Capítulo Seis: Fé, Menina

Cetro Negro Asa da Morte Nassarion 3079 palavras 2026-02-07 18:49:29

Período de lançamento do novo livro: peço a todos que adicionem aos favoritos e votem com o bilhete vermelho, minha sincera gratidão! A partir da próxima semana, haverá dois capítulos por dia, podem adicionar aos favoritos sem receio, pois desde abril do ano passado até agora não houve nenhuma interrupção.

O Império Bizantino, essa nação grandiosa e próspera, é atualmente uma das potências do continente, cuja força econômica e militar faz com que outras nações olhem para cima. Sua capital, Constantinopla, é uma metrópole que ressurgiu com vigor nas últimas décadas, sendo conhecida como “O Cruzamento do Mundo”.

Seria esse o seu destino?

Morfeu observava em silêncio as densas florestas de verão e as caravanas de mercadores que cruzavam os estreitos caminhos rurais, segurando levemente as rédeas, enquanto recordava os ensinamentos de Dom Quixote ao longo dos anos – não apenas a constante proximidade da morte, mas também aquelas regras e doutrinas difíceis de imaginar para um homem comum.

Os cavalos da cavalaria de Serys destacavam-se visivelmente nessa região remota, tornando o grupo alvo fácil de atenção dos transeuntes – normalmente, em situação de força militar insuficiente, o velho mordomo deveria agir de forma discreta, mas esse erro básico era como um farol na noite, guiando os adversários do “pai” desconhecido.

No entanto, surpreendentemente, após um dia inteiro de viagem, Morfeu não percebeu nada de estranho.

Com um leve puxar das rédeas, o cavalo de Morfeu parou docilmente. Os cavaleiros acompanhantes ficaram imediatamente atentos, com as mãos nas empunhaduras das espadas, enquanto o velho mordomo olhava para Morfeu intrigado, sem compreender.

“Este é o ponto mais distante de Nair que já conheci”, Morfeu apontou para uma pequena árvore à beira do caminho. “Não sei como será o mundo ao deixar este lugar.”

“Será como aquele velho dizia, como se estivesse tomando banho sob as quedas de Corinto?”

Lançando um olhar ao vilarejo que mal se via ao pé das Montanhas Calene, Morfeu suspirou suavemente.

O velho mordomo estremeceu – as quedas de Corinto são uma das mais famosas do Império, com mais de trezentos metros de altura, situadas nas florestas próximas a Vila de Hook. Será que aquele jovem realmente já tomou banho sob aquelas cataratas?

Não acreditava que o “banho” ao qual Morfeu se referia fosse simplesmente mergulhar na água. Os espadachins que buscavam força e progresso físico costumavam treinar debaixo das quedas para aumentar sua resistência.

“Senhor, estou curioso sobre as provas pelas quais passou. Poderia contar a este velho?”

Vendo Morfeu retomar a marcha, após os cavaleiros se alinharem em silêncio, o velho Pafa perguntou de forma cautelosa.

“Foi apenas caçar na floresta.”

Morfeu parecia estar se habituando à presença dos cavaleiros e do mordomo. Começou a falar mais, pois, de outro modo, o velho poderia pensar que ele sofria de algum tipo de transtorno de comunicação.

“Nunca sentiu medo?”

Talvez não fosse uma pergunta que o mordomo devesse fazer, mas ele a proferiu, ainda que um pouco imprudentemente.

Testava-o?

Morfeu moveu levemente as rédeas e respondeu: “O medo às vezes surge da falta de discernimento e de coragem. Ele é mais indesejável e difícil de suportar do que a morte. Mas, felizmente...”, virou o rosto, exibindo um sorriso juvenil, sem o ar impetuoso dos jovens de sua idade. Seus dentes brancos e brilhantes reluziam. “Eu sobrevivi.”

Pafa não disse mais nada, seguindo respeitosamente atrás do cavalo de Morfeu.

...

À frente do grupo estava a maior cidade próxima ao condado de Hook – Paden. O noroeste do Império Bizantino fazia fronteira com o Sagrado Império Gabriel, e essa cidade de altas muralhas era o primeiro bastião vizinho desse antigo parceiro.

As guerras são sempre fonte de desenvolvimento para a humanidade. Contudo, o Sagrado Império Gabriel e o Bizantino têm a mesma origem, descendendo de um antigo império que se dividiu devido à autonomia entre Leste e Oeste. Ainda que haja atritos, não se chegou ao ponto de um confronto militar.

Paden era tão barulhenta quanto qualquer cidade humana, com portas de madeira negra reforçadas com chumbo, correntes de ferro sustentando uma longa ponte levadiça, e um fosso de mais de dez metros de largura protegendo os muros. A força defensiva saltava aos olhos.

Uma cidade com trinta mil habitantes já era notável no Império, mas Morfeu, herdeiro da Casa de Wendersol, não sabia que Constantinopla, a capital, era uma metrópole de quatrocentos mil habitantes.

Os imponentes cavalos destacavam-se entre a multidão. Os cavaleiros da família, alinhados e silenciosos, entraram na cidade, e Morfeu sentiu sobre si o olhar atento dos plebeus, pequenos diante de tanta imponência.

Apenas por estar montado em tal cavalo já se sentia diferente. O que dizer, então, do poder e da força que subiam cada vez mais alto?

Morfeu não pôde deixar de se surpreender. Era a primeira vez que via tanta gente reunida, e, para ser sincero, não estava à vontade.

“Aqueles que seguem apenas a razão acabam confusos; a razão transforma em escravos os que não têm uma alma forte o bastante para dominá-la.”

Lembrou-se sem motivo dos conselhos de Dom Quixote, afastando as dúvidas que surgiam. Seguiu os cavaleiros até uma estalagem.

Era a primeira vez que via uma estalagem de verdade.

Manter-se curioso era uma forma de autodefesa para Morfeu. Não tomou nenhuma atitude supérflua, nem mesmo olhou ao redor. Manteve os olhos semicerrados, observando os cavaleiros desmontarem e o dono negociar com eles. Após o pagamento, o grupo entrou junto, atraindo apenas alguns olhares curiosos dos plebeus.

“Senhor, aqui está seu quarto.”

O mordomo acompanhou Morfeu até o quarto. Só então Morfeu percebeu que ele era um devoto, pois trazia ao pescoço um pequeno crucifixo, um adorno incomum para leigos. No entanto, não comentou nada, apenas o seguiu mecanicamente até um aposento modesto.

A luz era suave, o chão de madeira estava limpo, havia uma cama arrumada, um armário elegante, uma mesa e cadeiras, um vaso com duas rosas não muito frescas. Tudo comum para uma hospedagem, mas novidade para Morfeu.

Virando-se, agradeceu ao mordomo em voz baixa: “Obrigado.”

“Um nobre não precisa agradecer ao seu mordomo. É meu dever.”

Pafa fez uma reverência elegante, abriu a porta e apontou para o corredor: “Nossa comitiva é pequena. Embora, como mordomo da Casa Ducal, eu saiba enganar, ainda assim peço que mantenha vigilância.”

“Tenho uma pergunta.”

Morfeu olhou para o pequeno crucifixo no pescoço do mordomo e perguntou: “Por que, mesmo tendo poder, ainda precisamos de fé?”

Um breve silêncio.

“Meu senhor, talvez agora não entenda o significado, mas, como devoto, respondo: ‘A fé é a substância do que se espera, a prova do que não se vê.’”

“Talvez eu precise de tempo para compreender.”

Morfeu assentiu levemente, observando o mordomo se afastar, sem dizer palavra.

Assim que a porta se fechou, Morfeu virou-se e, como se estivesse na floresta, examinou cada canto do aposento. Logo subiu nas vigas do teto, em alerta, e acabou por encontrar uma quantidade inacreditável de objetos esquecidos – um prego de ferro sob a cama, pedaços de pergaminho sem valor, restos de comida e afins.

O sentimento de segurança era algo distante para Morfeu.

No quarto ao lado, o velho mordomo suspirava à janela, sem conseguir imaginar que infância teria tido aquele excêntrico jovem.

...

Ainda não era hora do jantar, ou para Morfeu, ainda não era o crepúsculo, quando passos leves soaram do lado de fora.

Sentado na cama, sempre vigilante, Morfeu saltou sem ruído para trás da porta, a adaga em punho exalando um frio cortante. A porta permanecia fechada, mas ele já se posicionara atrás dela.

Sem aviso prévio, Morfeu não acreditava que alguém ali tivesse se enganado de quarto; se a guarda fosse tão descuidada, seria melhor continuar caçando na floresta.

Toc, toc.

Do lado de fora, um dedo bateu levemente na madeira, apenas uma vez, com certa hesitação.

A adaga não atravessou a porta. Morfeu tinha certeza de que, se o fizesse, poderia transpassar o crânio do visitante, mas refletiu e decidiu não agir assim.

Afinal, estava numa cidade.

Murmurou para si que matar não era instinto, mas apenas uma forma de se proteger.

Após breve hesitação, reverteu a adaga e a escondeu sob o antebraço, abriu a porta com uma mão e recuou um passo, assumindo uma postura aparentemente relaxada, mas pronto para reagir.

Do lado de fora, estava uma garota.