Capítulo Trinta e Um: Construção e Ruína, Habilidade Divina
Uma nova semana começou e peço votos vermelhos para subir no ranking. Ontem, em um único dia, recebemos 289 votos, muito próximo dos trezentos. Se hoje conseguirmos manter esse ritmo, amanhã haverá um capítulo extra. Continuarei escrevendo com dedicação e espero que, ao lerem, possam afastar um pouco da agitação cotidiana, trazendo mais tranquilidade e reflexão. Mais uma vez, agradeço a todos os amigos anônimos. Muito obrigado.
Crivey, que estava atrás de mim, parecia pela primeira vez não ostentar o sorriso habitual; seu semblante era pesado enquanto olhava para a vampira de asas negras estendidas no chão. Um leitor voraz como ele compreendia facilmente que apenas vampiros de um certo status podiam possuir asas tão imponentes — ao menos em teoria, criaturas assim quase nunca surgiam diante dos humanos. O tribunal da Igreja Bizantina sempre mantivera uma postura contrária a esses seres milenares, vivendo há mais de mil anos, mas raramente tomava atitudes drásticas. Em contrapartida, o Santo Império de Gabriel levava a caça aos hereges ao extremo, caçando desde magos até alquimistas e capturando todos, vampiros inclusos, numa campanha grandiosa e eficaz.
A maioria dos tratados sobre vampiros vinha justamente dos estudiosos do Santo Império de Gabriel, e por isso Crivey não tinha dúvidas sobre o poder da mulher à sua frente.
“Um jovem sem talento para a magia, mas ainda assim curioso sobre os segredos por trás desta porta?” Della voltou-se para Crivey, suas palavras afiadas e impiedosas, revelando de imediato um segredo jamais confessado por ele. Era como se uma ferida mal cicatrizada tivesse sido brutalmente aberta; Crivey arregalou os olhos, suor brotou em sua testa, tornando claro seu embaraço e luta interna. Embora não tivesse tempo de responder nada, pela primeira vez, esse leitor incansável sentiu vontade de desistir.
Mesmo quando era espancado até não conseguir se levantar, nunca sentira medo em seu coração. Agora, contudo, diante de uma maga de poder inatingível, sua convicção vacilava — pois, em sua visão, a magia era a base da fé, e diante de Della, que dominava os elementos, sentia-se como um monge diante de Deus.
Assombro e temor.
“Você não tem qualificação para ser meu aluno.” Della olhou Crivey nos olhos, sem qualquer delicadeza: “A porta da magia está aberta para poucos. Há muitos de vontade firme, mas poucos de fato adentram o salão.”
O rosto de Crivey empalideceu, tornando-se semelhante ao vampiro morto no chão.
“Entretanto, se você conseguir uma medalha de honra do Carvalho Dourado na Academia de Magia de Pansel, talvez eu reconsidere.”
Essas palavras caíram sobre a mente já atordoada de Crivey como chuva sobre terra seca. Seu braço estremeceu, como se tentasse fazer uma saudação, mas parou no ar, incerto sobre prosseguir ou não — afinal, jamais revelara sua origem nobre.
“Não me interessa sua linhagem; só me importam suas habilidades.”
Della virou levemente o rosto para Mórfius ao lado e ordenou: “Leve o corpo, venha comigo para o andar de cima.”
Ela se ergueu com elegância e caminhou até a porta. “Não precisa me dizer seu nome agora. Quando você for capaz de me mostrar seu valor, volte e me diga.”
Desprezo?
Crivey sentiu que isso era uma missão digna de toda uma vida. Concordou com veemência, virou-se e saiu correndo da torre, como se desperdiçar um minuto fosse um pecado.
“Todo possível herói nasce de um início obstinado; pode florescer ou murchar, mas é melhor do que viver em vão.”
Sem olhar para trás, Della deixou essas palavras enquanto subia para o andar superior da torre. Mórfius sacou uma adaga, cravou-a algumas vezes no corpo do vampiro para se certificar de sua morte pelo sangue que escorria, e então, numa postura estranha, pôs-se a carregá-lo, mantendo a lâmina rente ao pescoço da criatura para decepar a cabeça ao menor sinal de movimento.
Seguiu Della até um cômodo no topo da torre. A porta negra à frente era ainda mais imponente e misteriosa que a de baixo. A mão de Della deslizou suavemente sobre a superfície sem tranca, e incontáveis símbolos complexos surgiram no ar, cintilando no corredor escuro. Com um leve gesto, os símbolos começaram a se mover, e, antes que Mórfius pudesse segui-los com o olhar, sumiram de vista. Logo em seguida, ouviu-se o clique do mecanismo sendo destravado.
“Matiz de Defesa Conectada de Pagasla, nível quarenta e sete. Talvez os anciãos da Academia de Magia de Pansel jamais vejam algo assim em vida, pois tal feitiço só existe no verdadeiro tesouro do Palácio de Constantinopla.”
Della empurrou a pesada porta sem olhar para trás. “Dissecação anatômica: hoje temos um espécime fresco. Farei metade, você fará a outra.”
“Entendido, mestra.”
“O círculo mágico da entrada — diga-me tudo o que sabe sobre ele.”
Della não parou um instante. Ao entrar no frio do cômodo, não acendeu velas, mas, por algum método oculto, ativou um círculo de iluminação sustentado por magia. Num instante, o ambiente brilhou como sob o sol, e Mórfius percebeu que até sua sombra desaparecera.
O quarto era espaçoso. De um lado, uma pia geométrica e uma fileira de frascos e potes de aparência complexa; havia até um forno, ainda apagado. O frio era intenso. Próximo à parede oposta, armários escuros e opressivos guardavam conteúdos desconhecidos. Os padrões intricados que os cobriam denunciavam uma origem diferente do estilo bizantino.
Sem tempo para questionar, Mórfius conectou em sua mente tudo o que sabia sobre o “Matiz de Defesa Conectada de Pagasla” da porta negra, organizou as ideias e começou a explicar, com voz firme: “Entre os tipos de magia defensiva, as matrizes são as mais trabalhosas e demoradas de construir, mas também as mais eficazes. Segundo a classificação da Guilda das Tulipas Bizantinas, o nível quarenta e sete é o ápice atual das matrizes defensivas, avaliadas por sua eficácia contra ataques físicos e elementais. Pelo padrão da Guilda de Constantinopla, isso é considerado ‘impenetrável’ — feitiços letais inferiores a maldições proibidas não podem atravessá-lo. O Matiz de Defesa Conectada de Pagasla tem doze nós, dividindo a pressão entre si, tornando-o praticamente imune a ataques físicos. Registrou-se na história que três dragões subespécies de prata lançaram-se contra o escudo sem causar dano. Os nós alternam-se constantemente conforme o lançador, e a forma é variável. A única fraqueza é a exigência de uma fonte de energia cristalina imensa ou, no mínimo, um núcleo de besta dourada.”
Respirando fundo, Mórfius recordou as palavras do excêntrico autor de “Sobre Fenômenos de Isenção em Escudos Mágicos” e continuou: “Pela análise de Hitchcock, no entanto, esse escudo não é invulnerável, muito pelo contrário. Segundo o ciclo de decaimento elemental e o cálculo de Rembrandt, quanto mais estável a estrutura, maior a probabilidade de haver um ponto crítico: basta tocá-lo para que toda a matriz colapse. Esse princípio vale para quase todos os escudos mágicos, mas quanto mais avançada a matriz, mais difícil encontrar tal ponto. Contudo, se encontrado, até um projétil elemental de nível um pode destruir o Matiz de Pagasla.”
“Aprovado.” Della assentiu, exibindo pela primeira vez um olhar satisfeito.
Mas sua pergunta seguinte fez o suor frio escorrer pelas costas de Mórfius: “E qual sua opinião pessoal sobre a teoria de Hitchcock?”
Não bastava responder de forma vaga. Mórfius engoliu em seco, erguendo ligeiramente o rosto para vasculhar a memória em busca das informações dispersas. Não fazia ideia de como era um feitiço de nível um, nem conhecia o método de cálculo do tal valor de Rembrandt. O que sabia, no fundo, era que até a mais poderosa besta da floresta tem um ponto fatal vulnerável; pode ser impossível derrubar um dragão subadulto com um soco, mas já matara um javali com uma única estocada. Quanto à teoria de Hitchcock, ele a aceitava com reservas, pois nunca lidara com formas elevadas de poder.
Della não respondeu, apenas ergueu uma das mãos. Com a outra — de algum lugar — lançou um punhado de pó cristalino e, num gesto incrivelmente veloz, construiu doze círculos mágicos interligados no ar. Sua mão deslizou acompanhando um cântico arcano, e uma onda mágica intensa brilhou por um instante. Com o enfraquecimento da luz, surgiu um escudo triangular translúcido, como vidro.
Mórfius ficou boquiaberto diante da mestra, que erguera em segundos o Matiz de Defesa de Pagasla, esquecendo até de demonstrar espanto.
“Saque a espada e ataque.”
A ordem de Della foi inquestionável.
Engolindo em seco, Mórfius sacou a adaga de aço mágico de Nápoles e a cravou no escudo diante da mestra. Como esperado, o impacto o fez sentir que atingira aço — a lâmina foi repelida, e o escudo triangular nem sequer ondulou.
“E a sua habilidade de matar javalis com uma estocada?”
Della sorriu, não pressionou mais Mórfius, e empurrou o escudo para longe, estalando os dedos com a outra mão.
Um projétil de elemento semi-condensado surgiu no ar, mas sua cor não era o cinza-clarão registrado nos livros, e sim um tom metálico quase azul-escuro. Com um estalo de dedos, disparou como um virote e atingiu o escudo do Matiz de Pagasla a dois metros de distância.
No instante seguinte, o escudo triangular, sólido, foi perfurado diante dos olhos de Mórfius. A barreira, antes reluzente, entrou em colapso e explodiu numa nuvem invisível, sumindo sem deixar rastro.
Absolutamente prodigioso.