Capítulo 32: Guan Gong pode enfrentar Qin Qiong

Há um Rio Meia-Lua na Estepe Pastor Lin Xi 2254 palavras 2026-03-04 20:13:08

As lembranças do passado permanecem vivas, como se aquela sensação de conquista ainda estivesse presente. Agora, o filho de Han Ousado ousa enfrentar-me; como Temur poderia tolerar isso? Não vou descansar enquanto não te colocar em teu lugar!

— Como estão seu pai e os outros? Não eram tão arrogantes antes? No tempo do coletivo de produção, eu os subjuguei todos! E você ainda quer discutir comigo, seu moleque! — Temur concluiu, lançando um olhar de desprezo para Han Tigre Negro.

Han Tigre Negro pensou: um verdadeiro homem não se gaba das glórias do passado. Nos dois primeiros anos, eu vagava pelo centro da cidade de Mansão Vermelha como se fosse dono do lugar! De que adianta falar essas besteiras?

— De qualquer forma, eu era corajoso naquela época. E você? Você era um tigre!

Tigre? Nos lábios de Temur, "tigre" não significa majestade ou rei dos animais, mas sim sinônimo de “tolo”.

Han Tigre Negro não aceitou, pegou a enxada e se aproximou, perguntando: — Para quem você está dizendo que é tigre?

— Para você! Não posso? Seu nome é Tigre Negro, e realmente faz jus: é escuro e tolo! — O jovem de sangue quente, Temur, jamais se curvaria diante das forças do “escuro” e do “tolo”.

— Você é só um pedaço de “ferro” velho, um ferro inútil, sem valor algum! Fale direito na minha frente!

— Não importa se é ferro velho ou ferro inútil, até um ferro enferrujado pode ser mortal num momento crucial!

Ambos usaram palavras ambíguas. Afinal, “Temur” significa “ferro” em mongol, e ao dizer “ferro pode matar”, ele insinuava a morte de Han Dragão Negro, cuja origem estava numa peça de “ferro inútil”!

Han Tigre Negro foi atingido no ponto sensível; como poderia suportar? Sem hesitar, ergueu a enxada e a lançou sobre Temur. Este, ágil, levantou sua própria enxada para se defender. Assim, os dois transformaram ferramentas de trabalho em armas e se enfrentaram no campo, entre ervas daninhas...

...

Durante o intervalo, sob a grande árvore, os alunos mais velhos cercaram o “Dicionário Vivo”, insistindo com sorrisos travessos para que ele contasse uma história. Eram todos do vilarejo do Rio da Lua Crescente, e costumavam pedir que os pais os levassem à casa do mestre “Dicionário Vivo” para ouvir histórias e relatos, sendo todos muito próximos.

O “Dicionário Vivo”, animado pela conversa, torceu a barba de bode e sorriu: — Como vocês me dão trabalho. Mas, que história devo contar?

— Qualquer uma. Professor Gergen, qualquer coisa que o senhor conte, adoramos ouvir.

— Então vou contar uma curta. Senão, se deixar um gancho para a próxima aula, vocês vão ficar pensando nisso e não vão prestar atenção.

— Qualquer uma — repetiu outro aluno.

O “Dicionário Vivo” sorriu e disse: — “Qualquer uma” não deve ser usada levianamente. Na vida, nada pode ser feito de qualquer jeito, nem nas pequenas nem nas grandes coisas. Basta dizer, qualquer pessoa civilizada jamais faz “necessidades em qualquer lugar”, não é?

— Certo! — responderam em coro, claramente tumultuando.

O “Dicionário Vivo” bateu palmas, como se fosse um sinal de início, e continuou, com seriedade: — Já que mencionaram “qualquer uma”, vou contar uma história relacionada a isso, chamada — “Guan Gong enfrenta Qin Qiong”!

Todos aplaudiram. Alguns, ao entenderem, ficaram perplexos, sentindo algo fora do comum.

— Dizem que antigamente havia um grande senhor da guerra, cuja origem... — ah, pouco importa de onde vinha, e seu sobrenome... tanto faz se era gato ou cachorro, vamos apenas supor tal personagem. No dia do aniversário dele, o filho contratou uma companhia de ópera para se apresentar em casa, encenando a história de Guan Yu atravessando cinco portões e derrotando seis generais, “Mil Li Cavalga Sozinho”, uma apresentação melodiosa e emocionante, recebendo aclamações de todos. O senhor da guerra, sem cultura, não entendeu nada e perguntou: “Quem é aquele sujeito de cara vermelha, bêbado?” Alguém explicou que não era o álcool, mas sim Guan Yu, o Senhor Guan, cuja face é como uma tâmara madura. O senhor da guerra bufou e disse: “Qual a graça? Será que ele é mais habilidoso que o herói Qin Qiong lá da nossa terra? Que tal colocá-los lado a lado? Não acredito! Ele é ‘Segundo Senhor Guan’, Qin Qiong é ‘Segundo Irmão Qin’, vamos ver qual dos dois ‘segundos’ é mais forte!”

Os alunos riram alto. Um comentou: — Esse senhor da guerra já é “segundo” o suficiente!

— Mas ele era um grande senhor da guerra; até o peido dele tinha força, suas ordens eram absolutas. Quem ousava desobedecer a companhia de ópera? Era arriscado perder a cabeça... — explicou o “Dicionário Vivo” com seriedade.

— Esse senhor da guerra era terrível — comentou um aluno.

— Fiquem quietos e ouçam — pediu outro.

Nesse momento, Yuan Zhenfu, voltando do banheiro, aproximou-se para ouvir.

O “Dicionário Vivo” narrou com entusiasmo:

A tarefa era difícil para os atores, pois nunca existiu tal peça. O que fazer? Não há obstáculos para quem está disposto a superar. Então, encararam a situação e iniciaram a apresentação. O céu azul, nuvens se movendo, campo verdejante, dois exércitos frente a frente, cavaleiros imponentes. Dois guerreiros avançaram, um vestindo túnica e armadura verde, olhos de fênix, sobrancelhas arqueadas, rosto como uma tâmara madura, barba longa com cinco pontas, empunhando a lâmina Qinglong Yanyue, montado no cavalo Chi Tu de mil li — esse era Guan Gong, o Santo Guerreiro, o Senhor Guan! Matou Hua Xiong com vinho quente, derrotou Yan Liang e Wen Chou, atravessou cinco portões e venceu seis generais, capturando chefes inimigos no meio de mil cavalos como quem tira algo do bolso. Do outro lado, o grande comandante de armadura dourada, túnica amarela, cinco laços atando a armadura, espelho reluzente protegendo o peito, fitas de seda firmemente amarradas, montado no cavalo Bai Biao, cruzando montanhas como se fossem planícies. Olhando para cima, rosto amarelado, testa larga, mandíbula cheia, nariz proeminente, sobrancelhas de espada, olhos de tigre, expressão severa. Bastão de ferro pendurado na sela, mestre das técnicas de combate, majestoso e imponente! Seu nome e sobrenome? Qin, nome Qiong, apelido Shubao! Esse é Qin Qiong, o futuro guardião das portas, cavalgando às margens do Rio Amarelo, seu bastão de ferro domina as nove províncias de Shandong, amigo como Meng Chang, filial como Zhuan Zhu, o Segundo Irmão Qin!

— Bravo!

O “Dicionário Vivo” prosseguiu: — Entre amigos, mil taças de vinho são poucas; entre inimigos, uma palavra já é demais. Os dois guerreiros não trocaram palavras, lutaram imediatamente. Por quê? O que diriam? Na história, há séculos de diferença entre eles, não há como conversar, só lutar! É como um tigre subindo a montanha enfrentando outro descendo, ou um dragão nas nuvens encontrando outro no nevoeiro; basta alguém inventar, “O Senhor Guan enfrenta o feroz Qin Qiong”...

— Agora entendi, eles não são do mesmo período, Guan Gong e Qin Qiong nunca poderiam lutar juntos! — comentou um aluno, finalmente percebendo.

O “Dicionário Vivo” sorriu: — Haha, quem não gosta de alguém, não importa de que época seja, vai querer brigar! Por isso, os dois ignoraram identidade, status e aparência, lutaram trezentos rounds sem decidir vencedor...

Yuan Zhenfu se divertiu tanto com o “Dicionário Vivo” que não conseguia parar de rir.