Capítulo Trinta e Seis: Aulas Suspensas, a Decisão de Morfeu

Cetro Negro Asa da Morte Nassarion 3436 palavras 2026-02-07 18:50:23

Hoje teremos apenas uma atualização. Preciso de um momento de tranquilidade para organizar algumas coisas. Pela manhã, houve uma apresentação intermediária na escola; não avancei nada no meu projeto de graduação e acabei levando uma bronca do orientador. Nos próximos dias, talvez precise me dedicar mais ao laboratório. Garanto pelo menos três mil palavras por capítulo, e se houver muitos votos e apoio, talvez até dois capítulos por dia.

Agradeço a todos pelo apoio.

A Academia Talrense ficou em estado de sítio por três dias.

Todos os alunos tiveram as aulas suspensas, quase toda a ordem acadêmica foi interrompida. Houve uma contagem geral nos dormitórios, e ninguém, fosse nobre ou plebeu, podia sair de seu quarto.

Alguns estudantes, espiando pelas janelas, viram uma carruagem adornada com a cruz do Patriarcado de Constantinopla entrar pelo portão principal de Talrense. Não houve cerimônia ou ostentação, mas o silêncio e a solenidade daquele veículo eram tamanhas que, mesmo a centenas de metros de distância, os curiosos prendiam o fôlego à sua passagem.

Embora não pudessem afirmar com certeza que se tratava da carruagem do lendário Patriarca de uma das quatro grandes dioceses do Império Bizantino, sabiam que ninguém menos importante ocuparia uma carruagem de tal porte.

Logo após, chegou uma carruagem escura, sem brasão, que avançou diretamente. O cocheiro vestia um manto negro — após parar menos de uma hora na zona de ensino, partiu silenciosamente. Tudo foi discreto e sombrio, e uma atmosfera opressora pairava sobre todo o campus.

Ao retornar ao dormitório, Morfeu foi alvo de olhares de mais de uma centena de pessoas.

Guevara o acompanhava, e, quando o jovem senhor entrou em seu quarto, ficou imóvel junto à porta, o reflexo tênue da medalha de prata em seu peito — uma espada longa sobre três faixas douradas, símbolo de um mestre espadachim de alto nível.

Por isso, nenhum estudante ousou pronunciar sequer uma palavra a mais.

Ao adentrar seu quarto, Morfeu, pela primeira vez, não foi direto ao escritório para se debruçar sobre os tratados obscuros; preferiu sentar-se na poltrona macia, que raramente usava, soltou um leve suspiro e buscou acalmar o espírito.

Momentos antes, Arkhar Windesol, duque do império e pai de Morfeu, veio pessoalmente à Academia Talrense para encontrar-se cara a cara com o filho, que enfrentara com coragem e sobrevivido a uma tentativa de assassinato numa academia de segunda linha do império. Conversaram por vinte minutos.

Não foi uma conversa longa, quase não houve diálogo. O primeiro encontro profundo entre pai e filho se deu no meio de tamanha tormenta e perigo de vida. Quando os plebeus erguem o olhar invejando a vida dos grandes nobres, raramente imaginam que o ambiente deles pode ser ainda mais perigoso que uma selva.

Pela primeira vez, Morfeu fez um pedido ao pai: queria deixar a academia para estudar magia. Embora fosse um dos mais renomados mestres espadachins do império, o duque não o obrigou a seguir seus próprios planos, como faziam outras famílias; ao contrário, concordou prontamente, prometendo uma resposta em três dias.

Quanto à família Cristóvão, responsável pelo atentado, o duque nada disse além de pousar a mão no ombro do filho e murmurar: “Você sofreu muito.”

Naquele instante, Morfeu sentiu estranhamente os olhos arderem.

O grande nobre, líder da ala mais rígida do império, saiu sem deixar qualquer presente, nem mesmo uma moeda de ouro asteca — na verdade, desde o ingresso na academia, Morfeu não gastara mais do que dez moedas de ouro, valor inferior ao dos filhos de comerciantes mais modestos.

Dinheiro, neste momento, pouco significava para Morfeu.

As memórias confusas o deixavam atordoado, mas a cena da pequena freira pálida na cama insistia em não sair de sua mente. Passou a mão pelo rosto e, depois de três noites sem dormir direito, foi ao escritório; porém, em vez de sentar à escrivaninha, tirou o casaco luxuoso, vestiu uma túnica branca de linho e caminhou até o corpo do assassino preparado por Guevara.

Além dos três mortos do lado de fora da igreja, que foram derrotados por Guevara, havia outros três dentro: um raro marionetista da escola de magia e dois soldados de elite.

Guevara já havia, com muito esforço, deixado os três cadáveres em condições aceitáveis. O tablado era improvisado, comprado às pressas; era uma mesa de experimentos para alquimistas, equipada com círculos mágicos de refrigeração. Os corpos, mantidos à temperatura de congelamento, não estavam nem rígidos nem podres.

Com o cenho franzido, Morfeu começou a examinar os dois assassinos. Após uma dissecação minuciosa, concluiu que ambos morreram por golpes aparentemente banais de Aquino, que, na verdade, foram fatais.

Pareciam ataques comuns, mas acertaram em cheio. Em especial, o que quase conseguiu apunhalá-lo foi morto com apenas um soco no lado esquerdo da caixa torácica, o que reduziu todos os órgãos do tórax a uma massa indistinguível.

Ao lembrar da aura sagrada do velho, Morfeu sentiu que deveria ser muito mais cauteloso nesta cidade cheia de perigos — se, num próximo encontro, aquele poder estiver nas mãos de um inimigo, talvez seja ele quem esteja deitado ali.

A autópsia foi rápida. Ambos eram homens, com músculos preparados para explosão física; nada em seus pertences lhes revelava a identidade. As adagas envenenadas e ao menos quatro tipos de armas ocultas mostravam que eram assassinos de elite. Nada disso, porém, interessou tanto Morfeu quanto a mulher morta pela adaga de aços mágicos de Nápoles.

Era uma mulher — dificilmente se perceberia isso pelo rosto, não fosse pelo busto e pelo corpo que Morfeu expôs ao rasgar a túnica negra já em farrapos. Quem diria que aquela criatura cruel e perigosa era uma mulher de aparência frágil?

Morfeu só conseguiu matá-la graças à força descomunal de Aquino, que, ao rebater o controle da marionetista sobre a pequena freira, a deixou temporariamente incapacitada. A barreira mágica que a protegia era tão frágil diante da adaga napolitana quanto papel de pergaminho. Consumido pela fúria, Morfeu a abateu com um só golpe. Havia apenas um ferimento, mas era o mais aterrador dos três.

Mexendo no cadáver lívido, Morfeu mantinha uma expressão fria e impassível. Enquanto os outros estudantes matavam o tempo no dormitório, era ele quem, sozinho, lidava com o fardo herdado da família.

Quantos realmente compreendem o esforço e a preparação silenciosa por trás de um feito extraordinário?

Enquanto Morfeu dissecava os corpos, Clive seguia sua batalha no oceano de livros.

Entrar na Academia de Magia de Pansel não era como Talrense, onde bastava oferecer algumas moedas de ouro asteca. Naquela renomada instituição, ouro era apenas consumível, não objeto de ostentação. Era chamada de “fornalha de ouro”, e o significado era claro: para ingressar, o verdadeiro peso estava na competência.

Aos onze anos, enquanto a maioria das crianças pensava apenas no que comer no jantar ou em qual brincadeira se envolver, Clive passava noites em claro organizando fontes e escrevendo sobre teoria de defesa de barreiras mágicas.

Uma tese publicável não nasce do nada depois de ler alguns manuais de magia; exige vasta pesquisa, dezenas de páginas de argumentos, caixas e mais caixas de experimentos e análise de resultados. E isso era apenas o primeiro obstáculo — o da “publicação”, nem sequer o da admissão na Academia de Pansel.

Dos critérios daquela instituição de elite, Clive nada sabia. Só podia dar o melhor de si.

Na verdade, sua primeira tese fora concluída logo após conhecer Morfeu. Mas, prestes a publicá-la, recebeu dele o livro “Sobre a Isenção dos Escudos Mágicos”, que desmontou tudo o que pensava saber sobre o tema — exatamente o foco de seu trabalho. No fim, Clive queimou discretamente o próprio manuscrito.

Cento e vinte e sete páginas de pergaminho cheias, sem deixar uma só.

Ele percebeu a diferença: percebeu o quanto sua suposta erudição escondia, na verdade, uma fragilidade atroz.

Ao escrever de novo, Clive foi mais aplicado do que nunca, tanto que, mesmo com a academia em estado de sítio por três dias, não saiu do Observatório Astrológico, passando ali três dias e três noites consecutivos.

Somente então, com o corpo enrijecido, foi até a janela pensar se teria comida suficiente para mais um dia. Nesse instante, Morfeu apareceu no décimo terceiro andar do observatório.

“Uma lista de livros. Não sei se te será útil.”

Morfeu jogou a Clive a lista de leitura, altamente direcionada, e pouco falou de si — seus braços ainda enfaixados, visíveis a cada movimento. Clive, percebendo, não fez perguntas, apenas o viu partir, sem saber que era a última vez que veria aquela figura solitária na Academia Talrense.

...

O ocorrido na igreja já levara Morfeu a decidir pela transferência, mas, enquanto aguardava o desfecho, continuou como aluno exemplar.

Assim que o estado de sítio terminou, as aulas recomeçaram, exceto as de teologia, pois a igreja precisava de reparos. De fato, os dois golpes de Aquino não apenas mataram os assassinos, como também deixaram rachaduras profundas no piso e nas paredes. Observando de longe as portas bem fechadas da igreja, Morfeu se virou e caminhou para a torre alta do lado de fora da academia.

A maga Dela o recebeu com aquele sorriso enigmático que sempre o deixava desconcertado. Na presença dela, sentia-se pequeno e insignificante; quanto mais a conhecia, mais insondável lhe parecia. O respeito e o temor só cresciam, e aquela expressão, tão diferente do usual, lhe causava um mau pressentimento.

“Está muito ferido?”

“Não tanto assim.”

Morfeu mexeu os dedos; a dor no braço persistia.

“Já decidiu deixar a academia?”

“Sim.”

“E para onde vai?”

“Estudar magia, talvez na Academia de Magia de Pansel.”