Capítulo Sete: Há Assuntos que Precisam Ser Discutidos

Cetro Negro Asa da Morte Nassarion 3540 palavras 2026-02-07 18:52:33

Hoje haverá apenas uma atualização, os votos vermelhos ficam ao critério de vocês. Ainda preciso sair o dia inteiro, amanhã terei exame médico pré-graduação e foto de formatura, mas depois de amanhã devo poder postar em ritmo acelerado.
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O Império Bizantino foi surpreendido por uma neve como não se via há anos.

Normalmente, Constantinopla, com seu clima ameno junto ao mar, típica de regiões mediterrâneas, apresenta invernos suaves e chuvosos, mas essa neve rara chegou de forma estranha, despertando euforia nas crianças que nunca haviam visto neve e preocupação em muitos adultos.

Diante do Seminário de São Pamfilo, os estudantes rezavam em conjunto. A notícia de que o Império preparava-se para uma guerra de pequena escala já havia se espalhado por toda a capital, e o que mais faziam agora os padres e monges era rezar pelos soldados que partiriam para o campo de batalha na primavera seguinte. A neve parecia ser um presságio, e por isso o patriarca emitiu ordens e comunicados em quantidade sem precedentes, dando à guerra um ar de evento extraordinário.

Joana parecia ter abandonado o hábito de olhar para o portão.

Ele não voltará, não é?

Sentindo-se um pouco desapontada, Joana ajeitou sua batina preta, sacudiu os flocos de neve dos ombros e, ao fim da oração, lembrou-se de algo, virando-se para o portão do seminário.

Desta vez, viu uma silhueta conhecida.

Trajava roupas cinzentas, finas mesmo sob a neve, sem um manto grosso. Sob o capuz erguido, podia-se divisar um rosto idoso e bondoso.

Tomás de Aquino, em frente ao Seminário de São Pamfilo, acenou suavemente para Joana, que estava na praça da igreja.

A menina ficou atônita por um instante, tapou a boca tentando conter as lágrimas de emoção e quase correu até ele, mas ao ver o gesto do velho, desacelerou os passos, sem conseguir impedir que as lágrimas caíssem sobre o dorso da mão.

Meses sem ver Aquino. Pela primeira vez vivendo de maneira genuína, Joana sentia imensa saudade desse velho gentil e sábio. Parou diante dele, enxugou as lágrimas e tentou sorrir, mas não conseguiu dizer palavra.

— Depois de tanto tempo aqui, o que aprendeu? — Aquino retirou o capuz, sorrindo para Joana, cujo rosto estava avermelhado do frio.

Joana balançou a cabeça, limpando os olhos, e murmurou:
— Não muito.

— Isso já basta. — O velho assentiu satisfeito e depois disse suavemente: — Para ser um bom pastor, não basta saber onde está o caminho, é preciso entender que a cerca às vezes marca o limite, mas outras é só um obstáculo.

Joana, vestida com a batina preta bizantina, assentiu com seriedade, hesitando em dizer algo, mas viu o olhar travesso do velho e percebeu que seus pensamentos haviam sido percebidos. Seu rosto ficou ainda mais corado.

— Ele foi para longe e pode demorar a voltar. — Disse Aquino em voz baixa.

— Quanto tempo?

— Talvez até o dia em que você estiver no topo do Monte Piers olhando para a Diocese de Praga.

Aquino piscou. Monte Piers, Diocese de Praga — tudo isso só podia indicar uma coisa: o bispo da maior diocese do Império Bizantino, o território de Praga.

Joana não compreendia o significado dessas palavras, apenas piscou e perguntou:
— O caminho dele é tão longo assim?

— Acredito que você também poderá percorrê-lo.

— Sim! — Joana respondeu com um leve alívio. Não conversaram muito mais, pois o velho, que parecia ter muitos afazeres, partiu sem nunca cruzar o portão do seminário.

Joana até o convidara para entrar e descansar, mas Aquino recusou com um leve aceno de cabeça, sem explicar o motivo.

……

Nos últimos meses, Constantinopla aparentava tranquilidade, mas no círculo da alta nobreza nunca faltavam assuntos de peso.

Uma notícia era que a filha do príncipe Hades havia concluído antecipadamente o curso na Academia de Cavaleiros de Corcyra e ingressado imediatamente na segunda ordem de cavaleiros, originalmente destinada ao herdeiro desaparecido da família Windsor. O príncipe, cavaleiro da Távola Redonda, sequer se deu ao trabalho de acompanhá-la, entregando-lhe apenas um conjunto de armaduras, sem sequer designar um escudeiro.

Outra notícia era que, desde a chegada de uma mulher de manto negro à residência dos Windsor, a mansão voltara ao silêncio habitual. O duque, que se mantivera recluso por dias, parecia ter recuperado a compostura e agora transitava diariamente entre o palácio imperial e o ministério da guerra, alheio a tudo o mais.

Quanto à identidade da mulher de negro, alguém descobriu tratar-se de uma simples professora de magia da Academia de Talence. Isso fez de Windsor motivo de chacota: justo agora, queria resolver problemas contratando qualquer feiticeira?

Para todos, os lírios púrpura estavam fadados a murchar sem sucessores.

Ninguém, porém, sabia de fato o que Delia, a maga, e Aquino, que chegara misteriosamente por último, haviam discutido na mansão Windsor. A única informação que circulou entre os nobres foi que o Tribunal do Santo Ofício pareceu apertar ainda mais a fiscalização dos hereges nas fronteiras.

O inverno em Bizâncio era sombrio, prenunciando um período de turbulência para o Império.

……

Em Herápolis, o frio tornou-se intenso com a chegada do inverno. Os transeuntes circulavam envoltos em grossos mantos, baixando a cabeça contra o vento gelado e soprando nas mãos, pensando apenas em voltar para casa e ao calor da lareira.

Mas no sombrio mercado de escravos do bairro oriental, a figura de um jovem rompeu subitamente a quietude trazida pelo frio.

Usava roupas cinza e branca, botas e fechos de couro castanho-escuro, e o capuz ocultava o rosto, deixando à mostra apenas o queixo levemente barbeado. Trazia nas costas algo semelhante a uma aljava, à cintura uma adaga curta – postura de mercenário ou caçador de recompensas.

No entanto, o gato de orelhas dobradas deitado preguiçosamente em seu ombro quebrava o ar de seriedade, tornando a cena quase cômica. De vez em quando, o felino listrado cobria os olhos do rapaz com o rabo, mas ele não afastava o animal, apenas observava friamente os escravos encolhidos e trêmulos ao redor, dirigindo-se diretamente à mesa de inscrições da arena, onde tocou de leve o tampo sujo e estreito.

O administrador, cochilando, levantou a cabeça surpreso, mudando de imediato para uma expressão calorosa, bem diferente da que usara ao receber Morfeu pela primeira vez. Entregou-lhe pessoalmente uma ficha e o conduziu ao acesso à arena.

Morfeu não precisou sacar uma única moeda de prata.

— É a última vez.

Fitando o céu escuro enquanto desaparecia no túnel de acesso, Morfeu parecia muito mais maduro do que um mês antes.

Após a batalha que quase pôs o fim ao negócio da Arena Punho de Ferro, Morfeu venceu facilmente as três lutas seguintes, praticamente sem precisar lutar — bastava sua gata, chamada Esfinge, para eliminar qualquer adversário.

Um dos pilares da arena foi morto, outro, raptado, e Fáber, o responsável, chegou a cogitar eliminar Morfeu ao pagar-lhe milhares de moedas de ouro, mas depois de receber ordens do senhor feudal, mudou de tática e propôs um contrato de colaboração à Morfeu.

Os termos: três combates, dez por cento dos lucros das apostas para Morfeu, e após isso, estava tudo quitado.

Morfeu aceitou sem hesitar — nunca se sabe o dia de amanhã, e não queria transformar a poderosa arena em inimiga numa terra estrangeira. Assim, participou de duas lutas conforme o acordo, proporcionando mais de cem mil moedas de lucro à arena, graças à Esfinge.

O primeiro combate foi contra um "vaso decorativo" — um dragão menor, da espécie Anghel, criado sem sucesso e sem agressividade, um ser inútil e de papel decorativo, facilmente trucidado pela Esfinge.

O segundo foi contra uma companhia inteira de cavaleiros — isso mesmo, quarenta e cinco soldados capturados nas fronteiras do Sagrado Império de Gabriel. Não eram muito poderosos, mas mostraram aos espectadores o que era uma verdadeira carga de cavalaria.

O resultado foi que acabaram convertidos em petisco para Esfinge, engolidos pelas áreas de areia movediça criadas pelos três círculos de corte elementar ampliados por Morfeu.

Agora, Morfeu se preparava para seu último combate na arena, o “ato final” da sua acumulação de capital — e, se tudo corresse conforme o contrato, receberia mais de vinte mil moedas de ouro. Ainda que não fosse um trabalho nobre, o retorno compensava o risco.

Após os procedimentos de praxe, Morfeu se viu novamente no centro da arena.

Tornara-se o principal atrativo das lutas em Herápolis — as façanhas inacreditáveis e a combinação quase invencível com Esfinge já haviam elevado as apostas para mais de setenta mil moedas, antes mesmo de o adversário surgir!

Mas, quando a cela do outro lado se abriu e alguns pálidos personagens entraram, Morfeu estreitou os olhos.

Vampiros.

Raça que já deveria ter sido erradicada pelo Sagrado Império de Gabriel, agora usada como espetáculo na arena... não se sabia se era azar do país, dos vampiros, ou da própria religião.

Ao sentir a presença das criaturas das trevas, Esfinge saltou do ombro de Morfeu. O pequeno sino em seu pescoço, mesmo com o movimento, não soou uma única vez. Contudo, ela foi interrompida pelo passo de Morfeu.

Ele colocou-se à frente da gata, sacou lentamente a adaga de Nápoles e avançou sozinho em direção aos três imortais infelizes do Sagrado Império de Gabriel.

— Creio que temos coisas a discutir antes de começarmos a luta.