Capítulo Setenta e Um: A Matriz de Paradoxo (Hoje, três atualizações totalizando dez mil palavras!)

Cetro Negro Asa da Morte Nassarion 3211 palavras 2026-02-07 18:51:40

Após tanto tempo desde o início do livro sem uma explosão de dez mil palavras, hoje finalmente decidi fazer uma. Três capítulos, dez mil palavras de atualização, peço que deixem muitos votos vermelhos! Para os amigos que leem pelo fórum ou por sites piratas, cliquem no link e adicionem este livro à sua coleção, pois cada nova marca representa um grande apoio para mim. Muito obrigado!

Segue o primeiro capítulo.

Um trecho de texto narrava os feitos de um vingador enlouquecido; eram apenas algumas linhas, mas Morfeus ficou absorto diante do livro por muito tempo. Quando recobrou a consciência, seus olhos pousaram sobre uma frase no final da página: “Após Ashkandi, a resistência dos lobisomens foi enfraquecida, até que, secretamente apoiados por Izodiel, o ‘herege entre os hereges’, tiveram uma chance de respirar…”

Essa passagem aparecia numa breve biografia de um líder lobisomem contemporâneo de Izodiel. Folheando adiante, parecia que, durante cerca de cinquenta anos, o nome “Izodiel Windsor” aparecia com frequência nas disputas da ordem subterrânea, sempre em posição vantajosa.

Morfeus fechou o livro suavemente, levantou-se e, cheio de dúvidas, dirigiu-se à sala de exposições do castelo ducal, onde já estivera antes.

Para Morfeus, parecia que havia mais uma pessoa a quem admirar — mas o nome de Izodiel Windsor não constava do índice de classificação de “O Palhaço nas Sombras”. Ainda assim, julgando pela familiaridade com outros do mesmo nível, Izodiel deveria ser, no mínimo, um combatente de categoria II ou I.

Pela primeira vez, Morfeus percebeu que alguém podia possuir tantas classificações profissionais. Um mago supremo já era temido, mas a longa lista de títulos elevava-o à altura de um prodígio, não só de um polímata. Pensando nisso, Morfeus seguiu pelo corredor até a sala privada de exposições de Izodiel, onde já estivera uma vez. Mais de trinta círculos mágicos brilhavam sobre a porta; tirando a chave que o duque lhe entregara, Morfeus hesitou, mas girou a chave e abriu a porta.

Morfeus não compreendia o material nem os mistérios da chave. Era apenas um aprendiz de magia e não perderia tempo analisando uma obra de um mago de categoria I ou superior. Entrou no aposento, fechou a porta suavemente e guardou a chave com cuidado.

Para um caçador, a curiosidade deve sempre ser controlada. Mas agora, diante da imagem do antigo chefe Izodiel, Morfeus precisava compreender uma questão muito real: o que enfrentaria a seguir?

Não era preciso ser curioso, mas ao menos saber quem era o inimigo.

Além dos vampiros, lobisomens e manipuladores de marionetes — figuras sempre problemáticas —, afinal, que tipo de rancor e honra carregava a família Windsor? A influência de uma grande casa sob a superfície sempre excede a imaginação. Neste vasto império, a realeza não é a única família realmente poderosa; das dez casas mais influentes do império, nunca falta verdadeira competitividade. Na história de Bizâncio, o sétimo imperador era originalmente o conde e chefe da Casa Tulipa, que usurpou o trono. Casos assim são frequentes na antiga história do Império de Gysiga, e é por isso que os Windsor têm se mantido discretos nos últimos anos: destacar-se demais é, muitas vezes, perigoso, tornando-se o típico exemplo de quem “se sobressai demais”.

Para evitar morrer vítima de um assassinato inesperado, Morfeus precisava investigar as loucuras cometidas por esse chefe de família tão inconformista.

A sala de exposições permanecia igual. Morfeus revisitou, item por item, cada objeto: espadas, armaduras — cada um deles trazia sua origem gravada em placas de madeira cuidadosamente esculpidas. Alguns vieram de ferreiros reais, outros de batalhas de diferentes países, ou então eram obras-primas de grandes encantadores. Num canto, havia uma armadura pesada, não ostentosa, mas de aspecto robusto, com runas mágicas profundas e discretas, quase sem reflexos típicos das armaduras comuns. A identificação era assustadora: “Feita de ouro de Berkeley e ferro meteórico, forjada em conjunto pelo grande alquimista Nemo, pelo encantador Casablanca e pelo armador Hulin, incorporando os restos e a alma do primeiro cavaleiro de Caslandi, Saladino; declarada ‘intocável’ pelo Tribunal de Julgamento como equipamento mágico.”

Abaixo, uma advertência: “Esta armadura já levou trinta e sete grandes cavaleiros à perda da razão. Item de alto risco.”

Morfeus fez uma careta, cada vez mais convencido de que Izodiel era uma fonte constante de surpresas — aquela coleção era herança exclusiva dele, nunca mexida desde sua morte, enquanto os acervos dos outros chefes de família ficavam em outra sala. Isso mostrava o quão excêntricas eram suas peças.

Além da túnica rústica de São Pedro, havia três relíquias sagradas: um crucifixo ensanguentado, um volumoso tomo manuscrito e um fragmento de lança de tom dourado escuro.

O crucifixo pertencia a Santa Teresa, uma santa que dedicou-se à penitência e, ao morrer, manifestou um milagre diante do clero, o “Descenso Santo”. Morfeus não conhecia detalhes. O tomo era de grande importância, nada menos que um dos doze volumes originais de “A Cidade de Deus”, escritos por Santo Agostinho. Seu valor só era superado pela túnica de São Pedro, mas deixou Morfeus, recém-batizado, sem palavras. Ao ver o fragmento da lança dourada, quase deixou escapar um palavrão por causa da inscrição:

“Lança de Longino, fragmento.”

Segundo o Antigo Testamento, um soldado cego usou sua lança para perfurar o corpo do Senhor crucificado e, ao ser banhado pelo sangue, recuperou a visão. Esse soldado era Longino, e sua lança ficou conhecida como a “Lança de Longino”.

Esse sobrenome era o mesmo da linhagem do Príncipe Hades e da família real, sugerindo uma coincidência misteriosa.

A lança possuía um nome capaz de enlouquecer toda a comunidade de fiéis do continente — “Lança Sagrada”. Seu significado era tão vasto e complexo que poderia encher uma biblioteca inteira, e as disputas que provocou foram terríveis. Morfeus sequer podia imaginar que um fragmento de artefato tão sagrado, que trouxe incontáveis tragédias sangrentas, estivesse ali, tranquilo, numa caixa de pedra diante dele!

Não era uma falsificação; Morfeus estava convencido de que Izodiel Windsor era capaz de fazer algo que deixaria tanto o Império Santo de Gabriel quanto o clero bizantino à beira da loucura!

Recuou alguns passos e enxugou o suor frio da testa. Quanto mais entendia sobre as peças, mais se espantava. Como aprendiz de magia com boa base teórica, Morfeus sabia que aqueles artefatos sagrados transcendiam o conceito de equipamento mágico comum — mesmo sendo apenas um fragmento, a Lança Sagrada já fazia sua adaga de aço mágico de Nápoles parecer insignificante.

Adiante, uma fileira de pergaminhos mágicos, classificados com nomes e níveis que Morfeus podia entender como poderosos. Segundo a Guilda dos Magos, os níveis de magia começam no um e não têm limite superior; magias de nível acima de cinquenta são consideradas interditas, proibidas, e quem as usa será responsabilizado — claro, se a guilda tiver capacidade ou interesse em investigar. O nível dos pergaminhos é determinado pelo valor teórico da magia armazenada, mas, ao serem usados, há uma variação de eficácia conforme o poder do usuário. Por exemplo, o pergaminho de nível quarenta e nove “Fogo Infernal”, da raríssima escola de magia de “invocação”, em especial do ramo “invocação abissal”, que é quase um tabu. Se um invocador de categoria I o usasse, poderia convocar em dez segundos um guardião abissal de poder aterrador para lutar sob seu comando; já se Morfeus tentasse, provavelmente apenas uma pequena chama apareceria e logo se apagaria.

Os pergaminhos são um ramo da “magia de círculos”, usados para lançar feitiços rapidamente, mas consomem tanta energia quanto o lançamento convencional. Garantem sucesso e segurança, e, se falharem, apenas se tornam inúteis, sem riscos de destruição elemental.

Morfeus contou os pergaminhos diante de si: ao menos dez ultrapassavam o nível cinquenta. No final, havia um que, mesmo com seus nervos anestesiados, fez com que ele respirasse fundo e tremesse levemente.

“Pacto do Mar Morto.”

Entre os livros recomendados por Della, Morfeus já vira esse título, uma obra obscura sobre círculos mágicos, muito superior à “Magia Fundamental de Brun” que ele memorizava atualmente. Chamava-se “Atlas dos Círculos Paradoxais”. Não sabia se era uma brincadeira de Della ou de propósito: o livro, não muito grosso, continha apenas círculos de nível “I”, só dominados por magos de categoria superior; muitos eram perdidos ou nem pertenciam ao sistema conhecido. Todos os círculos tinham a característica de desafiar a lógica, como o nome “Paradoxo” sugere.

Na última página, estava registrado o “Pacto do Mar Morto”, sem desenho, apenas algumas explicações: também chamado “Pacto do Servo Sagrado”, um círculo de pacto pelo qual ambas as partes firmam um acordo segundo o “Manuscrito do Mar Morto”, jamais podendo violar o conteúdo.

Como obra-prima do Atlas, o círculo já se perdeu, mas a última frase deixou Morfeus desnorteado por muito tempo: “Círculo de nível noventa e oito. Consumo de energia desconhecido. Uso único. Probabilidade de falha desconhecida.”

Desviando o olhar, Morfeus enxugou novamente o suor da testa, virou-se instintivamente, e a figura do proprietário da sala, na pintura impressionista na parede, ainda o observava, com um sorriso enigmático.