Capítulo 6: O grande destino da vida está prestes a se desfazer
Tang Yuchun mostrou a foto para Bao Shitou e, sorrindo, perguntou: O que acha dessa moça?
Bao Shitou pegou a foto e a examinou por um instante, dizendo: Nada mal, tem um rosto bem harmonioso.
— Olhe com mais atenção — Tang Yuchun afastou a mão de Bao Shitou, devolvendo-lhe a foto.
— De relance, pareceu simpática, mas olhando melhor... Acho que já vi esse rosto antes. É boa moça. Quem foi que apresentou ela para Qingshan? De que família é essa moça? — Bao Shitou analisava a foto enquanto falava.
— Quem apresentou? Você é mesmo um bom ator. Será que nosso filho puxou isso de você?
— Se meu filho não puxasse a mim, como seria? Mas que fingimento é esse, Yuchun? O que estou fingindo?
— Será que seus olhos estão turvos? Olhe de novo com atenção, quem é essa moça?
Bao Shitou olhou para Tang Yuchun, que sorria de forma misteriosa, voltou o olhar para a foto e, de repente, exclamou: Ué, não é a filha mais velha da família Bao Bayin — a Dai Xiao?
— Exatamente. Que tipo de visão você tem, hein? Para ovelha, você reconhece todas, mas para gente, não reconhece ninguém? Eu disse que você finge e você não gosta de ouvir.
Bao Shitou riu e disse: Juro que não reconheci antes. Dai Xiao ficou ótima na foto, parece até mais bonita que ao vivo. De onde você tirou essa foto da moça?
— Adivinha.
— Não tenho tempo para adivinhar, diga logo!
— Que gênio! Vou te contar: achei a foto no quarto do nosso filho.
— O quê? Como aquele moleque conseguiu uma foto da Dai Xiao? Que absurdo... — Bao Shitou teve um estalo. — Não será que nosso Qingshan e a Dai Xiao...
Tang Yuchun reprimiu o riso e disse: É claro que os dois têm algum interesse um pelo outro. Senão, por que eu estranharia? Nos últimos dois anos, sempre que se falava em ir para o Rio da Lua Crescente, nosso Qingshan era o primeiro a se oferecer. Se a família Bao precisava de ajuda, ele se empenhava mais do que nas tarefas daqui de casa, encarando até duzentos quilômetros de estrada de ônibus coletivo só para ir.
— Ai, ai... Depois do caso de Ulan Tuya e Mu Ren... Qingshan e Dai Xiao... Será que isso vai dar certo?
Tang Yuchun respondeu: Por que não daria? Nós é que estamos correndo atrás para casar com a filha deles, o “grande cachimbo do Bao” deve estar rindo à toa.
Bao Shitou, pouco satisfeito, disse: Esse apelido do Bayin, você acha que pode sair falando? Ainda chama ele de “grande cachimbo do Bao”? E olha que ele te respeita tanto como cunhada.
Tang Yuchun riu: Ora, agora não tem ninguém de fora ouvindo.
— Mesmo assim, não é certo falar apelido pelas costas. Nós dois nos tratamos como irmãos, tanto na frente quanto atrás dos outros, temos que nos respeitar.
— Já entendi, já entendi. Olha só como você se preocupa. Tá bom, nunca mais chamo o Bayin de “grande cachimbo do Bao”...
Tang Yuchun logo tapou a boca, envergonhada, e olhou sorrindo para Bao Shitou, continuando: Eu acho que Bayin e Jiya vão concordar.
— Ah... Você está simplificando muito as coisas. Bayin... é difícil dizer.
Bao Shitou estava preocupado.
Tang Yuchun: Tá preocupado por quê? Casamento entre irmãos de famílias diferentes não é novidade nenhuma. Ainda mais que é nosso irmão com a irmã deles, e o irmão deles com nossa irmã. Acho que é perfeito. Parentesco duplo é ainda mais próximo...
Bao Shitou balançou a mão: Não é bem assim, os tempos mudaram. Antigamente era fácil, mas agora... Não sei nem como começar a falar com o Bayin...
Assim, por insistência de Tang Yuchun, Bao Shitou acabou concordando, meio a contragosto, em ir até o coletivo do Rio da Lua Crescente para sondar os Bao, principalmente Bao Bayin. No fundo, Bao Shitou também não aceitava muito bem essa realidade, por isso não tinha grandes esperanças de sucesso. Era tratar o cavalo morto como se ainda tivesse salvação — se desse certo, ótimo, se não, paciência.
...
Bao Shitou não deu muita importância, mas para Bao Qingshan, aquilo era um assunto de vida ou morte, pois era justamente seu destino em jogo.
Quando Bao Shitou saiu, não contou nada ao filho. Assim que Bao Qingshan voltou do pasto e ficou sabendo, ficou furioso: primeiro, porque o pai não o levara junto, segundo, por achar o pai precipitado, pois se estragasse tudo, seria o fim para ele. Por isso, não queria saber de nada, queria ir correndo para o Rio da Lua Crescente, mas Tang Yuchun o segurou com firmeza. Ulan Tuya, bela, dócil e cujo nome significa “nuvenzinha vermelha”, não sabia como se posicionar e ficou calada ao lado da mãe.
Antes disso, Dai Xiao já havia dito a Bao Shitou que seus pais pareciam ter percebido algo e chegaram a dar indiretas, deixando claro que jamais trocariam a filha por uma nora, pois, aos olhos dos outros, não seria bem visto. Então, os dois combinaram de manter tudo em segredo, esperando que, depois do casamento de Mu Ren com Ulan Tuya, pudessem finalmente revelar tudo — e aumentariam muito as chances de sucesso.
— Mãe, se o pai for lá e contar tudo, vai estragar tudo entre eu e ela! — Bao Qingshan estava tão irritado que quase pulava no mesmo lugar.
— Não vai não. Seu pai está do seu lado, não está?
— Que adianta ele estar do meu lado? O problema é o tio Bayin. Pronto, agora que o pai foi, vai acabar com tudo! Acabou comigo!
Ulan Tuya, sempre quieta atrás da mãe, não aguentou ver o irmão tratando a mãe daquela forma e, sem se conter, disse: Irmão, gritar assim com a mamãe vai adiantar o quê?
Bao Qingshan, ao ouvir a irmã, arregalou os olhos e gritou: O que você tem a ver com isso? Fique quieta no seu canto!
Ulan Tuya, irritada, virou-se para entrar em casa, mas foi chamada de volta pelo irmão:
— Tuya, espera aí, não saia correndo não — agora entendi, a culpa disso tudo é sua!
— Minha culpa? Irmão, você está maluco? Quer botar a culpa em todo mundo?
— Ulan Tuya! Sim, a culpa é sua! Se não fosse você ter ficado noiva daquele Mu Ren, eu e Dai Xiao com certeza estaríamos juntos! Menina, que pressa foi essa de se casar tão cedo?
— Bao Qingshan — você... você não tem vergonha! — Ulan Tuya tapou o rosto e correu chorando para seu quarto.
Tang Yuchun, furiosa, pegou um pedaço de lenha e tentou acertar em Bao Qingshan, que fugiu pela porta.
— Vocês só sabem me maltratar! Eu vou agora mesmo para o Rio da Lua Crescente, vou trazer meu pai de volta!
Tang Yuchun correu até a porta e, com o pedaço de pau na mão, ameaçou: Bao Qingshan, se você se atrever a ir, eu quebro suas pernas! Que falta de respeito! Ainda culpa sua irmã, como pode falar uma coisa dessas?
— Se quebrar minhas pernas, eu vou rastejando!
Assim que terminou de falar, Bao Qingshan saiu correndo. Tang Yuchun não teve coragem de persegui-lo, com medo de virar motivo de chacota no vilarejo. Indignada, resmungou: Que desgraça, como fui criar um filho tão rebelde?
Tang Yuchun entrou no quarto leste para consolar a filha.
Bao Qingshan, tomado pela raiva, brigado com mãe e irmã, saiu andando pela rua, mas logo o vento frio o fez esfriar a cabeça. Pensou consigo: Se eu realmente for até o Rio da Lua Crescente, o que vou dizer lá? Ai...
Andou sem rumo pelo vilarejo, o vento noroeste soprando as abas do casaco de algodão desabotoado, mas Bao Qingshan nem se importou. Ele realmente precisava se acalmar.