Capítulo Quarenta e Sete: O Primeiro Passo em Direção à Verdade
Hoje teremos apenas uma atualização, pois preciso ir à escola para tratar da minha monografia de graduação. Peço a compreensão de todos. Peço também que nos acompanhem na plataforma de discussões e, caso alguém precise de um retorno de seguidores, basta comentar sob o meu desabafo. Agradeço sinceramente pelo apoio de todos!
Dentro de algum tempo, talvez seja lançado um sistema para avaliação de livros; espero contar com a atenção de vocês.
Para a nobreza de Constantinopla, tudo o que ocorreu na noite passada foi uma notícia de proporções explosivas. Nem mesmo o Duque de Akar havia previsto tal desdobramento. Não apenas por causa de Freud, esse mago supremo dotado do título de Grão-Mestre do Santuário, ter aparecido pessoalmente, mas principalmente porque, antes disso, o Duque de Aizara chegou a trocar algumas palavras com Morpheus, aquele jovem.
Normalmente, quem conseguia arrancar uma fala do Duque de Aizara acabava, semanas depois, sendo levado pelo Departamento de Julgamentos do Império, ou então encontrava a morte por “suicídio” em sua própria residência. Na verdade, essa duquesa de beleza lendária era conhecida popularmente por um apelido nada lisonjeiro — “A Viúva Negra”.
O Duque de Akar não sabia que expressão deveria usar diante de tudo o que acontecera. Desde o amanhecer, o desempenho de seu filho na noite anterior provavelmente já havia sido relatado ao imperador, em um pergaminho caligrafado. Quanto às consequências disso — ninguém sabia dizer.
O duque permanecia como de costume, em silêncio na varanda de seu quarto, observando ao longe a figura que treinava com uma lança de cavalaria, as mãos às costas, sem dizer palavra.
Para Morpheus, a vida seguia sem grandes sobressaltos.
Desde o último contato aparentemente casual de Della com o sinete mágico, Morpheus vinha sentindo uma transformação difícil de descrever. No início, era apenas um calor repentino no corpo, como se o coração estivesse sendo tostado por chamas; desconfortável, mas que durava apenas alguns segundos, surgindo quase sempre quando chegava ao limite em seus treinos de equitação ou esgrima, desaparecendo logo em seguida.
Durante os banhos nas termas da propriedade, Morpheus costumava se perder em pensamentos fitando o sinete mágico em sua pele. Porém, após os treinamentos matinais, rapidamente esquecia as dúvidas que se enterravam no fundo de sua mente, mergulhando nos estudos de desenhos de círculos mágicos.
A varinha presenteada por Freud repousava silenciosa sobre a escrivaninha de Morpheus, símbolo de uma identidade reconhecida: apenas magos aprovados pelo conselho da guilda têm o direito de portar varinhas ou cajados. Aquela varinha, portanto, significava que Freud usara de seu próprio poder para impor a Morpheus um status que não lhe pertencia — o título de “Mago”.
Mas o mais insólito ainda estava por vir: ele estava prestes a ingressar na Academia de Cavaleiros de Cósio, do Império.
Não era uma boa notícia, Morpheus sabia disso. Assim como quando herdara o título de herdeiro do ducado, destacava-se demais, tornando-se alvo fácil. Era uma lei natural da selva: “A árvore que mais sobressai é a que primeiro será derrubada pelo vento.” E mesmo sem desejar chamar atenção, Morpheus era constantemente elevado por forças externas, sendo obrigado a enfrentar riscos e crises que não corresponderiam à sua idade ou poder.
Medo?
Morpheus sacudiu, um tanto exausto, a mão dormente de tanto usar a pena. Olhou para cima, encarando o aviso em sua frente: “Se deseja dominar a eternidade, deve controlar o presente.” Esticou o corpo e voltou a se concentrar no desenho do “Diagrama Serpentino de Nagini”, de nível iniciante para magos.
Ele não temia nada.
A carta de admissão da Academia de Cavaleiros de Cósio foi entregue a Morpheus pelo velho mordomo na tarde seguinte ao jantar. O pergaminho, além da assinatura do próprio diretor, trazia os autógrafos de alguns figurões do exército. Ficava claro que o velho duque usara poderes que há muito não empregava para garantir o ingresso do filho. Morpheus seria alocado na companhia mais promissora da academia, o famoso “Sétimo Esquadrão”, apelidado de “Fábrica de Monstros”.
O nome poderia parecer exagerado, mas ao conhecer os que de lá saíram, ninguém duvidava da fama do esquadrão.
Contudo, como os alunos estavam em treinamento de campo, Morpheus só poderia entrar na academia após o fim daquele final de semana.
Virando a folha do “Summa Theologica” de Aquino que deveria estudar naquele dia, Morpheus anotou suas dúvidas ao lado, em pergaminho, pensou um pouco e então levantou-se, saindo em direção à torre próxima à Academia de Talents.
A criada ajudou Morpheus a vestir um manto cinza e preto, prendeu à cintura a adaga de aço mágico de Nápoles, e, depois de pensar um instante, Morpheus também pegou a varinha sobre a mesa antes de sair.
Guevara assumiu o papel de cocheiro, e a carruagem, sem o brasão do lírio púrpura, partiu rapidamente, desaparecendo entre as ruas da nobre área de Nobe.
De longe, no alto da torre da mansão do Conde de Auschwitz, aquele conde sempre tão sisudo observava a carruagem se afastar, com um leve sorriso enigmático no rosto.
“Nem todos podem trilhar esse caminho.”
A adaga em sua cintura já não via ação há tempos. O poder daquele conde era tão grande que até o Duque de Windesol o respeitava, mas ultimamente os dois mal se comunicavam, assim como o conde não comparecera ao banquete recentemente. Havia algo de não dito e difícil de compreender nesse distanciamento.
Por trás de máscaras de cordialidade, muitas vezes se escondem intenções assassinas. Ao mesmo tempo, rivais declarados podem ser aliados nas sombras: assim eram os nobres de Constantinopla, uma sociedade sempre mascarada, cujas verdadeiras intenções permanecem ocultas.
“A ignorância e a confusão são sempre os maiores obstáculos para a nossa busca da eternidade.”
Ao se aproximar da torre, Morpheus ouviu a voz de sua mentora, Della. Parou por um momento, curvou-se em saudação. Como nobre, talvez fosse o primeiro a portar ao mesmo tempo uma varinha e uma adaga na cintura. Contudo, ao ver a varinha de ébano escuro pendendo dele, a severa mestra mal dignou o objeto com um olhar, dizendo suavemente:
“Muitas vezes, parece que nos esforçamos mais do que os outros, mas não obtemos os resultados esperados. Isso acontece porque, no fundo, não sabemos realmente o que estamos fazendo.”
Morpheus ficou parado, o olhar fixo no chão aos pés da mentora. O manto negro caía pesado, exalando um aroma sutil, nem inebriante, nem desagradável. O assoalho de madeira azulada era liso e sem brilho, como uma noite profunda.
“E então, você sabe qual é seu objetivo agora?”
A pergunta de Della fez Morpheus levantar ligeiramente a cabeça. Ele pensou por um instante, então, com a mão direita, desembainhou a adaga de aço mágico de Nápoles, e com a esquerda, sacou a varinha de ébano, segurando ambos firmemente.
“Gosto de alunos ambiciosos”, Della sorriu de leve, “mas prefiro ainda mais os que não têm medo da morte.”
Morpheus ergueu os olhos para o rosto da mentora, que já não parecia tão frio, e sorriu.
“Talvez eu seja um aluno que lhe agrade.”
Della não respondeu. Apenas ergueu a palma da mão, e diante de Morpheus surgiu, de repente, uma esfera brilhante, flutuando suavemente diante dele.
“Erga sua varinha. Já que escolheu este caminho, não há mais retorno.”
Ao levantar-se, Della fez com que o ambiente inteiro parecesse parar. O manto negro ondulou, e, mesmo sem vento, correntes de ar começaram a girar dentro da torre, não com a fúria de uma tempestade, mas apenas o suficiente para fazer os pergaminhos virarem levemente.
Morpheus ergueu a varinha, olhou para o teto opressor e pesado, como se buscasse em sua memória algo perdido, então apertou os lábios e, resoluto, estendeu a varinha, tocando suavemente a esfera luminosa.
No instante seguinte, uma escuridão total caiu sobre seus olhos.
Dor lancinante.
Uma dor tão intensa que não permitia nem gritar, espalhou-se por todo o corpo num instante. Morpheus arregalou a boca, mas nem um lamento foi capaz de emitir. Diante de seus olhos, da escuridão do vazio, começaram a piscar imagens, cores indescritivelmente vivas, até que se viu cercado por uma profusão de luzes mais esplendorosas que o céu estrelado.
“O poder do mago nasce da vontade. Uma vontade forte é o fundamento para controlar os elementos.”
A voz de Della ecoava ao redor. Morpheus não sabia em que estado se encontrava. Não fazia ideia de que experiência deveria ter um mago comum ao cruzar este limiar. Na verdade, crianças como Crivina, desprovidas de dom mágico, jamais conseguiriam, por mais que meditassem ou se esforçassem, formar em sua mente a característica fundamental dos magos — os “fios cristalinos”.
Esses são núcleos de energia no cérebro, a base essencial para manipular elementos.
Existem duas formas de formar fios cristalinos: por condensação natural, comum a quem nasce com dom, ou por condensação forçada, que exige a ajuda direta de um mestre lendário, e é algo raríssimo. Morpheus, naquele instante, vivia esse processo único de condensação forçada.
A dor o fazia sentir o corpo estremecer, mas em sua mente, algo começava a germinar como uma semente.
A sensação estranha vinha da varinha, que parecia conduzir uma energia elétrica do orbe para dentro de si. Sua mão já não sentia nada, mas, por reflexo, apertava ainda mais o objeto.
Após quase uma hora de sofrimento, o orbe desapareceu. Morpheus estava encharcado de suor, tombou exausto ao chão, ainda segurando firme a adaga e a varinha.
Respirava ofegante, olhos cerrados, deitado de costas no chão, enquanto sob o manto negro e cinza de nobre algum brilho pulsava suavemente.
“A ignorância não é inocência, é um crime.”
A voz fria de Della ecoou pela torre. A partir desse momento, Morpheus ingressava de fato na ordem dos magos, cruzando o alto umbral e dando seu primeiro passo trôpego em direção à verdade.