Capítulo Vinte: Adentrando o Portal da Magia

Cetro Negro Asa da Morte Nassarion 2968 palavras 2026-02-07 18:49:53

A partir da próxima semana, haverá uma ou duas atualizações diárias, com pelo menos três mil palavras. Se o livro entrar na lista de recomendações vermelhas, ou se houver apoio de leitores fiéis, haverá explosão de capítulos extras. Recentemente, estou ocupado com assuntos de formatura e não consigo escrever cinco mil palavras por dia. Não escreverei esta obra apenas por escrever, então peço a compreensão de todos.

Repito: não me arrependo de nenhuma palavra que escrevi.

----------------------------------------------------------------------------------------------

Pessoas dignas de pena sempre têm algo detestável nelas — essa era uma frase que Dom Quixote repetia constantemente. O velho, sempre tragando aquele velho cachimbo que usava desde que Mephisto se lembra, dizia isso enquanto o educava em meio a nuvens de fumaça.

“Mulheres, damas da alta sociedade, honra, dignidade… tudo isso não passa de besteira.”

Quando dizia isso, Dom Quixote sempre levantava o queixo para Mephisto, soltava um grande anel de fumaça e o observava se dissipar lentamente, absorto em pensamentos.

Claro, no momento seguinte, ainda lhe dava um chute para que voltasse a treinar esgrima do lado de fora.

Mephisto não achava que Clive, que vira apanhar duas vezes, era digno de pena; pelo contrário, via nele alguém semelhante a si próprio.

Aguentava apanhar em silêncio, era implacável, sabia revidar e ainda ajudava a esclarecer dúvidas difíceis — Mephisto achava que era praticamente um exemplo de talento.

As aulas na academia continuavam normalmente. O nobre que sempre trazia um punhal à cintura ainda mantinha uma postura intransponível, mas agora, com a grade de matérias quase toda reduzida, tinha algum tempo livre. Sempre que podia, dirigia-se à Torre de Astrologia, à procura do rapaz que parecia estar sempre envolvido em confusões.

Este, aliás, não perambulava por aí — na verdade, Mephisto percebeu que Clive só aparecia em alguns lugares: ou estava na Torre de Astrologia, ou no dormitório, ou no grande refeitório, ou então no caminho entre esses dois pontos.

Ele assistia às aulas? Mephisto não sabia.

Ao se aproximar da Torre de Astrologia, olhou ao redor. Diferente da biblioteca, o local exalava luxo e sofisticação, com escadarias em espiral e poltronas requintadas em cada andar. Subindo os degraus, Mephisto encontrou Clive no décimo terceiro andar — era o único ali, pois “treze” não era um número de boa sorte e ninguém queria permanecer naquele lugar.

“Quero entender isto aqui.”

Mephisto apontou para o livro “Fundamentos da Teoria Elementar”, enquanto Clive, sentado diante de uma mesa enorme soterrada de livros, levantou a cabeça, ajeitou os óculos de armação preta e, sem dizer nada, pegou um folheto fino de uma pilha de papéis.

“Leia isto primeiro.”

Jogou-o casualmente para Mephisto e voltou a mergulhar nos livros, sem sequer uma palavra de cortesia.

Mephisto pegou o livreto, olhou e, sem comentários, sentou-se em outro canto. Para ser sincero, não imaginava que aquele garoto tão jovem fosse capaz de ler tanto. Mephisto deu uma olhada nos títulos diante de Clive: “Construção da Teoria das Cordas de Hovfs”, “Estudo dos Estados Limite dos Elementos”, “Resumo das Falhas da Magia de Alto Nível” — uma confusão total. A única coisa de que tinha certeza era que Clive não era apenas um moleque azarado que apanhava à toa.

Mas o que isso lhe importava?

Mephisto baixou os olhos e começou a ler, sem surpresa alguma.

O caderno estava repleto de anotações detalhadas, todas sobre os princípios básicos da teoria mágica, escritas de forma clara e compreensível, resultado evidente de muito esforço de síntese. Se essas informações estivessem nos tratados tradicionais de magia, certamente seriam de enlouquecer qualquer um.

Assim, Mephisto abriu suavemente a porta do mundo mágico — e nunca mais voltou atrás.

O sujeito que perdeu metade dos dentes com um soco de Mephisto e o gordo aristocrata chutado para longe pertenciam ambos a famílias tradicionais de Constantinopla, não eram forasteiros a estudar para ganhar status. Eram nobres de grandes posses e temperamento difícil, acostumados a dominar e humilhar outros estudantes durante três ou quatro anos, mas agora haviam sido derrotados por um novato atrevido — era difícil engolir essa afronta.

Diferente do azarado Kir, que quase ficou aleijado por Mephisto, os veteranos tinham seus próprios métodos para resolver problemas.

Para um nobre de verdade, apelar para o pai logo ao sofrer uma afronta era sinal de fraqueza — claro, a menos que pudesse dar conta do desafeto sozinho; caso contrário, era melhor guardar esse recurso para emergências.

O gordo, todo enfaixado por ter três costelas quebradas por um chute de Mephisto, chamava-se Carlin. Liderava um bando de bajuladores graças ao pai, um conde. Embora não fosse um grande nobre com poder real, a herança familiar estava quase no fim. Se o pai morresse, Carlin não herdaria o título de conde, mas ao menos seria visconde. Em Constantinopla, isso o colocava entre a alta nobreza; mesmo que não fosse do círculo central, todos respeitavam as palavras de seu pai, o que só alimentava o orgulho arrogante de Carlin. Na Academia Tarrence, era perito em matar aulas, seduzir mulheres e tirar vantagem sem esforço. Passava os dias com comparsas, sempre à procura de novas aventuras com jovens ricas.

Quanto ao motivo de ter espancado Clive da última vez — era porque o rapaz, de rosto pálido, ousou zombar dele por ter durado pouco com uma moça, justamente quando descia da Torre de Astrologia após uma aventura.

No fundo, era porque Clive tinha um temperamento estranho e não gostava de ser incomodado enquanto lia, por isso não media palavras.

Ninguém sabia o que se passava na cabeça de Clive. Quando Carlin tentou cercá-lo, ele simplesmente escorregou pelas escadarias da Torre de Astrologia e sumiu rapidamente.

Depois disso, veio a dolorosa lembrança de ser humilhado em público pelo novato atrevido.

“Ai…”

Só de pensar na humilhação, Carlin, de rosto inchado, cerrava os punhos de raiva, mas a dor muscular o fazia gemer. Ao lado, Conger, com expressão igualmente sombria, não conseguia articular palavra — abrir a boca mostraria dentes quebrados e arrancaria gargalhadas dos colegas.

Era uma vergonha difícil de suportar, provavelmente o marcaria durante toda a adolescência.

“Descobriu tudo?”

“Não me atrevi a envolver minha família, só mandei alguns de confiança ao arquivo da escola. O tal Clive é órfão, quase nada consta de relevante, e ainda entrou como aluno especial, já está aqui há três anos. Sobre Mephisto, consta que vem de uma família nobre em decadência, deve ser fácil de lidar.”

Conger contou, entrecortado, o que sabia, com semblante derrotado, pois falar doía-lhe a mandíbula.

“E daí? Descobriu a rotina deles?”

“Tenho o horário, mas é melhor confirmar. Essa afronta eu preciso vingar, maldição!”

Cuspiu no chão, o rosto convulsionando de dor.

Carlin acenou e logo seu grupo de bajuladores se aproximou, exibindo servilismo descarado.

“Peguem isto. Tragam quantos puderem, especialmente aqueles bons de espada — matem se for preciso, eu assumo as consequências.” Jogou um saco de moedas astecas, o ódio estampado no rosto gordo. “No máximo, peço ao meu pai para abafar o caso. Não vou engolir esse desaforo!”

------------------------------------------------------------------------------------------------------

Para um nobre, usar uma máscara e conversar com todos de maneira superficial era absolutamente normal. Mesmo antes da maioridade, esses jovens já estavam acostumados a artimanhas e sorrisos falsos.

Naturalmente, suas habilidades estavam longe da perfeição.

Com quinze anos, um nobre geralmente sabia se portar melhor que um plebeu, mas Mephisto era uma exceção. Não sabia o significado de “tolerância”: se tinha um inimigo, ou vingava-se na hora, ou guardava a mágoa para um golpe fatal no futuro.

Esse era um hábito adquirido na selva: nunca suportar provocações alheias, a menos que o adversário fosse suficientemente perigoso para merecer cautela — mas na Academia Tarrence não havia dragões mestiços. Se precisava bater, batia sem hesitar.

Assim, quando alguém o seguiu sorrateiramente até a sala de Teoria Mágica Básica, Mephisto não hesitou em agir.