Capítulo Setenta e Três: Com licença... Mais! Explosão de dez mil palavras concluída
Sem mais delongas, tragam os votos rubros!
Morpheus se obrigou a manter a calma. O colapso da vontade sempre começa com um pensamento insignificante no íntimo, que germina como uma semente até transformar completamente a confiança outrora firme. Por isso, a autossugestão era crucial. Ao entrar no corredor, Morpheus avançou com passos rápidos e quase silenciosos, esquivando-se dos cadáveres de pequenos animais espalhados pelo chão, além de alguns esqueletos humanos.
Seria este o calabouço de Windsor? Um local para encarcerar lobisomens? Morpheus não conseguia evitar relacionar tudo aquilo com a complicada ligação entre Ezur Windsor, os lobisomens e a ordem subterrânea. O caminho logo chegou ao fim, e os sons atrás dele indicavam que ao menos uma dezena de lobisomens avançavam ferozmente em sua direção!
Era uma calamidade absurda. Morpheus admitiu que a própria curiosidade o trouxera aquela situação; talvez o impacto da figura lendária do patriarca o tivesse feito esquecer sua habitual cautela. Ainda sendo apenas um jovem, não havia tempo para arrependimentos, e ele começou a correr.
A passagem diante de seus olhos assemelhava-se a uma caverna de paredes lisas, até que, repentinamente, surgiu algo inesperado: uma ponte suspensa! O caminho de pedra terminava abruptamente onde a ponte se iniciava, e a luz de sua varinha revelou que aquela estrutura de correntes de ferro se estendia por mais de cem metros. Abaixo, havia um abismo escuro sem fim, e ao redor, o ambiente lembrava o interior de um grande ovo, com falésias de mais de cem metros de largura circundando uma ilha central.
Morpheus não hesitou e cruzou a ponte rumo àquele território proibido. Ficar ali seria permitir que dezenas de lobisomens o devorassem, uma escolha estúpida. Lutar na floresta era um erro fatal; o verdadeiro caçador evita o confronto, busca outros momentos para atacar.
A luz de sua varinha era fraca, incapaz de revelar detalhes do lugar, mas após dez segundos de corrida sobre a ponte, Morpheus imaginou estar em uma área secreta de alto nível, acessível apenas por aquela ponte suspensa. Acima dele, uma cúpula rochosa opressiva indicava estar a muitos metros abaixo da superfície.
Assim que atravessou, Morpheus varreu o entorno com a varinha, confirmou a presença apenas de alguns pilares de pedra e voltou-se para observar o caminho por onde veio. Surpreendentemente, já preparado para cortar a ponte e impedir a passagem, percebeu que nenhum lobisomem se aproximava; apenas alguns gemidos baixos, seguidos de silêncio.
Essa situação não trouxe alívio, mas sim ainda mais alerta.
Com a varinha na mão esquerda e a adaga na direita, Morpheus não tinha a faca energizada que antes matara lobisomens; agora era apenas uma arma comum, mas era tudo de que dispunha. Ele começou a examinar as bordas da ilha, como um penhasco isolado, observando aquele local estranho.
Alguns pilares de pedra, com sete ou oito metros de altura, formavam um pentagrama peculiar. Morpheus teve um súbito insight, iluminou o solo com a varinha e afastou a terra acumulada ao longo dos anos.
Ali estava uma laje negra, feita do mesmo material do misterioso círculo mágico que o trouxera até ali: a pedra negra de Nibro. Quando a esperança começou a lhe invadir, lembrando-se das duas gemas energéticas que pegara, Morpheus parou abruptamente.
Ouviu um som tênue à sua frente.
Batidas de coração — não eram as dele, mas pareciam ecoar em sua mente, com uma pressão psíquica...
Parecia haver algo adormecido ali.
A luz da varinha revelou, sobrepostos, os pilares de pedra, e no centro deles repousava um sarcófago de pedra! O estilo era do antigo Império de Sica, com relevos delicados e uma superfície robusta. O ritmo inquietante das batidas cardíacas, que arrepiava Morpheus e lhe dava um pressentimento sinistro, emanava daquele sarcófago.
Seria um vampiro?
O “História da Linhagem de Marcus” relata que vampiros têm vida quase infinita. Quando gravemente feridos, ou ao entrar em um período de “hibernação”, eles dormem em sarcófagos de pedra. Cada sono é uma metamorfose, mas o despertar profundo é raro; normalmente, são períodos curtos de reflexão, sendo o primeiro um avanço, o segundo apenas descanso.
O tamanho e aparência do sarcófago indicam o nível do vampiro no seu interior. O poder de um vampiro depende do sangue que consome; quanto mais forte a vítima, maior o efeito. Como serpentes digerindo suas presas, eles entram em sono para absorver o poder. Morpheus não sabia que tipo de criatura aterradora encontraria ali, quando lembrou do pergaminho preso à cintura, puxou-o apressadamente e, ao olhar, sentiu um frio na espinha.
Era o “Pacto do Mar Morto”.
Jamais deveria usá-lo, exceto em último caso, pensou Morpheus. Ele sabia que, por mais poderoso que pareça, esse círculo mágico não era simples. No mundo da magia, há uma regra fundamental: conservação de energia. O “Pacto do Mar Morto” era de nível além do imaginável, mas consumia pouca energia cristalina, o que parecia estranho; ninguém sabe o preço real a pagar.
O próprio termo “Paradoxo” significa “contradição”. O paradoxo mais famoso da história foi proposto por um acadêmico condenado como herege: “Pode o Deus onipotente criar uma pedra que não consiga levantar?” A frase causou pânico generalizado, e aplicada ao círculo do “Pacto do Mar Morto”, é igualmente irresolúvel — ninguém sabe as consequências de usá-lo.
O sarcófago estava fechado. Morpheus, pergaminho em mãos, aproximou-se para examinar e percebeu que não havia inscrições ou figuras, apenas complexos círculos mágicos entalhados!
Tendo estudado os diagramas exigidos para magos intermediários, Morpheus compreendia o núcleo e o significado de um círculo mágico, e ali todos os diagramas tinham o mesmo propósito: selar, selar e selar, nada mais.
No entanto, as gemas energéticas incrustadas para manter o selo estavam quase esgotadas.
Morpheus sentia que aquele sarcófago não era apenas o descanso de um vampiro. Pensando rápido, reconheceu que aquela câmara pertencia a Ezur Windsor. E qual era o passatempo favorito do patriarca? Não era vender artefatos, nem realizar experimentos de alquimia herética em segredo, nem colecionar relíquias sagradas; o que o Windsor mais temível gostava era de lidar com vampiros e lobisomens, para depois eliminar aqueles que não se tornavam seus aliados, sempre com um sorriso sutil.
Os hereges mortos por suas mãos não eram menos que os executados pelos inquisidores superiores; após a morte, eram dissecados ou usados em experimentos de alquimia negra. Nada de elegância aristocrática. O sarcófago de sangue trazia à mente de Morpheus uma sucessão de horrores, levando-o imediatamente à decisão mais sensata: retirar-se!
Caminhando de volta ao local da pedra negra de Nibro, Morpheus rapidamente retirou uma valiosa gema energética, destruiu a superfície com a varinha e a depositou no chão.
Já pagara caro por sua curiosidade; agora, diante de um monstro de nível desconhecido, não tinha interesse algum — a vida era mais importante. Aquele quadrado ao seu lado lembrava um ninho de dragão menor, mas ainda mais perigoso; não tinha desejo nenhum de morrer ali.
Porém, o que se seguiu o fez franzir o cenho: a energia liberada pela gema não foi absorvida pelo círculo mágico abaixo, mas atraída com força ainda maior para o sarcófago atrás dele!
Maldição!
Qualquer um veria que aquilo era um péssimo sinal, mas Morpheus não podia impedir que a energia liberada pela gema rompida fluísse para o enorme sarcófago — nem mesmo se aproximar podia, pois o calor ao redor era suficiente para derreter aço!
Pela primeira vez, Morpheus sentiu-se impotente. Não era uma questão de vencer inimigos poderosos com a adaga, mas de não ter conhecimento suficiente para deter o que acontecia. Controlar a liberação de energia de uma gema daquele grau exigia um mago de nível “III”, e Morpheus estava muito longe disso; o desastre era inevitável.
Que desastre! Morpheus sabia que havia causado problemas.
Não havia tempo para arrependimentos. Sem hesitar, correu em direção à ponte suspensa, mas sentiu o solo tremer sob seus pés!
A cúpula de pedra acima não era lisa, mas composta de rochas enormes como lâminas. Esses blocos grotescos começaram a cair com estrondo; infelizmente, uma rocha em forma de espinho, do tamanho da escultura na entrada do Castelo Windsor, caiu e destruiu completamente a ponte, cortando a única rota de fuga de Morpheus!
Enquanto amaldiçoava Ezur Windsor, Morpheus buscava freneticamente uma saída com sua varinha, quase sendo atingido por pedras. Quando a tremor cessou e o cheiro de terra se dissipou, parecia que tudo voltara ao silêncio.
Mas Morpheus sabia que as batidas cardíacas estavam ainda mais nítidas.
Ele teve que admitir: estava preso com um vampiro ancestral de identidade desconhecida, em uma ilha isolada, obrigado a enfrentar uma criatura capaz de absorver energia elemental mesmo em sono profundo através de múltiplas camadas de selos. Um velho monstruoso com séculos de existência.
O selo no sarcófago brilhou repentinamente, e Morpheus, conhecedor dos princípios dos círculos mágicos, entendeu que todos haviam sido ativados — significando que o que estava dentro... acordou completamente!
As 176 selagens mágicas, de nível médio 30 e máximo 45, começaram a se romper uma a uma em flashes intensos, sem qualquer aura violenta, como se um poeta elegante arrancasse pétalas devagar, com delicadeza.
Suando em frio, Morpheus, com sua adaga em punho, fixou o olhar no sarcófago, pronto para lutar até a morte.
Mas, então, o silêncio absoluto.
Quando finalmente se permitiu limpar o suor da testa, ouviu ao seu lado uma saudação suave...
“Por favor, poderia me dizer em que ano estamos segundo o calendário de Ross?”