Capítulo 50: O Secretário da Aldeia Agita as Montanhas e Assusta os Tigres

Há um Rio Meia-Lua na Estepe Pastor Lin Xi 1906 palavras 2026-03-04 20:13:18

Desta vez, finalmente apareceu uma chance para descarregar a raiva, e Han Tigre Negro não perderia a oportunidade de pegar um deslize da família Bao e puxar com força, não é? Bai Hadar já não aguentava mais, bateu novamente na mesa e gritou: “Está pensando que pode fazer o que quiser? Vá em frente, denuncie! Se você for, aproveito e conto os seus podres também. Tigre Negro, Tigre Negro, você mais parece um cão raivoso, mordendo quem aparecer pela frente!”

“Eu tenho uma origem pura, vou temer o quê?”, retrucou Han Tigre Negro com bravata, mas seu tom já demonstrava menos confiança, enquanto amaldiçoava por dentro: “Denunciar coisa nenhuma, sua velha maldita!”

“Você é mesmo igualzinho ao seu pai!”, Bai Hadar esforçou-se para controlar as próprias emoções e, tentando manter a voz calma, disse: “Tigre Negro, você ainda é um jovem, eu nem deveria discutir com você. Mas pare de bancar o ingênuo de propósito comigo. Tem coragem de dizer que seu pai, Han Destemido, não se envolveu em nada suspeito nos últimos anos? Não pense que só porque ele estava no distrito de Honglou, ninguém soube de nada! Mesmo que você fosse pequeno na época e estivesse limpo, e o seu irmão? Vamos falar do mais recente: como foi que Heilong morreu? Não me diga que já esqueceu.”

O olhar de Bai Hadar cravou-se em Han Tigre Negro, que não teve outra escolha a não ser baixar a cabeça.

Bai Hadar continuou: “Não pense que tudo ficou para trás e acabou em pizza. No mundo não existe esse tipo de facilidade. Você é do meu povo, do rio da Lua Crescente, como não me preocuparia? Estou fazendo isso para o seu bem, e para o bem de toda a sua família. Ouvi dizer que lá de cima estão pensando em investigar, então é bom vocês tomarem cuidado, já têm ficha. Se não se cuidarem, antes de mandarem alguém para a cadeia, quem vai acabar lá primeiro são vocês mesmos…”

Essas palavras atingiram em cheio o ponto fraco de Han Tigre Negro, tocando exatamente em sua ferida mortal!

O passado já se fora, as nuvens de poeira se dispersaram, mas aquela mancha vergonhosa marcou para sempre a família Han. Bai Hadar não queria ter tocado nesse assunto, mas hoje precisou dar uma cutucada para intimidar Han Tigre Negro, calar sua boca e diminuir a arrogância do rapaz, para que não cometesse ainda mais besteiras no futuro. Por isso, fingiu confidenciar que “os ventos estão mudando de novo”, que as autoridades ainda investigavam em segredo, e o alertou dizendo: “Cavalo indomado tropeça fácil, e quem é arrogante sempre se mete em confusão”.

Quem tem telhado de vidro não atira pedra no do vizinho. Han Tigre Negro realmente ficou amedrontado. Não temia nada nem ninguém, exceto uma investigação retrospectiva — por maior que fosse a coragem, tremia só de pensar.

“Problemas não faltam na sua família…” Bai Hadar fez uma pausa, respirou fundo e, em tom sério, completou: “Qualquer coisa que vier à tona pode render uma temporada de cadeia. Tigre Negro, sossegue, se você for atrás disso, e lá de cima perguntarem, quando a panela ferver não tem tampa que aguente, ninguém vai te proteger, e mesmo que quisessem, não conseguiriam.”

Han Tigre Negro saiu dali como um cão derrotado, com o rabo entre as pernas…

…………
Bai Hadar conseguiu intimidar Han Tigre Negro, sabendo que ele não causaria mais problemas, mas ainda assim não ficou totalmente tranquilo, temendo que outros resolvessem também criar confusão. Então procurou Bao Bayin para conversar, sugerindo que ele encontrasse um motivo adequado para tornar pública a questão das ovelhas e dissipar as desconfianças do povo, afinal, uma coisa simples não precisava virar uma complicação.

Durante o dia, Bao Bayin escondia as ovelhas no celeiro, alimentava-as bem com feno e água, assim elas quase não faziam barulho. Assim que terminou de alimentá-las, entrou em casa para fumar seu cachimbo, quando Bai Hadar entrou com passos largos no pátio.

A autoridade do secretário da vila não se discute. Bao Bayin apressou-se em recebê-lo com cordialidade, convidando-o para entrar e servindo chá.

Bai Hadar foi direto ao ponto: “Irmão Bao, hoje vim falar sobre as ovelhas.”

Bao Bayin se assustou por um instante, mas logo recuperou a calma e devolveu: “Ovelhas? Que ovelhas?”

Bai Hadar sorriu, ajeitou a capa nos ombros e disse: “Ah, irmão Bao, dizem que você é o mais esperto do vilarejo, e vejo que o povo realmente enxerga longe. Vai querer me enrolar?”

Bao Bayin sorriu sem graça: “De jeito nenhum, como eu ousaria brincar com o secretário Bai?”

“Veja bem. Não vim aqui para investigar nem para acusar, estou só alertando. Se não quiser ouvir, vou embora.”

Bai Hadar fez menção de sair, mas Bao Bayin imediatamente o segurou, dizendo apressado: “Quero ouvir sim, secretário Bai, como não iria querer?”

Bai Hadar perguntou: “Então… tem ovelhas… ou não tem?”

Bao Bayin baixou a cabeça e, risonho, respondeu: “Tem.” Bai Hadar fez um gesto mostrando seis com a mão; Bao Bayin olhou e assentiu. Percebeu que Bai Hadar sabia de tudo, não adiantava mais esconder. Apontou para o celeiro e disse: “Durante o dia ficam ali, só à noite saem um pouco. Juro pela vida que nunca prejudiquei a plantação dos outros, jamais faria esse tipo de coisa.”

“Eu sei disso. Mas mesmo assim, alguém foi até mim para te denunciar.”

“O quê? Denunciaram de novo? Querem mesmo implicar comigo, Bao Bayin? Antes, tudo bem, eu estava errado e engoli calado, mas agora não, por que me denunciar? Não estou cometendo crime nenhum! Já falei: juro pelo sol durante o dia e pela luz à noite, que nunca tocaram no campo de ninguém!”

Ao ouvir que tinha sido denunciado, Bao Bayin ficou indignado. Desta vez, estava seguro, diferente da primeira vez que criara ovelhas.

Lembrou-se daquela ocasião, quando Bai Hadar também viera conversar com ele, e parecia que tinha sido ontem, a memória ainda fresca —

Naquele ano, Bai Hadar acabara de assumir o cargo de secretário do Partido da vila da Lua Crescente, e estava no momento de mostrar serviço, mas também agia com cautela. Na época, falou da forma mais calma possível: “Irmão Bao, vieram me denunciar. Tive que explicar e argumentar por um bom tempo, mas não adiantou. Disseram que, se eu não tomasse providências, iriam direto ao conselho da comuna, passando por cima da nossa vila. Se chegar a isso, podem acabar denunciando até o secretário que vos fala…”