Capítulo Trinta e Sete: A Íris Roxa Não Murchará Assim

Cetro Negro Asa da Morte Nassarion 3995 palavras 2026-02-07 18:50:28

Agradeço sinceramente aos leitores na seção de resenhas pelos comentários e sugestões; caso tenha deixado algo passar, farei as correções necessárias. Muito obrigado! O novo livro continua em primeiro lugar no ranking; vamos fazer com que os votos e os favoritos cresçam ainda mais, para que esta obra se destaque de maneira absoluta. Um capítulo de 3500 palavras; à noite haverá mais uma atualização.

— Oh.

De maneira inesperada, Daila não respondeu mais nada. Ela apenas permaneceu sentada e fez algumas perguntas a Morfeus sobre a tarefa que lhe havia sido designada — e, pelo visto, não ficou satisfeita com as respostas. Era claro que o humor de Morfeus estava profundamente abalado pelo recente atentado, e ele não conseguiu concluir a tarefa dentro do prazo estabelecido.

No fim das contas, ele ainda era apenas um garoto de pouco mais de dez anos, e a serenidade com que se encara as tormentas do destino ainda estava distante dele.

Contudo, Daila foi generosa e nada comentou, apenas conduziu o jovem escada acima na torre, para demonstrar ao infeliz vampiro a aplicação dos elementos mágicos.

Morfeus, que já havia lido a “História da Linhagem de Marcus”, sabia que o vampiro diante dele era um conde, um oponente de grande habilidade para a família Gandoslan, composta principalmente por caçadores de recompensas. Mas aquele que fora enviado para executar o golpe fatal sequer teve tempo de agir antes de ser abatido por Daila — uma infelicidade notável, diga-se.

Naquele momento, Daila não utilizava uma lâmina de prata para dissecar o vampiro, mas sim uma adaga de elementos condensados, demonstrando a Morfeus tanto o poder quanto a sofisticação do controle elemental.

Ao mesmo tempo, ela explicava a Morfeus, que ainda não possuía a base mágica das “fibras cristalinas”, como funcionava o uso dos elementos, mesmo que, por ora, ele nada soubesse a respeito.

Cada feitiço, cada conjuração mágica, para um humano comum, representava uma obra monumental: desde os gestos, passando pela sintonia mental com os elementos, até a liberação de energia pelas fibras cristalinas para condensar e transformar os elementos. Não podia haver o menor erro em todo o processo; bastava uma sílaba mal pronunciada para que tudo desmoronasse, e o melhor dos cenários seria um simples rebote, o pior, a morte.

Não era de se estranhar que até hoje não se encontrasse em livro algum a expressão “a humanidade conquistou os elementos”. Com magia, os humanos só podiam explorar com extremo cuidado e prudência; até hoje mal arranharam a superfície desse vasto caminho. Dominar os elementos? Que presunção!

A força de Daila já proporcionara a Morfeus uma visão da magia totalmente diferente da dos estudantes comuns. No entanto, ao condensar simultaneamente dez bisturis elementais, ela suspirou suavemente:

— Em comparação ao meu mestre, sou apenas uma aprendiz que acaba de atravessar o limiar.

Quem seria o mestre dela?

Morfeus não sabia, nem ousava imaginar.

Aquela aula não teve prática; Morfeus, aos poucos, foi entendendo por que aquela mulher de poder tão profundo aceitara tê-lo como aprendiz — a existência do “mestre” de Daila, um motivo que ele sequer sabia como questionar, deixava Morfeus um tanto desconfortável.

Não sabia explicar bem: talvez porque ainda não tivesse iniciado de verdade o treinamento meditativo para condensar elementos, talvez porque Daila não o tivesse escolhido por suas próprias habilidades. O fato é que sentiu certa frustração.

Daila pareceu perceber o que ele sentia, e, dispersando as dez lâminas elementais que flutuavam no ar, ignorou o vampiro dissecado e agonizante ao lado e sorriu:

— Está um pouco insatisfeito, não está?

— Um pouco, sim — respondeu Morfeus com sinceridade.

— E se eu lhe dissesse que seu talento mágico é ainda mais comum do que o de Krivey, o que pensaria?

Aquela frase caiu como um raio sobre Morfeus. Ele ficou chocado, mas logo se acalmou — nunca se considerou alguém dotado para a magia; aceitar aquela realidade foi mais fácil para ele do que para qualquer outro.

— Acho que faz sentido — suspirou Morfeus, forçando um sorriso resignado.

— Esse é o fato. Seu pai é um espadachim de nível lendário, naturalmente você deveria herdar mais dele. Mas, de sua coloração de cabelo, dos olhos, até a própria estrutura corporal, tudo difere bastante do seu pai. O que isso significa?

Morfeus não sabia. Ele desconhecia os avanços das pesquisas sobre genética no continente, e o velho Dom Quixote jamais lhe explicara o impacto da linhagem dos pais sobre os filhos. Por isso, balançou a cabeça, indicando que não sabia.

Daila sorriu, com um ar enigmático.

Ao mencionar um fato que talvez Morfeus achasse incrível, ela apenas apontou para o braço dele:

— Deixe-me ver.

Morfeus ergueu cuidadosamente a manga do caro casaco, deixando expostos os braços cobertos por ataduras. No final das bandagens, as marcas de magia eram nítidas e evidentes.

Daila não se surpreendeu; semicerrando os olhos, segurou o braço esquerdo de Morfeus e deslizou os dedos suavemente pelas marcas visíveis.

Naquele instante, Morfeus arregalou os olhos.

Aquela sensação que experimentara em Hooktown voltou subitamente, como se todo o seu corpo estivesse em chamas — mas agora, mais intensa do que nunca.

Quando Daila retirou os dedos, Morfeus inspirou fundo, arfando de dor.

— É uma dádiva e uma maldição — murmurou a maga, sempre envolta em mistério, recuando um passo. — Por hoje basta. Tire o dia de folga; ao deixar Talence, venha até aqui.

— Sim, mestra.

Morfeus fez uma reverência e saiu quase em fuga, tremendo. Fora do campo de visão de Daila, quase desabou, apoiando-se na parede para recuperar o fôlego, antes de deixar a torre sem olhar para trás.

Junto à janela, a maga Daila observava do alto e, então, sorriu de uma forma que ninguém jamais vira — um sorriso há muito esquecido em seu rosto. Parecia que, se não sorrisse assim, acabaria por perder para sempre aquela expressão.

Quando faltam heróis, até uma criança pode conquistar fama?

Não neste tempo. Definitivamente, não.

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Rua Stuart, número sete. Palácio do Duque de Windesol.

Uma comitiva de carruagens saiu do palácio. Sem ostentar grande pompa, a atmosfera era ainda assim opressiva, tornando as ruas vazias ainda mais silenciosas.

O brasão com a íris roxa cintilava discretamente sob o sol. As carruagens seguiam com notável suavidade; o velho mordomo conduzia pessoalmente, e, desta vez, ao contrário do que costumava fazer na academia de Talence, não vestia negro, mas sim um traje artesanal azul-escuro de grande valor. Embora fosse apenas um mordomo, os botões de prata nos punhos e os adornos metálicos no colarinho superavam, de longe, os dos nobres de escalão inferior. As carruagens exibiam tons vinho-escuro, o fundo negro de uma profundidade incomum, cortinas de cetim esvoaçantes, cavalos robustos e imponentes.

Saíram da Rua Stuart, atravessaram três ruas tranquilas; ali, em Nobe, a atmosfera era sempre pacífica, alheia aos conflitos mundanos. Muito disso era semelhante ao convívio entre nobres, onde sorrisos escondem lâminas, e sob a superfície calma, as correntes são traiçoeiras. Mas em Constantin, mesmo que o Patriarca fosse assassinado, ninguém correria ou gritava nas ruas do bairro nobre.

Calma, sem pressa, sem precipitação.

Embora ocupasse apenas um décimo da cidade, o distrito de Nobe detinha mais da metade da fortuna de Constantin. Se incluíssemos a Academia de Magia de Pansel, nos arredores, esse número subiria para noventa por cento.

Imaginem, então, quanta riqueza se reunia no destino do Duque de Windesol.

As construções ao redor não eram altas, mas exalavam tradição e solidez: residências de condes e viscondes do império. Ao passarem pela última rua e adentrarem aquela região, os edifícios sumiram abruptamente, dando lugar a uma imensa clareira circular.

O chão, antes feito de pedras comuns, dera lugar ao ônix negro como a noite, por onde lampejos de luz reluziam, sinalizando a existência de um poderoso e profundo círculo mágico oculto sob a superfície.

Ali, a comitiva parou. O velho mordomo desceu e abriu a porta.

Akar Windesol, o duque falcão — um nobre do império conhecido por seu desinteresse pela magia — comparecia pessoalmente à Academia de Magia de Pansel, local que ele certa vez, num banquete, chamara de “antro de lunáticos incompreensíveis”, tudo para tentar garantir uma vaga para seu filho.

A guarda formou em posição respeitosa. O duque ergueu o olhar para o edifício, o mais emblemático de Constantin depois da Catedral de São Rolando, suspirou e marchou em direção à entrada da academia.

A Academia de Magia de Pansel parecia um imenso fuso, cilíndrico, cuja base ocupava quase mil metros quadrados e que se estreitava a cada andar, até atingir a torre principal no décimo pavimento. Vista do alto, junto ao círculo mágico no solo, parecia uma flor desabrochando, esplêndida e bela.

Os portões estavam abertos, por mera formalidade — mesmo um grande nobre, por mais poderoso que fosse, não podia interferir em dois lugares: a Catedral de São Rolando, núcleo do poder religioso, e a própria Academia de Magia reconhecida pela Guilda dos Magos, que ignorava até mesmo os privilégios da nobreza.

Assim, mesmo um duque não era tratado aqui com maiores deferências do que um estudante.

O recepcionista da academia, de semblante frio, saudou-o com indiferença e, em seguida, conduziu-o diretamente ao topo da academia — onde estava o diretor. Graças a um agendamento prévio, o velho duque pôde se reunir diretamente com aquele que, aos dezenove anos, já ostentava o emblema do Carvalho Dourado.

Excentricidade não faltava naquele lugar.

Como espadachim lendário, o velho duque há muito deixara para trás os dias de glória e batalhas; vinte anos se passaram desde as grandes convulsões, a maioria dos poderosos daquela época já tombou. O duque, embora menos forte hoje, mantinha intactos seu prestígio e temperamento.

Os corredores estavam iluminados; lá fora, o sol ardia, mas nem um raio penetrava, apenas dois fachos suaves nas paredes imitavam a luz do dia. Os passos ressoavam nítidos, quebrando o silêncio. O duque mantinha o semblante grave.

O mordomo, Parfa, aguardava imóvel diante da academia, como uma estátua, esperando durante todo o dia.

Quando o sol se pôs, o velho duque deixou a academia em silêncio e entrou na carruagem.

O velho Parfa, conhecedor dos humores do patrão, percebeu que as coisas não haviam corrido bem, mas, experiente, nada perguntou. Apenas fez com que a carruagem seguisse ainda mais devagar e suavemente. Depois de tantos anos na casa ducal, Parfa aprendeu a cuidar dos mínimos detalhes.

Noite adentro, o palácio do duque parecia ainda mais frio em ausência de seu senhor. Quando o duque desceu, trazia consigo uma aura de letalidade que não se via há muitos anos, tornando o ambiente ainda mais gélido.

Fitando a estátua de cavaleiro à entrada, o duque disse de súbito:

— Dê um recado a Morfeus. Seu pai é incapaz, não conseguiu garantir-lhe vaga na Academia de Magia de Pansel.

O mordomo, que o seguia, parou abruptamente. Jamais ouvira o patrão se autodenominar “incapaz”. O duque Akar, outrora invencível nos campos de batalha, baixou a cabeça após dizer aquelas palavras; o rosto sulcado de rugas parecia tomado por uma tristeza profunda.

— No fim das contas... realmente não sou um bom pai.

O velho mordomo fez uma reverência profunda, sem dizer mais nada, e se retirou.

O duque parou diante da estátua por um longo tempo, suspirou e entrou no palácio com passos decididos.

— Mas a íris roxa não se extinguirá tão facilmente.