Capítulo Quarenta e Dois: Este Círculo

Cetro Negro Asa da Morte Nassarion 3389 palavras 2026-02-07 18:50:41

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Depois de se arrumar, o charme de Morfeu aumentou consideravelmente, passando de um nobre recluso e desleixado para, talvez, um dos jovens mais belos de Constantinopla no futuro. Tendo herdado o sangue de Acar, conhecido no império como o “primeiro homem de ferro”, não era exagero que Morfeu tivesse uma aparência tão impressionante.

Mais raro ainda era a completa ausência de qualquer traço de frivolidade em sua postura. Mimos e arrogância eram palavras que não se aplicavam a ele – só por isso já se distinguia profundamente do círculo nobre com o qual em breve teria contato.

Quando o velho duque, vestido de maneira simples e impecável, se aproximou da carruagem junto com Morfeu, os dois – talvez desfrutando de um raro momento a sós – não demonstraram qualquer constrangimento. Ao contrário, Morfeu saudou o pai com um sorriso e o duque respondeu com expressão descontraída, formando um quadro de harmonia exemplar pouco comum entre os nobres de alta estirpe.

Esse tipo de relação era rara entre a nobreza superior.

O banquete não foi realizado no distrito de Nobe, onde os nobres se aglomeravam, mas sim no bairro de Bodiliano, considerado o mais artístico de Constantinopla. Ali, havia o coliseu fundado há duzentos e dezessete anos, uma gigantesca casa de ópera construída trinta e sete anos atrás e hotéis luxuosos ao ar livre onde o clima de extravagância reinava. Moedas astecas eram raras em Bor, mas ali eram guardadas em bolsas de cetim vermelho. A estrutura piramidal da sociedade se manifestava sem pudor: quando os grandes nobres do império se reuniam, o valor das joias que levavam consigo já seria suficiente para chocar qualquer pessoa comum.

A carruagem da família Windsor avançava pela noite, escoltada por uma guarda de doze pessoas; sem ostentação, mas também sem se esconder. O diálogo entre pai e filho era breve, mas a atmosfera permanecia harmoniosa.

“Para a maioria, cabe ao herdeiro de um nobre apenas obedecer fielmente à vontade dos pais. Mas eu espero que trilhes teu próprio caminho. Se a família Windsor continuar assim, a ruína será apenas uma questão de tempo.”

O velho duque sentava-se diante de Morfeu. O interior espaçoso da carruagem deixava menos de dois metros entre eles. Vestido de negro, o duque falava em tom grave. A iluminação era fruto de um círculo mágico: um cristal girava lentamente no teto, mais precioso que ouro do mesmo volume, espalhando uma luz suave. A posição da luz era sutil: com a cabeça erguida, Morfeu parecia severo; já o duque, com a cabeça levemente baixa, transmitia a solidez de uma montanha.

Ao entrarem em Bodiliano, o entorno já não era silencioso e sóbrio como em Nobe, mas pulsava com uma agitação peculiar – não inquieta, mas tentadora. Morfeu não ouvia tumulto, apenas, vez ou outra, a música de instrumentos clássicos, melodiosa e inebriante. Por vezes, chamas dançavam refletidas nas cortinas da carruagem, vindas de espetáculos exuberantes que atiçavam a curiosidade dos passantes.

Esse era Bodiliano: um bairro sempre tentador, ponto de encontro dos grandes nobres – seja para “socializar” ou para “caçar”, dependendo do status de cada um. Para a juventude, era natural buscar diversão nos hotéis luxuosos, prática tolerada pelos mais velhos, que fechavam os olhos para tais excessos. Contudo, para os do círculo central, a espontaneidade era menor: o casamento arranjado sempre foi uma dor de cabeça para quem não tinha autonomia sobre o próprio destino amoroso.

Perder a virtude antes do casamento era impensável para as jovens nobres. O matrimônio era uma aposta, e o que estava em jogo era o próprio futuro. Antes da união, as moças mantinham a compostura.

Por isso, ao chegarem ao salão do banquete, o que se ouvia eram sobretudo as vozes suaves das jovens damas. Antes de descer da carruagem, o velho duque disse suavemente: “Não interferirei nas tuas decisões, mas lembre-se de manter-se sempre alerta.”

“Entendi”, respondeu Morfeu, acompanhando o pai para fora.

Era a primeira vez que ele adentrava o círculo da alta nobreza. Ao erguer os olhos, viu o prédio, não imponente, mas banhado por luzes mágicas imponentes. Carruagens altas se alinhavam à frente, brasões discretos reluziam. Morfeu contou: quase todos os nomes de peso de Constantinopla estavam ali reunidos.

A família Franca, considerada o maior cérebro do império; os Nidolano, com o chefe da família atuando como ministro das finanças; os Carlen, que controlavam quase metade das minas de metais do império – tudo isso abriu os olhos de Morfeu para a diversidade da nobreza.

A primeira regra dos nobres era ostentar uma máscara impecável. Sinceridade ou falsidade nem valiam menção. Ao acompanhar o pai até o prédio, Morfeu percebeu que, ao redor, todos exibiam expressões inabaláveis – não se deixava escapar um traço sequer.

Do mais jovem herdeiro dos Carlen, Rabique Carlen, que parecia ainda mais novo que Morfeu, até as senhoras elegantemente trajadas e os chefes de família reservados, todos exalavam uma calma quase devocional, como os fiéis ouvindo pregações do Antigo Testamento.

“Deixe-me adivinhar quem é este...” Um sujeito de cabelos grisalhos, aparentando mais de cinquenta anos, mas com feições ainda mais envelhecidas que as do Duque Acar, acariciou a barba e, semicerrando os olhos, sorriu: “Seria o centro das atenções de hoje, o jovem herdeiro dos Lírios Roxos?”

Parecia amistoso.

Obviamente, o perigo raramente dava sinais prévios. Morfeu não se deixou levar por palavras gentis, limitou-se a sorrir e acenar, trocando cumprimentos breves com esse ministro que detinha grande influência sobre a educação nacional. O diálogo foi conciso, mas fácil – um nobre experiente sempre sabia como criar empatia, fosse com uma criança, um novato de trinta anos na política ou um ancião de oitenta. Nada disso era obstáculo para quem se mantinha firme no poder há décadas.

O banquete ainda não tinha começado; aquele era apenas o prelúdio para que todos socializassem. Assim que entrou, o Duque Acar deixou Morfeu e subiu para discutir negócios com outros figurões. No salão espaçoso do térreo, Morfeu caminhou naturalmente até um canto que lembrava o lugar que costumava ocupar na capela da Academia Talença, observando o ambiente.

O salão não era grande, havia cerca de trinta ou quarenta pessoas. O banquete seria servido numa longa mesa central. Após a refeição formal, todos poderiam buscar conversas à vontade, enquanto uma orquestra tocaria valsas suaves, propiciando aos interessados dançar a “Valsa Franca”.

Nas paredes, quadros autênticos com mais de cem anos; esculturas no átrio de uma delicadeza impressionante, sem sinal de mau acabamento. Ainda mais surpreendente: nas laterais do salão, riachos límpidos corriam por canais escavados, com peixinhos deslizando preguiçosamente – tudo exalava uma atmosfera de prazer e languidez.

Era esse o tom da vida dos grandes nobres?

Morfeu sentiu ali um profundo relaxamento. Sua postura era marcial, talvez por isso o ministro tenha se interessado em conversar. Os filhos dos grandes nobres tinham postura impecável, mas não conseguiam esconder o que emanavam sem querer. Por exemplo, não longe dali, um rapaz da mesma idade de Morfeu, em companhia da mãe, saudava outros nobres – o olhar e a atitude eram abertamente agressivos, ao passo que Morfeu, sozinho e discreto, praticamente se fundia com a mobília do canto.

A ausência do Duque Acar fez com que o jovem solitário despertasse curiosidade e especulação. Festas desse calibre eram raras, talvez uma ou duas por ano, quando novos clãs podiam se unir ao círculo ou antigos se retirarem. Rostos desconhecidos eram comuns. Os convidados não sabiam que o Duque Windsor, sempre ausente, comparecera naquela noite, nem que o jovem de presença marcante era o último herdeiro daquela antiga linhagem.

O número de convidados crescia. Morfeu observava tudo com interesse. Não era permitido portar espadas no evento, mas ele não deixou de ocultar sua adaga. À margem do círculo, analisava friamente o comportamento dos presentes.

Entre a nova geração, havia sete ou oito jovens, cinco deles de idade semelhante à sua. Ficava claro: o palco daquela noite era para os promissores das famílias. Três rapazes e duas moças, mas nenhum deles representava ameaça real aos olhos de Morfeu.

Arrogância e ostentação – características que os grandes nobres deveriam saber ocultar, mas que aqueles jovens ainda não conseguiam disfarçar. Por mais que tentassem, a frivolidade transparecia em seus gestos. Ao avistá-lo, um deles se aproximou com um sorriso elegante e perguntou:

“Um convidado novo? Sou Mora, Mora Castellani.”

O cumprimento foi cortês, bem dosado. Morfeu retribuiu com um sorriso, inclinando-se levemente por respeito, sem arrogância: “Morfeu.”

Não mencionou o sobrenome, pois entre os nobres era regra: o caçula da casa não dizia o sobrenome em conversas, apenas os mais velhos o apresentavam. Mora, um pouco mais alto que Morfeu, assentiu e se afastou sem tentar incluir Morfeu no grupo de jovens.

Morfeu não se desapontou. Lançou um olhar às duas moças bem arrumadas e manteve o coração tranquilo. Seguindo o padrão de beleza comum, ambas, filhas de condes, eram realmente belas. Uma delas tinha corpo especialmente desenvolvido, o vestido colado quase se rasgava ao menor movimento. No entanto, o olhar leviano e a expressão crítica despertaram em Morfeu certa repulsa.

Sem dúvida, bonita mas tola.

As palavras de Dom Quixote sobre as camponesas pareciam, ali, mais verdadeiras do que nunca.