Capítulo Um: Deixando uma Promessa

Cetro Negro Asa da Morte Nassarion 3632 palavras 2026-02-07 18:52:20

O segundo volume recebe o título "O Vigia da Noite".

Hoje deveria haver dois capítulos, farei o possível para escrever mais. Após a defesa, minha dissertação ainda precisa de revisões; ontem fui severamente criticado pelo professor, agora estou finalizando os trabalhos. Amanhã, talvez só haja um capítulo; preciso garantir que o estoque de capítulos retorne a um nível seguro, afinal, quanto maior o estoque, menos erros de enredo e ortografia, pois terei mais tempo para revisar os textos. Espero que compreendam.

O tempo retorna a três dias atrás.

Um feixe dourado rasgou os céus de Constantinopla, erguendo uma gigantesca cruz de energia incomensurável. Morfeu, sendo mago, sentiu claramente a terrível aura que irrompeu subitamente do selo em seu braço esquerdo. Contudo, ao término de tudo, percebeu de repente que o cenário ao redor mudara por completo.

Não havia mais o burburinho do banquete, tampouco a abertura tocada pela orquestra; todos os sons pareciam ter sido cortados, restando apenas uma respiração silenciosa.

Ruínas. Apenas ruínas. Ao longe, mal se distinguia o contorno de algumas construções, ocultas pela escuridão.

Quando Morfeu ergueu a cabeça, viu diante de si um velho de vermelho, de um só braço, caído diante de Ashkandi. Num instante, ele investiu sem hesitação contra aquele cardeal da Cúria de Roma — inimiga declarada do Patriarcado Bizantino — e, diante do olhar atônito do adversário, nocauteou-o com um soco primitivo.

No entanto, Ashkandi, já prostrado, não se levantou mais.

Morfeu não conseguia imaginar que poder seria capaz de reduzir a tal fragilidade uma criatura das trevas poderosa o bastante para enfrentar o Príncipe Guilherme em duelo. Contudo, o efeito do pacto já o transportara para uma terra desconhecida, a centenas de léguas de Constantinopla. Tudo acontecera tão depressa que Morfeu, atônito, fitava Ashkandi deitado de costas, sem saber o que fazer.

A compulsão do pacto levou Morfeu a derrubar o único cardeal ainda de pé, incapaz de reagir, mas os dois outros anciãos caídos ao lado deixaram claro a gravidade do deslize.

Imediatamente, recolheu o cajado de Safrath, responsável pela paralisia de Ashkandi. Com olhos semicerrados, Morfeu examinou a pesada relíquia ancestral em suas mãos, sentindo, ao tocá-la, um significado inefável, como se algo surgisse em sua mente. Não houve tempo para refletir: passos apressados ecoaram ao redor das ruínas. Sem saber o que fazer, Morfeu, instintivamente, tentou carregar Ashkandi para fugir, mas foi impedido por uma mão chamuscada, quase carbonizada, que repousou suavemente sobre seu antebraço.

— Vá sozinho — disse Ashkandi, numa voz que parecia ser a última que conseguiria pronunciar. Morfeu parou por um instante, olhando para aquela figura quase irreconhecível. Os olhos, que deveriam ser rubros na escuridão, estavam negros, e o olhar continha um significado impossível de decifrar.

Os antebraços de ambos, próximos, faziam com que os selos do pacto brilhassem tenuemente, mas já não reluziam como antes.

Erguendo o olhar, Morfeu avistou guardas com tochas aproximando-se. Por fim, soltou Ashkandi, cerrou os dentes e, num salto, golpeou com sua adaga os três cardeais caídos ao chão, um a um, deixando para trás palavras que talvez nem ele soubesse por que disse:

— Espere por mim.

Com o cajado de Safrath — a relíquia negra — nas costas, Morfeu sumiu sozinho na noite desconhecida.

Deixou para trás uma promessa.

...

Morfeu já estava há três dias nas ruas de Hera, cidade estranha para ele.

Nesse tempo, livrou-se de suas roupas nobres e brasão familiar, arremessando-os no rio de esgoto junto ao portão da cidade. Substituiu os enfeites de prata e os fechos das botas por um traje simples de linho acinzentado, nada chamativo, e trocou as botas de couro feitas sob medida — herança de Constantinopla — por um par comum.

No fim, ainda restaram algumas dezenas de moedas de prata em seu bolso.

O mais importante: embrulhou cuidadosamente em tecido grosso sua varinha de madeira de fênix e o cajado de Safrath, carregando ambos nas costas. Ao amanhecer, Morfeu logo percebeu que estava no Império Sagrado de Gabriel, rival religioso de Bizâncio. Não podia, portanto, expor sua identidade de mago sob o regime opressivo daquele lugar.

Felizmente, os idiomas eram similares; com o dialeto local misturado, ninguém suspeitou de sua origem.

Morfeu comprou um alforje com cordas, facão, pederneira, adaga, utensílios de cozinha e suprimentos para sobrevivência — nada restava do jovem nobre sorridente do banquete em Constantinopla.

Nessa cidade desconhecida, tornou-se novamente um caçador.

E se havia uma presa, era algo grandioso — talvez colossal: o Tribunal dos Hereges de Roma.

O pacto sagrado não lhe permitia abandonar Ashkandi. Morfeu sabia que seu alvo não era mais uma simples fera na floresta; não apenas porque, por impulso, fizera a Ashkandi aquela promessa aparentemente tola. Na verdade, nos últimos dias, ele já despertara de pesadelos dolorosos sete ou oito vezes.

O motivo?

Sempre que Ashkandi era torturada, Morfeu sofria igualmente a punição do pacto!

Não havia tempo para amaldiçoar aquele maldito contrato. As moedas restantes bastavam para mantê-lo alguns dias, mas poderia um simples caçador de subsistência resgatar Ashkandi do Tribunal dos Hereges?

Parado diante de uma loja de armas, Morfeu sorriu amargamente vendo que até a espada mais barata custava mais que todo seu patrimônio. Mesmo que fosse rico, invadir o tribunal e sair ileso seria impossível; quanto mais agora, em farrapos?

O nome do Tribunal dos Hereges era de fato aterrorizante.

Diz-se que, em trezentos anos, os cadáveres dos julgados ali seriam suficientes para preencher o lago Brando. No quesito perseguição e morte, o Tribunal Bizantino teria muito a aprender com esse "veterano".

Mesmo o maior pão deve ser comido em pedaços; a jornada mais longa começa com um passo. Contudo, Morfeu não poderia esperar anos por Ashkandi: as torturas recentes tornaram-no cada vez mais hostil ao tribunal. Imagine sentir, em si, dores lancinantes aplicadas a outrem — quem suportaria?

Ashkandi, criatura imortal das trevas, possuía não só vigor, mas uma paciência aterradora. Mas, com as torturas recaindo sobre Morfeu, prestes a completar dezesseis anos, poucos de sua idade suportariam.

O maior temor de Morfeu era: se Ashkandi fosse executada antes que ele chegasse, morreria também?

...

Após um banquete que deveria ser grandioso, Constantinopla mergulhou numa atmosfera estranhamente inquietante.

O herdeiro da Casa Windsor desapareceu em meio a uma luz comparável à "descida divina". Difícil de acreditar, mas mais da metade da população presenciou a cruz colossal erguida no céu noturno — como explicar tal fenômeno?

No dia seguinte, o Santo Sínodo anunciou que o milagre fora resultado das preces de um bispo, consolidando o título do Império Bizantino como "Nação Abençoada por Deus" e exortando os fiéis a entregarem ainda mais sua fé ao Deus puro e amoroso.

Tais palavras já entorpeceram os ouvidos da nobreza, mas ninguém ousou comentar.

Sara Justiniano, herdeira derrotada por Morfeu, e os demais grandes clãs silenciaram em uníssono. Contudo, o duque Windsor e os Cavaleiros Hospitalários continuaram seus preparativos — oficialmente para a guerra iminente, mas, na prática, a mobilização só começaria após o inverno, com três ou quatro meses de espera até a partida das tropas.

Uma guerra não é brincadeira de crianças. O duque Windsor anunciava apenas a intenção do imperador Eduardo III — o principal foco do Império nos tempos vindouros, ainda restando muito tempo aos nobres.

Mas ao duque Acar, o tempo nunca parecia suficiente.

Onde estava seu filho?

O duque, perplexo, não ousava discutir tal questão com ninguém — a assinatura do pacto sagrado com Ashkandi era segredo absoluto, sob risco de desastre fatal. Foi então que, no terceiro dia após o ocorrido, uma figura inesperada surgiu à porta do palácio.

Vestida de negro, expressão rígida que tornava seu belo rosto gélido, não tentou entrar à força; permaneceu silenciosa. Os guardas, ao questionarem, não compreenderam suas respostas. Após informarem ao velho mordomo, o próprio duque Acar veio receber a visitante.

— Seja bem-vinda.

O duque, que pensava em ser cortês, limitou-se a estas palavras. Isso pareceu suavizar levemente a expressão da maga Della, que, sem rodeios, seguiu o duque até o salão e disse diretamente:

— Preciso saber tudo o que ele fez.

— Não é por se dizer mentora de Morfeu que revelarei segredos que jamais contei a ninguém — espero que entenda.

O duque Windsor, com voz grave, fitava a maga sem insígnias. Havia investigado todos os contatos de Morfeu, mas o passado de Della era tão limpo quanto um anjo recém-descido; além de ser chamada "maga viajante", não havia mais nada em seu dossiê — nem mesmo a Ordem do Credo conseguira informações. Sabe-se que, quando a Ordem investiga alguém, descobre até se a pessoa molhou a cama na infância. Mas aquela mulher não parecia ter ligações com Floyd, diretor da Academia de Magia de Pansel, tampouco exalava qualquer traço mágico — nem mesmo uma varinha portava. Entretanto, o mínimo de cautela é o mínimo de respeito, algo óbvio entre os poderosos.