Capítulo Quarenta e Oito: Academia de Cavaleiros de Cauchy

Cetro Negro Asa da Morte Nassarion 3277 palavras 2026-02-07 18:50:54

A chuva miúda trazia um leve frescor. O desempenho na lista de novos livros estava satisfatório, e eu só podia esperar pelo apoio contínuo de todos. Hoje haveria dois capítulos, e agradeço sinceramente pelos votos e pelo apoio recebido!

Mórfeu despertou do torpor, fitando o teto acima de si com um olhar perdido.

Poder?

Não sentia em si qualquer poder extraordinário, apenas uma exaustão semelhante à de quem passa dez dias numa floresta sem carne para alimentar o corpo.

Seus dedos rígidos se abriram, mas a varinha e a adaga jamais haviam deixado sua mão. Ele se levantou e olhou ao redor, percebendo estar num aposento da torre que jamais vira antes.

Não havia cama, nem mesa, tampouco qualquer móvel ou objeto. Apenas uma pesada porta de ferro rompia o vazio daquele quarto solitário, onde pairava uma atmosfera estranha. A única luz era o clarão trêmulo de uma vela prestes a se apagar sobre sua cabeça.

Mórfeu ergueu-se do chão. Suas roupas exalavam um fétido odor de suor rançoso, e seu rosto estava marcado pelo sal deixado pelo suor seco. Instintivamente, ergueu a varinha e viu com surpresa pequenas faíscas saltarem da ponta.

Sua sobrancelha arqueou. Jamais detendo controle sobre o poder dos elementos, mas tendo lido inúmeros tratados teóricos, Mórfeu nunca havia usado seus próprios filamentos mágicos para alterar o estado dos elementos. Era tomado pela curiosidade quando a mestra dela entrou empurrando a porta. A aura sombria pareceu recuar um pouco com sua chegada. A enigmática mestra limitou-se a deixar uma frase antes de se retirar:

“Use sua varinha para desenhar perfeitamente o ‘Tríplice Arranjo de Natzk’, ou então não saia daqui.”

Mórfeu arregalou os olhos, vendo a porta fechar-se novamente diante de si, restando apenas um imenso bloco de pedra com dois metros de diâmetro no chão.

Aquele era um círculo mágico de nível intermediário, domínio de magos experientes. Mórfeu sabia desenhá-lo, mas não com destreza—e apenas em pergaminhos de couro, nunca numa imensa laje de pedra bruta como aquela.

O desafio era evidente.

Quando a porta de ferro se fechou, reluziu em magia, tornando claro que estava reforçada por um círculo protetor.

Olhando para a pedra dura diante de si e para a luz vacilante da vela, Mórfeu suspirou e apertou com força a varinha de madeira de fênix.

Na segunda-feira, a Academia de Cavaleiros de Cós abriu seus imensos portões.

A história do campus remonta à fundação do país. Bizâncio só pôde se separar do antigo Império de Xígia e tornar-se independente graças à força de sua cavalaria, um dos fatores decisivos. Cavaleiros, impulsionando cargas devastadoras, romperam linhas inimigas desde tempos remotos. Contudo, os cavaleiros do então florescente Império de Ferdin, que primeiro elevaram esse ofício, caíram em decadência por um defeito absurdo: uma arrogância coletiva incurável e cega, o que levou à queda do prestígio da cavalaria em todo o continente no século passado.

O motivo residia na crença extrema desses cavaleiros em sua força, menosprezando infantaria e outros corpos de exército. Essa cultura não se desfaz por simples decretos, e o resultado era que, em batalha, grupos de cavaleiros bem equipados partiam para cargas que julgavam heroicas, mas que aos olhos dos demais eram completamente insensatas. O papel da cavalaria minguou até que o comando de Bizâncio reinventou o conceito, impondo formações rígidas e ataques decisivos, devolvendo brilho àquele ramo militar que, sendo uma joia, permanecera tanto tempo empoeirado.

A Academia de Cavaleiros de Cós surgiu nesse contexto de expansão imperial, tendo sido, em sua origem, um acampamento militar bizantino. Com o desenvolvimento de Constantinopla, a academia passou de formadora de “cavaleiros” a um berço de elite, responsável pela formação dos mais altos talentos.

Em poucos séculos, mais de trinta generais do império, cento e vinte e sete cavaleiros de elite e dois membros do “Conselho dos Cavaleiros da Távola Redonda” saíram de lá. Após suas mortes, todos foram homenageados com estátuas na entrada da academia, compondo, assim, um verdadeiro painel da história militar do Império Bizantino.

Naquele momento, dezenas de jovens nobres, trajando vestes opulentas, retornavam de Constantinopla à academia, cruzando o portão monumental que simbolizava a mais alta instituição de cavalaria. Sob a influência da escola, mesmo os mais mimados das famílias ricas começavam a perder seus trejeitos de dândis. Até aqueles cuja juventude fora consumida por excessos de bebida e prazeres exibiam, agora, alguma virilidade e energia graças aos treinamentos.

Duas fileiras de alunos entravam em formação. Os cavalos eram fornecidos pela academia, após aprovação do exército, e pertenciam à raça militar de sangue quente. Os alunos não usavam armaduras metálicas, apenas couraças de couro de escudeiro. Diferentemente do Império de Ferdin, ali em Constantinopla os jovens nobres não precisavam servir como pajens para cavaleiros veteranos; bastava passar pelo treinamento formal e, ao se formarem, serem condecorados pelo imperador ou por um arquiduque—prático, eficiente e direto.

Após a condecoração, não recebiam feudos como no Império de Ferdin, mas apenas um posto honorário nas forças armadas do império. Queriam soldo? Só se partissem, depois de formados, para as fortalezas militares nas fronteiras e provassem seu valor em batalha. Portanto, os jovens nobres dali não eram como os dândis inúteis da Academia de Talrence. Se fossem reprovados e expulsos, seria motivo de profunda vergonha.

A Academia de Cavaleiros de Cós era rigorosamente hierárquica, quase um espelho do próprio exército. Qualquer infração era tratada conforme o regulamento, sem importar a influência ou poder da família do aluno.

Por isso, quando Mórfeu apareceu correndo, com aparência desgrenhada, muitos alunos se voltaram, surpresos—não só pelo comportamento imprudente, mas também porque, além da adaga no cinto, ele portava um bastão negro.

O que seria aquilo? Uma vara de acender fogo?

Ninguém associou o objeto a uma varinha de madeira de fênix. O grupo não parou de marchar, e, quando adentraram o campus e o portão de ferro começou a se fechar, Mórfeu passou por entre a fresta, respirando com alívio.

Os guardas mal processaram o que ocorria—afinal, a segurança da academia era à prova de falhas. Se Mórfeu não estivesse vestido como um nobre e não tivesse parado ao cruzar o primeiro portão, já teria virado alvo de flechas.

Três ou quatro guardas avançaram, desembainhando espadas que, impiedosamente, se voltaram para Mórfeu. Estavam próximos, prontos para agir de verdade, não sendo meros figurantes.

“Esta é minha carta de admissão. Vim me apresentar hoje.”

Mórfeu limpou o rosto. Após três dias e noites preso naquele quarto escuro, nem sequer havia comido, que dirá se lavado. Seu cheiro estranho e os olhos vermelhos davam-lhe o ar de quem acabara de sair da prisão. Suas vestes não eram requintadas, mas, ao abrir a carta, o brilho dos nomes nela quase cegou os guardas, que por pouco não a lançaram fora.

“Espere um momento.”

Um deles correu para o interior da academia. Poucos minutos depois, um homem trajando armadura metálica surgiu a passos largos.

Seu caminhar era firme; o ranger do metal e o som abafado das botas soavam em ritmo marcado. A espada longa que trazia não tinha a ostentação típica dos nobres: era simples, com bainha de couro e punho gravado com a águia bicéfala de Bizâncio, sinal de armamento oficial.

“Mórfeu de Vento Solar? Filho do duque Vento Solar?”

A pergunta, direta e sem gentileza, surpreendeu Mórfeu, que, desde que chegara a Constantinopla, raramente ouvira seu nome e sobrenome pronunciados com tal franqueza.

“Sim.”

“O que fazes com essa varinha?”

Sem se apresentar, o oficial de barba por fazer perguntou de modo incisivo, e Mórfeu franziu a testa, mas respondeu com respeito:

“Sou um mago.”

O silêncio foi imediato.

“Interessante... Não é de se espantar que aqueles velhos tenham recomendado você para a Sétima Companhia. Sendo um estranho, que fique junto dos seus.”

O homem não parecia surpreso. Fez sinal para que Mórfeu o seguisse, girando nos calcanhares sem sequer olhar para trás. Deixava claro que não dava a mínima para o prestígio do jovem.

“Browne, tenente-coronel reformado da Ordem do Templo. Vim para cá exatamente para forjar essa cambada de coelhos. Quando me virem, comportem-se, entendido?”

O grande cavaleiro do Templo avançava a largos passos, voz tonitruante e rude.

Era uma apresentação peculiar, arrogante, mas fez Mórfeu recordar de um velho conhecido, o que lhe tirou qualquer antipatia. Apenas assentiu:

“Entendido.”

“Assim é melhor! Muito melhor do que aquela leva de bêbados mimados que chega achando que é conde, marquês, duque... Comigo, todos tomam o mesmo chute. Aqui não há pais para proteger ninguém, moleque é moleque, sem fingir grandeza!”

“Certo.”

Mórfeu concordou, observando Browne cuspir no chão, esmagando o escarro sob a bota enquanto subia os degraus. Acrescentou, nas costas do oficial:

“Só não mate ninguém a pontapés.”

“Isso eu gosto de ouvir!”

Browne soltou uma gargalhada, rude e sincera.

Mórfeu sorriu. Era uma frase frequente de Dom Quixote, o velho sempre brincava dizendo que, quando entrou para o exército aos doze anos, foi crescendo a chutes.

Ao erguer os olhos, a imponência da Academia de Cavaleiros de Cós se descortinou diante dele.