Capítulo 97: A importância de divulgar o cultivo de mudas de arroz
“Hoje, quero falar especialmente sobre o jovem Zhou Yu, com a intenção de inspirar todos a valorizar a juventude, dedicar-se com afinco às tarefas próprias dessa fase e, assim, tornar-se pilares da sociedade, conduzir nossa gente ao caminho da prosperidade e transformar nosso vilarejo da Lua Crescente em um lugar ainda mais belo...” O “dicionário ambulante” Gergen falava com grande emoção.
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Ter ambição não depende da idade, e essa frase se encaixa perfeitamente em Pu Jiandong. Desde que o vilarejo da Lua Crescente começou a cultivar arrozais, várias gerações da família Pu viveram do plantio de arroz. O pai de Pu Jiandong faleceu cedo, e foi um tio quem o criou. Mais tarde, por conta de sua facilidade com idiomas, o tio teve a chance de trabalhar no exterior e nunca mais voltou, sem dar notícias.
Pu Jiandong permaneceu na Lua Crescente trabalhando na lavoura. Desde a época da equipe de produção, ele já acompanhava o cultivo do arroz, mesmo sendo muito jovem e tendo que assumir o peso das responsabilidades familiares. Sempre foi apaixonado por aprender, gostava de ouvir rádio, e nas horas vagas ia ao centro comunitário — antigamente chamado de sede da equipe — para pegar jornais e revistas emprestados, lendo com atenção e tomando notas. Naquele tempo, Pu Jiandong ainda não entendia o significado de “o conhecimento muda o destino”; só queria aprender mais, garantir seu sustento com competência e lutar contra a pobreza com suas próprias habilidades!
O sucesso no cultivo de mudas de arroz em estufas plásticas deixou Bai Hada especialmente entusiasmado. Alguém sugeriu que era hora de divulgar a conquista, afinal, sempre que outros vilarejos faziam algo digno de nota, logo saía nos jornais ou era anunciado no rádio; então, com uma realização tão grande, não podiam simplesmente ficar em silêncio.
Bai Hada ficou hesitante, sem conseguir decidir. Ao sair do centro comunitário, encontrou-se casualmente com Yuan Zhenfu em frente à grande pedra e, segurando-o pelo braço, contou-lhe o ocorrido, pedindo sua opinião.
Yuan Zhenfu também ficou contente ao ouvir e disse: “Secretário Bai, essa é uma ótima notícia, digna de ser divulgada. Toda a comunidade — melhor dizendo, toda a cidade de Louro Vermelho — precisa saber que o vilarejo da Lua Crescente tem gente competente e capaz de grandes feitos.”
Bai Hada sentou-se com Yuan Zhenfu sobre a grande “pedra sagrada” e desabafou: “Sinto que, se fizermos isso, os outros secretários de vilarejo vão dizer que eu, Bai Hada, só quero aparecer. Você não sabe, nas reuniões na comunidade, esses velhotes se provocam mais do que em festas de fim de ano, sempre com uma língua afiada.”
Yuan Zhenfu sorriu e perguntou: “E vocês se aborrecem com isso?”
“Claro que não. Eles falam de mim, eu falo deles, é só para descontrair. Pra dizer a verdade, é como dizem: ‘quando dois cães brigam, ambos saem perdendo’; ninguém ganha nada com isso.”
“Então é ainda melhor. No fim das contas, essas provocações entre vocês não são sérias, apenas brincadeiras, ninguém leva a mal. Se é assim, por que se importar com o que dizem? Não tem motivo.”
Bai Hada refletiu e concordou com um aceno. “É verdade. Não importa o quanto se provoquem, ninguém nunca perdeu a cabeça, todos veem como diversão.”
Yuan Zhenfu continuou: “Secretário Bai, acredito que divulgar o sucesso do cultivo de mudas de arroz nas estufas plásticas traz pelo menos três vantagens.”
“Quais três?” Bai Hada ergueu os olhos para Yuan Zhenfu.
“Primeiro, aumenta o prestígio do vilarejo, dando moral ao nosso povo. Segundo, serve de exemplo para outros vilarejos; bons resultados técnicos podem ser compartilhados, todos progridem juntos. Terceiro, se algum líder superior souber e se interessar, talvez até nos concedam algum apoio especial...”
“Ah, Zhenfu, você é mesmo esperto. Como não pensei nisso? Fiquei só me preocupando com o que iriam dizer! Ai, falta de estudo faz a gente pensar pequeno.” Bai Hada interrompeu-o antes que terminasse, batendo-lhe no ombro sem conseguir conter o entusiasmo.
“Ai!” Yuan Zhenfu até sentiu dor com o tapa. Não era para menos — estava falando animadamente quando de repente recebeu um tapão das mãos fortes de quem trabalha no campo, sem aviso nenhum.
Bai Hada, mostrando-se constrangido, massageou suavemente o ombro de Yuan Zhenfu, dizendo: “Desculpe, fiquei empolgado demais. Quem é do campo não sabe medir a força, doeu muito?”
“Não foi nada, só me assustou.” Yuan Zhenfu respondeu sorrindo.
Bai Hada comentou: “Saber faz diferença mesmo. Zhenfu, com sua análise, tudo ficou claro pra mim. E agora, me ajude mais um pouco: não conhecemos ninguém na imprensa, pode ser difícil conseguir um jornalista. Escreva um texto para mim e eu levo à rádio da cidade.”
Dessa vez, foi Yuan Zhenfu quem ficou desconfortável: “Secretário Bai, nunca escrevi esse tipo de coisa, será que consigo?”
“E me diga, no vilarejo todo da Lua Crescente, se nem você pode escrever, quem mais conseguiria?”
“Mas o próprio Pu Jiandong não pode escrever?”
“Ele tem estudo, mas escrever isso acho difícil, bom mesmo é para cartazes grandes.”
“Ele já escreveu cartaz?”
Bai Hada apressou-se em mudar de assunto: “Para quem sabe, nada é difícil. Quem nunca comeu carne de porco, já viu um correr? Zhenfu, pode seguir um modelo, eu confio em você, e o comitê do partido do vilarejo também.”
Yuan Zhenfu coçou a cabeça, sem jeito de recusar, forçando um sorriso.
Bai Hada insistiu: “Olha, se o ‘dicionário ambulante’ ainda estivesse aqui, tudo bem, ele sabe falar e escrever. Mas agora ele está na escola de formação de professores em Louro Vermelho, longe demais para ajudar. Então é com você, Zhenfu, não seja modesto, ajude o vilarejo.”
“Então... vou tentar.” Yuan Zhenfu acabou aceitando, mesmo relutante.
“Sei que você vai conseguir! E, se precisar de algo, é só pedir.”
Yuan Zhenfu pensou e disse: “Preciso... Na verdade, só preciso conversar bastante com Pu Jiandong, o pessoal de jornalismo chama isso de... entrevista. Como não conheço bem os detalhes, sem conversar com ele não tem como escrever.”
Bai Hada deu uma gargalhada e bateu forte no peito: “Sem problema. Vou falar já com Jiandong para ele colaborar totalmente. Você é esperto, encontrou a pessoa certa. Mesmo eu, se tentasse explicar, não saberia detalhar as questões técnicas. Só Jiandong sabe tudo, do começo ao fim. Ele pode ser jovem, mas não é pouca coisa. Se todos os jovens da Lua Crescente fossem tão dedicados e esforçados quanto ele, nossa vida seria outra — pelo menos ninguém passaria fome ou frio, e ao andar pelas ruas da cidade de Louro Vermelho, todos teriam orgulho, ninguém ousaria menosprezar nosso povo do campo...”
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Yuan Zhenfu despediu-se de Bai Hada, pensando em tudo pelo caminho de casa. Ao chegar, contou à Qiqige que o secretário Bai havia pedido que escrevesse uma reportagem e que precisaria conversar com Pu Jiandong. Qiqige ficou muito animada e expressou logo o desejo de acompanhá-lo.
Yuan Zhenfu escondeu discretamente o caderno e a caneta. Entre risos e conversas, os dois seguiram em direção à estufa onde Pu Jiandong cultivava as mudas de arroz.
As “línguas afiadas” do vilarejo, ao verem a intimidade dos dois, logo começaram a comentar...