Capítulo Quarenta e Um: Estudo dos Círculos Mágicos, O Banquete
Aqui está a segunda atualização do dia. Hoje passei o dia todo fora, ainda não escrevi nada, então amanhã só poderei postar duas vezes. Peço sinceras desculpas.
Agradeço pelos votos e pelos favoritos!
A disposição do Palácio Ducal não era exageradamente grandiosa, mas aquilo era apenas a residência do duque em Constantinopla. Dentro de todo o Império Bizantino, o sobrenome Ventissol representava mais do que uma família nobre e poderosa; havia inclusive uma localidade cujo nome adquiria uma distinção incomum graças a esse sobrenome: o território do Duque de Acar — Mulen.
Como senhor feudal, o Duque de Acar raramente permanecia em suas terras. Havia muitos motivos para isso — Mulen era a maior extensão de terras sob domínio de um senhor no Império, com uma riqueza e força militar que o colocavam na linha de frente. Se o duque não tivesse adotado nos últimos anos uma postura discreta e evitado aumentar suas forças, provavelmente o Imperador de Constantinopla já se sentiria ameaçado por ele.
Nota-se, porém, que o Imperador já não protege a família Ventissol como antes. A história está repleta de exemplos em que, uma vez caçada a lebre, se cozinha o cão de caça. Os méritos dos Ventissol, que na juventude do duque conquistaram quase um quinto das terras do Império, pareciam cada vez mais distantes. Assim, quando o filho do duque foi vítima de um assassinato político, a única reação do Império foi eliminar simbolicamente o obstáculo representado pela família Cristófolos.
E mesmo assim, não foi um golpe fatal.
Diz-se que até uma centopeia demora a morrer, quanto mais uma família como os Cristófolos, cuja força e tradição rivalizavam com os Ventissol. Todos sabiam os riscos envolvidos, mas ninguém os dizia em voz alta.
Rebelião contra o Império? O Duque de Ventissol não era tão tolo. E, naquele momento, seu filho Morfeu pouco sabia disso. Para um rapaz de quinze anos, a política ainda era um mundo complexo demais, e ele não tinha interesse em se envolver nos jogos de intriga e decadência. Expulso da Academia de Talens, havia muito que aprender ainda.
Sobre sua escrivaninha repousava uma pilha de pergaminhos de Aquino. Morfeu não os leu de imediato, sem suspeitar do verdadeiro valor daquelas páginas raríssimas. Felizmente, tomou uma decisão corretíssima: leria apenas uma página por dia.
A razão era simples: ao lado dos pergaminhos, havia uma pilha de livros de magia. Com a ajuda do velho mordomo, todos os volumes da nova lista foram requisitados na Biblioteca Real. Régua e compasso para rascunhos e desenhos estavam à mão; Morfeu agora adentrava um novo campo: os círculos mágicos.
Enquanto o fundamento de todo mago está na capacidade de possuir em sua mente os chamados “filamentos cristalinos” — que possibilitam a comunicação com os elementos —, aprender a construir círculos mágicos era parte indispensável do ofício.
Só agora Morfeu sentia que seu trabalho se aproximava verdadeiramente da magia, pois os desenhos que traçava, uma vez ativados por energia, produziam reações elementares em cadeia.
Embora ainda não possuísse filamentos cristalinos, podia usar núcleos de criaturas mágicas — aglomerados de energia — para ativar seus círculos e testar se tinham sucesso. O custo era alto, mas a sensação de realização compensava tudo.
O livro “Fundamentos dos Círculos Mágicos de Brun” continha mil quatrocentos e setenta e três diagramas. O mais avançado deles chegava ao limiar dos magos superiores — o que significava que, em mais de três mil páginas, abrangia apenas as categorias de mago iniciante, intermediário e avançado.
A missão de Morfeu era dominar todos os diagramas em três meses.
Embora fossem fundamentos indispensáveis, o tempo era exíguo demais. Não se tratava daqueles desenhos simplórios que os charlatães exibem para o povo — até mesmo o mais simples dos “círculos de separação elemental” era suficientemente complexo para intimidar os maiores artistas do Império. Um erro mínimo ao desenhar com régua e compasso tornava um círculo inútil. Mesmo o mais habilidoso desenhista sabia das dificuldades de traçar linhas perfeitamente retas ou quadrados sem desvios de milímetros — e, nos círculos mágicos, qualquer erro superior a um milímetro em um diagrama de apenas um decímetro quadrado resultava em fracasso.
E nem se fale dos círculos defensivos de nível superior, que exigiam desenhos com mais de dez metros quadrados.
Morfeu sentiu o verdadeiro sabor do desafio. Se antes testava sua força de vontade, agora era a destreza manual que estava à prova. Sua tutora, Deira, ao propor-lhe a tarefa, desenhara diante dele um círculo composto por treze diagramas sobrepostos, de área modesta, mas execução impecável.
Feito à mão livre, sem auxílio de instrumentos, cada traço do círculo — digno de maravilhar o reitor da Academia de Magia de Pansel — apresentava precisão absoluta.
A diferença era gritante.
É por isso que alguns sempre observam o mundo de cima: enquanto avançam com esforço, os demais desperdiçam seu tempo com futilidades.
Os rascunhos já haviam sido recolhidos pelos criados e o quarto permanecia limpo. Sobre a escrivaninha, além dos livros, havia apenas a inseparável adaga de aço mágico de Nápoles e o punhal que recebera do Conde Isaque Blair, senhor de Padin. Quatro penas já estavam gastas, e o diagrama mais recente, sobre pergaminho, era totalmente inútil — apenas parecia complexo, mas não servia para nada.
Até magos, em combate, podem falhar ao lançar feitiços — exatamente como o erro cometido por Morfeu.
Sem respeitar qualquer ideia de jejum, Morfeu devorou com avidez um farto almoço de carnes no salão do térreo antes de subir para continuar seus estudos. Embora Deira lhe tivesse dado um prazo apertado, ela sempre sabia exatamente até onde Morfeu podia chegar. Essa avaliação refinada vinha de sua compreensão perfeita da memória e da energia do rapaz, mas mesmo assim Morfeu precisava desafiar seus próprios limites, empregando quase todo o seu tempo para aprender.
No entanto, ao meio-dia, o velho mordomo interrompeu seu progresso.
— Senhor, o mestre marcou para amanhã à noite sua companhia em um banquete. Espera que possa reservar tempo; sairemos ao pôr do sol e retornaremos antes da meia-noite.
Curvado, o mordomo não desperdiçou palavras nem permitiu perguntas, direto e respeitoso.
Morfeu, que acabara de concluir um círculo de estabilização elemental de nível inicial, sacudiu o pulso dolorido e pousou o olhar no punhal sobre a mesa antes de perguntar:
— Qual o tipo de evento?
Embora fosse uma ordem do pai, Morfeu mantinha a cautela.
— O mestre deseja que conviva mais com pessoas da sua idade. Talvez ficar tanto tempo isolado não seja adequado para um jovem nobre.
— Entendi, irei — respondeu Morfeu, esfregando os olhos cansados e voltando ao trabalho sem dizer mais nada.
O velho mordomo retirou-se discretamente, seus passos tão precisos quanto um relógio. Como mordomo do Palácio Ducal, tinha inúmeras tarefas; poderia ter delegado o aviso a qualquer criado, mas preferiu vir pessoalmente, pois era quem mais reconhecia o esforço do jovem senhor.
Todas as informações secretas da Academia de Talens que chegavam ao Palácio Ducal não eram lidas apenas pelo duque; o velho mordomo também tinha de interpretar, planejar e proteger contra qualquer ameaça. Pelos resultados daquele último mês, ele já reconhecia em Morfeu um potencial superior ao dos filhos que o velho duque perdera.
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Pôr do sol, nascer do sol.
Ao meio-dia do dia seguinte, repetindo os rituais do dia anterior, Morfeu largou a pena e pegou um exemplar de “Heráldica”, de Vestro Robin, para continuar o estudo de brasões nobiliárquicos — infinitamente mais simples que os círculos mágicos. Essa quase inútil disciplina vinha ganhando complexidade: a cada novo nobre nomeado pelo Império, os brasões se multiplicavam, e só após a recente restrição de novos títulos a situação começou a se estabilizar. Caso contrário, os brasões poderiam ter se tornado tão complexos quanto círculos mágicos.
Normalmente, os brasões apareciam nos escudos dos cavaleiros, sendo símbolos de extrema importância para aqueles que tinham a honra como valor supremo. Também figuravam nas carruagens nobres, facilitando o reconhecimento de seus donos.
Por exemplo, o brasão mais marcante dos Ventissol nas carruagens era o lírio púrpura — símbolo evidente e fácil de identificar. O escudo, ao centro do brasão, trazia um fundo escuro e símbolos que representavam a antiguidade e o status da família. Como um dos clãs mais antigos, os Ventissol mantinham um brasão simples, sem divisões e apenas com o lírio, sinal de sua ancestralidade. A cor púrpura, reservada à nobreza superior, reforçava a importância do clã no Império.
O livro de Vestro Robin registrava praticamente todos os brasões da nobreza de Constantinopla. Atendendo ao pedido de Morfeu, o mordomo lhe fornecera ainda uma lista com os nomes dos membros de cada família, poupando-lhe o esforço de conversar à toa.
À tarde, as criadas já haviam separado para Morfeu mais de quinze conjuntos de roupas e acessórios, anéis, colares e até uma centena de pares de mangas — a evolução econômica do Império tornara as vestimentas da nobreza cada vez mais variadas e distantes das dos plebeus, especialmente em eventos formais como banquetes. As mangas removíveis eram tradição em Bizâncio, e a variedade de estilos era motivo de orgulho entre os alfaiates. Morfeu, que talvez fosse hábil em combate, não tinha qualquer senso estético, e só o mordomo salvou a situação, escolhendo antes do pôr do sol o traje mais apropriado: mangas verde-escuras, camisa sóbria, calças ajustadas de padrão discreto mas luxuoso, botas de couro feitas sob medida e, preso ao traje, um pequeno cetro de prata.