Capítulo 44 Surpresa e Alegria do Injustiçado

Há um Rio Meia-Lua na Estepe Pastor Lin Xi 2319 palavras 2026-03-04 20:13:14

Na festa de casamento, enquanto conversavam, os convidados acabaram comentando sobre o caso dos cartazes de denúncias, discutindo o caráter de Iuan Zhenfu. No geral, poucos elogios, muitas críticas.

O rosto de An Setenta e Sete já tinha adquirido um tom roxo, semelhante ao fígado de porco; não conseguia mais beber, e os pratos já não tinham sabor...

Han Tigre Negro, que se oferecera para ajudar a passar os pratos, estava tão radiante que nem cabia em si de alegria. Trabalhou ainda mais arduamente, recebendo elogios verbais do “Grande Convidado” e do secretário do vilarejo, Bai Rada...

O diretor da Escola Primária da Lua Crescente, Sai Han, tinha apenas trinta e seis anos. Num ambiente repleto de talentos ocultos, para conquistar respeito, precisava constantemente manter ou fingir uma postura madura e ponderada, chegando a se comportar como um ancião diante dos professores mais jovens.

Sai Han, ao saber do caso dos cartazes, sentiu um aperto no coração. Apesar de conhecer bem o caráter de Iuan Zhenfu, a pressão da opinião pública estava se tornando insuportável, então resolveu conversar com ele.

— Zhenfu, aquela história... está se espalhando rápido. Nosso vilarejo é pequeno, não há muita atividade cultural, então as pessoas, entediadas, ficam sedentas por novidades. Qualquer coisa vira assunto, se espalha, é até normal, digamos assim — Sai Han tentou suavizar, buscando razões objetivas.

Iuan Zhenfu respondeu: — Diretor, o senhor conhece minha índole, sou inocente.

Sai Han sorriu e disse: — Eu acredito em você. Caso contrário, teria suspendido suas aulas no mesmo dia. Mas, Zhenfu, esse tipo de coisa... em princípio, eu não acredito, só que os pais dos alunos não aceitam, muitos vêm me procurar em segredo...

— Desculpe, diretor. Sinto muito por lhe causar problemas.

— Problemas não me preocupam, só temo não conseguir resistir por muito tempo. Até que tudo fique claro, os pais dos alunos vão desconfiar de você, faz parte da natureza humana. Mas fique tranquilo, vou lhe dar tempo — só estou avisando, para você se preparar.

Sai Han não foi completamente explícito, mas o inteligente Iuan Zhenfu entendeu. Ele assentiu.

Sai Han continuou, sério: — Zhenfu, prepare-se psicologicamente. Se a situação não se esclarecer, talvez tenha que ser substituído... Claro, com sua cultura e conhecimento, será valorizado em qualquer lugar. Especialmente na cidade de Honglou, onde seus pais têm antigos contatos, certamente será bem recebido; pelo menos, não passará fome. Então, mesmo que tudo se agrave, não se sinta inferior nem desanimado...

Iuan Zhenfu ficou confuso, impotente.

Boas notícias não saem de casa, más notícias percorrem mil léguas. Num piscar de olhos, os rumores cortavam como facas, atingindo fundo. Iuan Zhenfu não conseguia levantar a cabeça em Lua Crescente; todos o apontavam pelas costas, a ponto de não ousar sair do portão da escola.

Só entre os parentes de Han Tigre Negro, as conversas já estavam fervendo:

— Grande Cogumelo — Dong Wei Shan — comentou: — Pelo exterior não se percebe, nunca imaginei que fosse esse tipo de pessoa.

A mãe de Han Tigre Negro, Dong Yu Wan, concordou: — Wei Shan está certa. Isso é como “cenoura murcha, coração podre”! Parece honesto, mas por dentro só sai coisa ruim.

— Segundo Maluco — Dong Wei Si — preocupou-se: — Se nossos filhos forem ensinados por ele, vão acabar virando marginais, não?

Han Corajoso avaliou objetivamente: — Wei Si, não fale besteira. Acho que estão difamando o professor Xiao Iuan, ele não é esse tipo de pessoa.

— Terceiro Falador — Dong Wei Qi — retrucou: — Cunhado, você tem olhos de fogo igual ao Rei dos Macacos? Não há fumaça sem fogo. Mesmo que alguém queira prejudicá-lo, se não tivesse feito nada errado, ninguém jogaria sujeira de graça. Não viu os papéis? Estão todos colados juntos, claramente alguém guarda rancor profundo, senão nem teria tempo pra isso...

— Eu acho que só alguém como você faria esse trabalho enrolado — Han Corajoso disse, não aguentando rir.

Dong Wei Qi respondeu: — Ei, que história é essa? Eu sou enrolado, mas faço tudo às claras. Em todos esses anos, já escrevi cartaz de denúncia pra você?

Eles não sabiam que tudo isso era obra de Han Tigre Negro.

A calmaria foi substituída por ondas de excitação, animando o vilarejo da Lua Crescente por um bom tempo. Não faltavam grupos de três ou cinco pessoas debatendo o caso. Boca de povo tem duas camadas, fala-se de tudo; no fim, a maioria preferia acreditar no rumor a duvidar dele.

De qualquer forma, sempre que Iuan Zhenfu passava pela estrada do vilarejo, parecia ouvir todas as agressões possíveis. Não era que as pessoas do vilarejo estivessem jogando pedras em quem já caiu, mas sim que eram intolerantes à maldade, olhos atentos para qualquer sujeira.

Iuan Zhenfu apressou-se de volta à sua casinha na escola. Não chorou, sentou-se em silêncio, olhar perdido. Pensava: Quem fez isso? Será que foi Alaif? Naquele dia, muitos alunos mentiram para ir ao banquete na casa de Jin, mas Alaif não foi. Será que estava esperando para ver meu vexame? Se foi ele, que coração sombrio, tão jovem... de onde aprendeu isso? Assustador...

Iuan Zhenfu voltou a suspeitar de Alaif.

Já não conseguia ficar em sua casinha, sentia-se sufocado. O diretor tinha dado a entender que logo seria oficialmente avisado para “mudar de endereço”, era melhor começar a arrumar as coisas.

Entrou discretamente na sala de aula, começou a organizar os cadernos e canetas da gaveta da mesa. Olhou para a sala vazia, a luz se tornava sombria, os rostos sorridentes haviam sumido, restando apenas as carteiras frias. Sentiu vontade de chorar...

De repente, seu olhar, através das lágrimas, fixou-se sobre a mesa de Alaif. Desceu cuidadosamente do palco, movido por um impulso, enfiou a mão na parte interna da mesa e, lá no fundo, encontrou algo — uma atiradeira.

Se Iuan Zhenfu odiava Alaif, seria exagero, diminuiria sua própria dignidade, porém ressentimento havia. Segurando a atiradeira, mergulhou em pensamentos...

Vira Alaif brincar com a atiradeira antes, e já tinha o proibido. Diziam que a família também não permitia que ele usasse esse brinquedo perigoso, temendo que acertasse o olho de alguém e causasse um grande problema. Por isso, Alaif escondia a atiradeira na mesa.

Iuan Zhenfu pensou: Da última vez que quebraram o vidro da porta da minha casinha, se Alaif fosse o autor, teria usado a atiradeira, não jogado pedras com a mão. Sim, atiradeira era seu forte, podia atirar de longe e fugir facilmente. Se não foi ele no caso do vidro, menos ainda teria sido no caso dos cartazes...

Embora não tivesse descoberto o mistério, Iuan Zhenfu finalmente eliminou a suspeita sobre Alaif, aliviando um pouco seu coração.

Se o caso dos cartazes foi um “susto”, eliminar a suspeita sobre Alaif era, de certo modo, uma “alegria”.