Capítulo Trinta e Cinco: Eu Não Consigo
Segundo capítulo do dia. Estes últimos dias tenho escrito com certo cansaço, talvez precise desacelerar. Amanhã publicarei um capítulo, depois de amanhã dois, garantindo a qualidade. Se não consigo manter o ritmo, peço desculpas. Este não é um romance de leitura fácil e rápida, escrevo devagar e espero que vocês também leiam devagar. A literatura carrega valores; desejo progredir na escrita junto ao crescimento de Morfeu.
Agradeço sinceramente pelos votos, cliques e favoritos. Se gostarem, adicionem ao favoritos; quem sabe este livro alcance uma boa marca.
Não houve nenhum clarão explosivo, apenas pura força. O idoso, normalmente encurvado e de aparência frágil, surgiu quase instantaneamente atrás de Morfeu. Quando a figura do velho apareceu no campo de visão de Morfeu, seu punho já estava recolhido, e o assassino que tentara atacá-lo havia sido lançado ao longe, o sangue esguichando no ar ainda não havia tocado o chão!
Um estrondo ecoou.
Morfeu, paralisado, sentiu uma dor aguda no abdômen. Instintivamente bloqueou o próximo golpe da jovem noviça, mas não revidou—porque não conseguia voltar-se agressivamente contra aquela garota enlouquecida de dor e raiva que o atacava.
Toda a frieza dos tempos de floresta, toda a indiferença diante das injustiças do mundo, tudo foi esquecido. Morfeu finalmente compreendeu que sua antiga apatia devia-se ao fato de que aquelas coisas não o tocavam de verdade. Mas diante de algo que criara raízes em seu coração, ele não conseguia tomar decisões com facilidade.
Ele era, afinal, ainda muito jovem.
Por mais que parecesse frio e impassível, quase desprovido de sentimentos, Morfeu era ainda um adolescente de mente imatura. Naquele instante, o inimigo finalmente encontrara sua fraqueza.
Os ataques impiedosos fizeram a noviça ganhar vantagem, mas Aquinato, atrás de Morfeu, não interveio para ajudá-lo. Depois de desferir um soco, ele pisou com força no chão, e uma energia invisível fulminou o assassino que tentava se levantar, matando-o instantaneamente.
Em seguida, ele apenas observou em silêncio Morfeu, que lutava para se defender.
Num momento de desespero, Morfeu tropeçou no cadáver ao chão e caiu de costas—o que expôs uma brecha que a noviça não hesitou em aproveitar: ela acertou-lhe o abdômen em cheio, obrigando-o a se curvar até ajoelhar-se.
"Boa viagem", disse a noviça, a voz rouca e baixa. Um sorriso forçado e trêmulo surgiu em seus lábios; parecia esgotada. Ela ergueu a mão, os dedos juntos como uma lâmina, apontados diretamente para a garganta de Morfeu.
De repente, tudo cessou. Aquinato interveio no último instante.
O ancião apareceu ao lado da noviça e, com uma mão, segurou firmemente seu braço delicado; com a outra, uma chama branca incandescente irrompeu de seus dedos. Ele avançou sua mão, e uma força invisível atingiu o rosto da garota—um som de algo se despedaçando ecoou brutalmente, e o semblante da noviça transformou-se numa expressão de horror, seu rosto antes delicado agora grotescamente distorcido...
"Sagrada Chama! Você é Aquin—"
Antes que pudesse terminar, a chama branca brilhou ainda mais intensamente, projetando uma longa sombra atrás da noviça, que se contorceu e esmaeceu, até desaparecer junto com a extinção da chama.
De um canto escuro da igreja, uma figura foi forçada a sair das sombras, fugindo apavorada.
Ignorando a dor lancinante, Morfeu saltou de pé; as feridas em seus braços abriram-se ainda mais com o movimento, espalhando sangue pelo chão polido da igreja, deixando um rastro difícil de descrever.
Morfeu correu e, num salto, lançou-se pelo ar como uma fera predadora. O punhal de aço napolitano nunca fora brandido com tanta força. A sombra que tentava escapar foi atingida em cheio por Morfeu, que caiu sobre ela com um poder esmagador.
Um novo estrondo.
Dez passos, uma vida ceifada.
A lâmina atravessou o coração, o corpo tombou ao chão pela força do impacto. Num movimento horizontal, Morfeu rasgou o torso do inimigo, espalhando sangue em profusão. A lâmina quase dilacerou o corpo ao meio.
O chão alvo floresceu com uma flor regada pelo pecado.
A respiração de Morfeu reverberava pelo enorme templo. Ele ergueu a cabeça e, à sua frente, na parede, estava a imagem do Cristo crucificado. O olhar compassivo da estátua parecia contemplar os mortais lá embaixo.
"Vem comigo." Aquinato ergueu suavemente a noviça desmaiada, sem uma palavra a mais, e dirigiu-se à porta dos fundos. Do lado de fora, Guevara entrou às pressas, a espada ensanguentada—devia ter sido detido por algum imprevisto.
Ao avistar Morfeu no meio do sangue, Guevara ajoelhou-se sobre um joelho, mas antes que pudesse falar, ouviu o comando do jovem: "Limpe tudo. Deixe os corpos, depois quero levá-los comigo."
Observando a figura de Morfeu cambaleando para fora, Guevara, involuntariamente, tocou o brasão de íris púrpura na empunhadura da espada, e as palavras que queria dizer resumiram-se num suspiro.
Respeito absoluto.
Como se fosse apenas o abrigo da igreja que separava dois mundos, ao sair pela porta dos fundos o ambiente tornou-se subitamente tranquilo. O braço de Morfeu sangrava bastante; ele embainhou o punhal e apertou o bíceps esquerdo para estancar o sangue, que continuava a pingar, pesado e glorioso.
Aquinato seguia silencioso à frente, o cabelo grisalho um tanto desalinhado pela batalha. A noviça em seus braços estava pálida; Morfeu via apenas seus olhos cerrados, os cílios trêmulos, o cenho franzido de dor—e isso apertava ainda mais o coração do rapaz.
Era uma sensação estranha.
Um caminho de pedras brancas, trinta metros de extensão, ladeado por relva verde. No fim, uma casa de pedra simples, nem grande nem pequena, sem a ostentação da grande catedral.
Morfeu apressou o passo, abriu a porta de madeira para Aquinato. O interior era pouco iluminado: uma cama simples, uma escrivaninha, o restante preenchido por uma quantidade impressionante de livros e pergaminhos, tudo ordenado apesar do volume.
Aquinato, embora encurvado, não tinha nada de fraco ou senil. Após exibir sua força assustadora, sua aura ameaçadora foi se dissipando até a casa. Pousou a noviça na cama, massageou as costas e, acendendo o candelabro, comentou: "A velhice pesa, até um pouco de esforço já cansa."
Morfeu permaneceu atônito, respirando fundo, sem saber o que dizer. Os dedos brincavam com o sangue seco, a sensação era viscosa e familiar.
"Limpe e enfaixe seus ferimentos." O velho remexeu no armário, encontrou um rolo de ataduras de linho amareladas e entregou-lhe, junto com um copo de água do poço servido numa caneca de barro rude.
O jovem aceitou, saiu e começou a tratar das feridas na soleira da porta.
Aquinato sentou-se à beira da cama, segurou a mão da noviça e uma tênue luz fez-lhe voltar um pouco de cor ao rosto.
"Não é um talento ordinário…", murmurou o idoso, recordando-se do que vira em Morfeu. Suspirou, fechando os olhos por um instante. Ali parecia uma estátua clássica, carregada de profundidade e sabedoria. Quando tornou a abrir os olhos, Morfeu estava de volta.
Os braços enfaixados, manchas de sangue mostravam que o ferimento era sério. O rapaz entrou, passos pesados, semblante pálido. Não se sentou, apenas ficou ali, em silêncio, com respeito.
"Ali há um assento. Afaste os livros e sente-se. Quero lhe falar." O velho apontou para um canto da escrivaninha, abarrotado de volumes.
Morfeu assentiu, afastou os livros e pergaminhos com cuidado. Num deles, leu "Suma Teológica", mas não compreendeu seu significado. Deixou-o e sentou-se direito.
"Por que não revidou agora há pouco?", perguntou Aquinato, indo direto ao ponto central das dúvidas de Morfeu.
"Não fui capaz", respondeu Morfeu sinceramente. Seria cruel demais.
Quando viu a noviça pela primeira vez, Morfeu lembrou-se dos filhotes de lobo que encontrou órfãos na infância. Naquela época, virou as costas como um animal frio, e só retornou para encontrar os corpos dilacerados. O rigor da selva endureceu seu coração, mas a presença da noviça despertou antigas dores e arrependimentos.
Desta vez, decidiu não ser aquele que vira as costas.
"Não consegue? Muitos ultrapassam seus limites dia após dia. Mata-se uma pessoa, logo virá a segunda. Ganha-se uma moeda asteca, logo se quer outra. Dorme-se com uma mulher, logo se busca a próxima." Aquinato, encurvado, erguia levemente o rosto sob a luz trêmula das velas, criando um contraste de luz e sombra que se gravou profundamente na memória de Morfeu. "Hoje não pôde, mas pode garantir que no futuro será diferente?"
"Não sei."
"Pelo menos é honesto", disse Aquinato, pela primeira vez esboçando um sorriso. Em seguida, olhou para a noviça, que respirava mais tranquila, e disse suavemente: "Talvez não deva permanecer em Talentos. Escolha seu próprio caminho. Agora você já sabe o que deve fazer."
"Sim." Morfeu manteve-se reservado, sentado, meio distante.
"E ela… ficará bem?" perguntou, hesitante.
"Deixe comigo." Aquinato acenou. "Quando decidir partir, venha me procurar. Tenho algo para lhe dar."
Morfeu assentiu, levantou-se e, sem jamais se aproximar da noviça que tanto prezava, lançou-lhe apenas um último olhar distante, saudou Aquinato com a reverência de um nobre—lenta e sincera.
Virou-se e partiu, sem hesitação.
O velho ergueu o olhar, firme e resoluto.
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