Capítulo Sessenta e Seis: A Espada Preciosa, Jamais Envelhecida
Primeira vigília, espero que haja mais votos favoráveis.
Morfeu, com o rosto impassível, estendeu a mão e puxou Lilith, que parecia uma figura ensanguentada, sem sequer lançar-lhe um olhar demorado; em seguida, virou-se e arrancou do crânio do lobisomem a adaga mágica. A ponta do bastão de madeira de fênix emitia um brilho suave, iluminando o rosto já sem vida da criatura.
Aquele corpo antes robusto e sufocante agora havia se transformado em um homem de meia-idade completamente nu, com uma ferida horrenda no abdômen e órbitas oculares despedaçadas.
Morfeu já tinha algum conhecimento sobre lobisomens graças à “História da Linhagem de Marcus”. Sabia que essas aterradoras criaturas, servas assassinas da linhagem sanguínea, não deveriam aparecer nos arredores da capital. Embora ignorasse como se estruturavam em classes, estava certo de que, se o lobisomem não estivesse preso na fenda de pedra, jamais teria sido tão fácil derrotá-lo.
Mas parece que a deusa da sorte e a deusa da desgraça sempre chegam juntas. Sem tempo para pensar, Morfeu, com sua percepção aguçada, ergueu abruptamente a espada curta!
Lilith, ainda atordoada e assombrada pelo que vira, ficou momentaneamente paralisada ao ver o movimento de Morfeu, só percebendo o estrondo devastador que se aproximava quando já era tarde demais!
Sem hesitar, Morfeu, de maneira surpreendente, girou o corpo e desferiu um chute em Lilith — ela, pega de surpresa, foi lançada novamente, caindo diretamente na mesma fenda de onde acabara de sair.
Quanto ao número de vezes que Morfeu já havia lançado Lilith pelos ares, provavelmente nenhum dos dois tinha ânimo para contar.
Quando se virou apressado, já era tarde para se defender. Diante de Morfeu, as árvores se romperam num estrondo; uma enorme figura cinzenta irrompeu da noite, bloqueando a visão, com olhos cheios de ira fixos no jovem de espada em punho. O braço longo voou num golpe, acompanhado de um som quase como um trovão!
Morfeu nem pensou em bloquear; deu um salto mortal para trás, as garras do lobisomem rasparam sua armadura de couro, arrancando fragmentos. Com ambos os braços apoiados no solo, impulsionou-se com tal força explosiva que saltou ao ar, apoiando-se numa árvore antiga. Seu corpo se contraiu como uma mola, preparando-se para uma explosão aterradora!
A árvore, tão grossa que quatro pessoas seriam necessárias para abraçá-la, tremeu e perdeu incontáveis folhas sob o impacto de Morfeu. Em comparação com o lobisomem, cujo corpo era várias vezes maior, Morfeu estava em absoluta desvantagem; só um ataque relâmpago poderia funcionar. Esse ato quase suicida fez Lilith, observando de longe através das fendas, cobrir a boca em choque.
Aos seus olhos, Morfeu era como um cordeiro diante do lobo.
O lobisomem, porém, jamais imaginou que sua presa reagisse assim. A enorme inércia não permitiu que parasse, e ele viu, impotente, o brilho da espada mágica penetrando em seu abdômen. Morfeu, com todo o corpo, cravou a lâmina como um martelo, enfrentando a imensa resistência, mas sem hesitar, perfurou o corpo robusto do monstro!
O som de carne perfurada ecoou.
A espada atravessou o abdomen; Morfeu praticamente se lançou nos braços do lobisomem, sacou a adaga e, sem demora, atacou a garganta do grande lobo!
Mas toda ação foi interrompida pela garra de aço que se interpôs acima; num instante, Morfeu sentiu o mundo girar, seguido por uma dor lancinante nas costas e um estrondo ensurdecedor.
Naquele momento, aos quinze anos, Morfeu sentiu na pele a fúria do adversário. Apenas ao ser agarrado por uma perna e lançado para longe, a força do lobisomem foi suficiente para fazer o corpo de Morfeu, depois de partir uma árvore pequena, permanecer suspenso por mais três ou quatro metros antes de cair. O impacto abalou seus órgãos internos, fazendo-o cuspir sangue. Lutando por sua vida, desviou do próximo ataque que o lobisomem, num salto, já preparava sobre sua cabeça. Contudo, não havia escapatória: foi novamente lançado pelas garras, rolando por mais de dez metros até parar.
Morfeu sentia-se como um saco de pancadas, o corpo já insubmisso pela violência dos golpes. A espada curta de aço mágico de Nápoles permanecia cravada no abdômen do monstro, mas, dado o tamanho colossal do lobisomem, o ferimento não era fatal. Prostrado no chão, parecia incapaz de mover-se, sem forças para resistir ao golpe mortal que o lobisomem preparava.
De repente, Lilith, do fundo da fenda, surgiu, não se sabe de onde apanhou uma pedra e, com força, acertou a nuca do lobisomem — a força de um cavaleiro protetor de alto nível não era brincadeira, mas tal ataque estava longe de ser letal. O lobisomem, ferido, virou-se furioso, mas sua inteligência parecia diminuir à medida que sua força aumentava, e por um instante não sabia qual deles atacar primeiro.
Diante do lobisomem gigantesco, Lilith nem sabia por que se expôs àquele perigo, tentando chamar atenção de modo tão desajeitado. Só havia uma ideia em sua mente: se não o fizesse, aquele sujeito odioso morreria com certeza!
Não havia cálculo de interesses nobres; ela não hesitou em erguer-se e enfrentar, como se encarasse a própria morte, um lobisomem com força equivalente a um grande cavaleiro. Mas, como herdeira de Longinus, não poderia ser covarde. Na “Breve História de Bizâncio”, entre os membros da família Longinus, mais de dezessete chefes tombaram no campo de batalha, todos heróis do Império. Lilith, mulher de temperamento forte, estava, naquele momento, à altura de seu sobrenome.
Sem esperar pela decisão do lobisomem, Morfeu, que parecia desacordado, saltou do chão; com a perna esquerda já fraturada, impulsionou-se apenas com a direita, pulando sobre o lobisomem de costas, agarrando firmemente seu pescoço. O bastão ergueu-se, emitindo um brilho tão intenso quanto a luz do dia!
Era quase toda a energia cristalina que Morfeu podia mobilizar!
A luz forte fez o lobisomem gritar de dor e instintivamente cobrir os olhos, dando a Morfeu um segundo precioso — tempo suficiente para não ser agarrado e lançado.
Nesse instante, a adaga mágica oferecida pela família Blair, em Paddington, penetrou pela lateral do pescoço do lobisomem! Os músculos robustos, diante do conhecimento anatômico de Morfeu, não ofereceram resistência. A lâmina entrou sem demora, e Morfeu ativou a magia armazenada na arma!
Um brilho azul-gélido percorreu o cabo, flores brancas de gelo se espalharam rapidamente pela ferida. O lobisomem, percebendo o perigo, tentou agarrar Morfeu nas costas, mas ele já havia saltado para longe.
O lobisomem, então, foi consumido pelo poder do gelo; três segundos depois, com a cabeça completamente congelada, tombou, levantando uma nuvem de poeira.
Morfeu, que parecia corajoso, vomitou sangue novamente, apoiando-se com o bastão duro, cambaleando até o lado do lobisomem. No momento em que seu corpo caiu, esmagou a cabeça congelada do monstro com o cotovelo, finalmente respirando aliviado, fechando os olhos e desmaiando.
Do começo ao fim, ele não olhou para Lilith, nem uma vez.
...
Naquela noite, Lilith, com o rosto sujo de sangue, carregou Morfeu nas costas, silenciosa e determinada, o olhar complexo e cuidadoso. Quando a Ordem dos Cavaleiros do Templo encontrou os dois, mal conseguiram identificar que eram filhos do Príncipe Hades, cavaleiro da Távola Redonda, e do Duque Akal, mestre da espada. Em uma única noite, a ordem perdeu trinta cavaleiros, enfrentando cinquenta e dois lobisomens que surgiram em um ataque repentino. Ao confirmar a identidade dos dois jovens sobreviventes, respiraram aliviados por não terem enfrentado um perigo ainda maior, podendo cumprir sua missão final.
Ao amanhecer, os quatro batalhões da Academia de Cavalaria Constantinopla, que estavam em exercício externo, retornaram em massa, quebrando um arranjo de ensino mantido por quase treze anos.
A escolta dos estudantes foi feita pela poderosa Ordem Imperial do Templo, sob ordens do pai de Lilith — Príncipe Hades, comandante do exército e detentor da autoridade direta sobre a ordem.
Naquela tarde, diante dos portões da Academia de Cavalaria Constantinopla, onde nunca se viam carruagens estacionadas, pararam dois veículos representando a mais alta nobreza militar do Império: um, o duplo-tesouro vermelho escuro da casa do príncipe; outro, o íris púrpura da família Windesol.
Após a escolta dos alunos, os veículos seguiram caminhos diferentes. O ambiente outonal era de uma severidade incomum.
Naquele dia, o Duque Windesol permaneceu longamente diante da “Parede da Glória”, coberta de medalhas conquistadas por gerações da família, encarando mais de mil insígnias que pareciam abranger todas as honrarias militares de Bizâncio. Voltou-se, colocando suavemente uma espada curta de padrão bizantino na cintura.
Naquele dia, o Príncipe Hades, sempre vestido de negro, pessoalmente foi buscar sua filha, que não falava com ele há treze anos, e a levou de carruagem para o palácio do duque. O príncipe, reservado em sentimentos, ao ver a filha coberta de sangue e silenciosa, não disse palavra alguma, mas colocou suavemente uma lâmina igual à de Morfeu em sua bainha.
Naquele dia, ambos os pais, com seus gestos, mostraram silenciosamente à nobreza imperial aparentemente apática: o fio da espada jamais envelhece.
...................................
Desde que o Patriarca de Bizâncio anunciou sua mensagem, a tranquila superfície do Império foi como um lago onde se atirou uma pedra; não houve tempestade, mas pequenas ondas se formaram.
A primeira delas foi a ação do Tribunal da Inquisição, aquela edificação sempre oculta nas sombras, irrompendo de modo quase esquecido pelo mundo, desencadeando uma tempestade sangrenta no submundo com força fulminante.
A guerra invisível estava em curso; não havia infantaria ou cavalaria saindo para batalhas abertas, mas as correntes subterrâneas eram tão perigosas quanto o combate direto. Em apenas três dias, segundo registros não oficiais de “Credo” e “Olho de Águia”, mais de cem inquisidores foram perdidos, enquanto os seres das trevas eliminados superaram mil, incluindo não apenas lobisomens, mas muitos outros declarados “hereges” que pensavam estar fora de perigo.
Num piscar de olhos, toda a sujeira nos arredores de Constantinopla foi erradicada.
O Duque Windesol, após levar Morfeu inconsciente e ferido para o palácio, foi sozinho ao Palácio Imperial de Constantinopla. Ao retornar, enviou pessoalmente uma carta à Academia de Cavalaria Constantinopla, informando que Morfeu, gravemente ferido, deveria repousar e suspender os estudos.
Na verdade, porém, os ferimentos de Morfeu não eram graves a ponto de mantê-lo acamado.