Capítulo Dois: Arena do Punho de Ferro
Este capítulo é um pouco mais curto, peço a compreensão de todos. Nestes dias ainda preciso revisar minha tese, o apartamento alugado começou a receber os eletrodomésticos e o transporte dos móveis. Em cerca de dez dias tudo estará pronto, e então poderei escrever em paz. Após a formatura, dedicarei-me integralmente a isso, e as publicações frequentes certamente não faltarão, mas tudo sempre tendo a qualidade como premissa.
Ao reler estes capítulos, sempre sinto que ainda não estão como gostaria; vou aproveitar algum tempo para corrigir alguns erros de digitação, sem alterar o enredo. Apenas peço compreensão, pois, devido à correria com a tese, alguns pontos ficaram aquém do ideal. Desejo que este livro não deixe arrependimentos e conto com a compreensão de todos diante do meu momento difícil.
Somando tudo, hoje houve cerca de seis mil palavras, amanhã talvez haja apenas uma atualização, e no dia seguinte duas. Agradeço o apoio de todos.
Della fitava o pai, que mesmo conhecendo sua verdadeira identidade mantinha-se alerta. Suspirou levemente e, por fim, estendeu a mão, retirando dois distintivos de aparência antiga, colocando-os diante do Duque de Bizâncio.
Um deles era um distintivo triangular de latão, faltando um vértice, com o alfinete levemente enferrujado.
O outro era um icosaedro perfeito, vermelho como um rubi, com doze vértices e trinta arestas absolutamente simétricas, sem o menor desvio.
Ao avistar os dois distintivos, o Duque de Wendersol teve um leve sobressalto na expressão — ele sabia muito bem a que época pertenciam tais objetos e a qual instituição se referiam.
O antigo Império de Quígia, antecessor de Bizâncio, abrangia o atual Sacro Império de Gabriel, toda Bizâncio e regiões ainda mais vastas. As religiões primitivas veneravam principalmente os deuses celestiais, enquanto o domínio dos elementos mágicos era visto como um importante passo da humanidade rumo à divindade — embora esse passo fosse quase inatingível, dava esperança aos mortais. Assim, instituições de pesquisa mágica proliferaram pelo continente, como cogumelos após a chuva. A mais famosa era a Academia Real de Magia de Quígia, apelidada de “A Escada dos Céus”. O distintivo vermelho em forma de icosaedro perfeito era a prova de pertencimento à “Escada”, e quanto mais complexo o poliedro, maior o status e a hierarquia. O icosaedro era o ápice, o que atestava o quão assustadora era a posição de Della.
O outro distintivo era ainda mais familiar — o emblema do Conselho da “Bússola Dourada”, de cinco legislaturas atrás.
Como o mais alto concílio de magos, havia uma cerimônia de renovação de membros a cada cem anos. Esse distintivo, portanto, não precisava de maiores explicações: comprovava imediatamente a identidade de Della.
“Peço perdão pela minha descortesia.”
O duque suspirou internamente, finalmente entendendo o quão temível era a mentora de Morfeu.
Porém, antes que pudesse dizer algo, o velho mordomo Parfa trouxe-lhe uma notícia ainda mais inacreditável — o sexto patriarca do antigo Tribunal, Aquino, vinha pessoalmente visitá-lo!
...
Sacro Império de Gabriel, cidade de Hera.
A vida na floresta ensinara Morfeu a sobreviver em ambientes hostis, mas não lhe ensinara como sair ileso de um covil de dragões e roubar seus ovos.
Ashkandi estava presa pelo Tribunal da Inquisição, e Morfeu sabia que agora tinha dois grandes inimigos: o Tribunal e o tempo — precisava descobrir o que se passava com Ashkandi o mais rápido possível e, em igual rapidez, tornar-se forte o bastante para salvá-la!
Parecia um devaneio, mas não havia outra opção — pois a morte de Ashkandi provavelmente significava também a morte de Morfeu.
Morfeu contou suas moedas de prata. Após dias comendo apenas pão preto, já começava a compreender algumas “regras” da cidade: a influência da religião aqui era imensa, mas mais estranho ainda era o fato de que o território parecia pouco controlado pelo imperador — todas as leis eram feitas pelos senhores locais, sem leis nacionais unificadas. A proteção aos nobres era ainda mais tendenciosa que em Bizâncio; um nobre podia até matar alguém e, com o pagamento de resgate, voltar a viver livremente, enquanto os plebeus arcavam com todo tipo de impostos e serviço militar.
De fato, em Hera, o serviço militar era obrigatório.
Ciente dessas regras, Morfeu tornou-se ainda mais cauteloso. Nos últimos dias, vira muitos jovens serem levados à força pela chamada “Patrulha”, provavelmente devido a uma nova leva de recrutamento maciço motivada pelo caso de Ashkandi. Embora o exército garantisse alimentação, Morfeu não tinha intenção de, como herdeiro da família Wendersol, servir como soldado raso num país inimigo.
Na verdade, para ganhar dinheiro, roubar e saquear seria o caminho mais rápido, mas a consciência não permitiria, além das inevitáveis consequências. Morfeu, embora nunca tivesse aprendido a enfrentar instituições tão terríveis quanto o Tribunal, aprendera com Dom Quixote como vencer uma guerra.
Paciência era o primeiro requisito; depois, a visão de águia — ou seja, uma estratégia de amplo alcance; em seguida, força, incluindo soldados de diferentes tipos; e, por fim, a logística, para não cair nas armadilhas econômicas mais básicas.
Antes, ao ouvir sobre essas questões, Morfeu achava tudo muito distante de sua realidade, mas jamais imaginou que, prestes a completar dezesseis anos, travaria sozinho uma “guerra” contra a máquina estatal.
Por mais absurdo que parecesse, não havia mais como recuar.
Corria contra o tempo, contra a morte.
Na tarde do quarto dia em Hera, enquanto explorava o último bairro da cidade, Morfeu finalmente encontrou um modo de conseguir ouro rapidamente.
De pé diante de uma rua suja, uma placa de madeira enorme surgiu de súbito diante dele, onde se lia: “Arena do Punho de Ferro”. Abaixo, os dizeres: “Entrada proibida sem convite”.
A chamada arena não era o majestoso anfiteatro bizantino que acolhia dezenas de milhares de pessoas, mas sim um beco estreito, subterrâneo, fortemente vigiado.
Por perto havia ainda um espaço limpo, destoando da imundície ao redor, repleto de carruagens luxuosas e brasões de família cuidadosamente retirados, indicando que ali funcionava um local para os nobres extravasarem seus caprichos e excentricidades em segredo.
Ao lado, um mercado de escravos, ruidoso e sujo.
Em Bizâncio, esse tipo de comércio estava praticamente extinto — Eduardo I liderara uma campanha contra a escravidão, pois em suas veias corria sangue de escravos. Já no Sacro Império de Gabriel, o costume herdado do antigo Império de Quígia parecia cada vez mais forte.
Sem “identidade”, como um vagabundo, Morfeu não podia, como os jovens nobres, adentrar os setores de alto luxo do mercado de escravos para escolher “mercadorias” acompanhado de um mordomo. Só via os homens mais miseráveis, acorrentados em grupos, enquanto, ocasionalmente, damas nobres passavam abanando-se com leques elegantes, examinando com olhos ávidos os escravos seminus, comprando aqueles de atributos mais avantajados para satisfazer seus corpos carentes.
Ali, a sujeira não estava só nas ruas, mas também no fétido odor das almas corrompidas.
Morfeu sentia pena, mas não podia fazer nada por eles. Seu objetivo era, no menor tempo possível, encontrar os “olhos”, os “punhos” e as moedas de ouro mais adequados. Com ouro, os outros dois viriam por consequência. Afinal, o mercado de escravos e a arena eram mais do que simples vizinhos — sua relação era intrínseca.
No centro do mercado de escravos, Morfeu confirmou sua suspeita: escravos fortes eram comprados em lotes pelos compradores da arena e levados diretamente para o setor de bastidores, entre eles soldados de outros países, mercenários e até bárbaros lendários e pessoas de pele escura cujos nomes ninguém sabia.
Além dos escravos à venda, havia também profissionais livres de diversas áreas.
Pagavam moedas de prata para participar de um tipo de aposta.
Ou melhor, apostavam a própria vida.
As regras estavam claras numa tábua ao lado: para entrar no torneio mais simples e brutal, bastavam treze moedas de prata. Se sobrevivesse e vencesse, tinha direito de avançar para a próxima rodada. Cinco rodadas obrigatórias. Se sobrevivesse às cinco, ganhava uma parte do prêmio em ouro e podia escolher continuar lutando ou ir embora.
Morfeu sempre soube aproveitar suas vantagens; além de lutar, não tinha muitos outros talentos. Atividades de risco e retorno igualmente altos pareciam feitas sob medida para ele. Passou o dia inteiro ali, analisando a proporção entre cadáveres retirados pelos fundos da arena e escravos levados para dentro: os de nível X predominavam, com uma taxa de mortalidade de cerca de noventa por cento; já alguns de nível V, quase todos saíam vivos e cheios de ouro.
Mas esses eram uma minoria ínfima entre o exército de “bucha de canhão”.
Com as poucas moedas de prata do Império de Gabriel que lhe restavam, Morfeu entregou-as ao administrador da inscrição, sentado à mesa de madeira. O cheiro do mercado de escravos era insuportável e, ali, não se podia esperar gentileza — o funcionário, de cara fechada, mal olhou para Morfeu, zombou e jogou-lhe um crachá sem dizer palavra.
Aquele crachá dava direito a entrar na arena.
Embora esse ouro estivesse manchado de sangue, Morfeu sabia que, se queria dinheiro rápido, não tinha outra escolha senão arriscar tudo. Assim, mesmo sendo colocado no grupo de menor categoria, seguiu em silêncio, junto a dezenas de outros, voluntários ou forçados, entrando no corredor úmido, escuro e impregnado de cheiro de sangue e podridão.
Num mundo onde risco e oportunidade andam juntos, quem deseja alçar voo não pode seguir fórmulas prontas.
A figura esguia, o capuz erguido, Morfeu, no meio de uma multidão, era quase invisível.
Com passos firmes, ergueu levemente o rosto e viu a luz do sol desaparecer na entrada do corredor. Seu semblante, cada vez mais maduro, ganhava agora um traço decidido, de quem não hesitaria jamais em avançar.