Lua Crescente ver Bao Daixiao pela última vez! Vivesse ou morresse, queria resolver tudo de uma vez. Era como uma lâmina cega cortando o coração, uma dor insuportável.

Por sorte, o pasto vizinho pertencia ao seu tio, Baú Jinshan, que cuidava do local. Qingshan montou o cavalo e foi até lá, pedindo ao primo que olhasse por seu rebanho enquanto ele fosse ao vilarejo do Rio da Lua Crescente.

Os dois primos sempre conversavam sobre tudo; Jinshan entendia bem o motivo da viagem, por isso não perguntou detalhes, apenas recomendou que Qingshan tivesse cuidado pelo caminho.

Baú Qingshan estava decidido: se Bao Daixiao estivesse firme e dissesse que só se casaria com ele, faria de tudo para levá-la, nem que fosse à força. Se não desse certo, então... fugiriam juntos! Mas, se ela hesitasse ou dissesse que seguiria a vontade dos pais, então melhor acabar logo com o sofrimento e dar um ponto final.

Assim, Baú Qingshan preparou suprimentos, montou no cavalo e partiu para o vilarejo do Rio da Lua Crescente, cem quilômetros distante. Depois de trinta quilômetros, a noite caiu. Ele não parou para descansar, queria chegar o quanto antes e ver Bao Daixiao. Ele aguentava ficar sem dormir, mas o cavalo precisava comer e beber, então desceu para um terreno baldio à beira da estrada, guiando o animal enquanto ele pastava. Baú Qingshan mastigou algum pão seco, sem fome, mas forçando-se a comer para manter a energia. Queria mostrar-se forte, digno da confiança de Bao Daixiao, um verdadeiro homem mongol.

Cem quilômetros não são pouca coisa. Quando Baú Qingshan chegou ao vilarejo do Rio da Lua Crescente, já era tarde da tarde do dia seguinte. No caminho, imaginou mais de cem formas diferentes de encontrar Bao Daixiao, mas, chegando perto da vila, não teve coragem de entrar, temendo encontrar outros membros da família dela. Só pôde esperar à entrada do vilarejo. Antes era diferente: ele ia à casa de Bao Bain como se fosse a casa do próprio tio. Mas agora, depois que tudo veio à tona, sentia uma estranha e amedrontadora sensação de distância.

Por sorte, Alai Fu, que voltava da escola, passou por ali correndo com Li Sanfu. Baú Qingshan logo os interceptou, pedindo a Alai Fu que chamasse Bao Daixiao.

Alai Fu olhou Baú Qingshan de cima abaixo e o reconheceu: “Você é do pasto do Pavão, sempre ia à casa do meu tio. Posso ir chamar, mas você tem que me deixar montar no seu cavalo.”

Baú Qingshan concordou: “Irmãozinho, estou com pressa, vá lá e, quando voltar, deixo você montar.”
Os olhos de Alai Fu brilharam: “Assim não. Primeiro deixo eu montar, depois vou chamar. E se eu chamar e você fugir com o cavalo?”
“Corretíssimo, concordo plenamente”, disse Li Sanfu rindo de lado.

Baú Qingshan forçou um sorriso e assentiu. Levantou Alai Fu à sela e, mesmo ansioso, guiou o cavalo em duas voltas pelo caminho, com Li Sanfu correndo ao lado, morrendo de inveja.

Antes de sair, Alai Fu fez mais um pedido, apontando para Li Sanfu: “Vou chamar minha irmã Daixiao pra você, mas deixe ele dar duas voltas também.”
Baú Qingshan aceitou de bom grado, deixando Li Sanfu nas nuvens. Pensou consigo: “Esse Alai Fu é mesmo um grande amigo!”

...

Comer na casa dos outros, aceitar favores, montar o cavalo alheio, tudo isso obriga a agir rápido — Alai Fu achava que assim funcionava o mundo, era o que aprendia ouvindo histórias de gente esperta.

Por isso, logo encontrou Bao Daixiao.

De longe, Bao Daixiao viu Baú Qingshan com o cavalo e apressou o passo, enxugando as lágrimas de emoção.

Alai Fu chamou Li Sanfu para ir embora rápido. Os dois saíram correndo, mas ainda olharam para trás, rindo com um ar de travessura.