Capítulo 75: De jeito nenhum pule no rio
— Filha, desta vez você precisa ir ver, por favor. Da última vez, aquele rapaz de quem sua tia do povoado anterior falou tão bem, dizem que é um bom partido, mas você insistiu em não ir, deixando sua tia numa situação difícil. Depois ela vive me culpando. Agora, só depois de eu falar tantas vezes, usar minha velha cara como garantia, é que eles aceitaram apresentar outro rapaz. Você precisa ir comigo ao menos uma vez, senão minha reputação vai ao chão — implorou Salina à filha.
Quitigui recusou sem rodeios: — Mãe, já disse mil vezes que não quero, mas você insiste. Eu entendo seu lado, mas você entende o meu? Não quero ver ninguém, não quero conhecer ninguém, me dá angústia!
Salina insistiu: — Quitigui, se não for pelo pedido de sua mãe, não vai mesmo? Veja a família Bao, os filhos casaram um após o outro, seu pai vive dizendo que agora o filho mais novo se casou, o grande evento está concluído. Olhe para você...
Quitigui respondeu: — Mãe, então te peço, não me force a ir a encontros. Não quero isso. Se vocês querem que o evento se conclua, casem logo o filho mais novo!
— Besteira! Alaife é só uma criança! — Salina suavizou o tom. — Filha, assim, prometo que será só essa vez. Você vai, olha o rapaz, goste ou não, tanto faz. Se não gostar, voltamos imediatamente, pelo menos não fico mal com sua tia. Pode ser?
Quitigui ficou em silêncio e virou o rosto. Salina chorou, Quitigui não viu, ela mesma enxugava as lágrimas às escondidas. Quando finalmente viu a mãe chorando, correu para ajudá-la a se levantar.
Quitigui, com lágrimas nos olhos e mordendo os dentes, disse: — Mãe, não faça isso. Eu... vou ouvir você, vou ver o rapaz. Mas vamos deixar bem claro, eu vou, mas não vou aceitar...
...
O céu estava salpicado de nuvens brancas, que de vez em quando cobriam o sol e lançavam sombra. Quitigui arrancava ervas daninhas no campo, quando Salina chegou apressada, pegou-a pelo braço e sussurrou: — Sua tia mandou recado, é pra irmos logo, o rapaz já deve estar esperando. Vamos, troque de roupa e venha comigo.
— Mãe... eu...
Salina hesitou: — O que foi? Quitigui, você prometeu! Não pode voltar atrás.
Quitigui não tinha saída, seguiu para casa com a mãe. Ela só havia aceitado da última vez para não ver a mãe triste, mas no fundo não queria ir, nem um pouco. E o maior medo era que Yuan Zhenfu soubesse. Mas não havia jeito, se insistisse, a mãe voltaria a chorar sem fim.
Com Salina apressando, Quitigui trocou de roupa e as duas saíram.
Quitigui andava devagar, olhava para todos os lados, com olhos marejados. Salina tentava acalmá-la: — Filha, confie na mãe. Se não gostar, voltamos, prometo não te impedir. Mas se gostar...
Salina percebeu a mudança no rosto da filha, que franziu a testa e arregalou os olhos, e rapidamente corrigiu: — Não vamos gostar, não se preocupe, é só pra salvar as aparências, sua tia é só boa intenção...
...
O rapaz apareceu. Quanto à aparência, Quitigui nem viu direito, nem quis ver. Enfim, não gostou dele, algo decidido desde que saíram do povoado da Lua Crescente. O milagre que Salina esperava não aconteceu.
As duas seguiram pela margem do Rio da Lua Crescente, em silêncio, com o som da água acompanhando seus passos apressados. Salina imaginava que talvez, ao ver o rapaz, Quitigui se encantasse, ou que a família dele fosse melhor, quem sabe tudo mudaria. Mas Quitigui nem olhou para o rapaz. Salina não tinha mais o que fazer, só restava voltar para casa.
Ao se aproximarem da escola primária na beira do rio, Quitigui não resistiu e olhou para dentro do pátio. De repente, viu Yuan Zhenfu na porta da sala de aula, olhando para fora, e acenando discretamente. O coração de Quitigui aqueceu, mas logo sentiu uma dor aguda, como se arranhasse por dentro — o amado estava ali, acenando, enquanto ela ia conhecer outro rapaz, escondida dele. Que tipo de pessoa ela estava se tornando?
Com isso na cabeça, Quitigui correu desesperada para casa, querendo se trancar e chorar. Salina, sem entender, correu atrás, gritando: — Filha, espere por mim! — Ela sabia que Quitigui estava muito magoada.
Quitigui corria rápido, virou uma esquina e sumiu atrás dos salgueiros da margem. Salina corria sem fôlego...
Salina mal virou a curva do rio quando ouviu um splash. Deu dois passos e olhou para a água, onde o rio borbulhava profundamente...
— Minha filha, Quitigui! — gritou Salina com a alma rasgada, e caiu de joelhos no chão...
...
O choro de Salina atraiu alguém, o professor Gergen, conhecido como o “dicionário vivo”. Vendo Salina prostrada, perguntou aflito: — Sra. An, o que aconteceu? Torceu o pé?
Salina apontou para o rio e conseguiu dizer: — Quitigui...
Gergen olhou a água e, preocupado, perguntou: — O que aconteceu com Quitigui?
Salina não conseguia falar, engasgada, apontando para o rio, o rosto vermelho de tanto esforço.
Nesse momento, ao longe, alguém gritou: — Mãe!
Salina ergueu a cabeça, era Quitigui. Desatou a chorar ainda mais alto.
Quitigui corria à frente, ouviu o chamado da mãe e ignorou. Só quando ouviu o grito desesperado voltou, sem saber o que havia acontecido.
Salina batia em Quitigui, repetindo: — Sua malcriada, quase matou sua mãe de susto! Você quer acabar com minha vida...
Gergen e Quitigui não entendiam nada. Salina descansou um pouco, então explicou — ouvira um splash, viu borbulhas na água e pensou que Quitigui tinha se jogado no rio, desesperada.
Quitigui primeiro se assustou, quase chorou, depois ficou irritada: — Mãe, que pensamentos são esses? Eu não sou tão tola.
Gergen ria ainda mais e repetia: — A culpa é minha, me desculpe, me desculpe!
O professor deixou as duas confusas, mas logo explicou, parando de rir: — Passei por aqui e vi uma pedra grande no meio do caminho, atrapalhando carros e pessoas, então joguei-a no rio. Não imaginava que esse splash ia causar tanta confusão.
Salina: — É culpa dessa teimosa, que não quer ir a encontros, só foi porque forcei. Tinha medo que ela fizesse alguma besteira.