Capítulo 95: A Grande Celebração Após a Colheita de Outono
Após a colheita do outono daquele ano, a Cooperativa Popular implementou a contabilidade em dois níveis: cooperativa e brigada de produção, com gestão unificada. Para distribuição, passou-se a adotar a “pontuação política” e o método das duas linhas de receitas e despesas...
“A cada vez que o Estado lança uma política importante, a reforma agrária avança mais um passo. A intenção é sempre boa, sempre pensando no bem do povo...” Bai Hadá, recordando o passado e contemplando o presente, falou com emoção.
Temur apressou o passo para acompanhá-lo e disse: Pois é, o que mais me marcou foi quando fizemos o ‘pequeno contrato de trabalho’, nossa brigada do Rio da Lua Crescente estava cheia de energia.
“O que é esse ‘pequeno contrato de trabalho’?” Pu Jiandong perguntou segurando um caderno.
Temur: Ah, Jiandong, naquela época você era pequeno, nem ia se lembrar...
Todos riram alto, zombando de Temur por “fingir” ser mais velho, quando na verdade era apenas três ou quatro anos mais velho que Pu Jiandong.
Temur, porém, não riu; falou sério: “‘Pequeno contrato de trabalho’—Jiandong, não precisa anotar, só escute—consistia em a brigada de produção estabelecer metas de trabalho conforme o plano agrícola, dividindo pequenas parcelas entre grupos, famílias ou trabalhadores. Para os contratados, definia-se o pessoal, a tarefa de produção, os padrões de qualidade, o prazo para conclusão e a remuneração em pontos de trabalho, além de prêmios para quem superasse a meta. Simplificando, era pegar uma grande área e distribuí-la em pequenos contratos. Com esse método, todos se empenharam ao máximo em suas parcelas.”
Bai Hadá, de mãos às costas, diminuiu o passo: “Esse ‘pequeno contrato de trabalho’ era realmente bom. Na época, cada família fazia seus cálculos, era um barulho de contas batendo.”
“O que mais me marcou foi que, para colher mais grãos em sua parcela, chegou a acontecer até ‘roubo de esterco’,” disse Temur.
“Roubo de esterco?” Muitos se interessaram, pedindo que Temur contasse a história.
Temur olhou para Bai Hadá e, ao ver que ele não se manifestou, conteve o desejo de contar, desviando o assunto: Hoje o secretário Bai nos trouxe aqui principalmente para ver como estão crescendo as lavouras. O caso do ‘roubo de esterco’ é complicado, é como criança sem mãe, longa história; depois eu conto.
“Ah, você só enrola! Ouvir suas histórias é mais difícil do que ouvir as narrativas do ‘dicionário vivo’,” lamentaram os presentes, rindo.
Bai Hadá fingiu ser profundo: Daqui para frente, para ouvir o ‘dicionário vivo’ contar histórias vai ser ainda mais difícil, quase impossível...
...
A notícia de que a Escola de Aperfeiçoamento de Professores da cidade de Honglou seria ampliada e que professores seriam selecionados entre as escolas deixou inquietos os demais docentes da Escola Primária do Rio da Lua Crescente, todos ansiosos por tentar. Alguns insistiram para que Yuan Zhenfu aproveitasse essa oportunidade rara, pois depois dessa chance não haveria outra. Yuan Zhenfu respondia por educação, mas no fundo não se importava, permanecendo inabalável.
Enquanto todos da escola se inscreviam para a seleção, sonhando com a vida de professor na cidade, Yuan Zhenfu mantinha-se tranquilo, como sempre, sem ser influenciado em nada, fiel a seus próprios princípios. An Qishiqi e Shalina observavam com satisfação, felizes pela filha e pelo fato de a família An ter escolhido um genro confiável.
Quando a agitação passou e tudo se definiu, após rigorosas etapas de seleção, apenas o “dicionário vivo” Gergen destacou-se na Escola Primária do Rio da Lua Crescente e foi escolhido pelo Departamento de Educação. O nível de ensino de Gergen era de fato elevado, com notável talento musical e características étnicas. O multiartista “dicionário vivo” foi escolhido como esperado, com aprovação geral.
Antes de partir para o treinamento, Gergen teve uma longa conversa com Yuan Zhenfu. Ele lamentou que Yuan Zhenfu não tivesse se inscrito, dizendo que, se o fizesse, certamente seria selecionado.
Yuan Zhenfu compartilhou seus verdadeiros pensamentos, e Gergen assentiu repetidamente, suspirando: O destino prega peças.
Na troca, Yuan Zhenfu abriu o coração sem reservas, revelando o sofrimento por não ter filhos com Qiqige. Gergen o aconselhou a ter paciência, pois certas coisas vêm quando devem vir, e é preciso aprender a aceitar o curso natural...
...
No tempo da colheita do outono, Bao Qingshan finalmente colheu o próprio casamento—casou-se com Yu Xiulan. Embora não tenha sido tão rápido quanto desejava, depois de muitos percalços, tudo correu bem e foi satisfatório.
No início do ano, após Aruna completar cem dias, uma brincadeira de Ulan Tuya ao voltar à casa dos pais deixou Bao Qingshan desconcertado, embora fosse apenas sua própria imaginação. Dizem que nesse dia Bao Qingshan ficou teimoso, foi direto ao vilarejo Hexing na região de Taihe em Chunzhou para procurar Yu Xiulan, dizendo abertamente: “Se você acha que eu sou alguém decente, então vamos casar imediatamente!”
Yu Xiulan não esperava tal atitude de Bao Qingshan, ficou surpresa e perguntou: Por que tanta pressa?
“Quero logo ter um filho!”
“Como?” Yu Xiulan levou um susto, mais uma vez surpreendida pela franqueza direta de Bao Qingshan. Pensou: Já vi gente prática, mas nunca desse jeito. Será que Bao Qingshan é mesmo ingênuo?
Bao Qingshan percebeu que fora impulsivo, riu sem graça e contou como Ulan Tuya havia “tirado sarro” dele.
Yu Xiulan não conteve o riso.
Bao Qingshan perguntou sério: Você também está me zoando?
Yu Xiulan balançou as mãos negando, mas ria tanto que mal conseguia falar.
Bao Qingshan: Até minha irmã se gaba para mim! Por quê? Eu, irmão mais velho, ainda não me casei, e ela já é mãe, o filho já tem cem dias, está claro que ela está me provocando!
Yu Xiulan finalmente parou de rir e disse: Você é mesmo sincero demais. Sua própria irmã, vai competir com você? “Provocar”, só você mesmo para pensar nisso.
Yu Xiulan queria dizer que ele era “mesquinho”, mas, temendo ferir o orgulho de Bao Qingshan, mudou para “sincero demais”.
“Sou assim mesmo, não tolero areia nos olhos. Essa é a essência de Qingshan!” Bao Qingshan parecia até orgulhoso.
Yu Xiulan continuou: Ulan Tuya não está te provocando nem te desprezando, é você que está pensando pequeno.
“Não me importo, os outros podem pensar o que quiserem. Já decidi, vou casar imediatamente!”
“Imediatamente não dá. Vou conversar com meus pais, mas só depois de terminar a colheita.” Yu Xiulan, envergonhada, abaixou a cabeça.
“Pois logo após a colheita, que seja! Aguento firme! Quando chegar o outono, nos casamos!”
Bao Qingshan era obstinado, difícil de mudar de ideia. Mas para Yu Xiulan, aquelas palavras soavam desconfortáveis, embora não quisesse aprofundar o assunto.
Assim, no início do outono, com os grãos recolhidos, o casamento de Bao Qingshan e Yu Xiulan aconteceu conforme o planejado...