Capítulo Um – A Conspiração sob a Guilhotina

Cetro Negro Asa da Morte Nassarion 3394 palavras 2026-02-07 18:49:22

Primeiro capítulo de um novo livro, uma nova jornada, um novo começo, levando a sério cada palavra escrita.
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— Eu, Sebastião Corvo, prefeito de Vila Gancho, de acordo com as disposições relevantes do Código Maharik do Império, anuncio a sentença de morte para Wade, Mestril, Cobain... Morfeus e outros doze!

Vila Gancho, uma das localidades mais remotas do Império, viu seu prefeito apressadamente proclamar a execução de onze bandidos e um jovem numa tarde quente de verão.

Neste Império próspero, onde os camponeses trabalham honestamente na terra, os nobres tramam suas intrigas e as fronteiras sofrem ocasionais conflitos, a pena de morte não parece ser um grande acontecimento. Porém, para Vila Gancho, que não executava ninguém há mais de cinco anos, o fato era de grande significado.

Morfeus tinha quinze anos. No momento, ele mantinha a cabeça erguida com esforço, enquanto os guardas atrás dele seguravam firmemente seus braços. Seu corpo magro e ainda não desenvolvido contrastava fortemente com os onze brutamontes ao seu lado, ajoelhados diante do cadafalso.

— Maldito Sebastião! Não me lembro de Vila Gancho já ter tantos espadachins de nível médio! Quanto ouro você recebeu para que esse velho cadáver ousasse sair de sua carapaça de tartaruga?

Wade, outrora líder dos bandidos, agora era contido por quatro ou cinco homens e parecia um fardo amarrado. Seu corpo, pelo menos o dobro do tamanho de um homem comum, lembrava um gigante. Os músculos grossos estavam marcados por cicatrizes, e correntes de ferro o prendiam como a uma besta feroz.

Ignorando completamente Wade, o olhar do prefeito Sebastião deteve-se por alguns segundos apenas na figura mais franzina, depois acenou para o oficial ao lado.

— Comecem.

— Fique quieto, garoto!

Os braços de Morfeus estavam presos com força. O guarda deu-lhe um chute impiedoso no estômago; após o baque surdo, Morfeus encolheu-se como um camarão cozido, soltando um gemido abafado, mas não gritou.

O suor escorria-lhe pelos cabelos, que caíam sobre os olhos. Morfeus mantinha-os bem abertos, esforçando-se para permanecer consciente.

Será que caçar honestamente poderia ser considerado crime de banditismo? Não lhe interessava investigar se estava sendo injustiçado. Quando a viúva-negra morde, não se importa se és texugo ou rato. Acostumado às leis da selva, Morfeus sabia que argumentos não adiantam — a razão pertence sempre ao topo da cadeia alimentar.

Bang!

Seu rosto foi forçado violentamente contra a pedra do cadafalso. O carrasco ao lado levantava lentamente o machado enorme. Virando a cabeça, Morfeus não conseguia ver o machado prestes a cair, apenas os bandidos alinhados ao seu lado.

No instante seguinte, Morfeus viu claramente o chefe dos bandidos, Wade, exibir um sorriso estranho.

— Agora!

Um rugido ecoou, seguido pelo som de ossos se partindo. Um dos prisioneiros, que parecia particularmente abatido, de repente tornou-se uma víbora atacando a presa. Os guardas que o seguravam foram lançados longe sem aviso. De imediato, este homem sacou a espada mais próxima e, num movimento rápido, perfurou dois guardas ao lado de Wade!

Aí estava o verdadeiro motivo da calma de Wade durante todo o trajeto! Ele era o trunfo do chefe bandido! Se um bando de ladrões que aterrorizou o Condado de Gancho por sete anos fosse capturado tão facilmente, isso seria, de fato, ridículo!

Os guardas perfurados caíram antes mesmo que o sangue jorrasse, e a silhueta gigantesca, antes contida, libertou-se com estrondo das correntes!

— Malditos! Todos vocês vão morrer!

Um espadachim avançado!

O poder explosivo de seus punhos atingiu vários soldados próximos antes que pudessem reagir, quebrando-lhes o pescoço com um único golpe!

O ataque súbito deixou o carrasco atônito por um segundo; até os dois guardas que seguravam Morfeus afrouxaram as mãos por um breve instante.

Um momento de distração pode ser fatal.

O que faz um menino que desde os oito anos enfrenta sozinho ursos e lobos na floresta, ao se ver livre?

O corpo magro era sua camuflagem, o próprio corpo sua arma — como um lobo solitário, as garras de Morfeus atacam no instante mais inesperado.

Deslizando como uma enguia para trás, ele torceu os braços e libertou-se das mãos dos guardas, desferindo dois golpes certeiros e impiedosos — mesmo sem força descomunal, um ataque preciso pode ser letal, ainda mais contra humanos.

A região das virilhas pode não ser vital, mas tira qualquer um de combate — especialmente quando golpeada com o cotovelo duro e proeminente de Morfeus!

Bang!

Dois guardas foram atingidos entre as pernas. Mal haviam gemido, Morfeus já rolava para o lado. Com um estrondo metálico, o machado do carrasco cravou-se fundo na pedra onde ele estivera segundos antes, por pouco não partindo Morfeus em dois!

Num salto ágil, Morfeus, como um leopardo na selva, lançou-se debaixo do cadafalso. Os bandidos já se engalfinhavam com os guardas, os aldeões corriam em pânico. Para Morfeus, os camponeses fugindo eram como peixes no mar. Curvando-se e avançando, o caçador ágil cruzou rapidamente o espaço aberto, ficando a apenas dez metros da multidão e das casas...

— Ha!

Ao ouvir este grito, Morfeus instintivamente encolheu-se no ar, trocando a corrida por uma cambalhota à frente — por trás, uma espada passou rente à sua túnica, rasgando um grande pedaço de tecido grosseiro, mas não o feriu. Levantando-se num movimento fluido como uma águia, Morfeus saltou, girando o corpo magro no ar, e com toda a força, acertou o espadachim atacante com um chute.

A flexibilidade de seu corpo era sobre-humana, digna de uma fera da selva. Toda sua força convergiu naquele instante, igualando-se à explosão de um leopardo-dentes-de-sabre atacando a presa!

Bang!

O espadachim, sem tempo de bloquear, jamais esperaria que aquele garoto atacasse com tamanha velocidade e precisão. O chute atingiu-o de baixo para cima, no diafragma, e a armadura de couro nada pôde fazer contra a força comparável a um soco de um espadachim iniciante. A dor o fez ofegar e dobrar-se para a frente —

Frio, Morfeus apoiou as mãos na cabeça do guarda ao cair e, sem hesitar, desferiu uma joelhada no nariz do adversário!

Bang!

Ao largar o guarda inconsciente, Morfeus, ainda com aparência de menino, mostrava uma crueldade comparável à dos bandidos em luta. Mas ele sabia exatamente o que devia fazer — um caçador experiente jamais enfrenta de frente uma presa poderosa. Mesmo eliminando em instantes um guarda com força de espadachim iniciante, não poderia ignorar o poderio militar de toda Vila Gancho.

Sem hesitar, Morfeus correu para a alfaiataria mais próxima, tendo previamente calculado a distância para a rota de fuga mais curta. Não que soubesse que o chefe Wade faria aquilo — mas mesmo ciente de sua sentença de morte, ele sempre pensava em cada possível rota de fuga!

Mesmo quando o mundo o abandonasse, ele jamais abandonaria a si mesmo.

A corrida fazia com que as costas de Morfeus, expostas pelo rasgo na roupa, mostrassem a pele pálida coberta por estranhas marcas negras, invisíveis a todos na confusão — e muito menos alguém poderia decifrar seus significados profundos.

Talvez, porém, alguns tivessem Morfeus como alvo desde o início, como o próprio prefeito Sebastião, que gritava ordens para capturar o fugitivo.

Aproveitando a desordem, Morfeus pulou por trás do balcão da alfaiataria. Menos de quinze segundos depois, a porta dos fundos se abriu e uma figura vestida com uma túnica marrom saiu calmamente. Seus passos tornaram-se vacilantes e apressados, misturando-se ao povo em fuga. Guardas que procuravam Morfeus passaram por ele sem notar nada estranho no rosto agora limpo do garoto antes sujo.

Ao longe, ouviam-se cascos de cavalos. Morfeus não se sentia aliviado por escapar da morte — um tigre que mata javalis pode ser morto por três mililitros de veneno de uma cobra se baixar a guarda. Por isso, ele mantinha a respiração contida, avançando silenciosamente pelas ruas, escondendo-se num canto e ouvindo com cautela ao redor.

Tudo parecia ter passado. Os gritos de raiva e pânico já estavam a mais de cem metros. Ofegante após o esforço, Morfeus tentava regular a respiração, mas ainda ouvia o “tum-tum” do próprio coração.

Havia uma sensação estranha em seu corpo, como se as costas ardessem em chamas — sensação essa que ele experimentava cada vez mais intensamente durante as últimas semanas de caça, sem saber o que aquilo significava. Na aldeia de Nélio, não havia espelhos, e Morfeus nem sabia o que era um “espelho”, por isso não podia ver as mudanças em suas próprias costas.

Morfeus era apenas um caçador comum, mas naquele dia, fora capturado na floresta junto com um grupo de bandidos em fuga por guardas inesperadamente surgidos. Por mais coincidências que houvesse, ele sentia o cheiro de conspiração no ar.

Como as armadilhas que montava para a caça: por mais perfeitas que parecessem, sempre havia uma falha impossível de esconder.