Capítulo Seis: O Cetro das Sombras
Hoje haverá apenas uma atualização. Ontem bebi demais e hoje acordei com a cabeça ainda latejando...
Murphis observava, surpreso, o número crescente de pessoas ao seu redor. Muitos escravos, sujos da cabeça aos pés, empunhando adagas enferrujadas, juntavam-se ao grupo; em seguida, alguns poucos homens livres sobreviventes também se aproximaram desse exército cada vez mais numeroso. Quando o portão de ferro se abriu, já havia quase cinquenta pessoas reunidas — para uma batalha na arena, era uma multidão considerável.
Ao sair, Murphis não caminhou na dianteira como fizera na primeira vez, preferindo recuar um pouco. Na luta contra o Ciclope, avançara confiante por ter avaliado o adversário ao vê-lo. Agora, sem saber a aparência do inimigo, não ousava baixar a guarda; só pelo modo como organizaram a partida, já podia deduzir a força do adversário.
Mobilizar cinquenta pessoas para enfrentá-lo indicava que não se tratava de um inimigo trivial.
A arena, antes desolada, tornou-se menos vazia com a chegada da multidão. Contudo, o portão de ferro oposto permaneceu fechado. Quando todos começaram a relaxar, o rangido de metal chamou a atenção de todos.
No centro da arena, o solo afundou lentamente, formando uma depressão. Em seguida, ergueu-se dali uma gaiola de ferro quase completamente fechada.
Parecia um caixão quadrado, com rebites de metal e vestígios de óleo de manutenção nos pontos de solda — evidência de que era frequentemente cuidada e vigiada.
O que era aquilo?
Murphis apertou os olhos e recuou mais alguns passos — sentiu um cheiro de perigo, como uma armadilha aparentemente inofensiva na selva.
Talvez dar um passo à frente naquele momento significasse cair no abismo.
Após um silêncio tenso, nada se movia dentro da gaiola. Mas, de repente, do alto da arena, voou um objeto pequeno, caindo do outro lado da multidão.
Era um sino, que tilintou ao tocar o chão, deixando todos intrigados quanto ao significado.
“O único vencedor será quem sobreviver segurando o sino!” anunciou Fabre, o responsável pela arena, vestido com roupas luxuosas, estabelecendo a regra cruel.
Com um estalo, a gaiola no centro da arena se abriu.
No instante seguinte, a criatura que saiu fez todos ficarem perplexos, incapazes de entender o que viam.
Era um gato, com pelagem cinza-escura e listras. O animal era um pet comum, de aparência adorável, olhos negros, orelhas levemente dobradas, parecia um mimo de alguma dama aristocrática, com o rabo erguido e uma postura altiva. O bichano bocejou, olhou para dezenas de humanos robustos à sua frente, que o encaravam como se fossem para a guerra, mas simplesmente se deitou preguiçosamente no chão e cochilou.
O silêncio tomou conta dos nobres que observavam pela janela — o que era aquilo? Uma piada?
Um escravo na extremidade do grupo correu para pegar o sino que Fabre jogara ao chão — sua intenção era clara, e, ao vê-lo, os demais também começaram a correr em direção ao sino.
Logo se iniciou uma briga, com obstáculos pelo caminho.
Evidentemente, para eles, o gato não representava ameaça; o inimigo estava entre os demais, todos focados no sino.
Apenas alguns não se moveram. Murphis, observando a iminente carnificina, sacou sua varinha e espada curta, sem tirar os olhos do gato.
Ele era silencioso demais, não como um felino normal; sua presença e comportamento destoavam completamente — nem leopardos nem tigres da selva ficariam tão tranquilos diante de dezenas de estranhos, quanto mais um simples gato doméstico.
Animais territorialistas costumam ser extremos: ou patrulham incessantemente e atacam invasores, ou permanecem em seu ninho, dormindo, mas, ao perceber alguém se aproximando, desferem um ataque fulminante.
O primeiro, frente a criaturas mais poderosas, recua; o segundo, normalmente, ocupa o topo da cadeia alimentar.
Finalmente, o primeiro que tocou o sino, pressionado por outros que vinham atrás, fez o sino soar.
Por estar apertado na mão, o som não foi claro. Mas, nesse instante, o gato, que tinha o rabo encolhido, abriu os olhos de repente...
Ergueu a cabeça e olhou para aqueles que disputavam o sino, miou duas vezes; seus dentes pequenos eram afiados, os pelos eriçaram levemente, mas ninguém prestou atenção à sua postura.
Alguém começou a matar para tomar o sino.
O cheiro de sangue se espalhou. Em busca de sobrevivência, a face mais vil da humanidade se exibiu diante dos aristocratas de gosto doentio, euforia mórbida tomou conta, mas ninguém percebeu que o gato, irritado pelo barulho, caminhava lentamente em direção à multidão.
Dez metros.
Aquele gato, que nunca chamara muita atenção, estava agora completamente incomodado pelo incessante som do sino.
Abriu a boca, não muito grande, e emitiu um som que não era mais um miado suave.
“Rooooooar—”
O rugido ensurdecedor fez o vidro da arena tremer!
Murphis, atento ao gato desde o início, também se assustou.
O que veio a seguir foi ainda mais inacreditável — o pequeno gato listrado, menor que uma perna humana, saltou. O movimento, que parecia um ataque a um rato, transformou-se em um ataque a humanos devido ao súbito crescimento de seu corpo!
O corpo inchou, brilhou intensamente, e ao cair no chão novamente, suas patas enormes esmagaram dois desafortunados, transformando-os em polpa sanguinolenta!
“Rooooooar—”
Com pelagem negra, corpo de leopardo e sete longas caudas espinhadas, chegava a mais de dez metros! A bocarra cheia de dentes afilados como punhais, numa mordida só, partiu um homem ao meio com um estalo!
Sangue jorrou!
Os que lutavam pelo sino olharam para trás e viram diante de si uma besta aterradora, mais ameaçadora que o próprio Ciclope — a enorme cabeça com traços felinos, de agressividade evidente, olhos profundos e negros, exalando uma aura sombria, junto das sete caudas ósseas de aparência assustadora. Uma criatura infernal, capaz de fazer qualquer um desmaiar de terror!
Com um golpe de suas garras, corpos humanos se rasgavam como papel. O monstro, cuja espécie ninguém sabia nomear, saltou para frente, atravessando vinte metros, esmagando o homem com o sino e outros ao seu redor até virarem carne moída!
As sete caudas, como se tivessem olhos, perfuraram sete peitos em um instante!
E não era só isso — os atingidos pela cauda voaram longe; alguns, mesmo com ferimentos leves, caíram mortos, vomitando sangue segundos depois!
Veneno mortal, agindo em poucos segundos.
A besta, aterradora, avançava como um tigre entre cordeiros, matando sem piedade; em apenas um instante, eliminou mais de quinze pessoas, e dava sinais de que poderia exterminar todos em poucos segundos!
Murphis, desta vez, não podia repetir a ousadia de enfrentar o inimigo como fizera antes — a proporção perfeita do corpo, explosão de força, poder de matar e instintos aguçados faziam daquela criatura muito mais poderosa que o Ciclope!
Se houvesse um grupo de arqueiros com armas de longo alcance, talvez causassem algum dano, mas um bando de escravos armados com facas enferrujadas, de nível IX, jamais conseguiria deter uma criatura que parecia de nível I!
O massacre prosseguia. Murphis, a dezenas de metros, assistia à besta varrer a multidão, espalhando sangue como folhas ao vento, sem reagir.
Alguns tentaram fugir, tornando-se presas ainda mais fáceis. A cada salto, a fera cobria dez metros, aterrissando quase sem som, como uma máquina de matar perfeita!
A besta ergueu a cabeça, encarando Murphis.
Os olhos negros se estreitaram.
Murphis nunca fugiu nem avançou; abaixou levemente a varinha, aspirou o cheiro da besta, fechou os olhos e, devagar, levou a mão às costas.
Era como se não controlasse o próprio corpo, compelido por uma força estranha. Ao agarrar o cetro de Safras, que não tocava havia muito, uma aura terrível se espalhou por todo o recinto.
A besta, que hesitava ao encarar Murphis, recuou alguns passos, abaixou o corpo e curvou a cabeça diante dele.
Até as sete caudas assassinas se abaixaram, como se reverenciassem o único senhor da escuridão.
O cetro, ainda envolto em linho grosseiro, já bastava para fazer a fera que matara vinte pessoas curvar-se como um servo. Os olhos de Murphis brilharam levemente; ele apontou para o chão ensanguentado.
Imediatamente, a besta girou e trotou silenciosamente até o local indicado, encolhendo-se durante o percurso até voltar à forma de gato adorável vista inicialmente. Vasculhou entre os restos mortais, mordeu algo suavemente e, com passos elegantes, voltou para Murphis, soltando o objeto.
O sino caiu suavemente ao chão.
Murphis abaixou-se para pegá-lo, e o gato, surpreendentemente doméstico, roçou suas pernas, miou algumas vezes e sentou-se ao lado, obediente como um animal de estimação junto ao dono.
A arena estava tão silenciosa quanto um túmulo.
Tudo mudara rápido demais; ninguém mais ousava disputar o sino com Murphis. Quando o jovem, pela segunda vez naquele dia, surpreendeu a todos e ergueu o sino para Fabre, no alto da arena, o responsável estava visivelmente desconcertado.
“O Cetro das Sombras... é assim, então?”
Murphis baixou o olhar para o gato dócil, murmurando consigo mesmo uma pergunta que ninguém mais ouviu.