Capítulo Dez: Trovão Surpreendente
Segundo capítulo de hoje, peço que adicionem aos favoritos, muito obrigado.
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A resposta era sincera: Morfeu nunca ouvira aquele velho, cuja sabedoria parecia não conhecer limites, mencionar sequer uma palavra sobre “magia”.
Parecia simples, mas era uma tarefa quase impossível.
Os magos eram um grupo peculiar, dedicados a pesquisar os mistérios do desconhecido por toda a vida — era assim que os plebeus do Império Bizantino os viam. Possuíam poderes sobrenaturais, status elevado e envoltos por um véu de segredo nunca revelado.
Mas no vizinho Império Sagrado de Gabriel, magos eram apenas “hereges”, cujo destino era invariavelmente um só: a “fogueira”.
Essas coisas deviam ser conhecidas por todo bizantino, mas Morfeu jamais as ouvira. O velho mordomo, surpreso, hesitou por um instante, sem saber como explicar — diante de tudo que observara sobre seu jovem senhor, aquela ignorância era realmente espantosa.
“Quando se infunde a própria energia, é possível ativar um poder especial dentro desta adaga, causando dano ao inimigo. Perdoe minha limitação, senhor, só consigo explicar desse modo.”
“Entendi, mais ou menos. Não sei muito, e a culpa é minha.”
Que moço compreensivo, pensou o velho Pafa consigo mesmo.
Ele observou Morfeu segurando delicadamente aquela adaga de formato estranho — o cabo, feito de algo parecido com osso, tinha um brilho branco e suave, e o dorso da lâmina ostentava intrincadas linhas azul-marinho, complexas e enigmáticas.
Olhando para as runas mágicas gravadas na lâmina, Morfeu pensou em algo, ficou absorto por um instante e depois inseriu a adaga na bainha de couro de fera mágica que vinha no estojo, fixando-a logo em seu cinto.
Adaga e lenço, símbolos de poder e de mulheres?
Morfeu lembrou-se da jovem que tentara se oferecer, suspirando involuntariamente.
“Arriscar tudo pelo que se deseja... no fundo, não somos tão diferentes.”
...
A névoa matinal dissipava-se lentamente, e o grupo seguia por uma estrada reta, com poucos edifícios à margem; ao sair da floresta, as montanhas distantes impressionavam.
“Constantino fica do outro lado da serra.”
O mordomo apontou para o horizonte, falando suavemente.
Apesar de as montanhas ao longe parecerem claras e majestosas, ainda faltavam cerca de três dias de viagem até o destino. O grupo agora contava cinquenta pessoas, avançando com imponência, sem a discrição de antes.
“Devemos chegar ao vale de Barenc antes do anoitecer. Não podemos nos expor ao céu aberto,” murmurou o mordomo. “Ao menos, não esta noite.”
Morfeu compreendia bem que a ameaça dos vampiros era muito mais complexa: a morte de um lorde e um barão vampiro era apenas o aperitivo para aqueles caçadores de recompensas desprezíveis.
O grupo avançava rápido pelo horizonte, levantando nuvens de poeira. Dezessete cavaleiros de guarda, vinte e três mestres de espada e oito batedores do exército imperial, todos exibindo sua força. A mensagem era clara: mantenham distância.
O chão seco exalava calor sob o sol de verão, e urubus voavam no céu.
“Deserto da Morte”, palco da grande vitória do imperador bizantino Decério, há seiscentos e setenta anos, contra os bárbaros. O conflito prolongado deixou dezenas de milhares de cadáveres, e o local tornou-se um território de morte. O cheiro de podridão persiste, uma estrada solitária corta o vasto deserto, onde não há ervas, só pedras e areia.
“Esta é a terra dos mortos. Dizem que em algum ponto do deserto existe um vale onde estão enterrados todos os reis do Império Bizantino. Mas ‘Vale dos Reis’ continua sendo apenas uma lenda.”
O velho Pafa apontou para um ponto do deserto, apresentando ao jovem senhor, que nunca havia saído da floresta, um outro lado do mundo.
Entre céu e terra, só uma estrada reta conduzia às montanhas cobertas de neve. No caminho, vez ou outra ossos de animais eram expostos ao calor, urubus bicavam com afinco, lançando olhares de desprezo aos viajantes, como se zombassem do destino inevitável de todos: a morte.
O ritmo dos cavalos diminuía, e só após o último raio do sol se apagar no horizonte, o grupo continuava a avançar com dificuldade.
As montanhas estavam próximas, mas algo intrigava Morfeu: durante todo o dia, não viram vilarejos, nem viajantes solitários — apenas grupos de mercadores com mais de vinte pessoas.
À noite, a névoa branca envolvia o campo de visão, e as montanhas altas desapareciam no escuro.
“Almas que não encontraram descanso, eternamente abandonadas nesta terra,” o mordomo Pafa olhava com gravidade para o deserto sombrio ao redor. “Nem mesmo os sacerdotes do Império Bizantino conseguiram apaziguar as almas dos mortos em batalha. Após mais de seiscentos anos, este lugar tornou-se um cemitério inimaginável.”
“Cemitério?”
“Entre os magos há aqueles que foram rejeitados pelo Senhor. Manipulam almas, profanam cadáveres, fazem os mortos lutarem por eles — e esta terra é onde costumam aparecer.”
Morfeu não soltava a empunhadura da espada nem por um instante, o ar ficava frio após o pôr do sol. Ele olhou ao redor e falou em voz baixa: “Seremos caçados?”
“Não, somos apenas passageiros. Para essas criaturas de vida longa, não temos valor. Aliás, relatos de necromantes desde a fundação do Império Bizantino praticamente desapareceram. Não se pode negar que as perseguições do Império de Gabriel foram rigorosas.”
Apesar disso, o mordomo acelerou o passo. Antes que a lua fosse encoberta pelas nuvens, o grupo entrou no vale entre as montanhas.
Morfeu desmontou, alongando os membros rígidos. Os cavaleiros organizavam o acampamento, as fogueiras tremulavam ao vento, a chuva ameaçava e nuvens pesadas sobrecarregavam o céu.
A viagem estava fadada a ser difícil. Morfeu já estava habituado a enfrentar perigos mortais a qualquer momento. Os cavaleiros e mestres de espada sabiam do status daquele jovem nobre. Para protegê-lo de qualquer ameaça, a família Windersol faria tudo e mais um pouco — e, mesmo assim, Morfeu ainda não compreendia o alcance do poder de sua família.
A noite caiu sobre a terra.
Quando os batedores de guarda deram o alarme à meia-noite, Morfeu saltou ao lado da fogueira, mirando ao longe.
O campo estava escuro, mas o solo vibrava com crescente intensidade.
Cavaleiros? Morfeu reconheceu o som de cavalos em marcha e não eram poucos. No céu, sons agudos ecoavam, provocando irritação. Alguns mestres de espada tapavam os ouvidos, mas não conseguiam se proteger do incômodo, caindo de joelhos, atormentados pela dor!
Morfeu franziu o cenho; aparentemente, não era tão afetado.
O som de armaduras se chocando era constante, espadas desembainhadas, tochas iluminavam a borda do acampamento, mas, além do troar dos cascos e do ruído estranho no céu, tudo permanecia escuro; nem mesmo a dez metros se podia enxergar claramente.
Impossível para os cavaleiros montarem e lutarem nessas condições — sem luz, não saberiam nem onde estavam os inimigos.
“Formação em cunha!”
O mordomo ordenou sem hesitação, e imediatamente todos os mestres de espada e cavaleiros de guarda em prontidão alinharam-se numa formação densa — mestres de espada com escudos leves à frente, formando uma ponta afiada; o velho mordomo de manto negro avançou e ficou ao lado de Morfeu.
Os cavaleiros não entraram na linha de frente, mas mais de vinte cavaleiros de elite com armadura pesada e lanças posicionaram-se na colina atrás do acampamento.
“Guardas do Íris Roxo, preparem-se para lutar!”
A voz poderosa do mordomo, diferente da habitual suavidade, tornava-se o alicerce do grupo. Morfeu, ao seu lado, permanecia em silêncio, sua calma transmitia serenidade aos mestres de espada que o protegiam.
“Ha!”
Como se pressentisse algo, o mestre de espada à frente gritou, liberando uma onda de energia, como uma flor que desabrochava no escuro!
A luz das tochas não era suficiente para captar a sombra repentina que surgiu. O cavaleiro irrompeu da escuridão e chocou-se violentamente contra a formação em cunha, mas Morfeu viu apenas o enorme cavalo saltar das trevas; antes mesmo de reagir, o mestre de espada à frente lançou ambos — cavalo e cavaleiro — para longe com um golpe só!
A espada ergueu-se, reluzente como um trovão!