Capítulo Setenta e Seis – Que Tipo de Pessoa?
O tumulto finalmente abre o pano, e após um início tranquilo, a narrativa se prepara para adentrar o segundo volume. Na próxima semana, durante a recomendação dos ventos, tudo será revelado. No dia 12 tenho minha defesa, e essa alma infeliz ainda não começou a escrever a tese — peço que tolerem a fraqueza nas atualizações recentes; após a defesa, tudo será resolvido.
As brincadeiras do destino costumam ser mais cruéis do que qualquer outra coisa — quando Ashkandi, aos poucos, retorna à consciência após a asfixia e começa a recuperar seus ferimentos a uma velocidade assombrosa, o aura que emana dessa figura imperial seria capaz de assustar até o velho duque.
Ashkandi ergue-se, semicerrando os olhos, e contempla suas mãos longas e delicadas. Em seu rosto perfeito, surge uma fúria sutil, imperceptível ao olhar comum — evidentemente, aquela dor além dos limites irritou profundamente essa rainha das trevas. "Detesto essa sensação, assim como detesto aquele William, que empunha o cetro e dita ordens sobre toda a Ordem das Trevas. Quanto a ti... minha paciência acabou aqui."
Ainda sem compreender plenamente o significado do círculo mágico, Ashkandi endireita-se lentamente. No súbito retorno do estado de quase morte, ela não percebe as mudanças em seu próprio corpo; parecia que aquele sono profundo entorpecera seus sentidos.
Com um passo, Ashkandi, mais alta que Morfeu, avança como se atravessasse o véu da realidade, surgindo instantaneamente diante dele. Morfeu, incapaz de escapar, assiste em desespero enquanto as mãos dela, unidas, descem velozmente em direção à sua cabeça.
Nível de cavaleiro maior? Diante de Ashkandi, isso não é nada.
Mas no instante seguinte, a rainha das trevas fica atônita.
Um som metálico ressoa.
A dez centímetros da cabeça de Morfeu, uma tênue luz dourada cria uma barreira que bloqueia o golpe, capaz de cortar aço com facilidade.
Era como se a lendária lança de Longino tivesse atingido o escudo imortal de Roshan; a explosão de energia quase faz desabar a caverna, e grandes pedras caem do teto, evidenciando o risco iminente de colapso.
No centro da fúria, Morfeu permanece ileso — nem os cabelos se movem. Em um instante, ele compreende: Ashkandi não pode feri-lo.
Um pacto?
Morfeu ergue a mão e, sob o olhar de Ashkandi, ataca seu ventre exposto. Ela, desprezando qualquer tentativa de esquiva, percebe que o ataque também é bloqueado pela barreira dourada.
"Maldição."
Neste momento, Ashkandi, incrédula diante dos fatos, reergue a mão, determinada e confiante...
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O duque de Windesor não era clérigo, mas recebera o batismo da Igreja — tradição obrigatória entre os nobres do Império Bizantino. Por isso, era sensível ao aura sagrado, como convém a um mestre da espada.
O emissário da família Niel, à sua frente, cai ao chão em agonia, o corpo murchando e apodrecendo em um instante — um evento nada usual. Embora o duque Akal não tenha presenciado execuções de vampiros pelo tribunal, já lidou com vampiros antes, e o aura sagrado que emana sob seus pés supera em muito qualquer sensação diante da túnica de São Pedro ou outros relicários em sua casa.
Nunca visto, além de toda imaginação.
O duque abaixa o olhar para Jos Niel: o poderoso conde vampiro foi morto de imediato por um raio de luz sagrada invisível!
Morte total, não um sono; sob a roupa nobre, resta apenas um punhado de cinzas, junto com o orgulho e a glória sombria que desaparecem por completo.
Com os olhos semicerrados, o duque permanece imóvel. Após um breve silêncio, faz sinal ao velho mordomo para limpar o local e, ao dar o primeiro passo, sente uma forte vibração sob seus pés.
O lustre do palácio balança suavemente.
Akal pára, olha pela janela e sente um presságio sombrio.
"Morfeu, onde está?"
Pergunta ao velho Pafa, mas antes que o mordomo responda, uma explosão grave interrompe a conversa.
Lá fora, a área das ruínas raramente visitada explode em uma nuvem de fumaça que cobre o castelo quase por completo!
Sem hesitar, o velho duque desaparece, deixando apenas um traço, como um meteoro, voando com força inigualável.
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Morfeu ergue o olhar; o teto escuro explode em direção ao céu, e a luz dourada invade de repente.
À sua frente, Ashkandi permanece imóvel, sem expressão, seminu, com olhos vermelhos fitando o jovem, sem saber se deveria se surpreender ou se irritar.
O ataque furioso é barrado pelo escudo dourado que sempre protege Morfeu, e a onda de choque destrói a sala secreta. A rainha aterradora, que ascendia nos domínios das trevas, fecha os olhos suavemente sob a luz dourada, e ao reabri-los, sua aura parece mudar repentinamente. Agora, com olhos negros, Ashkandi estende a mão para Morfeu, com uma atitude quase completamente oposta, e diz com inocente gentileza: "Ashkandi Misrei, pequeno, parece que selamos algum tipo de pacto."
Morfeu não responde, recua um passo, limpa a poeira do corpo, e apesar da surpresa pela mudança súbita, não a demonstra. Olha para baixo e vê o círculo mágico destruído, e percebe que o sarcófago de Ashkandi foi lançado do penhasco pela explosão.
Recorda os indícios deixados no salão de Ezur — "Toda verdade está sob teus pés."
Ao que parece, a verdade buscada pelo chefe da família era exatamente essa Ashkandi, que há pouco exibia brutalidade e agora se mostra amigável.
Com rosto de anjo e corpo de demônio, Ashkandi não demonstra irritação pela indiferença de Morfeu; ao contrário, parece curiosa com aquele que a obrigou a dar um passeio pelo limiar da morte, sem exibir o terror registrado em "O Palhaço das Sombras". Claramente, essa figura de súbita metamorfose já é vista por Morfeu como uma criatura marcada com "perigo" no rosto, e por mais amistosa que se mostre, ele não irá confiar tão cedo.
Ambos permanecem em silêncio por minutos.
"Hoje é 13 de outubro de 1432, sábado, segundo o calendário de Ross."
Finalmente, Morfeu rompe o silêncio, respondendo à primeira pergunta de Ashkandi.
Ashkandi, que esteve no sarcófago por tempo incalculável, hesita, recorda e sorri: "Obrigada."
Em seguida, ela contempla a luz do sol e faz um elegante espreguiçar.
A poeira ainda não assentou, e o raio de luz cobre a bela morena, cuja roupa rasgada e corpo de deusa bastariam para exigir confissão de qualquer devoto, exceto talvez o próprio Morfeu.
Para ele, Ashkandi não difere de uma besta selvagem pronta para atacar.
"Depois de tanto esforço para escapar do confinamento, entro em outro? Não me diga que foi o príncipe William que te enviou."
Ashkandi suspira, como se falasse consigo mesma, e com elegância rasga a manga de sua roupa, já apodrecida, incapaz de esconder as curvas, embora ela pareça alheia a isso. Ela apenas observa o símbolo que surge em seu braço direito, fazendo um gesto encantador, com uma expressão de inocência e tentação proibida.
Ao ver o gesto de Ashkandi, Morfeu olha para o próprio antebraço e percebe um símbolo obscuro: um triângulo sagrado invertido, com uma maçã formada por linhas simples, e caracteres em antigo hebraico: "Pacto."
Suspira, observa Ashkandi com suas roupas rasgadas, e permanece em silêncio.
"Será redenção?... O julgamento foi implacável."
No braço de Ashkandi também aparece o símbolo; sem dúvida, é a marca do pacto, indicando que ambos selaram o acordo. Ashkandi, porém, parece apenas lamentar, sem se importar com as consequências.
Ninguém sabe que essa mulher esguia é uma louca com gostos similares ao de Ezur Windesor — mestra de múltiplas profissões, para ela, a longevidade não tem fim. Agora, aparentando uma jovem nobre, não exibe o ar de uma poderosa, mas sim uma fragilidade delicada.
Sem lamentar, sem ressentimento, o resultado do ataque total deixou claro que ela enfrenta um feitiço de nível inimaginável. Com relação ao selo, ela possui paciência sem limites, mas ao pacto, não há como resistir.
Assim como Morfeu só podia confiar no pergaminho ao enfrentá-la, Ashkandi, ao atacar o pacto, nada consegue, e ambos acabam por aceitar o destino.
A única diferença: o pergaminho de Morfeu funcionou, o ataque de Ashkandi não.
Talvez por consciência, ou pelos civis curiosos que se aproximam, ao ouvir o burburinho, Morfeu reflete e, inesperadamente, tira o próprio casaco e o entrega à Ashkandi, cujas roupas não cobrem mais nada — e esse gesto desajeitado parece divertir a bela morena, que, após mais de três séculos no sarcófago, inclina levemente a cabeça, mostrando uma expressão de pureza absoluta.
"Não vais te apresentar?"
A pergunta faz Morfeu erguer o olhar. Sua ação não é por zelo, mas para evitar que aquela figura perigosa cause alarde imediato; qualquer um pode prever o impacto que sua presença teria. Apesar de sua pouca astúcia política, Morfeu finalmente faz algo sensato, mas a reação da outra o deixa desconcertado — quem, afinal, é ela?