Capítulo Cinquenta e Um: Quem faltar uma rodada, eu arranco-lhe a pele
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As espadas regulamentares dos cavaleiros bizantinos eram completamente diferentes das armas fornecidas às tropas de infantaria. O termo “cavaleiro” na língua bizantina representava “o guerreiro mais nobre do campo de batalha”, expressão que nascia do alto custo de seus equipamentos e da dificuldade de sua formação. Como instrutor da Primeira Academia de Cavaleiros de Constantinopla, capital do império, e pertencente a uma superpotência rica, sua espada curta, forjada em aço damasceno, era sem igual em lâmina afiada, capaz de cortar ferro como se fosse barro — e não era apenas uma lenda.
Um cavaleiro protetor de nível intermediário, veterano de batalhas nas fronteiras, tinha como característica marcante a ausência de misericórdia em combate — por isso, quando o instrutor brandiu sua espada de lâmina escura, marcada por veios de carbono, contra Morfeu, não conteve o golpe nem por um instante!
Esse instinto assassino era natural, independentemente de a intenção do instrutor ser ou não matar o jovem à sua frente; ao desembainhar a espada, o ímpeto era sempre avassalador.
Assim eram os cavaleiros bizantinos: destemidos, indomáveis.
Morfeu não tentou medir forças entre sua lança de pinho e a lâmina de aço damasceno. Antes, com a mão esquerda numa postura surpreendente, sacou a adaga presa à cintura e, com um movimento reverso, aparou o golpe vigoroso do instrutor!
O tinir do aço ecoou.
Tudo aconteceu num piscar de olhos. Enquanto o adversário se espantava com a rapidez de Morfeu, o jovem — quase dois palmos mais baixo que o instrutor — já avançava, apoiando um pé no peito do oponente!
Dada a diferença de altura, ao levantar a perna, Morfeu quase tocava o próprio rosto. Em seguida, com a mão direita, girou a lança e acertou o instrutor mais uma vez!
Desta vez, não houve clemência: o instrutor, que havia sacado a espada, foi obrigado a recuar passo a passo!
Ao longe, outros instrutores, percebendo o desenrolar perigoso da situação, corriam em direção à cena.
Mais uma vez o aço tilintou: a adaga mágica de aço napolitano de Morfeu desarmou a espada damascena, cuja lâmina reluziu próxima ao rosto do instrutor. Morfeu o fitou diretamente, olhos frios e voz tranquila, apesar de, talvez, não haver mágoa alguma entre eles.
“Meu mestre não é um porco.”
Para muitos, essa afirmação não parecia suficiente para justificar um duelo de espadas com um instrutor da mais renomada academia de cavaleiros do império. Um herdeiro da nobreza, dotado de uma compreensão de interesses muito além da média, jamais deveria agir assim.
Mas Morfeu não hesitaria — essa era sua linha intransponível.
Fosse estupidez ou teimosia, o jovem poderia ser impetuoso, poderia agir por impulso, mas jamais se arrependeria.
O distintivo de cavaleiro protetor de nível intermediário brilhava ofuscante ao sol, causando um misto de emoções ao instrutor caído, que tentava se levantar. Naquele instante, ele esqueceu os impropérios, esqueceu as repreensões, esqueceu a habitual severidade com que treinava seus alunos. Diante de si, via um jovem nobre com uma presença que jamais presenciara.
Era o tipo de intenção assassina real, oculta sob a superfície, experiente, perigosa e familiar.
Era a sensação de encarar as tropas de elite do inimigo no campo de batalha — o olhar de um matador, sempre calmo, só brilhando quando a lâmina abria o ventre do adversário.
Eles não rugiam de prazer; havia apenas um rosto entorpecido, como uma máscara, mais pesada que qualquer disfarce.
“Ultraje!”
Pelo menos três outros instrutores do mesmo nível já haviam chegado e, ao verem a cena, avançaram contra Morfeu com a postura de quem luta pela vida no campo de batalha. Não era de se espantar: não era raro na Academia de Cavaleiros de Cósio que alunos entrassem em confronto com instrutores; pelo contrário, se não houvesse centenas de brigas por ano, seria estranho. Contudo, que um instrutor fosse derrubado e ameaçado pela espada de um aluno era algo quase inédito.
A academia mais famosa do império não tinha esse título à toa. Embora não chegasse à genialidade do mago supremo Freud, que aos dezenove anos conquistou o emblema do Carvalho Dourado, era comum surgirem jovens que atingiam o grau de cavaleiro protetor avançado aos vinte anos, e, em raras ocasiões, até mesmo alcançavam o nível de grande cavaleiro. Assim, não era incomum que, em classes de elite, instrutores fossem superados por alunos. Mas, afinal, aquela era uma academia, e os instrutores eram considerados mentores; as regras estavam gravadas em enormes tábuas de madeira à entrada do campo de treinamento, visíveis a todos.
Ou seja, levantar a mão contra um instrutor normalmente significava punições inimagináveis.
Os três instrutores avançaram sem palavra, erguendo os punhos contra Morfeu. Não estavam montados, mas a velocidade de seus ataques era comparável a de três feras selvagens!
O fato de Morfeu ter surpreendido um cavaleiro protetor de nível intermediário não significava que ele fosse capaz de enfrentar três veteranos do mesmo nível com facilidade.
Reembainhando a adaga, Morfeu bloqueou o primeiro soco, esquivou-se do segundo e, girando o corpo com destreza, aparou o terceiro golpe com a lança — mas o frágil pinho não resistiu, partiu-se ao meio. Menor em estatura, Morfeu executou um salto mortal para trás, desviando agilmente do cerco, numa sequência de movimentos tão rápida que ofuscou os olhos dos alunos ao redor.
Com um estalo, ele segurou o punho que vinha em direção ao seu rosto, mas não tentou resistir à força bruta — afinal, ainda não era poderoso o bastante para combater de igual para igual. Aquela investida já exigia muito de seu corpo. Os golpes dos três instrutores eram sincronizados e precisos; assim que levantou a outra mão, sentiu uma pancada nas costelas, seu corpo ligeiro sendo projetado de lado. A dor o fez cerrar os dentes, sem, contudo, interromper seus movimentos. Até ali, ele não havia desembainhado a espada para ferir ninguém.
O avanço dos instrutores o empurrou para fora do círculo de alunos. Agora, não apenas os estudantes próximos, mas quase todos os presentes no campo de treinamento voltaram-se para assistir ao tumulto.
Morfeu não soltou um único grito. Embora já mostrasse sinais de cansaço e fosse atingido repetidas vezes, continuava enfrentando os três instrutores corpulentos apenas com o próprio corpo frágil. Sua adaga não lhe concedeu vantagem, e os três instrutores tampouco sacaram suas armas — tudo se resolvia apenas com as mãos nuas.
Esse era o limite do código de honra dos cavaleiros: três adultos contra um aluno jamais deveria durar mais de três minutos. O fato de lutarem desarmados já era um recuo dos instrutores, mas, apesar de Morfeu parecer em desvantagem, os três sabiam que a situação era desfavorável para eles.
A verdade era simples: quanto mais tempo a luta se arrastasse, mais constrangedora seria para todos os envolvidos.
Quatro minutos depois, o braço de Morfeu já não suportava a força dos golpes. Sem varinha mágica, não conseguiria conjurar uma “lâmina elemental”, habilidade que, em sua melhor forma, levaria minutos para ser preparada. Com uma base sólida em cavalaria, mas apenas teoria em magia, tudo o que podia fazer era resistir até o fim.
Pode haver muitas histórias de viradas milagrosas em situações extremas, mas, para Morfeu, o simples ato de levantar o braço já era um esforço imenso, sinal de que a derrota era iminente.
De repente, sua visão vacilou.
Uma dor lancinante percorreu seu corpo, fazendo-o cometer um erro fatal, e os três instrutores o derrubaram no chão!
Morfeu arregalou os olhos, mas o céu claro escureceu abruptamente — não por algum fenômeno celeste, mas porque ele, subitamente, ficou cego.
A dor intensa fez seu corpo se encolher instintivamente. Os instrutores pararam de golpeá-lo, observando o jovem agora prostrado como um camarão cozido.
A dor veio rápido, mas passou ainda mais depressa.
Quando o céu azul voltou a surgir diante de seus olhos, Morfeu sentiu a ardência na pele ir-se dissipando como a maré, e, em seu campo de visão, apareceu um rosto familiar.
Brown.
“Se não está morto, levante-se logo.”
O cavaleiro protetor avançado olhou para Morfeu com expressão fria, sem os insultos e a informalidade de antes. Sua armadura continuava gasta, mas de pé, com as costas eretas, transmitia a severidade típica de um acampamento militar.
Morfeu mexeu os dedos. Deitado de costas, sentiu a dor nas partes do corpo atingidas, mas nada que o impedisse de se levantar. Cerrando os dentes, ergueu-se, mas mal ficara em pé, viu Brown levantar o pé —
Um chute seco.
Morfeu não teve chance de reagir. O chute o atingiu em cheio no peito, lançando-o quatro ou cinco metros adiante, onde rolou pelo chão até parar.
Brown permaneceu em silêncio, observando Morfeu levantar-se novamente. Embora não fosse franzino, comparado a Brown parecia fraco e pequeno. Morfeu também não disse uma palavra.
Não sabia o que dizer. A dor intensa de instantes atrás deixara sua mente em branco, mas o chute de Brown deixou claro que não precisava de mais explicações.
Os quatro instrutores posicionaram-se atrás de Brown, mas, para surpresa de todos, o cavaleiro de alto escalão girou nos calcanhares e, diante do olhar atônito dos alunos, acertou um chute em cada um, lançando-os longe.
“Dez voltas. Quem não completar, vai sentir minha fúria.”
Deixando essa ordem aos instrutores, Brown afastou-se. Nenhum dos quatro ousou protestar; levantando-se e segurando o peito, iniciaram uma corrida ao redor do terreno externo da academia, que tinha mais de dois mil metros de circunferência, correndo em velocidade máxima apesar das armaduras de metal.
Observando a silhueta silenciosa de Brown se afastar, Morfeu respirou fundo, massageando o peito dolorido do chute, e, em seguida, saiu correndo atrás dos instrutores.
“O que estão olhando? Às armas! Continuem!”
Ao longe, a voz de Brown soou como um sino de igreja, reverberando nos ouvidos dos alunos, que desviaram o olhar, voltando à postura e ao silêncio, embora por dentro não conseguissem se acalmar.
Naquele dia, com uma postura inesperada, Morfeu ganhou fama já no primeiro dia de aula.