Capítulo Dezesseis: Se você for verdadeiramente forte, para quem mostrará sua fraqueza?
Que a coleção continue crescendo, e se houver votos vermelhos, agradeço de coração.
-----------------------------------------------------------------------------
— Saiam da frente!
O cocheiro ao lado de Meifis foi brutalmente empurrado. Esse sujeito de aparência comum cambaleou, quase caiu, mas ainda assim se colocou diante de Meifis para protegê-lo. Ao virar a cabeça, Meifis viu uma família escoltada por quatro homens vestidos como guardas privados: um pai de rosto ruborizado, uma mãe com o rosto coberto de pó branco, e um filho de cabelos dourados, lustrosos como óleo. Era o típico comportamento da nobreza menor.
— Marco, não ande por aí misturando-se com certas pessoas na escola. Gente de baixa estirpe jamais elevará alguém como você.
A voz era alta, claramente para que todos ao redor ouvissem. O gordo, ostentando no peito o brasão da família, semicerrava os olhos para varrer o entorno, detendo-se por um instante sobre Meifis ao notar sua espada, recuando um pouco em sua postura. — Mesmo entre nobres, escolha aqueles que estejam à altura do seu status.
— Entendo, pai.
O jovem, com idade próxima à de Meifis, lançou um olhar insolente e, sob a proteção dos guardas, caminhou de modo arrogante à frente.
Então era isso que significava ser nobre?
Meifis observou, curioso, o grupo passar de forma tão altiva, ouvindo ao longe, de vez em quando, os comentários invejosos dos ricos sem título nobre. Aquilo lhe pareceu divertido.
A maioria dos estudantes chegava ao colégio acompanhada pelos pais. A Academia Tarens tinha sete séries, mas a maioria conseguia o diploma em cinco anos. Aqueles que só estavam ali para passar o tempo talvez ficassem os sete, e de vez em quando surgiam prodígios que, em menos de três anos, eram recrutados por academias ainda mais renomadas.
Em toda a multidão, apenas Meifis parecia estranhamente solitário.
— Senhor, daqui não posso passar — disse o cocheiro ao parar. Os alunos eram submetidos a um regime fechado; além deles, ninguém podia entrar — nobres ou plebeus, ali todos dependiam apenas de si mesmos.
— Sim — respondeu Meifis sem olhar para trás e, como todos os outros, entrou sozinho no campus, deixando para trás os pais que se despediam, fossem ricos ou nobres. Agora, todos os filhos ingressavam na mesma escola, e quanto aos feitos de cada um dali a alguns anos, só lhes restava rezar em silêncio.
Como calouro, Meifis era mais velho que a média, mas logo percebeu que idade não era vantagem ali.
Um estrondo seco ecoou quando um punho acertou um corpo.
Dobrou uma esquina, já fora da vista dos pais, e viu um grupo de jovens, não muito altos, espancando um garoto que parecia ter apenas onze ou doze anos. Os golpes eram duros, sem piedade. O menino agredido, de corpo franzino, mal conseguia levantar-se. Protegia a cabeça com os braços, curvava as costas para suportar as pancadas. Essa postura era puro instinto humano; Meifis já a usara para resistir ao ataque furioso de um tigre de cauda listrada — quase perdeu o braço, mas ao menos salvou a vida.
Os alunos mais velhos, ao passar, agiam como se nada vissem. Os mais novos esboçavam parar, mas preferiam não se meter em confusão e saíam correndo.
Só Meifis ficou parado, olhando para a figura encolhida que apanhava em silêncio, perdido em pensamentos.
Seria esse o retrato da sociedade humana? Não se diferenciava muito da floresta: os fortes dominam, os fracos sofrem.
Foi assim que Meifis pensou. Talvez seu comportamento destoasse tanto do ambiente que um dos agressores se virou. Apesar da pouca idade, exalava arrogância e violência; seus cabelos espetados denunciavam um temperamento explosivo. Apontando para Meifis, que entrava pela primeira vez no campus, gritou:
— Tá olhando o quê? Quer apanhar também, é só pedir!
Ele não ignorara a adaga na cintura de Meifis, mas sendo filho de um visconde, sentia-se acima dos demais na Academia Tarens, acostumado à arrogância e à prepotência. Intimidar calouros era rotina; afinal, ali como nos exércitos, os veteranos oprimiam os novatos.
Os alunos ao redor logo se afastaram, mas poucos ficaram para assistir — não era uma academia de elite, mas também não havia tolos entre eles.
Onde há pessoas, há conflitos. Meifis não temia provocações, nem se preocupava com o status ou o poder familiar do outro. Na floresta, diante de uma fera poderosa, as opções eram claras: eliminar a ameaça ou fugir até escapar de vez.
Por isso, diante da provocação, Meifis agiu sem hesitar. Enquanto os outros ainda pensavam se deviam continuar chutando o garoto no chão, ele disparou à frente e, de surpresa, acertou um soco desconcertante no abdômen do valentão, bem mais alto que ele.
O baque soou pesado.
Se aqueles valentões eram mestres em brigas de rua, diante de um caçador experiente nunca passariam de crianças — os primeiros atacam com raiva cega, os segundos vão direto ao ponto fatal.
Brigas de rua oferecem muitas chances; sobrevivência na selva, poucas.
Um soco aparentemente comum fez o adversário cair de dor, segurando o estômago e se contorcendo no chão. Antes que o corpo alto tocasse o solo, o joelho de Meifis, preciso e decidido, atingiu o rosto do agressor.
Um estalo agudo marcou o som do nariz se partindo.
Todos ficaram atônitos.
Não só os veteranos ao redor, sem saber o que fazer, mas também os alunos que passavam, normalmente avessos a confusão, ficaram parados, boquiabertos.
Meifis tirou calmamente um lenço, artigo de nobre, limpou simbolicamente as mãos e jogou-o sobre o corpo desmaiado. Virando-se para o garoto magricela, que apanhava calado, disse:
— Se és verdadeiramente forte, a quem mostras tua fraqueza?
Sem olhar para trás, afastou-se.
O menino, que apanhara sem reagir, ficou imóvel por um instante. De repente, como uma fera, saltou e acertou dois chutes furiosos nas virilhas dos nobres que o haviam agredido. Ofegante, olhou para os que o haviam humilhado caídos no chão. Virou-se bruscamente, mas já não conseguiu encontrar, em meio à multidão, a silhueta daquele que o salvara.
------------------------------------------------------------------------
Em dois dias, a Academia Tarens mostrou a Meifis o que era o espelho da sociedade humana.
Como uma das instituições de ensino mais caras, Tarens oferecia condições incomparáveis: dormitórios individuais confortáveis, salas de aula amplas, alimentação excelente e belas criadas por toda parte — razões pelas quais muitos desejavam enviar seus filhos para lá.
Mas Meifis não viera buscar conforto. Embora seu quarto fosse limpo diariamente por criadas e dispusesse de um salão e lareira exclusivos, o jovem herdeiro do ducado era visto raramente. Apenas nos cantos das salas de aula se podia notar sua figura solitária.
A rotina era extenuante. O velho mordomo, sempre “atencioso”, inscrevera Gris em cursos que poucos conseguiam acompanhar: fundamentos de esgrima, equitação, combate montado, código de conduta dos cavaleiros, história da magia, teoria dos elementos, introdução à teologia, entre outros. Assim, ele passava quase todo o tempo correndo de uma aula a outra. Quanto ao valentão do primeiro dia, ou às competições e apostas que fascinavam os filhos da elite, nada disso lhe despertava interesse.
A vida, por ora, parecia tranquila.