Capítulo Vinte e Nove: Os Jovens Deste Lugar, Lutando

Cetro Negro Asa da Morte Nassarion 3546 palavras 2026-02-07 18:50:04

Hoje haverá dois capítulos. Ontem, mais um segundo-tenente apoiou a obra, então à noite trago o segundo capítulo em agradecimento! Continuem votando! Este capítulo é dedicado aos jovens que se sentem perdidos no caminho do aprendizado. Talvez muitos considerem inúteis e cansativos os estudos do ensino fundamental, médio ou até da universidade, mas é sempre melhor uma juventude ocupada e produtiva do que desperdiçada na ociosidade.

Sigamos juntos.

Como protagonista, Morfeu parecia ter desaparecido da academia. O único lugar onde se via sua presença era na alta Torre de Astrologia—Morfeu praticamente não tinha amigos; além da jovem noviça, apenas Clive, que passava os dias imerso num mar de livros, trocava algumas palavras com ele.

A grande mesa de Clive estava coberta por uma quantidade incontável de livros. A Torre de Astrologia não ficava longe da biblioteca da escola, o que explicava o volume assustador de obras que ele emprestava. Talvez um observador comum concluísse que o rapaz à sua frente não passava de um rato de biblioteca, obcecado por magia, alheio a tudo o mais. Mas Morfeu sabia que Clive possuía uma determinação e uma perseverança raras.

A essência da magia não reside apenas na teoria; o dom é crucial. Alguém sem talento mágico, por mais que se debruce sobre livros a vida inteira, jamais será mais do que um teórico, incapaz de condensar sequer meia unidade de elemento. Nem se fala em lançar as "bolas de fogo" ou "bolas de gelo" que tanto fascinam os leigos.

A magia depende do controle e da transformação dos elementos pelo conjurador, e a fonte de energia está nas "fibras de cristal" que se formam nas profundezas do cérebro—essa entidade impalpável é o verdadeiro alicerce do poder de um mago. E, convivendo com Clive, Morfeu percebeu claramente que o rapaz pertencia ao grupo dos desprovidos de talento.

Ou seja, por mais que esse jovem obstinado estudasse por toda a vida, talvez jamais conseguisse lançar, por si só, sequer um feitiço de nível um, segundo a avaliação da guilda.

Mas, por motivos que Morfeu não compreendia, Clive persistia dia após dia, absorvendo conhecimento como uma esponja, mesmo sabendo que o oceano de saber parecia infinito e inalcançável.

"Por que faz isso?"

Morfeu certa vez lhe perguntara, ao vê-lo despertar assustado após cochilar de exaustão sobre os livros. Recebeu, em resposta, apenas o mesmo sorriso tímido de sempre e um silencioso aceno de cabeça.

Contudo, aquele dia não viera para fazer perguntas como de costume. Percebera algo fundamental: Clive nunca tivera um mentor. Aprender magia sem um mestre era como navegar um oceano sem mapa ou bússola.

"Clive, você já leu este livro?"

Dessa vez, Morfeu não trouxe o habitual "Fundamentos da Teoria Elementar". Pegou, na estante da professora Della, um exemplar de "Sobre a Isenção dos Escudos Mágicos". O volume era fino, escrito à mão, com anotações impecáveis, sem um único erro. O conteúdo, porém, era de uma complexidade desanimadora; se Della não tivesse entregue a Morfeu, junto, o "Vocabulário Básico e Avançado", ele mal entenderia as notas e os comentários, como as frases sobre o "Estudo e Regularização do Fenômeno de Vernar e a Estatística das Transições do Nível Sete", que deixariam qualquer um perdido. Morfeu colocou o livro diante de Clive, aguardando a reação do incansável estudioso.

Clive ergueu a cabeça, os olhos vermelhos de tanto estudar. Quando viu o livro, porém, surpreendeu-se como um pirata lendário ao encontrar um tesouro raro. Estendeu a mão rapidamente, mas conteve-se ao tocar a capa metálica, fitou Morfeu e perguntou, com gratidão e expectativa nos olhos.

"Acho que pode lhe ser útil. Não sei se ajudará, mas vale a tentativa."

Morfeu não se considerava mais entendido que Clive. Pelo contrário, em teoria, Clive o ultrapassava facilmente. Mas, depois de memorizar um livro inteiro só para ter seu esforço sumariamente descartado, Morfeu sentia cada vez mais que a dedicação de Clive, embora admirável, talvez não estivesse direcionada da melhor forma.

Os livros em torno de Clive tratavam todos de "escudos mágicos", obras importantes, mas desconexas e numerosas. Morfeu, ao trazer "Sobre a Isenção dos Escudos Mágicos", talvez apenas por acaso, ofereceu ao jovem perdido no mar de teorias uma esperança luminosa, como um farol.

Clive aceitou o livro com cuidado, sem abri-lo de imediato. No meio da montanha de volumes, acariciou suavemente a capa metálica, notou a inscrição do autor e sussurrou: "Hitchcock Brian".

O nome era estranho para os dois jovens, mas, para os magos do Império de Ferdin no noroeste do continente, era lendário—um pioneiro das teorias de "Isenção Total dos Escudos Mágicos" e do "Amparo Divino", que ousara dizer: "Se eu dominar a essência dos elementos, nem mesmo o golpe de Deus me atingirá!"

O livro fino não era uma publicação impressa, nem parte do acervo de uma biblioteca. Tratava-se de um manuscrito único, a única cópia existente.

"Posso ficar com ele por dois dias?"

"Seria bom se você também se exercitasse," Morfeu respondeu, sorrindo. Não disse mais nada, deixando Clive entregue à leitura e afastando-se da Torre de Astrologia.

Aquele era o terceiro dia do desafio de dez dias proposto por Della.

…………………………………………………………………………………………

Colégio Talrense, meia-noite.

Na sombra, Guevara observava o dormitório estudantil à distância. Passou a mão no nariz, ajustou-se numa posição mais confortável e manteve-se em silêncio, fiel ao seu dever de guarda.

Nobreza, pensou, é mesmo um título sem limites. Lembrando-se dos dois nobres afastados temporariamente da escola, não pôde evitar um suspiro.

No fim das contas, ignorância é coragem—ou talvez Morfeu fosse simplesmente discreto demais.

Guevara suspirou, alisando a barba rala no queixo.

Ou, quem sabe, aquela gente não sabia reconhecer valor. Uma adaga curta de aço mágico napolitano era uma prova clara de que Morfeu não era alguém de quem se pudesse abusar, mas ninguém parecia notar o detalhe—ele só podia lamentar, ao mastigar um pedaço de pão grosseiro, que instituições de segunda categoria fossem mesmo de segunda categoria.

A pesada porta de carvalho não se abria há dias, desde que um criado trouxera uma grande quantidade de comida. No entanto, a vela acesa junto à janela indicava que o jovem seguia estudando. Antes, Guevara via Morfeu apenas como alguém a proteger, mas, desde que foi reconhecido pelo rapaz e passou a servi-lo de perto, percebeu que havia muito mais naquele jovem do que supunha.

Ali, um jovem lutava, noite e dia, por um objetivo talvez inalcançável.

No oitavo dia, após muito tempo sem banho, Morfeu mergulhou numa ducha fria para se livrar do odor e saiu de seu quarto.

Na tradição bizantina, há apenas duas refeições diárias: almoço farto e jantar leve. O povo, quase todo devoto, seguia o costume, incentivado pelo clero, de jejuar pela manhã em memória do sofrimento do Senhor. Por isso, quase ninguém tomava café da manhã. Morfeu, porém, nunca ligou para tais regras—podia passar três dias sem comer e ainda matar um javali selvagem com um golpe mortal, mas não via sentido em se privar de alimento quando a fome apertava.

Com os cabelos úmidos enxugados por uma toalha, Morfeu interrompeu seus estudos dos livros de Della porque, naquele dia, teria a disciplina de "Fundamentos de Teologia".

Como nobre, mesmo sem ter sido batizado, sabia que um dia acabaria por se tornar membro da Igreja. Havia, contudo, outro motivo, menos lógico, para ir à aula pontualmente—a pequena noviça que gostava de ouvi-lo falar.

Claro, para os outros, esse parecia o motivo mais lógico.

Morfeu não sabia quem era, de fato, o velho que se apresentava como "o pastor ignorante", Thomas de Aquino. Se tivesse curiosidade de visitar a biblioteca sagrada do Vaticano Bizantino, descobriria que mais de quinze milhões de palavras em tratados teológicos eram de autoria daquele ancião—número que ultrapassa de longe a expressão "obras completas".

O velho, apelidado de "Doutor Universal", quinze anos antes, após uma oração na Catedral de São Lourenço, em Constantinopla, renunciou a todas as suas honras e interrompeu a revisão de sua magnum opus, deixando o "Summa Theologica" inacabado. Nem os cardeais mais influentes ou o próprio Patriarca conseguiram demovê-lo.

Desde então, ele se resignara a contemplar a imagem do Cristo crucificado no alto da capela daquele colégio de segunda linha.

E sua obra inacabada chamava-se "A Suma Teológica".

Morfeu, como de costume, chegou cedo à capela e logo percebeu alguns outros estudantes já presentes. Para sua surpresa, ou nem tanto, a pequena noviça ainda não havia chegado.

Sentiu um vazio, mais incômodo que quando montava armadilhas na floresta de Hookshire e passava meses sem capturar um único coelho.

Suspiro. Sentou-se, abriu o Antigo Testamento, e notou uma figura delicada à sua frente.

Ergueu os olhos—a noviça, com o rosto levemente corado, fitava-o timidamente. Morfeu sorriu, genuinamente.

Não sabia o que dizer; limitou-se a olhar para ela, até que a moça, constrangida, desviou o olhar. Só então percebeu que talvez tivesse sido indelicado, coçou a cabeça—desta vez sem uma chuva de caspa, graças ao banho. Pela primeira vez, prestara atenção à própria aparência, motivado por aquele encontro ansiosamente aguardado.

"Hoje também vai à aula?", perguntou, sem saber sobre o que conversar.

Ela olhou o púlpito vazio, hesitou um instante, depois assentiu delicadamente.

"Quer sentar aqui?"

Morfeu ficou surpreso, mas cedeu o lugar, afastando instintivamente a adaga de aço mágico para o lado—aquilo, feito sem pensar, era um sinal de que se sentia à vontade junto à noviça. Não refletiu muito sobre o gesto.

Estava relaxado, de bom humor.