Capítulo Oito: A Performance

Cetro Negro Asa da Morte Nassarion 3346 palavras 2026-02-07 18:52:35

Hoje foi o dia do exame médico de graduação e da foto de formatura. Amanhã, os móveis chegam em casa; talvez eu precise de um dia inteiro para montá-los, mas hoje vou tentar voltar cedo para escrever e, amanhã, quero me superar! Agradeço aos amigos que têm apoiado e aos votos vermelhos! Estes dias têm sido realmente cansativos; minha mente está um pouco lenta. Se houver algum problema no enredo, por favor, apontem na seção de comentários do livro, responderei e corrigirei um a um. Um espaço de comentários animado também é muito importante, espero que todos participem ativamente.

Hoje teremos um capítulo, amanhã tentarei trazer dois. Peço votos vermelhos!

Para o Visconde Ross, sua última visita à arena, há um mês, foi tudo menos agradável. A mulher que ele tentava conquistar não disse uma palavra, mas seu orgulho foi feito em pedaços — provavelmente, ele jamais conseguirá levantar a cabeça diante de Erlindar novamente.

O que Ross não sabia, pois desde então nunca mais conseguiu sair com Erlindar, é que, depois daquele episódio, a nobre que dizia ter vindo do Império Ferdin para espairecer parecia ter se apaixonado pelo ambiente da arena, visitando-a pelo menos três vezes em apenas um mês. Claro, duas dessas vezes foram para assistir às lutas do popular Morpheus.

Será que a valentia de Morpheus conquistou profundamente essa dama encantadora?

Difícil crer nisso para quem já viu o verdadeiro poder e métodos de Erlindar.

O Império Ferdin é um dos impérios mais antigos do continente, não distante do Sagrado Império Gabriel, separados apenas por alguns ducados de pouca expressão. Embora o império venha definhando, ainda mantém sua arrogância. Contudo, a posição da mulher ali é delicada — para começar, a palavra “casamento” em ferdinês tem o significado original de “tutela”, ou seja, após o matrimônio, a tutora da mulher passa do pai para o marido, como se fosse a transferência de uma mercadoria. Não por acaso, os grandes nobres de Ferdin costumam ser polígamos, e os homens frequentemente trocam antigas paixões por novas, de modo que o que mais se produz no império não são perfumes ou cavaleiros, mas sim damas da alta sociedade e rapazes devassos.

Para a nobreza de Hera, Erlindar parecia o típico exemplo disso: uma mulher solitária, cujos homens da casa eram infiéis e incapazes, restando-lhe buscar romance por conta própria.

Mas, sentada sozinha em seu camarote, observando a arena, será que Erlindar realmente era como todos supunham? Ninguém poderia afirmar.

Com um longo manto vermelho-escuro de discretos fios prateados, alta e de pernas longas, essa nobre dama despertava a inveja de metade das mulheres de Hera. Ainda assim, sua expressão mantinha-se sempre cordial, sem excessos, nem muito próxima, nem distante, fria ou calorosa demais — tudo na medida. Mesmo sozinha, não deixava transparecer qualquer emoção supérflua.

Seu olhar, através do vidro, pousava calmamente no centro da arena, onde a mais recente sensação entre os nobres parecia conversar, coisa rara, com seu adversário. Erlindar brincava entre os dedos com uma pequena lâmina em forma de adaga, os olhos violetas sem piscar.

A lâmina portava desenhos vazados intrincados e pedras preciosas incrustadas, mais parecendo uma peça de arte do que uma arma de combate. Se alguém consultasse o volumoso “Compêndio de Armas do Continente”, descobriria que aquela arma, que a dama girava habilmente, era uma “Lâmina Borboleta”, quase extinta no continente.

A lâmina fria parecia roçar os dedos finos, sem jamais feri-los. Quando, enfim, após algumas palavras entre Morpheus e seu adversário vampiro, a luta começou, a lâmina parou de girar e a mulher de poucas emoções semicerrrou os olhos.

Em seguida, ergueu-se abruptamente e saiu do camarote, sem qualquer hesitação.

Na arena, a esfinge — criatura mágica cuja verdadeira espécie Morpheus até hoje não compreendeu — permanecia sentada, observando docilmente as costas de seu mestre, quieta e obediente.

Morpheus sentia claramente o poder do cetro que subjugava a esfinge, mas sabia ainda melhor que deveria tocá-lo o mínimo possível.

Desconhecia o nome real do cetro ou o significado que carregava, mas, nas poucas ocasiões em que o segurou, Morpheus ouvia com nitidez sussurros incessantes em seus ouvidos. O jovem, já sobrecarregado, precisava ainda suportar as dores trazidas pelo vínculo com Ashkandi, seu parceiro de pacto. Por mais forte que fosse sua mente, havia dores e angústias que ele não conseguia expressar.

Sabia que seu tempo estava se esgotando.

Por isso, hoje, ao perceber que enfrentaria três representantes das raças das sombras, tomou uma decisão imediatamente.

Uma decisão que, no futuro, abalaria o Tribunal dos Hereges.

Naquele instante, Morpheus, portando o Cetro de Saffras, estava diante dos três vampiros. Após breves palavras trocadas em voz baixa, a luta começou de forma súbita!

Dois barões e um conde — forças formidáveis. Ainda assim, foram superados diversas vezes pelas magias e lâminas de Morpheus. O combate foi explosivo; o som de explosões e pilares de pedra destruídos deixaram claro para a plateia o que era uma “batalha de alto nível”!

O conde vampiro abriu suas asas negras, mas uma delas foi cortada pelo brilho da varinha e da espada de Morpheus! Em seguida, os dois barões tiveram seus corações perfurados por um golpe súbito, e logo após, o próprio conde foi subjugado e teve a garganta transpassada pela lâmina de Morpheus!

A plateia vibrava, as apostas atingiam valores astronômicos, quase quebrando todos os recordes.

Morpheus, porém, olhou em silêncio para os corpos dos vampiros e saiu discretamente.

Depois de deixar a arena, Morpheus passou por uma loja de reagentes alquímicos a três ruas dali, desaparecendo nas sombras. Onze horas depois, apareceu no interior da floresta nos arredores de Hera, trazendo a esfinge pousada no ombro.

Caminhava devagar, o olhar distante, carregando preocupações.

O cetro negro trouxera muitos recursos a Morpheus, mas ainda mais riscos.

Ele sabia que, nos últimos trinta dias, havia chamado atenção demais. Embora a arena fosse clandestina e sua identidade estivesse protegida, não era sensato que alguém com potencial para se tornar o criminoso mais procurado do Sagrado Império Gabriel se exibisse tanto sob o comando de um senhor imperial.

Morpheus já traçava em sua mente o próximo passo.

A arena, conforme acordado, lhe pagou mais de trinta e cinco mil moedas de ouro e ainda propôs futuras parcerias, que ele recusou sem hesitar. Recebeu os vales-ouro válidos em todo o império e partiu em silêncio, sem deixar margem para dúvidas em Farber.

Precisava se afastar rapidamente, mas, antes, era necessário preparar o tabuleiro.

Na noite silenciosa e perigosa da floresta, Morpheus não estava ali buscando tranquilidade, mas porque aquele era o local onde a Arena Punho de Ferro descartava corpos — de escravos e da maior parte dos plebeus de Hera. Próximo dali, ficava o cemitério da zona popular, com lápides simples e alinhadas; diante de Morpheus, apenas montes de terra, desordenados e irregulares.

A História é escrita pelos vencedores — e isso se comprovava na arena, onde os enterrados jamais teriam seus nomes lembrados, independentemente de quem tivessem sido.

Na sombra, Morpheus assistia em silêncio à chegada de três carroças, que pararam não muito longe. Sem mover um músculo, observou enquanto os cocheiros desciam para “descarregar” — ou seja, atirar os cadáveres nos buracos cavados previamente, cobrindo-os apressadamente com terra para abafar o fedor, antes de partirem às pressas.

Quando as carroças se foram, Morpheus saiu das sombras e foi até o local recém-utilizado, tirando do manto uma delicada garrafa de cristal hexagonal. Sem hesitar, derramou todo o líquido azul-gélido sobre a terra fofa.

O cheiro do sangue do dragão Bandesia espalhou-se ao redor, e, ao contrário do esperado, o sangue, que deveria coagular, foi penetrando o solo, sumindo sob a superfície.

Durou apenas um minuto.

Uma mão pálida rompeu a terra, seguida por uma única asa de morcego restante. O conde vampiro, cuja garganta Morpheus perfurara, saiu ileso da “sepultura” imunda.

Logo depois, os dois barões, com os ferimentos no coração já regenerados, também emergiram.

“Uma garrafa de sangue de dragão Bandesia vale mais de trezentas moedas de ouro. Embora isso não seja nada perto do que você ganhou, devo confessar que sua escolha me surpreende”, comentou o conde, sacudindo a terra das mangas e do casaco. Apesar da aparência deplorável, não perdeu a elegância típica de um grande nobre vampiro.

Os dois barões estavam atrás dele. Eles não sobreviveriam à destruição do coração como o conde, mas Morpheus, ao perfurá-los com a adaga, desviou a lâmina para atravessar o tórax sem atingir letalmente o órgão vital.

Ou seja, o espetáculo que inflamou a arena não passou de uma encenação!

Os três vampiros pertenciam à decadente família Mix do Sagrado Império Gabriel, hoje quase extinta após mil setecentos anos de história — uma condição claramente atribuída ao Tribunal dos Hereges de Vaticano.

A vida dos vampiros no império era dura. Eles não permaneciam ali por vontade, mas porque uma família desse porte possui, além de vidas e riquezas, segredos e tesouros inestimáveis que precisam ser protegidos.

Afinal, uma fortaleza subterrânea onde prospera uma linhagem poderosa de vampiros não pode simplesmente ser transportada para outro país.