Capítulo Cinco: O Sino

Cetro Negro Asa da Morte Nassarion 3275 palavras 2026-02-07 18:52:30

O plano inicial era retornar à tarde, mas um convite inesperado para um banquete de agradecimento ao mestre me obrigou a cruzar metade de Pequim, saindo do apartamento alugado e indo até a escola. Bêbado, peguei um táxi para casa, ainda com a cabeça girando. Aqui está o segundo capítulo; amanhã e depois provavelmente haverá apenas um. Peço desculpas, o álcool atrapalhou tudo—foi a primeira vez em dois anos que bebi, e hoje não devo conseguir escrever mais.

A voz de Morféus era juvenil, mas carregava uma autoridade inegável—e, naquele momento, o que poderiam fazer aqueles homens, outrora talvez orgulhosos? Só lhes restava obedecer, pois entre todos, apenas aquele garoto havia arriscado a vida e ferido o ciclope diante deles; ninguém mais ali tinha direito à palavra.

O arqueiro foi o primeiro a reagir; mesmo prestes a recuar até o limite da arena, interrompeu o ataque e correu ao redor, na direção de Morféus. Os outros sobreviventes, ao mesmo tempo, dispersaram-se para todos os lados, mas um azarado, sem tempo para esquivar-se, foi acertado pelas costas pelo enorme bastão, morrendo de forma horrenda.

Apesar de aparentar lentidão, o ciclope era mais rápido ao correr do que qualquer dos fugitivos. Ao virar o rosto, porém, foi cegado por uma luz intensa—Morféus concentrara toda sua energia na varinha, lançando um feixe diretamente no olho gigantesco. O monstro gritou de dor, protegendo-se com a mão, e avançou, com passos ameaçadores, rumo a Morféus.

Era uma cena sufocante: aqueles que já haviam escapado da zona de ataque do gigante, ofegantes e tremendo, assistiam Morféus, imóvel como se enraizado, segurando firmemente a varinha. A luz não vacilava, iluminando o olho do ciclope que se aproximava rapidamente.

Quantos seriam capazes de permanecer tranquilos, diante de um gigante de oito metros, avançando como um terremoto? Esta cena marcou profundamente os nobres que assistiam à batalha; o sangue saciou seu desejo de violência, mas a resistência de um só, enfrentando uma calamidade, incendiou seus corações.

A surpresa causada pela varinha e pela magia era menor do que o impacto das ações de Morféus. Subitamente, a luz se apagou; o ciclope, ao recuperar a visão, ergueu o bastão, pronto para esmagar Morféus com um único passo.

Mas faltava-lhe um passo.

O ciclope, focado em Morféus, esquecera-se do que o pequeno adversário havia gravado no chão. Quando ergueu o bastão, seu pé direito afundou bruscamente em uma área de areia movediça, criada por magia sem que ele percebesse.

O “Círculo de Corte Elemental” era um feitiço normalmente usado para testar escudos mágicos ou armaduras; simples, de baixa exigência energética, jamais utilizado em batalhas comuns. Ao ser ativado, cortava e agitava os elementos acima de sua superfície, aumentando em intensidade conforme a energia investida. Morféus, ao gravá-lo de modo inverso, transformou a areia da arena em areia movediça.

Após concluir o círculo, Morféus recuou quinze metros, para atrair o gigante ao centro da armadilha—com cinco metros de diâmetro, era impossível não ser afetado. Por sorte, o ciclope avançou com uma perna, afundando por inteiro, e acabou caindo violentamente, impulsionado pelo próprio movimento.

A cabeça colossal, arrastada pelo corpo na queda, parou diante de Morféus.

A poeira se dissipou.

Quando a areia assentou, Morféus, jovem mas de mãos calejadas, retirou a varinha cravada no olho do ciclope. A explosão de elementos na ponta da varinha transformara o cérebro do monstro em pasta; o corpo convulsionava, prova de que aquele gigante, outrora invencível, estava morto.

Silêncio absoluto.

Morféus, ainda de capuz, respirava com dificuldade; os outros cinco sobreviventes mantinham expressões incrédulas, paralisados.

“Próximo grupo!”

Um grito estridente ecoou ao longe, sem aclamação heroica. Morféus recolheu a espada à bainha, cuspiu sangue, virou-se e foi o primeiro a caminhar rumo à cela, cujas portas de ferro se abriam lentamente.

A realidade é cruel: muitos feitos grandiosos são, aos olhos alheios, apenas performances ligeiramente notáveis. É motivo de orgulho, mas não de arrogância. Morféus, massageando o ombro, parecia pequeno, quase insignificante diante do cadáver gigante atrás de si.

“Uma herança de bravura.”

Elyndal estava à janela quebrada, observando a silhueta jovem que se perdia na escuridão; em seus olhos violetas brilhou uma luz sutil.

O criado entrou, pedindo desculpas pelo ocorrido e prometendo trocar de quarto imediatamente, mas o Visconde Ross recusou, solicitando retorno imediato. Elyndal, contudo, o deteve com uma frase serena.

“Vamos observar mais um pouco; de fato, há algo interessante aqui.”

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Morféus sentava-se em silêncio no banco de pedra escuro, com os gritos e gemidos da arena ecoando ao redor. O capuz sombreava o rosto, os dedos giravam distraidamente o punho da espada e a varinha.

No quarto simples, ninguém falava. Os cinco sobreviventes da primeira rodada permaneciam calados nos cantos, sem nenhum sinal de euforia pela vitória.

Morféus havia derrotado sozinho o lendário ciclope—aquilo que parecia impossível acontecera, mas não gerou sensação de segurança entre os demais. Mais da metade morrera na primeira rodada; o mais forte estava ferido e ainda restavam pelo menos quatro etapas. Como sobreviver?

“Por que vieram aqui?”

Após um longo silêncio, Morféus perguntou, a voz abrupta ecoando pela sala de pedra.

Ali, todos eram homens livres, que pagaram para entrar na arena; nenhum era escravo.

“Perdi tudo apostando. Só sobrou minha vida miserável.”

O espadachim barbudo respondeu primeiro, respirando fundo e calando-se.

“Sou procurado em Praga. Vim para cá; se vencer, recomeço em outro lugar. Se perder, morro e está acabado.” O jovem espadachim apertou um pingente prateado e fez discretamente o sinal da cruz.

“Fui enganado por uma mulher e perdi tudo.”

Um rancor amargo.

“A família está afundada em dívidas.”

Desolação resignada.

“Só quero matar, ou ser morto.”

Desespero sem saída.

Após responder, os cinco olharam para Morféus, que permaneceu em silêncio por instantes. Com o som das portas de ferro indicando o fim da segunda rodada, ele retirou o capuz, levantou-se e, olhando para a porta aberta, disse: “Vim aqui por uma promessa.”

Fabre não estava de bom humor naquele dia.

Responsável pela Arena Punho de Ferro, seu objetivo principal era o lucro, obtido de diversas formas—como banqueiro, ao abrir apostas, era fácil obter lucros astronômicos. Comparado à renda das suítes, que ultrapassava dez mil moedas de ouro por noite, uma competição com o ciclope como protagonista gerava facilmente dez vezes mais ganhos.

Mas, naquele dia, o ciclope—máquina de fazer dinheiro—fora eliminado de modo inesperado, um resultado improvável.

Normalmente, a primeira luta noturna era apenas um aperitivo—um massacre unilateral, para inflamar os nobres, antecipando o clima como vinho antes do bife.

Mas, após a “rapidez e violência” esperada, quem caiu foi o personagem principal da Arena Punho de Ferro, recém capturado!

Para capturar esse gigante isolado nos campos selvagens, o verdadeiro proprietário da arena, o Conde Torl, sacrificara mais de cem homens, um investimento que ultrapassava cem mil moedas de ouro.

Mas aquele maldito grandalhão morreu antes de gerar oito mil moedas de lucro? Como explicar isso?

Fabre estava desesperado. Apesar de a última aposta ter rendido mais de três mil moedas ao apostar no ciclope, o monstro nunca mais seria útil—a maior fraqueza da arena era o risco de um homem livre causar surpresa. Mas onde há risco, há oportunidade.

É justamente por isso que a Arena Punho de Ferro prosperou, conquistando o apreço dos nobres, graças às “surpresas” ocasionais.

Mesmo assim, a arena tomaria medidas para tornar esses “duros” ainda mais estimulantes.

“Mude os planos de hoje. Na terceira rodada, misture eles com os escravos, cinquenta ao todo. Prepare o monstro, aposta mínima de cem mil moedas.”

Fabre secou o suor com um lenço, decidiu firmemente, e procurou uma caixa elegante, marcada com um círculo mágico. Usou a chave pessoal, retirando um objeto que deixou o criado perplexo—não era uma chave antiga, nem um artefato mágico, mas um sino tosco.

O criado ergueu as mãos, querendo pegar o sino, mas Fabre não lhe deu chance; segurou-o firmemente e saiu apressado do quarto, indo direto ao corredor que levava ao subsolo da arena.