Capítulo Dezessete: O Mago, Nascido para Buscar a Verdade

Cetro Negro Asa da Morte Nassarion 2969 palavras 2026-02-07 18:49:49

Escrever exige esmero; nunca fui tão meticuloso. Independentemente de ser elogiado ou não, não me arrependo de cada palavra escrita neste livro.
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Naturalmente, havia aspectos da Academia Talrens que não lhe pareciam dignos de seu tempo e dedicação.

“Isso serve para matar inimigos?”

Na aula matutina de fundamentos da esgrima, Morphis olhou para o instrutor que acabara de demonstrar uma sequência básica aos alunos e expressou sua dúvida.

É verdade, apesar de já ter aprendido etiqueta nobiliárquica, Gris ainda não sabia como considerar o orgulho alheio — algo que ele teria de aprender gradualmente.

Mentor: essa palavra já estava profundamente enraizada na mente de Morphis. Para ele, a pessoa diante de si estava longe de merecer o título de “mestre”.

Os recursos da Academia Talrens superavam os de muitas outras, mas havia um ponto crucial que justificava seu status de instituição de segunda categoria: a insuficiência de alguns membros do corpo docente.

Diferente dos professores de outras matérias, os instrutores de esgrima eram todos veteranos do exército, homens de temperamento explosivo e voz estrondosa. Ao ouvir a dúvida de Morphis, que soava quase como sarcasmo, o instrutor com uma cicatriz assustadora no rosto apontou-lhe a espada sem hesitação, dirigindo-se ao rapaz magro no meio do grupo:

“Não pense que esses floreios com a espada vão te salvar no campo de batalha! Sei que vocês, nobres, desprezam o básico depois de aprenderem uns truques vistosos. Você aí, venha!”

O grupo ficou em silêncio, intimidado. Os novos alunos estavam visivelmente assustados.

Morphis piscou, ignorando olhares e murmúrios de escárnio ao redor, e caminhou até ficar exposto diante de todos.

“Se acha que sua técnica é útil, venha provar!”

O velho soldado sabia impor respeito; a iniciação dos novatos exigia uma demonstração de força. Era um método rude, mas eficaz. Por isso, ao ver Morphis enfrentar o desafio, o instrutor assumiu a postura inicial, sem precisar de explicações.

Morphis olhou para o homem à sua frente, incompreensivo, e então sacou lentamente a espada curta, avançando sem hesitação, elevando a lâmina e desferindo um golpe descendente.

Por um instante, parecia um incapaz, mas no momento em que ergueu e abateu a espada, a explosão de força fez os pelos do instrutor se eriçarem!

“Clang!”

Um golpe, uma decisão.

A espada de Morphis desviou a defesa do adversário e parou diante de seu pescoço, lâmina fria, firme como uma rocha, sem tremor, expressão indiferente, encarando-o como se fosse um objeto inanimado.

“Tua esgrima não mata.”

Recolheu a espada, virou-se e saiu — o tempo dedicado ao aprendizado nunca basta para quem busca poder, então certas coisas devem ser abandonadas.

...

Seu comportamento peculiar logo chamou atenção entre os calouros: um indivíduo estranho, sempre solitário, ocupado com seus próprios afazeres, jamais visto conversando com outros além dos professores. Vestia um manto cinzento, discreto e misterioso, cabelos negros, olhos azul-marinho, uma espada curta na cintura e nada mais.

Ninguém queria se aproximar desse nobre decadente — ao menos, assim o viam, certamente não um membro da alta nobreza. E, mais importante... da última vez que alguém tentou saudá-lo, mal percebeu o que acontecia antes de sentir a lâmina de Morphis fria em seu pescoço.

Era um monstro, um excêntrico, com nervos alerta e sensíveis.

Esse era o consenso entre os novos alunos.

Quando Kir Egman — o veterano que, no primeiro dia, foi derrubado por Morphis — retornou à escola após a convalescença, trouxe consigo o pai, um visconde, que buscava explicações da academia.

Mas o gabinete do diretor estava fechado, e o vice-diretor veio amenizar a situação. O visconde, protetor, ficou decepcionado e, depois de pagar duas bolsas de moedas para obter informações, percebeu que não poderia nem respirar aliviado.

Kir, que insistia em exigir satisfações, foi dissuadido por dois tapas do pai. Compreendeu então que precisava escolher com mais cuidado as vítimas de seu abuso de poder nobiliárquico.

A identidade de Morphis parecia prestes a ser revelada desde o início do semestre — o que indicava que os perigos que enfrentaria iam além das disputas e advertências escolares.

Sem saber de nada, Morphis estava sentado na última fila da sala de aula de magia, olhando distraído para um livro intitulado “Fundamentos da Teoria Elemental”.

O aluno marginalizado, distante dos demais, finalmente encontrara algo que o perturbava profundamente; para alguém que nunca ouvira falar em “magia”, a professora no púlpito era como alguém recitando uma língua incompreensível.

A mulher de manto negro parecia rígida e insensível, olhar frio, sem arrogância, e para os alunos só demonstrava indiferença.

Ela ensinava; os alunos podiam ouvir ou não.

Morphis coçou a cabeça, sinal de irritação — desperdiçar tempo era vergonhoso, então tomou uma decisão.

“Quando os elementos do ar estão em estado livre, chamamos isso de ‘estado livre’, e quando os níveis de energia estão baixos, essa condição... Tem algo a dizer, Morphis?”

Bastou uma chamada para memorizar os nomes de todos. Seu rosto não demonstrava surpresa, apenas ergueu o queixo levemente e olhou para Morphis.

O entorpecente ar da tarde, preguiçoso, foi abruptamente quebrado pela interrupção, despertando muitos alunos sonolentos. Morphis fechou o volumoso tomo à sua frente, ergueu-se e disse:

“Tenho uma pergunta.”

“Diga.”

“Para que serve a magia?”

A questão de Morphis era simples e até ingênua, mas deixou os colegas, já incomodados com ele, em silêncio — após algumas aulas, ninguém sabia responder satisfatoriamente à finalidade da magia.

A professora, impassível, ficou ligeiramente surpresa por alguns segundos, depois desceu do púlpito, o manto se movendo suavemente como se fosse impulsionado por um vento invisível — era a primeira vez que Morphis via uma manifestação tão clara de magia, e ficou atônito, apertando o cabo da espada involuntariamente.

Era uma reação instintiva diante do desconhecido; outros admirariam, alguns temeriam, mas Morphis resistia.

“Todo participante de uma guerra busca a paz, mesmo os belicosos — aqueles que se divertem com batalhas. De modo geral, magia é uma arma de guerra, mas seu significado não se limita a isso.”

Morphis ficou pensativo, recordando as palavras de um velho: “Toda paz é a estabilidade da ordem.” A maga diante dele não parecia ser a simples “arma de guerra” que descrevia.

“Abra a folha de rosto do seu livro; lá entenderá o objetivo de vida de um mago. Magia é só um meio, Morphis. Sua pergunta é inédita em minhas aulas. Muitos se perdem buscando magias poderosas, sem notar o axioma estampado nesta porta.”

Morphis abriu novamente o “Fundamentos da Teoria Elemental”; na folha de rosto, uma linha escrita à mão dizia: “O mago nasce para buscar a verdade.”

Ao levantar a cabeça, a professora já voltava ao púlpito, raramente batendo palmas. Apesar de ser setembro, com temperaturas amenas, flocos de neve brancos começaram a cair pela sala.

Era um silêncio imponente, que fez os alunos, antes céticos, ficarem tensos.

“Por hoje terminamos. O dever é decorar todos os conceitos da primeira capítulo sobre ‘estado fundamental dos elementos’. A reprovação será de inteira responsabilidade de cada um.”

Saiu sem que ninguém se levantasse. Morphis, observando as costas da professora, saiu da sala sem expressão, enquanto a neve derretia ao tocar seu corpo. O silêncio do seu caminhar ficou para os colegas, sem que ninguém ousasse zombar.

...