Capítulo 98: O Renome do Rio Meia-Lua Espalha-se pelos Quatro Cantos
As "línguas afiadas" expressavam suas opiniões:
— Olha só o casalzinho, parecem até uma pessoa só. Será que o professorzinho Yuan vai dar aula levando Qiqige junto?
— Eles sim nasceram um para o outro, belo e talentoso. Qiqige é tão bonita, como o próprio nome, parece uma flor.
— Os filhos desses dois certamente vão ser inteligentes e lindos.
— Ah, isso é certo, eles têm "boa linhagem". Não é como você, que tem três dos cinco traços do rosto fora do lugar. Os filhos vão se arrepender de ter nascido na família errada.
Entre risos e brincadeiras, Yuan Zhenfu e Qiqige acabaram olhando para trás e sorriram educadamente.
Quando os dois se afastaram, Tian Xinghua, agachada e escondida, comentou com pesar:
— Ai, no mundo não existe perfeição. Mesmo que fossem a sétima fada e Dong Yong, tão belos juntos, já estão casados faz tempo e, veja só, nem sinal de gravidez...
— Isso é o que chamam de destino ingrato.
— Pois é, não dá para uma família ter toda a sorte!
— A família An também só teve coisa boa? Anos atrás quase foram destruídos! Agora é que estão se reerguendo...
Tian Xinghua torceu a boca e resmungou de forma sarcástica:
— Yuan Zhenfu ainda é só professor substituto, não foi efetivado. Vai ver, qualquer dia desses tiram ele do cargo, não vai durar muito...
...
Yuan Zhenfu e Qiqige entraram na estufa plástica de mudas, administrada por Pu Jiandong, e ficaram imediatamente impressionados pelo verde exuberante. As fileiras de mudas pareciam ter sido aparadas com uma máquina de cortar cabelo: todas alinhadas e viçosas. Qiqige ficou encantada, agachou-se e não resistiu a tocar aquele tapete vivo de esperança.
Yuan Zhenfu não mencionou nada sobre a "entrevista", e Pu Jiandong, percebendo, também não comentou, para que nenhum dos dois ficasse nervoso com o assunto. Assim, conversaram como velhos amigos, de maneira descontraída. Yuan Zhenfu não tirou caderno nem caneta, talvez por falta de experiência como repórter, tenha simplesmente esquecido.
Pu Jiandong disse, com seriedade:
— Nossa aldeia de Rio da Lua Crescente, situada às margens do Rio Bao Yin, tem vantagens. A água do rio, além da temperatura ideal, é nutritiva, por isso nosso arroz se desenvolve bem. Antes, aqui a gente plantava arroz espalhando as sementes direto na terra, você sabe como é, Qiqige...
— Sei sim — respondeu Qiqige, despertando dos pensamentos —. Embora minha família nunca tenha plantado arroz, já vi como se faz: na primavera, a terra é preparada antes e as sementes são lançadas ao solo, como se a deusa espalhasse flores do céu.
— Exatamente — disse Pu Jiandong. — Você explicou bem, parece bonito, mas o resultado não é bom. Esse método, que chamo de “dos preguiçosos”, é prático, porém a produtividade é baixa, especialmente para variedades de ciclo mais longo. Se plantar cedo, o frio destrói a semente antes de brotar, vira pó, basta um toque e desmancha. Se esperar a terra esquentar, leva dez, quinze dias para germinar...
— Com a estufa, as mudas crescem antes, e depois de aquecer, basta transplantar. Ganha-se uns dez dias, não é isso, Jiandong? — disse Yuan Zhenfu.
Pu Jiandong sorriu:
— Professor Yuan, você é esperto mesmo, entende rápido. O maior benefício da estufa é antecipar o plantio, aproveitando o calor do início da primavera. Além disso, favorece o perfilhamento e aumenta a taxa de espigas. E o mais importante: a produção cresce. Veja, nossa terra é limitada, não podemos expandir indiscriminadamente. Para colher mais, só usando tecnologia...
Yuan Zhenfu assentiu.
Pu Jiandong continuou:
— Claro, a estufa tem seus contras: exige tempo e trabalho, e depois de criar as mudas, ainda precisa transplantar, não é como lançar sementes e pronto. Os preguiçosos não querem esse trabalho. Mas, no fim da colheita, o aumento da produção compensa muito o esforço extra. Em povoados vizinhos, desde 1981 já faziam testes assim, agora a técnica está madura. O secretário Bai nos orientou a aprender com eles, por isso fomos pioneiros aqui em Hada. Na verdade, começamos até tarde...
De volta a casa, Yuan Zhenfu passou a noite escrevendo. Na mesa, jornais que pegara com Bai Hada. Ele lia, consultava, escrevia e refletia, esforçando-se para imitar os modelos.
Afinal, imitar é um atalho para aprender — desde que não seja copiar.
Enquanto isso, Qiqige bordava, mas pensava nas mudas e no aumento da produção. Cogitava transformar o campo da família em arrozal, pois assim teria colheita garantida com chuva ou seca, e ainda poderiam comer arroz em casa...
...
Após muitas revisões, Yuan Zhenfu entregou a reportagem para Bai Hada revisar. Bai Hada fingiu ler com atenção, não sugeriu mudanças, elogiou e levou direto para a Rádio Municipal de Honglou. Nem passou pela redação, deixou na sala de correspondência.
Depois, restou esperar, paciente e ansioso. O esforço não foi em vão: em poucos dias, a matéria foi ao ar.
— Reportagem de Yuan Zhenfu: “A aldeia de Rio da Lua Crescente, em Hada, obteve sucesso ao cultivar mudas de arroz em estufa plástica pela primeira vez. O jovem agricultor responsável chama-se Pu Jiandong...”
A notícia correu por toda parte. De repente, Pu Jiandong e Yuan Zhenfu tornaram-se heróis na aldeia de Rio da Lua Crescente, conhecidos até em todo Hada. Depois disso, a aldeia “ficou famosa de uma só vez”, e não parava de receber visitantes e autoridades de outras aldeias e do governo local, todos querendo aprender. A cada leva de visitantes, Bai Hada os recebia com entusiasmo, sempre sorridente — o povo da aldeia também se enchia de orgulho!
...
Bao Qingshan era teimoso e impetuoso. Por birra, decidiu casar-se rápido, pediu para apresentarem Yu Xiulan e aceitou sem pensar. Com o tempo, foi conhecendo as qualidades de Yu Xiulan e o afeto entre ambos só cresceu.
O sonho de Bao Qingshan de casar cedo não se realizou, mas o de ter filhos logo, esse se cumpriu sem demora. Yu Xiulan foi exemplar e lhe deu dois filhos em sequência.