Capítulo 79: Yuan Zhenfu aceita entrar para a família da esposa

Há um Rio Meia-Lua na Estepe Pastor Lin Xi 2257 palavras 2026-03-04 20:14:33

— Entendi, então não é que Qiqige despreze minha pobreza, mas sim minha falta de sensibilidade — disse Yuan Zhenfu, sorrindo de forma ingênua.

— O nome disso é “não entender de romance”! — respondeu Gergen, rindo por um instante antes de continuar: — Mas não se anime tão cedo, a família An ainda tem uma condição.

Yuan Zhenfu se sobressaltou, arregalando os olhos: — Que condição? Dote? Ou... casa?

Gergen soltou a barba, levando ambas as mãos para trás das costas e, olhando ao longe, disse: — O dote não é um problema, a casa também não — o problema é outro. Se você aceitar esta condição, todos os problemas estarão resolvidos.

— Professor Gergen, está querendo me enrolar, não é? Afinal, qual é a condição deles?

Ficava claro o quanto Yuan Zhenfu estava ansioso. O “dicionário vivo” Gergen voltou o olhar para ele, decidido a falar claramente:

— Então, vou disparar a flecha direto ao alvo. É assim: a família An quer que você seja genro residente, ou seja, que vá morar com eles. E aí, o que acha?

Yuan Zhenfu ficou em silêncio por um momento e, após uma breve reflexão, respondeu: — Professor Gergen, veja, eu não tenho casa nem terras, vivo sozinho. Onde eu morar, é vida do mesmo jeito.

— Exatamente, eu sempre disse que Yuan Zhenfu era um homem inteligente. Saber lidar com a realidade é sinal de sabedoria. Você não tem onde cair morto, não tem pai nem mãe para cuidar, nem irmãos para apoiar, vive sozinho, sem amparo. Tornar-se genro residente é uma boa escolha.

— Eu aceito! — respondeu Yuan Zhenfu, decidido.

Gergen não esperava que o convencimento fosse tão fácil, sentiu-se satisfeito.

— Meu caro Yuan, fico muito feliz, assim como o professor Sun, por ver que você pensa assim. Por isso prometi para eles, sem medo de errar, que você era a escolha certa! E, afinal, vivemos em novos tempos. Não precisa se apegar a ideias antigas e ultrapassadas. Quando um casal se casa, tanto faz quem vai para a casa de quem. Não é motivo de vergonha. O que importa é viver bem, não ficar brigando por bobagens. Vergonha é não conseguir sustentar a casa, viver na miséria, sem saber o que vai comer amanhã. O verdadeiro respeito está em trabalhar e construir uma vida digna. Quanto a essas ideias de que a mulher deve sempre ir morar na casa do marido e que o genro residente vale menos, tudo isso é lixo feudal, deve ser rejeitado.

Yuan Zhenfu quase riu, mas conteve-se. Por dentro, murmurava: “Fala de mim, mas você mesmo está cheio dessas ideias antigas. Em casa, é o típico conservador, manda e desmanda com a esposa, impõe suas vontades aos filhos...”

Na verdade, Yuan Zhenfu, sendo sozinho, não tinha nada a perder. Embora a ideia de ser genro residente lhe causasse um certo desconforto, aceitou sem hesitar. Ele gostava mesmo de Qiqige. Além disso, já estava farto de morar na guarita da escola: precisava formar uma família, ter um lar quente e seguro — isso, sim, era viver. Agora, apenas sobrevivia, passava os dias.

Gergen bateu no ombro de Yuan Zhenfu, dizendo: — Então, já que você aceitou, eu e o tio Sun vamos logo conversar com a família An para marcar o casamento. Quero saber sua opinião: que tal fazermos o noivado e o casamento juntos, sem aquelas cerimônias tradicionais? Uma revolução nos costumes. Pode ser?

— Por mim, tudo bem — respondeu Yuan Zhenfu. — Só fico com receio de que Qiqige se sinta prejudicada. Afinal, para uma moça, esse é um momento único, elas dão importância a isso.

— Que bom ver que você pensa assim, mostra que tem coração. Não se preocupe, eu e o tio Sun cuidamos disso.

Enquanto isso, Shalina aproveitava a oportunidade para conversar com sua filha Qiqige sobre o noivado. Qiqige ficou radiante, mas não demonstrou tanto entusiasmo quanto Yuan Zhenfu, apenas assentiu timidamente, envergonhada. Faltava apenas fazer uma reverência como as damas de antigamente e dizer: “Tudo como meus pais decidirem...”

...

A proposta de Gergen, o “dicionário vivo”, de fazer uma “revolução nos costumes” no casamento de Yuan Zhenfu e Qiqige caiu como uma luva para Bao Qingshan, a centenas de quilômetros dali. Embora não tivesse ouvido a sugestão de Gergen, pensava exatamente da mesma forma.

Naquele dia, Bao Jinshan foi do seu ponto de pastoreio até o do tio, para conversar e parabenizar o primo pelo sucesso no noivado.

No interior da tenda, Bao Jinshan sentou-se de pernas cruzadas no centro, sorrindo largamente.

Bao Qingshan recostou-se preguiçosamente num tapete de viagem e, com um sorriso amargo, disse: — O que há para parabenizar? A vida é isso mesmo, no fim das contas, todo mundo acaba casando e tendo filhos. Caso contrário, meus pais não me dariam sossego, sempre com aquela história de “entre as três maiores faltas, não ter filhos é a pior”. Nunca entendi por que “não ter descendência” virou a maior das faltas.

— Vai perguntar pra mim? Todo conhecimento que tinha já se foi junto com a bebida — riu Bao Jinshan. — Qingshan, me diga: se não fosse por consideração ao tio e à tia, você nunca mais tentaria arrumar casamento?

— Ser solteiro a vida toda, para mim, seria ótimo. Hoje em dia, não casar não é mais vergonha; há muitos assim por aí. — Depois, Bao Qingshan soltou uma risada.

Bao Jinshan rebateu: — Besteira! Tem muita gente solteira, mas sabe por quê? Porque não tem dinheiro! Quem é pobre não consegue casar, mal tem o que comer ou vestir. Mas você, com casa, gado e dinheiro, por que pensa assim? E se realmente quisesse continuar solteiro, por que foi procurar pretendente? Pra quê?

Bao Qingshan não respondeu; na verdade, não havia resposta. Apenas olhou para o horizonte, com um olhar carregado de sentimentos. Percebia claramente a indireta do primo. Sim, se queria ficar solteiro, por que procurou Bao Daixiao? Ou melhor, foi justamente porque não pôde casar com ela que pensou em ficar solteiro...

Ele não disse nada, mas Bao Jinshan entendeu: o primo ainda não superou Bao Daixiao, da margem do Rio Lua Nova.

— Qingshan, Bao Daixiao já se casou. Se continuar assim, vai acabar se prejudicando — disse Bao Jinshan, cauteloso.

— Fique tranquilo, Jinshan, seu irmão aqui não é homem de mau caráter, jamais faria algo errado. Só não consigo evitar de pensar nela...

Bao Jinshan olhou pela abertura da tenda: logo à frente, a estepe; ao longe, montanhas ondulantes, tudo verdejante. E disse:

— Na verdade, há muitas garotas melhores que Bao Daixiao neste mundo, só que você ainda não encontrou nenhuma. É como a nossa estepe de Konquequepin: você acha linda, acha imensa, mas nunca saiu daqui, não sabe o quão grande e bela é a terra lá fora. Além destas planícies, há outras, onde as flores são ainda mais bonitas...