Capítulo Oitenta e Oito: O Contrato Entra em Vigor! [Fim do Primeiro Volume]
Após o término da defesa, voltei para dormir um pouco e atualizei o último capítulo deste volume.
Não vou me alongar, só peço que continuem favoritando e votando, agradeço o apoio de todos!
Os gênios das grandes famílias nunca são tão simples quanto parecem à primeira vista.
Em um instante, a aura de Sara mudou, e ela atacou Mórfios com ainda mais ferocidade, avançando com os punhos cerrados que cortavam o ar como trovões abafados. No entanto, seu movimento seguinte não foi um golpe, mas um abraço de urso, o tradicional método de combate dos bárbaros!
Diz-se que guerreiros bárbaros podem, apenas com as próprias mãos, enfrentar um urso gigante e até torcer seu pescoço. Nesse momento, Sara parecia possuir exatamente essa força e potencial!
Contudo, seu ataque colidiu com um escudo invisível — mesmo que Mórfios não soubesse lançar feitiços, seu domínio puro dos elementos já estava além do imaginável para um mago comum. Isso se devia inteiramente à proibição de Della para que ele estudasse qualquer encantamento, obrigando-o, assim, a criar um escudo elementar primitivo, que, mesmo simples, era impressionante!
Embora sua resistência fosse bem inferior à de um escudo conjurado por um mago tradicional, aos olhos dos presentes parecia um verdadeiro milagre: o escudo deteve o avanço selvagem de Sara, e, em seguida, Mórfios ergueu a perna e, aproveitando o impulso, acertou o peito de Sara e girou para trás no ar! Sacou a varinha da cintura, e um brilho branco, intensificado ao máximo pela energia cristalina, ofuscou todos à volta!
Mago de nível inferior!
Os mais atentos perceberam a complexidade desse movimento. Mas, justamente quando Mórfios ergueu a mão para decretar o fim do duelo com sua arma, seu braço empunhando a varinha foi tomado por uma luz dourada!
Tudo ao redor pareceu desacelerar; em sua mente, inúmeras imagens se sucederam… Mórfios jamais teria imaginado — ele estava vendo o perigo que Ashkandy enfrentava naquele exato momento!
Pela primeira vez, o pacto agiu sobre Mórfios!
Uma sensação estranha tomou conta de seu peito. Ele parou o movimento do braço que apontava a espada para Sara, e então, de repente, seu corpo começou a tremer, enquanto o braço esquerdo brilhava com uma luz dourada sagrada!
Sara não se importou com o que estava acontecendo. Decidida a não perder um duelo que não deveria perder, ela investiu novamente!
Mórfios desferiu um soco e conseguiu deter Sara no ar — o corpo dela, lançado para frente, parou subitamente como se tivesse se chocado contra um aríete!
O braço dourado explodiu com uma força aterradora, seguido por um clarão.
Primeiro, uma onda de energia sombria irrompeu incontrolavelmente, lançando Sara mais de dez metros para trás, como uma boneca sem fios, até colidir com uma parede sólida. Em seguida, Mórfios, incapaz de se conter, ergueu o braço esquerdo, agora completamente envolto em luz dourada, e abriu os dedos, apontando para o teto.
Um enorme feixe de luz atravessou o topo do hotel, a onda de choque derrubou as damas da alta sociedade próximas, e até os mais poderosos conjuraram escudos mágicos às pressas — mas tudo o que viram foi uma cena que jamais esqueceriam.
A cúpula do Grande Hotel Messias foi completamente destruída, e, entre as correntes de ar turbulento, os chefes das famílias avistaram uma cruz dourada, sagrada, erguendo-se ao céu tendo o corpo de Mórfios como base.
Uma luz santa, quase tangível, iluminou o céu.
E iluminou toda Constantinopla.
Naquele instante, a aparição do milagre fez com que os seis chefes do Tribunal Imperial parassem imediatamente o que faziam; até o próprio imperador Eduardo III, em seu terraço com vista para Constantinopla, voltou os olhos para a distante cruz sagrada que parecia emergir da terra!
Ela era como uma chave caída dos deuses no mundo dos homens, fincada em Constantinopla.
A imponente cruz sagrada, com quase cem metros de altura, calou por completo toda a cidade; incontáveis fiéis, tomados de fervor, ajoelharam-se recitando preces, alguns monges choraram de emoção e arrependimento, prostrando-se diante do milagre indescritível!
No centro da tempestade, Mórfios desapareceu completamente após o brilho dourado.
Sem deixar qualquer vestígio.
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A milhares de quilômetros dali, a noite de Herápolis foi rasgada por um feixe dourado que subia aos céus.
No pátio dos fundos da Grande Catedral de Saint-Missu, uma explosão ecoou, seguida por uma onda de choque avassaladora!
Todos os prédios num raio de quinhentos metros tiveram os vidros estilhaçados, poeira ergueu-se do chão, cobrindo tudo em instantes — e a catedral, epicentro da explosão, desmoronou após violentos tremores, ruindo por completo!
O antigo edifício, com mais de setecentos anos, desintegrou-se, e, no desabamento, uma força inimaginável fez chover fragmentos de pedra por toda parte.
A cidade foi despertada por dois golpes devastadores em seu coração.
Quando a poeira assentou e os vultos voltaram a surgir sob a luz da lua sobre as ruínas, Herápolis — cidade conhecida como a dos deuses — parecia resistir ao fim.
Dos três anciãos de vermelho, um tombou para sempre, dois permaneceram de pé: um deles sem um braço, o outro, empunhando um cetro negro, apontava adiante.
Ashkandy, exausta mas resoluta, ajoelhava-se sobre um joelho. Suas asas negras, queimadas, encolhiam-se como se tivessem sido carbonizadas; das vestes só restavam trapos chamuscados, e quase não havia pele ilesa em seu corpo, coberto de queimaduras.
Com os olhos fundos e sangue nos lábios, Ashkandy tentava se erguer, mas o corpo estava rígido como nunca.
Quando fora a última vez que sentira isso?
O olhar de Ashkandy se perdeu, ela ergueu a cabeça com dificuldade, sem acreditar que pudesse ser derrotada por apenas três cardeais.
O ancião de feições pálidas, embora fosse o único entre os três com o corpo intacto, já estava à beira do colapso. Seu cetro negro, sob a luz suave da lua, refletia um brilho opaco; inscrições antigas pulsavam suavemente, mas sua mão trêmula parecia prestes a soltar a relíquia a qualquer instante.
— Cetro de Saffras… Maldição.
A voz de Ashkandy era quase inaudível. Seu corpo já não se regenerava como antes e parecia à beira do colapso. O cetro zumbia levemente, uma força invisível a mantinha ajoelhada, e, por mais que lutasse, não conseguia se libertar!
— Os artefatos sagrados antigos não podem te destruir totalmente, mas creio que o Tribunal te dará uma resposta — murmurou o ancião, apontando subitamente o cetro para ela.
Um raio dourado atravessou o peito de Ashkandy. A luz se apagou e ela, lentamente, baixou a cabeça altiva para olhar o sangue que escorria do abdômen, tombando ao chão.
Mas o barulho e aquele feixe dourado a fizeram abrir levemente os olhos, mesmo à beira do desmaio…
……
A Tragédia de Herápolis — assim ficou conhecido este dia no futuro pelo Sagrado Império Gabriel.
Naquela noite, os três cardeais de Herápolis morreram em combate durante uma ofensiva contra hereges. Um deles, por capturar Ashkandy com um artefato sagrado, foi canonizado postumamente pelo Papa e sepultado no Monte Heichel.
No dia seguinte, o “Triângulo Sagrado” da Inquisição Vaticana enviou mais de trezentos agentes da Cruz de Nieero para levar Ashkandy, quase sem sinais vitais, de volta ao tribunal. O símbolo da Inquisição era um triângulo dentro de um círculo, representando a Trindade; a Cruz de Nieero, por sua vez, acrescentava uma flecha em forma de cruz, simbolizando expansão e punição.
Seu papel era equivalente ao da “Espada da Decisão” da Inquisição Bizantina, mas com poderes e autoridade ainda maiores.
Ashkandy foi aprisionada e selada sob restrições impensáveis, mas não foi imediatamente levada ao salão de execuções. Em segredo, foi encaminhada para outro setor do Triângulo Sagrado, a “Pedra de Hensaro”, onde sofreria tormentos desconhecidos.
O Cetro de Saffras, arma secreta da noite, havia desaparecido quando a Cruz de Nieero chegou. Esse segredo, rigidamente bloqueado nos altos círculos do Vaticano, causou enorme tumulto!
O Cetro de Saffras não era um artefato sagrado comum — diferente da Cruz de Santa Teresa ou do Livro de Santo Agostinho, o título de “santo” não vinha do reconhecimento entre os fiéis do Vaticano, mas sim do respeito dos próprios vampiros!
Era um artefato dos vampiros, cuja origem não está detalhada nem mesmo no Antigo Testamento, apenas brevemente referida nos manuscritos do Mar Morto: conta-se que Adão e Eva tiveram mais dois filhos além de Abel, sendo um deles Caim. Caim, tomado de inveja, matou o irmão e foi expulso pelo Senhor, tornando-se o mais antigo dos vampiros, o patriarca original. O Cetro de Saffras teria pertencido a ele!
Simbolizava a ordem das trevas, o fim do caos, o ápice do poder subterrâneo.
Há mais de trezentos anos, o Vaticano obteve esse cetro de poder supremo e iniciou uma grande purga de hereges, quase exterminando os vampiros dentro de suas fronteiras. Diante do ataque repentino, os cardeais armaram uma emboscada, mas, após capturarem a culpada, perderam o artefato — o que deixou o infalível Papa furioso!
Quando a Catedral de Saint-Missu finalmente se acalmou e os escravos do departamento de obras começaram a limpar os escombros, o vácuo de liderança gerou uma confusão temporária na administração de Herápolis.
Tanto que… enquanto os guardas corriam para manter a ordem nas ruas, ninguém notou a jovem silhueta que, discretamente, puxava o capuz e caminhava pela calçada.
Fim do Volume I — O Herdeiro.