Capítulo 36: O Sapo que se Aproveita da Situação
Baoyin fumava seu cachimbo de tabaco seco com vigor, enchendo o cômodo de fumaça. Ele disse: Nós... decepcionamos nossa filha, não é?
— Chega dessas lamentações! Então você quer que a nossa Daixiao case com Baoshanshan? Se você concordar, eu vou agora mesmo falar com a família Jin para desfazer o compromisso!
— Veja, eu só estava desabafando, não precisa se irritar tanto — Baoyin cedeu rapidamente.
Jiya atirou uma velha peça de roupa sobre o kang, enxugou os olhos e, decidida, declarou: Para mim, não existe essa história de certo ou errado, esse é o destino das mulheres! E, convenhamos, Jinbao cresceu sob nossos olhos, é um bom rapaz, conhecemos tudo sobre ele. A família Jin leva uma vida correta, tem boas condições, Daixiao não vai sair prejudicada se casar com eles.
A testa de Baoyin já estava tão franzida que parecia um nó. Travava uma intensa batalha interna; apesar de suas preocupações, ele reconhecia o valor de Jinbao.
— Casar é vestir e comer. Se Daixiao concordar... com quem ela se case, vai ser viver a vida. E ainda tem aquele maldito Mukren pressionando; o que mais podemos fazer? Jinbao certamente cuidará bem dela, isso eu posso ver claramente — Jiya, ao falar, quase se engasgou com as próprias palavras.
— Oxalá seja assim... — Baoyin se engasgou com a fumaça e começou a tossir.
Baoyin e Jiya tinham a mesma impressão sobre Jinbao: trabalhador, honesto, sem maus hábitos. Mas quando o assunto era a mãe de Jinbao, Tian Xinghua, divergiam. Baoyin achava que aquela mulher era complicada, pouco confiável, havia algo nela que irritava profundamente. Jiya, porém, insistia que ela era boa, especialmente consigo. Mal sabia Jiya que Tian Xinghua era gentil por interesses ocultos.
Jinbao e Bao Daixiao ficaram noivos!
A notícia se espalhou pela Aldeia Rio da Lua Crescente, e ao menos metade dos moradores não acreditava, enquanto a outra parte ficava tão boquiaberta que nem perceberia se o queixo caísse no chão.
— Como isso é possível? O sapo realmente conseguiu abocanhar o cisne?
— Jinbao, aquele rapaz, sempre tão quieto e apagado, tinha inteligência por trás. Aproveitou a oportunidade — foi um golpe certeiro, fatal!
— O mérito é todo da mãe dele, Tian Xinghua, habilidosa. Conquistou Jiya faz tempo, são muito amigas. Ela lançou a linha para pescar o peixe grande.
— E o rapaz das planícies de Peônia, Baoshanshan, não é? Trabalhou à toa esses anos todos. Nem teve tempo de fisgar o peixe, o gato já levou embora.
— Isso é sorte, quem tem não precisa correr; quem não tem, se esgota em vão.
As mulheres, fossem de língua longa ou curta, não paravam de comentar, expressando seus sentimentos e opiniões...
...
Nos últimos dias, Sun Dehou estava aflito com o caso do namoro de Yuan Zhenfu, sem encontrar solução. Liu Guang suspirava junto, lamentando: Acho que esses dois jovens têm sintonia. Olhando bem, Xiao Yuan e Qiqige têm até aparência de casal.
Sun Dehou: E daí que parecem casal? Tudo estava indo bem, até Zhenfu estragar tudo sozinho — será que acabou mesmo?
— Ai, Yuan Zhenfu parece possuído. Não sei que loucura deu nele, parecia um cabeça-dura, não é o normal dele. O jeito que repreendeu Alaifu naquele dia... nem An Qishiqi aguentou; eu mesmo fiquei constrangido. Ai... culpa sua, não me avisou que o professor Yuan estava ensinando Alaifu; se eu soubesse, teria dado um toque, ele não teria... — Liu Guang, sempre direto, começou a reclamar de Yuan Zhenfu.
— Quem podia prever isso? Se soubesse, teria dormido no coador em vez de molhar o colchão!
— Que comentário mais bobo — Liu Guang disse, soltando uma risada.
Sun Dehou sorriu amargamente: Acho que Zhenfu estava muito nervoso naquele dia, sem saber o que dizer. Pensando bem, esse jovem sofreu bastante, os pais deixaram a terra natal e acabaram morrendo longe...
— Longe? Não disse que a família Yuan era de nossa cidade Honglou? — perguntou Liu Guang.
Sun Dehou: Só conversei uma vez com o pai de Zhenfu. Dizem que a família era de Chunzhou, sob jurisdição de Honglou. Depois...
— Não importa depois, morreu, acabou. Pra quê falar disso? Não adianta! Melhor pensar numa solução pra agora — Liu Guang não quis ouvir, fez um gesto e continuou — Xiao Yuan não nos dá orgulho... é como dizem: doença entra pela boca, desgraça sai pela boca.
Sun Dehou: Já não tenho mais palavras, vamos deixar rolar. Ah, amanhã preciso ir à cidade Honglou.
Liu Guang: Pra quê?
— Vou visitar o professor Meng. Você sabe, ele estudou com o pai de Zhenfu, depois... ah... coisas daquela época, impossível explicar...
— Sun Dehou, você fala como quem pisa no céu e na terra, o que quer dizer?
Sun Dehou: O professor Meng faleceu, preciso ir lá.
— O quê? Morreu? Não disseram há pouco que estava melhorando?
— Doença do coração não tem cura. O filho dele me enviou um recado, preciso ir ver, afinal tivemos algum contato no passado.
— Não avisou Yuan Zhenfu?
— Pra quê? Se o velho Meng estivesse vivo, talvez conhecesse Zhenfu; mas o filho, jamais. E não tem motivo pra contar. Não diga nada, é segredo enorme...
Liu Guang: Não confia em mim? Que caráter! E ainda se chama Dehou? Besteira!
Sun Dehou riu.
...
Na manhã seguinte, Sun Dehou pegou uma bicicleta emprestada e foi para Honglou. Pedalando pela estrada, sua mente revisava o passado como um filme. Lutas, disputas, para quê? Por diversão? Mas quem riu por último? Poeira ao pó, terra à terra, apenas o casal Yuan partiu cedo. Agora, o professor Meng seguiu logo depois; será que ganhou algo com esses anos a mais? Que dia não viveu entre culpa e arrependimento?
— Ai... — Sun Dehou suspirou fundo, murmurando consigo mesmo — O mundo é inconstante, mas tem suas regras. Olhe para o céu, quem escapou da justiça? Quando o homem age de modo irracional, só há duas razões: ou está satisfeito demais, ou finge pobreza pra aparecer!
Ao chegar à casa Meng, viu à porta uma mesa pequena, com biscoitos, salgados variados, garrafas de vinho e copos, além de um suporte de madeira com bacia, água e toalha. Sun Dehou entendeu na hora: chegara tarde.
O funeral do professor Meng já havia terminado, e as pessoas voltavam aos poucos. Ao retornar, lavavam as mãos, tomavam um gole de vinho, comiam um salgado e só então entravam na casa.
Sun Dehou procurou um lugar seguro para deixar a bicicleta e trancá-la. Seguiu o costume local: lavou as mãos, bebeu um gole de vinho, comeu um salgado e entrou no pátio.
Nesse momento, alguém no pátio gritou para dentro da casa: Xiao Meng, chegou visita, prepare o chá e o cigarro!