Capítulo 60 - Como Compensar por Ter Perdido as Ovelhas

Há um Rio Meia-Lua na Estepe Pastor Lin Xi 2347 palavras 2026-03-04 20:13:23

Você sabe que sou uma pessoa sem malícia, até andando depressa corro o risco de perder o coração pelo caminho. Quando começa a correria, basta as ovelhas balirem que logo dou comida e água, tapando a boca daqueles pequenos diabos. Fico tão ocupada que nem tempo de ir ao banheiro tenho. Por várias vezes, se não fosse pelo tempo perdido lavando as calças, eu teria feito xixi nelas mesmo, de tanto descuido, sem me importar com quem risse de mim. — continuava a tagarelar Antônia, enquanto Gia já se mostrava impaciente.

Depois, Antônia ainda divagou sobre vários assuntos, mas no fundo: aquelas seis “ovelhas finas das estepes” eram preciosidades, confiadas pelos parentes, e era preciso cuidar delas com todo empenho, mesmo que a casa ficasse um caos, desde que as ovelhas engordassem...

...

Após a partida de Antônia, Gia sentou-se na cama e quanto mais pensava, mais raiva sentia, praguejando em silêncio contra Bayan por arranjar problemas e contra Antônia por ser insensível e ingrata. Naquela mesma noite, Gia mandou Muren ir até a casa dos Jin buscar as ovelhas de volta.

Ao ouvir o relato da mãe, Muren realmente ficou irritado. Quando foi buscar as ovelhas, coincidentemente não havia ninguém em casa dos Jin. Ele não hesitou: simplesmente levou as ovelhas para casa. Depois disso, não voltou para avisar os Jin, nem contou aos pais que a família Jin não sabia que as ovelhas tinham sido levadas.

Quando a família Jin voltou para casa já era tarde, saíram todos para resolver assuntos e, ao chegar, nem olharam as ovelhas antes de dormir. Jin Shun até estranhou o silêncio das seis ovelhas, e Antônia explicou que era porque ela tinha cuidado bem delas, deixado feno e água suficientes, então, estando alimentadas, não tinham por que balir à toa.

Na manhã seguinte, Dai Xiao foi a primeira a notar que as ovelhas tinham sumido e começou a chorar desesperadamente. Ela sabia que aquelas seis ovelhas de raça valiam uma fortuna!

Jin Shun e Antônia ficaram atordoados, e Jin Bao ficou tão assustado que tremia dos pés à cabeça.

Antônia, nervosa, disse: — De que adianta ter medo? Estamos perdidos! Bao, vai já à casa do seu sogro, pergunte se é preciso avisar os líderes da vila, e se nada resolver, vamos à delegacia denunciar.

Jin Bao recuou, balançando as mãos, apavorado: — Mãe, eu não tenho coragem.

Antônia mordeu os lábios, olhando para Jin Shun.

Sem saída, Jin Shun disse: — Eu vou!

Com o coração apertado, seguiu para a casa dos Bao, pensando em como abordar o assunto.

Enquanto caminhava cabisbaixo, Antônia veio atrás dele às pressas.

— Por que veio junto? — perguntou Jin Shun.

— Temi que você não soubesse explicar. Vem cá, deixa eu te dizer... — Antônia olhou ao redor, certificando-se de que não havia ninguém, e cochichou ao ouvido de Jin Shun: — Chegando lá, avalie a situação. Não seja tolo de contar tudo. Se eles vierem com grosseria, diga que as ovelhas deles atraíram ladrão para nossa casa e que, além disso, perdemos dois sacos de milho e dois de soja!

— Quer dizer que é para virar o jogo? Não acho certo... — Jin Shun demonstrou hesitação.

— Se você não revidar, o velho Bao te engole vivo! São “ovelhas finas das estepes”, isso não é brincadeira. Só os três carneiros valem uma fortuna! Nem vendendo você pagaria o prejuízo! — Ao ouvir isso, Jin Shun se encheu de coragem e apressou o passo, obrigando Antônia a quase correr para acompanhá-lo.

Ao entrarem na casa dos Bao, ouviram de repente o balido das ovelhas e se assustaram. Trocaram olhares e seguiram direto para o curral.

Ao olhar com atenção, viram as seis “ovelhas finas das estepes” ali, as mesmas que “tinham sumido”.

A fúria de Antônia subiu à cabeça, e ela gritou: — Gia, venha aqui agora!

— Antônia, fale baixo, vamos conversar. Somos parentes, não precisamos brigar... — Jin Shun tentava apaziguar, nervoso.

— Conversar como? Isso é abuso demais! Se não tivéssemos visto, poderiam muito bem levar as ovelhas para longe e depois dizer que fomos nós que as perdemos. Você, Jin Shun, nem saberia como se defender! — esbravejou Antônia.

...

A família Bao estava prestes a tomar café da manhã. Muren ajudava o avô, Bao Enhe, a lavar o rosto. De repente, ouviram gritos no pátio. Muren espiou e logo entendeu o que estava acontecendo.

Gia, ocupada na cozinha, percebeu o tumulto e saiu com uma colher de cabo longo na mão.

Ao ver Gia armada, Antônia imediatamente procurou um pedaço de pau.

— O que foi? Por que estão gritando? — Gia estava visivelmente irritada, com um tom nada amistoso. Logo cedo, o casal chega gritando no pátio, em vez de entrar em casa, para quê?

Antônia, empunhando o pedaço de pau, avançou, mas Jin Shun a segurou.

— Gia, vocês da família Bao exageraram!

— Como assim exageramos? Gritando logo cedo, querem ofender quem?

Antônia apontou para o curral e disse: — Por que pegaram as ovelhas de volta sem nos avisar? Queriam nos pôr a culpa? Que bela ideia!

Gia, ainda mais irritada, gritou: — Antônia, cuide das palavras! O que é “roubar”? São nossas ovelhas, estavam na sua casa, e não podemos trazê-las de volta?

Bao Enhe, ouvindo a discussão pela janela, perguntou: — Quem está aí? Gritando por quê?

Muren, limpando as mãos do avô, respondeu rindo: — Vovô, não é nada. Vieram elogiar nossas ovelhas, dizendo que são excelentes.

— Deixe de brincadeira! — o velho lançou um olhar severo a Muren.

Bayan, com seu grande cachimbo, estava no banheiro quando ouviu a confusão. Apressou-se a ajeitar as calças e saiu correndo.

— Shun, Antônia, vamos conversar dentro de casa. — Bayan puxou Jin Shun e fez sinal para Gia, indicando que não era hora de escândalos.

Jin Shun tomou o pedaço de pau das mãos de Antônia e jogou fora, aconselhando: — Ouça o Bayan, vamos conversar dentro de casa.

Gia também percebeu que gritar no pátio era inadequado. Tentou forçar um sorriso, mas só conseguiu torcer a boca, puxando Antônia para dentro.

Bayan fechou a porta atrás de si: — Agora estamos só nós quatro aqui. Shun, Antônia, vamos conversar com calma, sem se exaltar, que isso faz mal.

— Faz mal nada, estamos é magoados! — Antônia, sentindo-se no direito, não ia deixar passar.

— Antônia, o que houve? Por que tanto nervosismo? — Bayan estava sinceramente confuso.

Antônia sentou-se pesadamente na cama e disse: — Bayan, vou ser franca. O que vocês fizeram não tem cabimento. Se não gostaram da forma como cuidamos das ovelhas, tudo bem, mas ao menos deveriam ter avisado. Eu e Jin fizemos o possível, não merecíamos esse silêncio. Sem nos dizer nada, levam as ovelhas e nos deixam achando que foram roubadas!

Bayan e Gia entenderam imediatamente e trocaram olhares em direção ao outro cômodo. Bayan quase chamou por alguém, mas se conteve para não preocupar o pai, fingindo tranquilidade e indo atrás de Muren.

Gia apressou-se a se desculpar: — Antônia, a culpa foi nossa. Eu pedi para Muren trazer as ovelhas de volta. Já demos trabalho a vocês por muito tempo, foi só isso — ele deve ter se apressado e esqueceu de avisar vocês...