Capítulo Vinte e Cinco: Mentor, Tenho uma Pergunta

Cetro Negro Asa da Morte Nassarion 3664 palavras 2026-02-07 18:49:59

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“Clac!”

A adaga saiu da bainha, seu rastro no ar partiu uma após outra as barreiras elementares, a lâmina zumbia, parando bruscamente diante do pescoço de Daela.

“E como você pretende provar que pode me conceder poder?”

Morpheus parecia já ter tudo planejado ao apontar a adaga para a mulher à sua frente. Apesar de sua juventude, com altura apenas meio palmo acima de Daela sentada, a lâmina em sua mão reluzia com destemida ferocidade, o brilho afiado dos olhos sem um pingo de vergonha.

Pessoas excepcionais agem de forma excepcional; Morpheus compreendia bem que, se fosse medíocre e submisso, seria melhor desistir.

A adaga de Dom Quixote partiu diversas barreiras invisíveis, mas apenas a última resistiu ao fio da lâmina. Daela, contudo, sorriu de repente, mesmo com a adaga a apenas dez centímetros de sua garganta.

Aquela professora de expressão sempre rígida e severa parecia há muito não sorrir para ninguém; primeiro reprimiu o canto dos lábios, depois soltou uma gargalhada alta—

“Interessante.”

A expressão de Daela recolheu-se quase instantaneamente, como se o sol intenso fosse coberto subitamente por nuvens escuras.

“Poder? Já faz muito tempo que ninguém duvida da minha força.”

Como um compasso musical seguido de uma melodia violenta, Daela levantou-se de súbito, avançando contra a adaga de Morpheus— este, naquele instante, pareceu atingido por uma força invisível, sendo lançado sem resistência contra a parede, chocando-se pesadamente na enorme estante!

“Tum!”

A pressão sufocante desapareceu de repente. Morpheus despencou, caindo de uma altura de quatro ou cinco metros sobre o chão de pedra escura; o impacto fez a estante de sete ou oito metros de altura balançar perigosamente, e dezenas de livros despencaram, caindo pesadamente sobre seu corpo indefeso!

O rosto de Daela mantinha-se impassível, mas seus olhos brilhavam de maneira indescritível— não havia raiva, mas sim excitação.

Uma excitação doentia.

“Os elementos em minhas mãos são mais poderosos que a sua espada.”

Com esforço, Morpheus empurrou para o lado quase uma centena de tomos imensos, emergindo da pilha de livros pesados como blocos de pedra de muralha, e murmurou, com voz fraca, mas surpreendentemente firme: “Mestra…”

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Guevara não se tornou o guarda-costas pessoal, continuando a permanecer em silêncio nas sombras, protegendo o último herdeiro da família Windsor.

No entanto, ao ver Morpheus sair da torre, o sempre sério espadachim não pôde evitar um sobressalto— pois o jovem patrão parecia uma múmia: além do rosto, até o pescoço estava envolto em ataduras, mancava como se tivesse sido espancado por três dias e três noites.

Guevara, prestes a sair das sombras, viu o gesto discreto de Morpheus e, com sua perspicácia, conteve-se, apenas acompanhando vigilante sem dizer palavra.

Morpheus esboçou um sorriso torto; para qualquer outro, aquela experiência de ser soterrado teria sido fatal— os tomos caídos do alto não eram meros rolos de pergaminho, e ele tinha certeza de que o primeiro dever imposto pela fria mestra não seria fácil: devolver todos os livros dispersos ao lugar, algo que parecia simples, mas cujo peso equivalia a blocos de chumbo! Tentando devolver os livros ao lugar, Morpheus quebrou a escada de madeira, tendo de escalar a estante diretamente. Ela, feita de material sólido, não balançou um milímetro, e só após um dia inteiro de trabalho ele conseguiu terminar a tarefa—

Quando Morpheus derrubou a estante, quase uma centena de livros despencaram: o poder daquela mestra de magia era evidente.

Mas agora, sem ressentimento algum, ele sentia, pelo contrário, uma excitação crescente.

Não era o entusiasmo do duelo entre iguais, mas o deslumbramento de vislumbrar uma paisagem infinita quando tudo parecia perdido— mesmo que o caminho até lá fosse de sofrimento infernal. Para Morpheus, se ao fim dessa estrada pudesse alcançar seu objetivo, jamais hesitaria.

A dor era temporária, e, sendo menor que a morte, Morpheus não abandonaria a si mesmo por nada.

...

Morpheus só voltou ao campus três dias depois. Faltou às aulas oficiais, não porque precisasse repousar no dormitório— para ele, os ferimentos superficiais eram irrelevantes, mas sim porque a excêntrica mestra, ao tornar-se sua tutora, lhe impôs um desafio.

Em três dias, deveria ler toda a “Teoria Elementar Básica”.

“Ler tudo” parecia uma tarefa simples, mas Morpheus sabia que não bastava folhear o tomo apressadamente. Naqueles três dias, dormiu apenas seis horas no total; o restante do tempo, até durante as refeições e nos intervalos, dedicou-se à leitura desse livro básico, mas para ele, árido e complexo.

Nesse período, visitou algumas vezes o Observatório de Astrologia; Crivey, já exasperado com a insistência daquele jovem sem noção, percebeu que as dúvidas que ele trazia tornavam-se cada vez mais específicas e profundas.

O hábito do sono leve, desenvolvido na selva, tornou-se sua chave para a eficiência nos estudos; ao sair do dormitório após três dias, Morpheus parecia um selvagem.

Cabelos ensebados e emaranhados, roupas com leve odor azedo de suor— disfarçado, porém, com perfume típico dos nobres. Arrumou-se como pôde, assumindo o último resquício de dignidade nobre, e, com o grosso tomo em mãos, dirigiu-se à aula de magia.

O sinal da aula ainda não soara quando Morpheus, com aparência desleixada, se aproximou da sala. De repente, sentiu os olhares de todos à sua volta.

Acostumado a ser invisível, pela primeira vez Morpheus era alvo de atenção. Não sentiu orgulho ou glória; pelo instinto, percebeu as emoções ocultas naqueles olhares— piedade?

Lançou um olhar confuso ao redor; os colegas desviaram o olhar constrangidos, como se temessem algo, voltando-se para suas tarefas em silêncio, com expressões rígidas, ou, tentando disfarçar, murmurando futilidades.

Morpheus, sem tempo para se preocupar, viu Daela aparecer pontual à porta da sala, expressão ainda fria, sem distinção ao cruzar o olhar com ele.

“Aula.”

Sem palavras desnecessárias, a maga parecia ter esquecido o exame anterior, não mencionando sequer as provas, aliviando o clima da sala— exceto para Morpheus, que, envolto em aromas estranhos, mantinha o rosto mergulhado na “Teoria Elementar Básica”, como se a aula do professor não lhe interessasse.

Aqueles que antes o olhavam com piedade agora exibiam um toque de escárnio, mas Morpheus, focado, escolheu ignorar tudo. Quando entrava nesse estado, nada externo o afetava; não sabia ao certo o que isso significava, mas aquela “habilidade inata” era, como seu sono leve, um dom que todo mago deseja possuir!

Infelizmente, tal hábito só se desenvolve na infância, e sob condições quase inimagináveis— que aspirante a mago, aos oito anos, viveria sob risco de vida, em vez de estudar na academia?

Daela observou Morpheus, absorto. Não tentou testá-lo; durante a aula, circulou pela sala, ignorando o aluno que jamais levantava a cabeça. Só ao final, disse baixinho:

“Morpheus, venha comigo ao fim da aula.”

Mais uma vez, todos os olhares se voltaram para o último assento da última fileira. Morpheus, despertando como de um transe, assentiu, levantou-se, e saiu carregando o pesado tomo.

Risadas abafadas ecoaram, mas faziam sentido— quem imaginaria que ele se apressaria tanto para “encontrar a morte”?

...

“Terminou?”

O escritório provisório de Daela, em frente à sala, era decorado com esmero, limpo e vazio— ali, além dos móveis fornecidos pela escola, não havia nenhum objeto pessoal; até a pena de plumas vermelhas repousava imóvel no tinteiro de ônix, como se jamais tivesse tocado tinta.

A poltrona era forrada com pele de marta negra, rara no leste do Império— macia e luxuosa. Daela sentou-se, mantendo a mesma expressão impassível, fitando Morpheus que, em pé, segurava a “Teoria Elementar Básica”. Só depois de um longo silêncio disse:

“Você é o primeiro nobre que vejo descuidar tanto da aparência só para estudar magia.”

Era verdade; nem os magos acadêmicos do Império Gilman, nem os nobres folgados e ardilosos de Kaslandi, nem os jovens do Império Sagrado Gabriel, reprimidos pelas políticas opressoras, jamais descuidaram tanto da aparência por causa de um livro.

Esse empenho fez Daela lembrar-se de si mesma— a menina de cabelos desgrenhados, no laboratório, diante de uma fera mágica dissecada pela metade, mas ainda viva.

Morpheus sorriu timidamente; os olhos injetados e as olheiras profundas davam-lhe um ar de doença, mas o olhar era límpido.

“Dê-me.”

Daela estendeu a mão, palma para cima, dedos longos levemente abertos. Morpheus, surpreso, viu uma névoa branca condensar-se sobre a mão.

Ele entregou o tomo à mestra. O volume não caiu em sua mão, mas flutuou suavemente acima da palma, girando devagar, até que as páginas começaram a folhear-se sozinhas, sem vento.

“Explique o estado.”

Daela iniciou o interrogatório.