Capítulo Oitenta e Sete: Mestre de Dupla Profissão

Cetro Negro Asa da Morte Nassarion 3651 palavras 2026-02-07 18:52:17

Capítulo programado para upload, preciso estar na escola às 7h40 da manhã, então tenho que acordar às seis para chegar a tempo. Hoje é o dia da defesa, o dia em que, após tantos dias, finalmente tudo vai explodir!

Hoje teremos dois capítulos! E ao mesmo tempo, o fim do primeiro volume!

Sem mais delongas, venham os votos vermelhos! E quem ainda não favoritou, favoritem já!

O duque Acar e o chefe da família Justiniano, duque Ricardo, trocaram um olhar; este último, embora aparentasse resignação, trazia no rosto um leve traço de ironia, o que tornava impossível para qualquer pessoa recusar ou se opor. Com um aceno, indicou que o salão procedesse à organização do duelo imediatamente.

O chamado duelo de cavaleiros, tanto em Bizâncio quanto no continente, divide-se basicamente em algumas modalidades — a mais comum é o combate montado, onde o cavaleiro e seu escudeiro batalham juntos: cavaleiro contra cavaleiro, escudeiro contra escudeiro, o cavaleiro combate a cavalo, o escudeiro a pé. O tipo que ocorreria a seguir, porém, era um duelo singular, corpo a corpo, puramente terrestre, sem armaduras extras para proteção.

Se o duelo se desse entre cavaleiros de países inimigos, o perdedor teria de entregar todos os cavalos, armas e armaduras, aguardando depois o resgate para ser libertado. Já nos duelos entre nobres dentro do Império, esses fatores não existiam — era, em essência, uma questão de honra e reputação.

No centro do salão do banquete, um círculo foi improvisado com grades douradas, criando uma arena que, embora simples, estava de acordo com os padrões. Os nobres do Império presentes não eram meros políticos velhos e manipuladores — com poderes ocultos de nível I ou superiores, suas forças eram notórias. Os chefes atuais das famílias eram, em sua maioria, de nível I, de modo que ninguém temia pela vida dos jovens duelistas.

O clima do salão estava eletricamente carregado pelo súbito desafio, exceto pelo grupo de Hiddink, que mantinha semblantes graves. Até mesmo o sempre despreocupado Boozel largara o frango e se aproximara de Morfeu, murmurando sobre a força de Sarah. Krieve, no canto, observava Morfeu de longe com seu sorriso habitual, enquanto Lilith, que ainda não havia falado com Morfeu naquela noite, tentava parecer tranquila, mas lançava olhares ansiosos para a arena sempre que estava ao lado do pai.

"Eu, velho, não sou tão bonito quanto ele", murmurou o príncipe, continuando a comer seu frango assado como se falasse consigo mesmo. Lilith imediatamente fez uma expressão desagradável; pai e filha, cuja relação era tensa, não estavam dispostos a ceder nem um palmo em conversa. Irritada, a jovem cruzou os braços e subiu ao segundo andar do grande salão para observar de cima, evitando assim qualquer comentário alheio.

Só então, de pé, ela percebeu que a duquesa de Essara estava não muito longe. Meninas e mulheres sempre têm diferenças marcantes; o que pensava agora a duquesa, observando serenamente a cena lá embaixo, ninguém sabia dizer. Mas era evidente que Lilith dava enorme importância ao que estava por vir — bastava ver seus pequenos punhos cerrados.

Sem trocar olhares, as duas permaneceram separadas por menos de dez metros. Todos os outros nobres que ocupavam aquela lateral do segundo andar cederam espaço ao perceberem a presença de duas figuras tão distintas: uma jovem orgulhosa e uma silenciosa chefe da inteligência, ambas aguardando o espetáculo que se desenrolaria abaixo.

Morfeu trajava um elegante terno escuro, com o punhal de aço mágico napolitano e a varinha de madeira de fênix pendurados à cintura. Sua aparência de duplo ofício surpreendeu muitos — embora já tivessem ouvido falar que Floyd, diretor da Academia de Magia de Pansel, lhe presenteou com a varinha, somente ao vê-lo assim podiam comprovar a veracidade do rumor.

Morfeu entrou na arena e parou suavemente, o sorriso sumindo do rosto e dando lugar a uma expressão gélida.

Como se uma máscara tivesse sido retirada.

Sarah, herdeira da família Justiniano, vestira-se com trajes prateados ainda mais chamativos. O broche de Cavaleiro Sênior ainda reluzia em seu peito; um longo sabre prateado foi-lhe entregue por um criado. Como a estrela em ascensão da família, atingir tal grau antes dos vinte anos era prova de genialidade. Contudo, ao encarar Morfeu, que não portava medalhas, Sarah zombou:

"Preparado para entender o que é um combate de cavaleiros, garotinho?"

Morfeu não disse palavra, apenas sacou lentamente sua indestrutível espada curta.

Foi só então que alguns dos anciãos mais poderosos, indiferentes até ali, entreabriram os olhos, e ao verem o estranho padrão da lâmina, seus olhares tornaram-se cautelosos e incrédulos.

Não longe dali, o príncipe Hades, entre um gole e outro de vinho, riu sem se virar, murmurando: "Cavaleiros do Cálice Sagrado, Cavaleiros da Távola Redonda — não são exatamente a mesma coisa, afinal."

Os dois já estavam frente a frente dentro do círculo. Morfeu não usou a varinha, apenas cumprimentou com a espada curta, ao passo que Sarah, confiante, acenou para o redor, recebendo aplausos e gritos de moças nobres. Ao lado do jovem Morfeu, que permanecia calado, Sarah parecia ainda mais seguro de si.

A lâmina prateada de Sarah emitia um brilho gélido, quase como se envolta por uma camada de geada, revelando-se uma peça extraordinária. Ele a ergueu levemente, retribuiu o gesto e, num salto, avançou como um raio — seu ímpeto era avassalador.

Ao contrário de Morfeu, que trilhava o caminho da “Penitência”, Sarah seguia o da “Fúria” — o mais feroz entre os cavaleiros, famoso por seu estilo explosivo e suicida. Muitas vezes, os cavaleiros da Fúria eram conhecidos por derrotar mil inimigos à custa de oitocentos ferimentos próprios!

Naquele instante, Sarah era como uma flecha disparada, seu corpo projetando tamanha pressão que ameaçava esmagar Morfeu.

Invencível!

Morfeu, com o centro de gravidade baixo, ergueu a espada curta, bloqueando firmemente o primeiro golpe do adversário.

“Clang!”

A força de um Cavaleiro Sênior era terrível, e Sarah, um grau acima de Morfeu, estava certo de que seu primeiro golpe afastaria o rival. Porém, após o impacto das lâminas, Morfeu nem sequer recuou meio passo!

Morfeu, empunhando o punhal mágico, ergueu o olhar, desviando-se num movimento súbito, fazendo com que a segunda lâmina de Sarah passasse de raspão. O terceiro ataque veio logo em seguida, um golpe vertical aparentemente impossível de defender.

Morfeu, ágil e leve, parecia mais um assassino que um cavaleiro, esquivando-se do terceiro golpe. Sarah, após os três ataques iniciais, não mostrou o cansaço que Morfeu esperava; continuou com cortes e estocadas impiedosas, cada movimento arrancando suspiros das moças nobres. O efeito afiado da espada chegava a assustar — não fosse um mago protegendo com escudo mágico, todos ao redor estariam em perigo!

Morfeu parecia sobrecarregado, esquivando-se até perder terreno, quase prestes a ser despedaçado.

Dez golpes seguidos. O poder da Fúria fora exposto em sua plenitude. Morfeu, esquivando-se à esquerda e à direita, finalmente não tinha mais para onde fugir e, usando apenas a espada curta, bloqueou os três últimos ataques, claramente exausto e à beira do colapso.

O embate dos dois não envolvia técnicas mirabolantes ou gritos inúteis — a Fúria era puro ataque bruto e selvagem, cada vez mais furioso, enquanto a Penitência dependia de acumulação, um poder que se alimentava da força do adversário, para depois devolvê-la redobrada.

Quando Morfeu, pela primeira vez, segurou a espada com as duas mãos e contra-atacou, sua postura, tão diferente dos estilos de Bizâncio, fez com que alguns cavaleiros veteranos franzissem a testa.

“Crac!”

O primeiro golpe de Morfeu soou como um trovão. O jovem, mais baixo que Sarah, ergueu a lâmina e, sem qualquer hesitação, partiu ao meio a obra-prima do armeiro real, valendo mais de cinquenta mil moedas de ouro astecas!

O zumbido e o clarão da lâmina quebrando significavam apenas uma coisa: a valiosíssima espada longa estava destruída!

O silêncio que se seguiu parecia ter criado um vácuo ao redor — partir uma espada longa não era apenas questão de qualidade do aço, mas sim de força e controle técnico no auge da perfeição!

A lâmina mágica de Morfeu passou rente ao rosto de Sarah, cortando alguns fios de cabelo, e em seguida um chute certeiro em seu abdômen o fez recuar dois passos!

A esgrima dos cavaleiros é variada, mas os entendidos só observam duas coisas: o gesto inicial e a atitude durante a guarda. Neste momento, a contraofensiva de Morfeu era totalmente distinta dos padrões vigentes em Bizâncio!

O instrutor Brown suspeitara, no passado, que a técnica de Morfeu se assemelhava à de Kaslandi, mas a duquesa de Essara usou sua influência para evitar maiores repercussões. Agora, portador do legado de Dom Quixote, Cavaleiro da Távola Redonda, Morfeu explodiu em uma força de combate inimaginável!

“Clang!”

O segundo golpe de Morfeu arrancou da mão de Sarah o que restava da espada curta! O fragmento, lançando-se pelo ar, foi interceptado sem dificuldade por um velho de túnica azul-marinho, que usou magia elemental; ele, bem como outros generais de peito repleto de medalhas, mantiveram os olhos fixos na reviravolta de Morfeu.

Sarah, sem espada, deveria estar derrotado, mas, surpreendentemente, suas mãos começaram a brilhar com uma névoa branca. Como asas de águia, seus braços se abriram e, com ambos os punhos, golpeou Morfeu, que bloqueava com os antebraços.

“Pum!”

Com o som abafado, Morfeu recuou mais de três passos!

A força daquele soco era descomunal; Morfeu sentiu o ar faltar e quase perdeu a visão!

“Um sangue bárbaro, realmente fora do comum”, murmurou alguém entre os chefes de família, lembrando a todos que os Justiniano não eram originários de Bizâncio, mas haviam fugido do Império Gilman — aquela família outrora chamada de “bárbara” já era agora voz influente em Constantinopla, e seus antigos costumes e linhagem haviam sido esquecidos.

Além dos cavaleiros, espadachins e assassinos, há muitas outras profissões que vivem do combate físico. Entre elas, apenas os “bárbaros”, conhecidos por sua força descomunal e combate exclusivamente manual, desapareceram da cena pública. Quase todas as histórias sobre bárbaros vêm do remoto norte, para lá das fronteiras de Kaslandi, ou dos rings clandestinos ou arenas de feras usadas para chamar a atenção do público. Ninguém esperava que Sarah, já portador do broche de Cavaleiro Sênior, fosse também um bárbaro de alto nível!

Um verdadeiro mestre de dupla classe!