Capítulo Quarenta e Três: Duquesa Aisara, a Família Salomão
A rede sem fio da escola continuava sem funcionar, por isso a atualização veio um pouco tarde, peço desculpas.
Hoje tivemos poucos votos vermelhos, peço o apoio de vocês!
À noite deixarei uma reflexão, amanhã haverá apenas uma atualização, pois não escrevi muito nesses dias e não estou no meu melhor momento.
No entanto, logo em seguida, uma figura em seu campo de visão chamou-lhe a atenção de uma forma peculiar — talvez pelo traje demasiadamente discreto, Morfeu só percebeu, após alguns minutos, a presença de uma dama de postura impecável no canto oposto do salão. Não havia rendas ou adornos de veludo negro, tampouco aquela palidez artificial como se tivesse passado arsênico no rosto, nem as anquinhas ridículas e o gestual forçado que Morfeu sempre achava risível e repulsivo. Ela vestia uma túnica de veludo púrpura, ajustada ao corpo, porém fluida, sem realçar curvas de forma vulgar, mas carregando uma aura de altivez e isolamento inalcançáveis para a maioria das pessoas.
Ao seu redor, parecia haver uma barreira invisível; ninguém se aproximava a menos de três metros.
Morfeu não sabia quem era aquela dama que encarnava à perfeição o significado de “nobreza”, pois ela havia chegado depois dele e não ostentava nenhum brasão de família que denunciasse sua origem, apenas um diamante cravejado no peito esquerdo da túnica púrpura, que não evidenciava título ou posição. O fato de Morfeu, com seu gosto peculiar, sentir-se confortável diante dela era prova de que aquela dama entendia como ninguém as sutilezas da elegância. O que mais lhe chamou atenção, porém, foi o semblante frio e distante da mulher, que em nada convidava à proximidade, mas que, contraditoriamente, fazia com que ninguém conseguisse evitar olhá-la novamente.
Era mesmo intrigante.
— Ouvi dizer que você é novo por aqui?
A pergunta direta fez Morfeu virar ligeiramente o rosto. Quem lhe falava era alguém ainda mais jovem do que ele, aparentando doze anos de idade, estatura baixa, mas com um ar altivo, de quem fala de cima, os braços cruzados sobre o peito, sem o mínimo de cerimônia.
Era Humil, o mais jovem membro da tradicional família de magos Mistrel. Morfeu sorriu e assentiu, demonstrando tranquilidade diante da situação.
— E o que você sabe fazer? Montaria? Esgrima? Ou manipulação de elementos? Acho que quem está aqui deveria ser melhor do que aqueles inúteis, não?
O pequeno foi rude, e Morfeu respondeu de forma calma, balançando a cabeça:
— Acho que não sei fazer nada disso.
Na convivência entre nobres, jamais se revelam as próprias virtudes de imediato; ao contrário, costuma-se expor supostas fraquezas, com o intuito de observar as reações alheias, pois até um breve relance pode trair as verdadeiras intenções de um nobre habilidoso em disfarces.
Obviamente, dois jovens ainda imaturos não teriam a mesma astúcia. Um por ser excessivamente jovem, o outro por estar naquela situação pela primeira vez.
O menino pareceu surpreso com a resposta, observou Morfeu de cima a baixo com um olhar descarado, sem qualquer sinal de retraimento — em outro contexto, seria apenas uma atitude infantil, mas Morfeu percebeu claramente a curiosidade contida e o leve desprezo no olhar do outro.
Desprezo, misturado à superioridade: eis o sentimento recorrente entre os herdeiros das grandes casas.
— Espero que esteja brincando.
O garoto torceu os lábios e se afastou. No entanto, ao chegar à metade do caminho, voltou-se para Morfeu, levantou a mão e estalou os dedos casualmente, produzindo um som mais forte e nítido do que o normal, como uma chama que cintila e logo se apaga, um gesto natural e hábil.
Morfeu semicerrrou os olhos, sorrindo com tranquilidade enquanto observava a saída do garoto.
A transição semiconsolidada do elemento: no instante do estalo, o poder do fogo se manifestou e desapareceu rapidamente. Isso significava que o menino já dominava o controle elemental de um mago de alto grau.
Realmente, aquele lugar estava repleto de talentos ocultos.
Ao lado dele, Clive talvez fosse, aos olhos dos outros, um verdadeiro inútil.
O jantar começou logo em seguida. Morfeu observou ao redor: os jovens de sua idade já haviam se recolhido junto às suas famílias e pareciam ignorá-lo completamente. Duas meninas, em especial, lançaram-lhe olhares curiosos, como quem encontra um novo mundo, mas logo desviaram o olhar, sem lhe dar mais atenção.
Estariam tentando provocá-lo? Ou simplesmente o ignoravam?
Morfeu não se importou.
O duque de Acar desceu as escadas do segundo andar acompanhado de alguns velhos amigos. Um grupo de aristocratas reunidos realmente impunha respeito, tamanha a naturalidade e confiança em seus gestos, o ambiente era descontraído e cordial — claro, ninguém poderia imaginar que décadas atrás aqueles senhores eram rivais mortais ou que, talvez, alguns atentados sofridos por Morfeu tivessem sido ordenados por algum deles.
Tudo era possível. Era por isso que o duque de Acar raramente frequentava jantares desse tipo; entre os nobres, a cordialidade nas negociações e a reputação ilibada não impediam as traições silenciosas.
Em resumo, era um bando de loucos.
Palavras de Dom Quixote.
No amplo salão, as famílias nobres tomaram seus lugares com suavidade e precisão, sentando-se de acordo com o prestígio e a posição de cada linhagem. Mas, quando um jovem desconhecido se sentou ao lado do duque de Acar — ou seja, no lugar de destaque, no topo da mesa —, a situação tornou-se quase cômica.
Os que haviam desprezado Morfeu pouco antes ficaram visivelmente constrangidos, enquanto o velho que o saudara à porta sorria com um ar difícil de decifrar.
Afinal, como dissera o ancião, aquele jantar tinha um propósito: era a recepção que o duque organizara para que seu filho, Morfeu, fosse introduzido àquele círculo. Por isso, o normalmente ausente duque levantou-se e, diante das dezenas de nobres já assentados, anunciou em voz baixa:
— Permitam-me apresentar meu filho, Morfeu de Windsor, o último herdeiro do Lírio Púrpura.
A frase soou abrupta, triste e definitiva.
Por um instante, o silêncio reinou à mesa.
Morfeu ergueu a cabeça. Foco de todos os olhares, retribuiu com um sorriso e um aceno discreto, sem se demorar em palavras.
— Filho de tigre, tigre é.
A voz que rompeu o silêncio vinha justamente da mulher de semblante frio que estava entre os mais destacados. Sua túnica de veludo púrpura não exibia qualquer excesso, a expressão levemente indolente e o olhar gélido, e as palavras, quase como uma profecia, tornaram o ambiente ainda mais solene.
O duque de Windsor não demonstrou surpresa, apenas fez uma leve reverência:
— Que assim seja, duquesa Azara.
Duquesa?
Morfeu arqueou as sobrancelhas, compreendendo imediatamente de quem se tratava.
No tratado de heráldica de West, estavam listados os principais nobres de Constantinopla, e entre eles os duques, posição máxima da aristocracia, cuja titulação não aumentava havia quase um século. Isso significava que, àquela mesa, os poucos duques presentes herdaram seus títulos de seus pais, mantendo essa “herança” inquestionável.
Azara Salomão, a única duquesa que ninguém ousava desafiar no império. Não era apenas pelo poderio de sua família, mas também pela ligação dos Salomão com a casa imperial — administrando, à vista de todos, uma cadeia comercial impressionante, e nos bastidores, servindo como os grandes provedores de informações da realeza. Diziam até que mantinham laços estreitos com a organização “Credo” e que, treze gerações atrás, o chefe da família Salomão fora os “olhos” do imperador, vigiando toda Constantinopla e reportando diretamente ao trono. Hoje, seu prestígio não era menor, rivalizando inclusive com o dos príncipes do sangue.
Tamanha singularidade fazia com que ela raramente tivesse amigos, e quase nunca alguém ousava dirigir-lhe a palavra. Além do mais, seu temperamento imprevisível era temido por todos; quem tentara aproximar-se, invariavelmente, terminara em tragédia.
Seu olhar deteve-se brevemente em Morfeu, então ela ergueu a taça de vinho diante de si e, como se liderasse o clima de toda a mesa, declarou:
— Um brinde ao herdeiro do Lírio Púrpura.
Todos ergueram suas taças em perfeita sincronia, sem que ninguém ousasse recusar.
A duquesa Azara proferiu apenas algumas frases protocolares, esfriando o ambiente, mas, assim que silenciou, a atmosfera voltou a se aquecer.
Os talheres eram obras de ourives de Damasco, cada convidado tinha três jogos de facas e garfos de prata. Quanto mais requintado o jantar, mais rigorosa a etiqueta: até o uso dos talheres para sopa seguia regras rígidas, e um erro seria motivo de escárnio. Mas todos ali eram experientes, e logo o diálogo fluiu com descontração e elegância, sem que as normas fossem quebradas.
Morfeu manejava facas e garfos com destreza, degustando um pequeno pedaço de bife de boi com pimenta preta acompanhado por um gole de vinho tinto da província de Nikicri, postura impecável.
— Morfeu significa “dom de Deus” em hebraico antigo; talvez realmente seja uma dádiva divina para a casa Windsor.
— Onde Morfeu estuda? Na Academia de Magia Pansel? Ou em Cósio?
Perguntas que, embora superficiais e cuidadosas, não ultrapassavam limites, deram a Morfeu o primeiro contato com a arte verbal dos nobres. O duque de Windsor não o poupou, entretendo-se em conversas políticas vagas com outros chefes, deixando Morfeu sozinho sob a avalanche de questionamentos.
— Estive na Academia de Talens até pouco tempo.
Essa resposta causou um breve silêncio.
Algumas perguntas depois, o assunto se esgotou. Eram apenas tentativas de aproximação ou de deixar uma impressão. A orquestra tocava uma música suave, o jantar formal terminou em mais um brinde, mas o verdadeiro teste para Morfeu viria agora, no convívio pós-refeição.
O duque lhe deu um leve tapinha no ombro e foi para um canto conversar com os velhos amigos, deixando Morfeu um tanto isolado no salão, cercado por nobres de alto escalão, sem saber se eram lobos ou leopardos.
Foi então que, mal havia se colocado de pé, uma figura se aproximou suavemente.