Capítulo 16: Os boatos cessam diante dos sábios
Bai Hadá apontou para a pedra do lado de fora da porta, querendo falar, mas Temur fez-lhe um sinal com os olhos e puxou-o dizendo: Vamos conversar lá dentro.
Assim que entraram, mal tinham firmados os pés, Bai Hadá perguntou ansioso: O que está acontecendo? Por que ainda não secou?
Temur respondeu: Não entendo nada disso. Nem me fale, desde que você saiu, sempre tem gente vindo, cochichando. Depois piorou, alguns até se ajoelharam diante da pedra, outros trouxeram incenso para queimar. Foi com muita conversa que consegui convencê-los a ir embora.
— Que bobagem! Superstição e desordem! — Bai Hadá respirou fundo e continuou: — Mas, de fato, essa coisa é muito estranha. No caminho para casa, pensei que quando chegasse, a pedra já estaria completamente seca, sem uma gota de água. Mas, surpreendentemente, está quase igual ao que vi de manhã.
Temur disse: Pois é, parece mesmo como se alguém estivesse suando, como se a água brotasse de dentro. Secretário Bai, você acha que isso é mesmo a tal “pedra sagrada suando”?
Bai Hadá não respondeu logo, pensou um pouco e disse: Impossível! Sou membro do Partido, não acredito nessas coisas de jeito nenhum. Temur, continue vigiando, chame outros chefes de equipe se for preciso. Não pode deixar ninguém vir rezar, muito menos queimar incenso. Nada de mais confusão! Vou sair um pouco.
Temur ainda ia perguntar para onde ele ia, mas Bai Hadá já havia saído pela porta.
...
Bai Hadá foi direto à casa do professor Gergen, o “Dicionário Vivo”. Para ele, Gergen era o homem mais culto da equipe da Lua Crescente, certamente saberia explicar aquele mistério.
Conhecendo as manias de Gergen, Bai Hadá entrou e sentou-se diretamente no kang do sul. Gergen, excepcionalmente, não se sentou de frente no kang do norte, mas acompanhou-o sentando-se também no sul.
Gergen acariciou várias vezes a barba de bode brilhante sob o queixo e disse calmamente: Ouvi falar disso, é mesmo estranho. Se fosse verão, antes da chuva, o ar fica úmido e a pedra mais fria, então se formam gotas como suor, isso acontece normalmente na natureza. Mas agora está só começando a primavera, não chega a congelar, mas também não está totalmente derretido. Teoricamente, não deveria acontecer isso.
Bai Hadá disse: Pensei o mesmo, é muito esquisito. Ouvi dizer que alguns até foram ajoelhar diante da pedra.
Gergen gesticulou várias vezes, falando sério: Não pode deixar rezarem, se começarem, a mente do povo vacila.
— É até engraçado. Aquela pedra não é nenhum deus da fortuna. Se fosse, até se entenderia, pois todos buscam prosperidade. Mas uma pedra... Isso é pura confusão!
— O povo tem medo da pobreza. Todos querem uma vida melhor, isso é bom, mas tem que confiar na política, no trabalho!
Bai Hadá assentiu: Isso mesmo, dependemos da liderança do Partido. Mandei Temur vigiar, somos comunistas, não apoiamos essas superstições feudais.
Gergen disse: Superstição é assim, quem acredita fica cego, quem não acredita, não se envolve.
Bai Hadá refletiu e perguntou: O que devemos fazer então?
Gergen respondeu: Consultei nossos registros de Honglou, nunca houve relato semelhante. Agora, o mais urgente é acalmar o povo. Se acreditarem, acabam ficando ainda mais iludidos; quanto mais iludidos, mais certos ficam disso. Isso prejudica o trabalho da equipe.
Bai Hadá: É isso que me preocupa. Gergen, o que sugere?
Gergen cochichou algumas palavras ao ouvido de Bai Hadá, que assentiu repetidas vezes.
Na saída, Bai Hadá coçou a cabeça e perguntou suavemente: Gergen, você que é tão culto, conhecedor do passado e do presente, preciso perguntar: será que existe mesmo algo assim de tão sobrenatural?
Gergen respondeu: Quem pode explicar todos os mistérios da natureza? Nos livros há relatos de “presságios celestiais”, anunciando grandes mudanças. Às vezes, quando conto histórias, também menciono isso, mas qual é a credibilidade de tais relatos? Fique tranquilo, mesmo que existam espíritos ou deuses, eles vivem no coração das pessoas. Se não estiverem no coração, não estão em lugar algum. Secretário Bai, acho melhor não tentarmos adivinhar, deixemos as coisas acontecerem naturalmente.
Bai Hadá saiu, refletindo sobre as palavras de Gergen, pensando: Será que o tema da reunião de hoje seria a “grande mudança” de que falou o “Dicionário Vivo” Gergen?
À meia-noite, novamente algumas pessoas se reuniram às escondidas perto da “pedra sagrada”. O secretário Bai proibira aproximações, mas sem rezar não ficavam satisfeitos, então observavam de longe, planejando se aproximar para adorar a “pedra sagrada” e pedir fortuna quando fosse totalmente seguro.
De repente, perceberam duas ou três sombras furtivas se aproximando do prédio da equipe, cada uma com uma bacia, espiando para todos os lados antes de jogar água sobre a pedra e fugir rapidamente. Pelo vulto, não era possível identificar quem era. Os que planejavam rezar ficaram perplexos, alguns mais corajosos se aproximaram da pedra, olharam ao redor, acenderam um fósforo e, à fraca luz, viram que as marcas de água eram realmente recentes.
Depois disso, sempre que de dia se via a “pedra sagrada suando”, à noite havia alguém jogando água nela às escondidas.
Isso durou nove dias consecutivos, até que a “pedra sagrada” deixou de “suar” e, à noite, ninguém mais foi jogar água.
Alguns foram relatar os fatos a Bai Hadá, que sorriu e disse: Eu já sabia. Só alguns estavam pregando peças, querendo assustar os outros! A primavera está chegando, logo será hora de plantar, não quero perder tempo com isso. O assunto está encerrado, desde que não se repita e todos trabalhem direito, não haverá punição!
Afinal, o que era o “suor da pedra sagrada”? A verdade certamente virá à tona e os responsáveis aparecerão...
...
A implementação do sistema de responsabilidade familiar resolveu o problema de “trabalhar muito ou pouco, ganhar igual”, de fato libertando as forças produtivas rurais e incentivando o entusiasmo dos agricultores. Por diferenças regionais e outros motivos, o ritmo e o momento da implementação variaram de lugar para lugar.
O que aconteceu a seguir trouxe à equipe da Lua Crescente uma primavera verdadeiramente extraordinária, como nunca antes. Realmente foi como o “suor da pedra sagrada”, sacudindo toda a aldeia.
Na primavera de 1983, com a política de “responsabilidade até o domicílio” totalmente implementada na comuna de Hadá, foi o primeiro ano completo dessa reforma. Com base no ano anterior, em que já havia sido feito um “projeto-piloto”, todos os grupos produtores de arroz passaram à reforma do sistema de responsabilidade. Assim, a verdadeira “divisão de terras para as famílias” e “divisão da produção” foi estabelecida na equipe da Lua Crescente.
Agora, cada família tinha sua “terra”! Cada família tinha sua “produção”!
Na verdade, já em outubro de 1981, o “Resumo da Reunião Nacional de Trabalho Rural” reconheceu pela primeira vez que a responsabilidade familiar era um sistema de produção socialista de economia coletiva, encerrando um debate que durava anos. Dois anos depois, a “responsabilidade até o domicílio” foi finalmente adotada por toda a equipe da Lua Crescente. “Entregar o que é do Estado, guardar o que é do coletivo, o resto é do próprio agricultor” — de certo modo, a terra agora não estava apenas nas mãos do camponês, mas também em seu coração.